<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212</id><updated>2012-02-06T14:02:21.539-08:00</updated><category term='Coisas da madrugada'/><category term='Espaço'/><category term='Amizade'/><category term='Dor'/><category term='existir'/><category term='a insustentável leveza do ser'/><category term='Penélope'/><category term='amor verdadeiro amor eterno'/><category term='Me Myself and I'/><category term='distancia'/><category term='Rotina'/><category term='Não fui eu foi meu eu-lírico'/><category term='Nostalgia'/><category term='Old Habits Die Hard'/><category term='Parece-bolero-te-quero'/><category term='Ausência'/><category term='Tchau'/><category term='apenas um grande desabafo'/><category term='Vanilla sky'/><category term='Paris Texas'/><category term='infinito tres vezes'/><category term='Arnaldo Antunes'/><category term='distância'/><category term='Não há vida sem literatura'/><category term='Te encontro em outra vida'/><category term='Caio F'/><category term='Vazio'/><category term='Odio amor'/><category term='Nausea'/><category term='Radiohead'/><category term='Cinema'/><category term='Chico Buarque'/><category term='Vida'/><category term='Fim do amor verdadeiro e eterno'/><category term='ano novo'/><category term='Engenheiros do Hawaii'/><category term='Fim'/><category term='Amor'/><category term='Solidão'/><category term='los hermanos'/><category term='Milan kundera'/><category term='Saudades'/><category term='Livro'/><category term='Tudo que eu queria te dizer'/><category term='Morte'/><category term='Diálogo'/><category term='Decepção'/><category term='Analise'/><category term='Música'/><category term='Maria'/><category term='cansaço'/><category term='não come não que é realidade'/><category term='samba'/><category term='Não come não que é ficção'/><category term='Adele'/><category term='e de amores talvez?'/><category term='Ressaca'/><category term='Utopia'/><category term='Alegria adolescente'/><category term='Clichê com C maíusculo'/><title type='text'>E o universo num pedaço de papel.</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>240</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-7240833504612641976</id><published>2012-01-30T21:11:00.000-08:00</published><updated>2012-01-30T21:11:39.673-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='apenas um grande desabafo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Analise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infinito tres vezes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cansaço'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da madrugada'/><title type='text'>e se ele existir, que me deixe em casa.</title><content type='html'>Querido Deus,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, não quero entrar no mérito da questão do fato de você existir ou não. Acho isso tremendamente chato, e até um pouco desnecessário. Chamo aqui de Deus, essa criatura qualquer que existe (ou não), num plano superior e nesse minuto é capaz de me ouvir. O senhor sabe (e eu imagino que saiba, porque muito falam sobre a sua onipresença), que eu sempre fui uma criatura muito perdida. Desde assim, desde sempre. E ultimamente, eu ando um pouco mais perdida do que de costume. Antes as coisas iam. Eu sempre detestei o presente em que eu era inserida (o senhor deve lembrar das minhas inúmeras reclamações), e sempre desejei estar dois passos à frente. Uma vez que chegava nesse passo à frente descobria odiar isso também, e entrava nessa insatisfação sem fim. Eu não sei se o senhor tem uma explicação pra isso, e mesmo que tenha, eu não sei no que nisso pode ajudar. Mas o que eu quero dizer é que, eu detestava o ensino fundamental, daí fui pro ensino médio e detestei, e fui pra faculdade e detestei e &amp;nbsp;comecei a trabalhar e também detestei um pouco, mas até então eu não tinha parado. Esse mês eu parei, e sabe, olha Deus, eu ando mesmo muito perdida. Nos últimos anos eu fui me enfiando em tudo que podia. Porque, sei lá com que massa o senhor me fez, mas eu acabo mesmo conseguindo tudo aquilo que me proponho a conseguir (e até o que não me proponho tanto assim).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, passei no meu primeiro vestibular, fiquei com todos os caras que queria, namorei quem eu queria namorar, passei na primeira pós graduação que tentei, arrumei os empregos que me propus arrumar. E até aí tudo bem. Eu me frustrei aqui e ali, perdi um grande amor justamente porque sempre quis ter demais e acabei me atropelando, mas ok, é a vida, talvez você aí do céu tenha um propósito maior pra isso tudo. Fato é, que hoje eu estou aqui, sentadinha na minha cama, com milhares de dúvidas e eu só posso dizer que ó: eu me atropelei. Isso de conseguir tudo o que ser "quer" é muito legal quando você tem certeza do que você quer, mas no meu caso eu fui conseguindo tudo o que me apareceu. E agora é isso. Eu tenho uma vida que um monte de gente inveja, mas eu não sei se eu queria ela. Eu não sei se eu queria ser essa designer que eu sou, se eu queria com 22 anos já ter feito um ano de pós graduação, se eu queria ter namorado todos esses caras, e ter conquistado todos os caras que me propus a conquistar (mesmo quando eu não queria eles). Isso de não quebrar a cara nunca te bota muito pouco em cheque com a vida e te faz pensar que não tem mesmo o que pensar. Eu nunca tive uma frustração muito grande que me fizesse parar e pensar "olha, talvez esse não seja o caminho certo". Até que eu perdi o emprego. Esse emprego que, bem sabe o senhor, eu achava que não ia perder nunca. Aliás, toda essa trajetória até aqui me fez uma pessoa que acha que não vai perder nunca. Porque eu nunca perdi. Exceto aquela vez, aquele grande amor, que você sabe melhor do que eu, porque sendo deus, já deve ter me espiado chorando no quarto milhares e milhares de vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E daí é isso. Me vejo aqui, pouco estimulada à qualquer coisa, meus amigos todos também, pouco estimulados. E fico esperando que o senhor (ou qualquer coisa que seja) me dê um sinal. Porque de uma hora pra outra, depois de tanta desilusão eu acho que eu dei pra acreditar em sinais. Me oferecem um emprego eu acho que é um sinal, uma nova pessoa aparece eu acho que é um sinal, a havaiana cai de um jeito diferente e eu acho que é um sinal. Porque o senhor bem deve se lembrar, ano passado eu entrei numa estrada que ia rumo à decadência, bebi bastante, minha mãe teve que me aguentar desmaiada na cama algumas várias vezes, eu aceitei todos os convites pra todas as festas, eu fiquei acordada até tarde, eu saí em dias de semana. Tudo isso pra ver se eu achava algum sentido, e o sentido não existe. Também não existe essa pessoa que você vai conhecer e vai ser capaz de mudar toda a sua vida, porque ela até pode mudar um pouquinho, mas todo mundo te decepciona, vez ou outra, o o filtro pra decepções vai ficando cada vez menor. E como o senhor já deve ter percebido, eu não ando com nenhuma tolerância ao fracasso. E também tem isso de arrumar um emprego e eu não sei nem com que raios eu quero trabalhar. Não sei de nada, e escrevo essa carta com um intuito meio infantil de que quem sabe alguma luz venha, ou a minha havaiana caia de um jeito diferente e isso seja um sinal. Só que o senhor bem sabe, que eu não gosto de havaianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho sido muito forte. Eu, se fosse o senhor, me orgulharia de me ver daí do céu. Eu tenho sido muito forte porque faz dois anos que eu tive que lidar com o trauma mais relevante da minha vida e eu continuei vivendo. O senhor também deve saber que é desde esse dia que viver se tornou mais difícil, mais complicado e cheio de latas de cervejas e coisas que eu não-queria-tanto-assim. É que eu perdi a única coisa que eu desejei com certeza na vida, e depois disso, tudo ficou muito difícil de conseguir continuar. Eu nunca quis nada tanto assim, mas você sabe que ele eu quis. É difícil admitir que uma pessoa só foi responsável por boa parte de tudo que você fez de bonito na vida. Ele era meu equilíbrio, meu norte, minha espécie de deus particular (embora fosse bastante humano), e é estranho pensar que, caso ele ainda estivesse aqui, eu nem estaria endereçando essa carta pra você. Talvez a vida me doesse, mas eu estaria te sorrindo. Você deve se lembrar que eu costumava sorrir bastante, mesmo em meio às minhas depressões, quando ele estava aqui. Teve até um dia que nós dois paramos na sacada pra discutir sobre a existência desse tal de "Deus". Chegamos à conclusão que se o senhor existisse de fato, teria coisas mais legais pra se preocupar do que com essas nossas mesquinharias. E achamos a conclusão bem acertada, embora pouco soubéssemos (ou queríamos saber) sobre esses mistérios de vida &amp;amp; morte. Tinha isso de ver o jogo do barcelona, de fazer lasanha, das pequenas alegrias corriqueiras da vida. O senhor deve saber melhor do que ninguém que meu coração está cansado. Muito cansado. E com o coração cansado fica muito mais difícil conseguir o que se quer da vida. Principalmente pra mim, que nunca soube direito o que queria. Mas a vida é isso. Você viu que meus passos me tornaram designer e que sabe-se lá porque a vida tirou a única coisa que eu tinha certeza que queria de mim. E deu p'raquela outra garota que deve estar cuidando bem dele. Eu espero que esteja, pelo menos. E sabe, de repente ficou mais fácil de acreditar que tudo isso que aconteceu, aconteceu porque tinha que acontecer. Me conforta mais pensar que minha certeza não era a certeza certa, e que agora eu tenho que depositar minha esperança num outro lugar qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabe, se você estiver mesmo me olhando daí do céu, eu estou esperando por um sinal. É porque faz dois anos que eu não sei mais no que depositar a minha fé. Sabe, e eu nem falo de fé religiosa não. Falo de fé na vida, sabe? Fé no meu trabalho, num emprego, numa amizade, em planos, em um novo amor. Qualquer coisa assim. Eu tenho medo de me atropelar, mais uma vez, porque eu sempre me atropelo. E eu tenho medo de, em mais um desses meus atropelos, acabar perdendo a única coisa que eu tinha certeza de querer. Porque eu acho que eu vou encontrar outra coisa e ter certeza que eu quero ela. E essa coisa pode nem ser pessoa. Você entende o que eu estou falando? Eu acho que entende. Eu nem sei o que eu estou te pedindo. Você sabe que eu não sou de pedir muito, sou de me deixar levar. Não sei exigir muita coisa. Não da vida. Fico esperando por esses sinais, fico esperando que as coisas se encaminhem, se mostrem claras, que haja fé em qualquer coisa que seja. Não sei se o senhor está me ouvindo. E caso esteja, eu nem sei se o senhor gosta mesmo que a gente te transforme em literatura. Mas é tarde demais, eu já transformei. Fui eu mesma a escrever em outro texto que "nós somos a geração de um deus que não há". Eu não sei no que acreditar, eu não sei o que pedir, eu não sei o que esperar. Eu não sei nem ao menos o que devo fazer amanhã. Eu nunca soube. Você - ou a vida - me tiraram a única certeza que eu tinha, e pra isso eu tive que realinhar todos os meus planos de novo. E eu (espero) que exista uma razão bastante lógica pra isso. Que eu estou esperando o senhor me contar. Traga qualquer coisa até mim, uma pessoa qualquer, um sinal, um emprego, a oportunidade da minha vida, o dia mais feliz dos meus vinte três anos de existência. Vire meu all star do lado errado na rua, me faça tropeçar na frente do amor da minha vida, inviabilize o que eu quero, ou faça tudo se alinhar do jeito que deve, assim, fácil. Faz dois anos que eu vivo anestesiada, sem esperar nada da vida, sem fazer planos, sem querer nada de verdade porque a única coisa que eu quis a vida levou numa onda gigante e eu nem tive tempo de me reanimar. Só que agora eu cansei. Cansei disso, de me lamentar, de chorar molhando meu teclado frente às fotos dos dias que não voltam. Eu preciso acreditar em alguma coisa. E mesmo que você não exista, hoje eu preciso de você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-7240833504612641976?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/7240833504612641976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=7240833504612641976' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/7240833504612641976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/7240833504612641976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/e-se-ele-existir-que-me-deixe-em-casa.html' title='e se ele existir, que me deixe em casa.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-2994387933538295718</id><published>2012-01-27T22:35:00.000-08:00</published><updated>2012-01-29T10:00:17.274-08:00</updated><title type='text'>carta aberta à uma histérica.</title><content type='html'>(de outra histérica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me disse hoje, (e eu imagino) quase desesperando que não aguentava mais ser assim. Lembro de você dizendo isso pelo menos umas quatro vezes, desde aquele ano em que nos conhecemos e não nos demos tanta bola. Sei que já te disse a mesma coisa, em vários outros momentos ao longo desses anos que povoam a nossa amizade distante de lugar, mas pertinho de alma. Você passou muito presente por todos os meus relacionamentos, aguentou firme meu trauma, me acompanhou em todos os meus flertes sérios ou &amp;nbsp;sem nenhuma importância. Eu te acompanhei em todos eles também, segurando a sua mão e brigando com você quando necessário. Soubemos xingar o pretendente da outra de "babaca" quando preciso, e soubemos aceitar, resignadas, o veredito da outra. Sempre nos soubemos certas. Eu soube que era verdade quando você me disse que eu idealizava demais, e você soube que era verdade quando eu te disse que você só queria ser amada. Soubemos, de comum acordo, quando estávamos nos envolvendo com homens que não iriam nunca nos encantar. E soubemos entender, compreensivas, porquê tinhamos o vício de insistir naquilo que não ia dar em nada. Torcemos pelos nossos êxitos todos, e seguramos nossas barras em pé. Te ouviria em todas as suas confissões sobre as suas neuroses, e choraria com você em todas as coisas que você estragasse por causa delas. Sei que você faria o mesmo por mim. Você, que apoia as minhas mancadas, que desabafa comigo às custas da tim, que sabe ser meu cazuza enquanto eu sou assim, &amp;nbsp;seu caio fernando, marilene a incendiária, botando fogo em tudo que vejo pela frente. Rimos juntas e abraçadas de nossas imensas pataquadas mundo afora, sabemos dos nossos vícios de seduzir, sabemos do nosso sintoma, da nossa fofura ensaiada, dos nossos textos bem escritos, da nossa paranoia sem fim. E sabemos também, que é difícil segurar essa barra de não saber amar sem fazer doer. Saimos por aí, fazendo drama antes de saber a razão, apontando dedos que não deveríamos apontar, fazendo pequenas vinganças diárias por coisas que na verdade não nos fizeram. Temos medo de ser machucadas, porque já somos demais, porque já nos destruímos diariamente, então atacamos. Atacamos os outros, jogando pedra em todos os vidros que vemos pela frente, mas acabamos (sempre) cortadas pelos nossos próprios estilhaços. Você me diz, tristonha, que não quer mais ser assim, e eu te ouço como se a voz fosse minha: porque eu também não quero. Não queremos. Mas somos. Vivemos com a dor e a delícia de ser exatamente aquilo que se é. O desequilíbrio que por vezes encanta, o jeito estabanado que por vezes conquista, a força que esconde por trás uma fragilidade imensa, quase infantil. Somos imaturas mulheres em cima de seus saltos altos e seus batons vermelhos. Somos crianças querendo colo, esperneando por atenção, fazendo manha, birra, chantagem, desconfiando da sombra, machucando para não ser machucada, afastando para não se aproximar demais, deixando pra não ser deixada, escarafunchando defeitos para não se apaixonar demais pelas qualidades. Nunca perdemos um jogo, não aceitamos, sempre conseguimos tudo aquilo que queríamos, só não conseguimos viver confortável nessa pele em que habitamos. Somos demais almodovár, latinas, dramalhonas e cheias de tragédias. Somos demais tango, somos demais escândalo, somos drama e paranoia, somos mulheres a beira de um ataque de nervos no próximo segundo. Você me deseja todo amor que houver nessa vida e eu te desejo, clichê, que seja doce. O que sabemos da gente é que quem vê a nossa maquiagem bem feita não imagina que ela derreta de noite, nos nossos choros que tem como única causa o fato de ser assim. E a gente se pergunta em uníssono "pra quê ser assim?". E fica retórico, porque não tem porquê, só se é. Sabemos que somos, e sendo duas, nos entendemos. Eu não te desejaria a pele em que habito se pudesse e eu sei que você não daria a sua, se tivesse tido escolha. Acontece que foi assim, e sendo assim, cabe a gente se apoiar. Não sei se temos jeito, cura, se temos equilíbrio. Sei que me equilibro em você quando acho que vou cair, e sei que você faz o mesmo. Às vezes caímos as duas, estabacadas, nariz e coração sangrantes. O que fica é que a gente sempre levanta. Sempre. Mesmo com o joelho ralado, as lágrimas escorrendo, mesmo com a vergonha do fracasso. Você será sempre a minha histérica, perua-jéssica-lange, e eu sempre a sua histérica pra quem você diz que "uma pessoa, não é como um doce que se enjoa e se diz: não quero mais". Sei de você. Você sabe de mim. Sabemos de nós. Sinto a sua dor, quero também o equilíbrio, a calma, a paz, um lugar pra ser nosso. Quero te encontrar de noite e festejar dizendo que olha, não demos show. Mas quero também que você saiba (como eu sei que sabe e eu sei), que nessa estrada curva que tenta nos levar a sermos pessoas mais sensatas, eu serei sempre o seu caio fernando, e você vai ser pra sempre o meu cazuza. E o clube das mulheres neuróticas vai vencendo assim, um dia de cada vez, porque queremos que todo amor que houver nessa vida seja doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(dizer que eu te amo seria egocentrismo. e eu não fiz parágrafos, porque não somos de pausas).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-2994387933538295718?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/2994387933538295718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=2994387933538295718' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2994387933538295718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2994387933538295718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/carta-aberta-uma-histerica.html' title='carta aberta à uma histérica.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-2809829480237236571</id><published>2012-01-27T22:03:00.000-08:00</published><updated>2012-01-27T22:03:15.261-08:00</updated><title type='text'>I get by with a little help from my friends</title><content type='html'>A vida é isso. É essa coisa que passa rápido demais, e quando você se dá conta, está numa sala (a mesma sala que povoou o início da sua juventude) discutindo o que serão dos anos vindouros. Somos meninos formados, deveríamos estar crescidos, pensando em nossos empregos (quase) fantásticos, nossa carreira acadêmica brilhante, nossa cidade dos sonhos pra mudar. Discutimos por horas a fio sobre porque tudo é tão errado, as pessoas querendo ser prodígios com seus vinte e poucos anos, nossa falta de independência, nossas ainda-não carteiras de motorista, nossos amigos que não se deram tão bem assim. Todos nós, em nossos períodos sabáticos, sentados no mesmo sofá verde de outrora, pensando em enviar currículos ou não, em entrar em mestrados ou não, em querer uma vida confortável ou querer fazer alguma diferença. Nós, jovens, quase vinte e três anos. Nós, perdidos, a geração onde não existe deus ou esperança, sem saber se casaremos, se constituiremos família, ou se estaremos vivos no minuto seguinte. Seria dois mil e doze mesmo o ano do apocalipse? O ano da mulher de duas vaginas, de luíza que voltou do canadá, das aberrações genéticas, dos experimentos revolucionários. Queremos conhecer o mundo, ou queremos ficar perto um do outro, em nosso velho sofá verde, tomando chá mate com limão? Queremos colocar em prática a última orgia antes do fim do milênio? Ainda lembramos que tinhamos essa brincadeira, quando éramos mais jovens, tinhamos menos responsabilidades e tomávamos cuba libre ao som de músicas que (ainda) não sabíamos que sentiríamos saudades? Acho que não sabemos de mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida se mostra incerta, nessas noites frias em que se pensa não sair de casa. Tudo uma imensa neblina, como aquela que tomou Londrina inteira, anteontem. Tudo muito incerto. Carreira, lugar pra morar, o salário ideal, como começar a minha monografia, família, namorado, relacionamento. Tudo prestes a se consolidar ou a ruir no instante seguinte. Queria uma vez na vida ter um pouco de certeza daquilo que quero, estar confiante, pensar em um caminho só, traçar uma meta, mas me falta ritalina na alma. Não tenho foco, nasci desprendida demais, nunca consegui terminar um jogo de videogame, nunca consegui enxergar o meu futuro todo segurando na mão de alguém. Nunca me enxerguei sendo designer, justo eu, a menina que aos dez anos de idade já dizia querer ser escritora. Me enxergo muito pouco, ainda. E isso, mas também me enxergo muito pouco profissional, me enxergo muito pouco ser humano, me enxergo muito pouco "a namorada dele" e ainda menos a "mulher dele" ou a "mãe dela". Aceitei ser, por vezes, o complemento de alguém. Duas vezes. Duas únicas vezes pra depois desistir disso pra sempre e ficar em imensas novelas sem fim de descontrole e desconcerto. Hoje, às quatro da manhã, não sei nem a cidade em que quero morar. Nem o que quero fazer amanhã. Sinto algumas várias saudades, de muita gente, de gente que está aqui, de gente que se foi, de gente que se mudou assim, existencialmente falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo mudanças em todos nós. Cada dia menos gente frequenta os sofás verdes desgastados, embora ganhemos algumas novas aparições every now and then. Apesar de tudo isso, sei que não mudamos tanto-assim. Ainda sinto em vocês o mesmo olhar cúmplice que sentia três, ou quatro anos atrás. Falo pra vocês que não sei o que vai ser do meu futuro e sou compreendida. Entendo que todos nós estejamos perdidos, jogados no mundo, sem muitas previsões de nada. Sei que tenho um lugar no mundo, um lugar qualquer que seja, quando alguém me deseja de coração que eu esteja "forever young" e eu desejo de volta, com todo meu coração. Sei que a vida ainda vale um pouco a pena quando nos refastelamos no sofá verde conversando sobre tudo que vem à cabeça. Quando planejamos ganhar na mega sena. Quando planejamos mudar de cidade. Eu acho que não sei ter outros amigos assim, melhores que esses. Nenhum outro vai fazer experimentos no quarto de casa, nenhuma outra vai ter um abraço tão reconfortante, nenhuma outra vai me levar no show do Bob Dylan, nenhum outro vai me abrigar em casa sempre que eu precisar, nenhum outro vai planejar um ano todo comigo e o ano que vier também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluo que já pensei algumas vezes em abandoná-los, já fui frustrada algumas vezes, já me senti sozinha na aventura errante que apelidamos de "vida". Confesso que já pensei em sumir, procurar consolo em outros ombros, já tive raiva, muita raiva de todos vocês. E sei que você já devem ter tido de mim. Sei que nossas relações desgastam, como qualquer outra relação, e sei que, por vezes ficaremos afastados. São quatro da manhã, eu cheguei em casa e não tenho ideia do que quero fazer da minha vida. A mais vaga ideia. Não sei se quero londrina, se quero são paulo, se quero curitiba. Não sei se quero design, webdesign, se quero a folha de são paulo, se quero redigir textos pro resto da minha vida. Não sei o que quero fazer sábado que vem, quando quem sabe estiver em são paulo. Me sinto mais do que nunca perdida, jogadas às traças, bicho solto no mundo. Me sinto mais do que nunca, a mais solitária dos seres, a página mais em branco que pode existir. Não tenho emprego, perspectiva, não tenho amores, não tenho planos, não tenho nada. Mas tenho vocês. E sei, que deitada no sofá verde desgastado, me sentirei em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-2809829480237236571?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/2809829480237236571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=2809829480237236571' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2809829480237236571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2809829480237236571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/i-get-by-with-little-help-from-my.html' title='I get by with a little help from my friends'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-8176513065047085269</id><published>2012-01-25T22:13:00.000-08:00</published><updated>2012-01-25T22:13:36.953-08:00</updated><title type='text'>Da lama à pista.</title><content type='html'>(ou a minha carta de retratação pública)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive por alguns dias em uma espécie de retiro. Não esses espirituais, em que as pessoas vão pra cima de uma montanha e esperam a iluminação divina. Pra esses não tenho paciência. Não converso com ninguém fora da internet desde domingo. Estive intratável, perdi um pouco a noção dos dias. Soube que hoje é quarta, porque teve feira na rua de casa. E sei que amanhã é quinta porque, mesmo com um pouco de preguiça, vou à um especial do Bob Dylan. Acho que nem o Bob Dylan me anima mais, e além do mais, o Bob Dylan me lembra de uma época quando &lt;i&gt;nós eramos felizes.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Esqueçam os amores, eu quero dizer que na minha vida, todos éramos felizes. Eu ouvia &lt;i&gt;ballad of a thin man&lt;/i&gt;&amp;nbsp;indo pra uel, achava minha vida miserável, mas eu era feliz. Tinha amigos que estavam sempre comigo, almoçava com eles pelo menos duas vezes por semana, e nunca tinha muitas dúvidas do que fazer nos sábados, porque eles me encontrariam. Eu tinha um namorado que me amava, e ouvíamos Bob Dylan. Eu tinha um amigo que sinto muita falta e baixamos a discografia do Bob Dylan. Eu era feliz, e ouvia Bob Dylan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metade dos meus amigos mudou, eu descobri que meu namorado não era o amor da minha vida, o cara que eu achava que era o amor da minha vida está quase casado, e meus sábados à noite são sempre uma incógnita. Perdi meu emprego, e estou nisso que chamam de "período sabático" em que você tenta desesperadamente encontrar alguma coisa que faça sentido na sua vida. As pessoas mais loucas, ou mais desprendidas, costumam se embrenhar em longas viagens sem rumo pra se distanciarem de tudo e ver se conseguem enxergar alguma coisa. Eu, covarde de tudo, sem paciência nem pra assinar os papéis que faltam no meu velho emprego, fico em casa. Fico em casa, ignoro convites, remoo alguns rancores, e divido meu tempo entre a internet, as mensagens de celular e ver tv com a minha mãe. Achava que o convívio com as pessoas ia me fazer muita falta, mas eu só sinto falta mesmo de um pouco de ar puro. Ar puro, corridas, e tomar café no shopping. Não sinto falta de ter "alguém comigo" porque todas as pessoas que eu convidaria pra um "café sabático" não estão na minha cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil conseguir dizer, ou mesmo entender o que me faz ficar assim, tão apática. Algumas pessoas (e eu não estou dizendo isso como uma agressão), me mandariam pro psicólogo, mas eu não acredito em psicólogos. Desculpem, não agora. Leio demais, comi da fruta da árvore do bem e do mal, que nos enfia na merda do conhecimento, e é isso. Sei que vou discutir com psicanalista, negar freud, perguntar dos arquétipos e dizer que o meu problema não é investimento de libido em lugar nenhum. Mesmo que eu não faça isso, tem me incomodado a ideia de pagar pra alguém conversar comigo. E algum psicólogo ao ler esse texto dirá que eu estou numa fase de negação. E posso estar. E devo estar. E é por isso que sei que, em não estando de coração aberto para a análise, a boicotaria como faço com (quase) tudo na minha vida. Resolvi então ficar sozinha, no conforto do meu lar, me deprimir o quanto eu posso e daí pensar no que raios está acontecendo comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é difícil, sabem? Porque é muita coisa e você tem que pegar todos os seus pensamentos e dividí-los em caixinhas, até que você consegue achar a verdadeira chave do problema. E até essa chave que você acha é meio duvidosa, então às vezes ela acaba levando à outra conclusão e tudo fica assim, uma bagunça enorme. Eu sei que eu tenho problemas com meus pais. Amo os dois, verdadeiramente, mas sinto falta de ser independente. Sei que tenho problemas com o meu emprego. Gosto de design, mas gosto até a página dois e por isso me frustro com muita facilidade. Sei que tenho problemas com relacionamentos amorosos: desconfio de tudo e de todos, prevejo alguma sabotagem, entro em paranoias terríveis, me descontrolo, desacredito do amor da pessoa por mim e por vezes estrago tudo antes mesmo da coisa engrenar. Sei também que, uma vez tendo frustrado tudo colocarei a culpa no destino e lembrarei desse meu "grande amor" aí que está quase casado (e que eu tenho plena consciência que nem deve ser assim mais tanto meu grande amor, mas me apeguei à idealização). Sei que tenho problemas com algumas amizades, porque não sei estabelecer limites muito claros, e deixo a pessoa me vampirizar, e tudo isso vai me corroendo de tal forma que, chega uma hora em que a única opção é explodir. Mas como eu não sei explodir, eu me afasto. Sei que tenho problemas com foco, com concentração, que sou de rompantes, que sou a little bit histérica, e por vezes um ser humano bastante difícil de lidar. Como vocês podem ver, entendo muito bem os meus dilemas, só finjo que eles não existem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finjo que eles não existem assim como finjo que esqueci de pagar a pós (pra não ter que lidar com a minha irresponsabilidade), e finjo que esqueci de ir ao meu ex trabalho (pra não ter que lidar com a rejeição e o fracasso). Finjo que não li os e-mails do meu professor (pra não ter que dizer que eu não fiz nada da minha monografia), finjo que não sei de vagas de emprego (porque não sei se as quero verdadeiramente). Sei que não termino um livro porque tenho medo da opinião dos outros e medo de descobrir que na verdade não escrevo bem, frustrando assim a única coisa que julgo amar fazer. Sei que tenho pouca iniciativa, que devia ser mais pró-ativa, mais independente, que deveria cortar o cordão umbilical da minha mãe de uma vez, mas tudo isso depende de um monte de ações que às vezes eu simplesmente tenho preguiça de fazer. Sei que devia parar de levar todas as minhas relações com esse descaso, que eu devia tomar alguma iniciativa de vez em quando, e não continuar esperando que as pessoas saibam que eu gosto delas só porque aceito os convites pra sair. Sei de tudo isso. Sei que meu desapego é uma defesa pra que não me abandonem, porque parto do pressuposto que tudo que eu amo irá me deixar. Porque nada dura pra sempre. Sei que tenho medo do novo, medo de tentar, medo de pegar as rédeas da minha própria vida, me jogar no mundo, ter peito pra dizer que não quero mais trabalhar com isso ou com aquilo, e que me recuso terminantemente à ter essa vida das oito as seis, ganhando pouco e sem dinheiro pra viajar ou ter uma casa confortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que nasci cidadã do mundo, que quero viagens, todas as viagens, conhecer gente, sair sem rumo: mas não consigo sair de Londrina. Tudo isso tem me atormentado. É difícil saber de tudo que acontece e não conseguir levantar do sofá, fazer uma lista de prioridades, e disfarçar o nó na garganta que crescer &amp;nbsp;dá na gente. É difícil estar presa numa vida que não é sua, numa pessoa que não é você. É dificil ser incapaz de dizer "estou com saudades, vamos tomar uma cerveja" e ir até às ultimas consequências, pagar pra ver, parar de bancar sempre, o tempo todo, àquela que não quer se apegar. É claro que eu não sou a mulherzinha que uma ou outra amiga espera de mim, e minha natureza me torna incapaz de querer namorar o tempo todo, querer sempre estar junto com alguém. Vivo bem sozinha, sou confortável na solidão e não é mentira. Mas por vezes levar a relação até o fim só pra ver no que vai dar, não fosse de todo mal. Sabem? Dar de presente o livro preferido da pessoa no aniversário? Coisas simples. Permitir-se se apaixonar por alguém e ser quem sabe, a namorada, a garota dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso também admitir que, na maioria das vezes, quem mais exige da gente é quem menos dá em troca, e colocar o pau na mesa, estabelecer limites, dizer que nem sempre será feita a sua vontade, porque eu tenho as minhas também, e é de ações recíprocas que vive uma amizade verdadeira. Mas eu não consigo nem sair do sofá. Isso posto, digo à vocês que não se preocupem, eu tenho uma visão muito clara de tudo que está acontecendo. E é por isso que eu choro baixinho quando acordo, fico de pijamas, evito o contato social com tudo aquilo que me pressiona, e faço poucos convites. Tenho aprendido a ver prioridades, amar tudo aquilo que me ama de volta, e ser menos exigente comigo mesma. Tenho que tomar providências, muitas delas, todas essas, mas sei que eu tenho meu tempo. Se não acho prudente ter um emprego ou aprender a dirigir agora, não o farei. Se não acho prudente ir à algum lugar, não irei. Aprendi na ausência do mundo que vivo cercada de uma gente muito maravilhosa, e de uma vida que é um pouco enrolada, mas não chega a ser ruim. Tenho muita coisa pra resolver dentro de mim, tenho muita corrida pra fazer sozinha, muito brownie pra comer lendo livro na cafeteria, até ter coragem o suficiente pra dar o primeiro passo. Tenho uma viagem quase marcada pra São Paulo, que pode vir-a-ser meu caminho pra santiago de compostela. Ou pode não ser nada. Tenho um amigo que volta dos estados unidos logo depois do meu aniversário, também com uma vida pra recomeçar. Tenho 23 anos, decidi que começo a viver agora ou não vivo mais. Mas assim, um passo de cada vez. E pode ser que amanhã eu passe o dia de pijamas, não tome nenhuma providência, e só saia pra ver o Bob Dylan, da época em que eu era feliz e não sabia. E tudo bem também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei de mim. Está tudo confuso, mas tudo tem jeito. É no caos que se cria. É da grande explosão que nasce o novo universo. Resolvi me isolar porque tem um mundo explodindo em mim, mas tudo está se reorganizando. Se sentirem a minha falta, me chamem pra sair. Eu sinto saudades também. E, embora não me sinta feliz, me sinto viva. A vida é besta. Mas pode ser boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem qualquer coisa. Apenas começamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-8176513065047085269?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/8176513065047085269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=8176513065047085269' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8176513065047085269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8176513065047085269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/da-lama-pista.html' title='Da lama à pista.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-2727298868454490257</id><published>2012-01-24T20:28:00.000-08:00</published><updated>2012-01-24T20:34:33.567-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Te encontro em outra vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clichê com C maíusculo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não fui eu foi meu eu-lírico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vanilla sky'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Adele'/><title type='text'>nevermind I'll find someone like you.</title><content type='html'>Sabe, garoto, hoje eu vi de novo a&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2ax9BqkjiPM"&gt; cena final de vanilla sky&lt;/a&gt;. E não teve porquê. Postaram na timeline do meu facebook e eu vi de novo a cena. Porque as lembranças e as coisas acontecem assim. Vêm. Aconteceu de hoje ser a cena final de vanilla sky, o filme que nunca vimos juntos. Nunca veríamos. Nunca veremos. Tentei encontrar com você, no meio dos dvds meio caros da livraria, o dvd original de vanilla sky, da primeira vez que saímos. Encontramos, mas você preferiu um cd do coltrane. Encontrei o mesmo dvd na pratileira de uma americanas em promoção e pensei em levar pra te dar. Achei inadequado, nunca comprei. Não lembro de filme direito, lembro porém de todos os outros que você me mostrou, e de todos aqueles que você me ensinou a amar. Senti saudades. Fiquei imaginando como seria se um dia você fosse o meu tom cruise e eu a sua penélope cruz. Talvez tivesse sido bonito, talvez tivéssemos nos amado até o fim dos tempos. Mesmo que eu estivesse morta, e você congelado. Não sei o que aconteceria. Teus livros ainda estão na minha estante, e eu sei que tem muita coisa que eu não seria se não fosse por você. Minha literatura (a que eu odeio e amo), renasceu com você, meu gosto por piadas malfeitas, as bandas indies. Tudo isso que hoje eu recriei é um pouco seu, e vem um pouco de você. Antes doía. Antes eu ouvia adele e doia, ouvia coldplay e doía, ouvia qualquer banda que fosse e doía. Me lamentei muito ao som de baladas bregas, quis você em todos os meus relacionamentos frustrados (e não foram poucos). Chorei de novo nas cenas dos nossos filmes preferidos, comprei um deles e nunca nem consegui tirar do plastiquinho. Guardei na gaveta. Com os livros que você me emprestou e eu nunca devolvi, com a filosofia pós moderna que eu desisti de ler desde que você se foi. Você levou meu jean baudrillard e eu fiquei com um maffesoli mudo. Não tem mais pra quem contar sobre o livro que inspirou matrix. Por algum tempo ficou sem fazer sentido ir na orquestra, ver filme novo do tarantino, contar minhas impressões sobre o oscar. Desisti até de parecer inteligente. Hoje está tudo bem.&lt;i&gt; I heard that you settle down, that you found a girl and you're married now. &lt;/i&gt;Eu, por minha vez, não casei, não arranjei outro namorado, me aventurei bastante e enjoei bastante da vida. Às vezes teimava que você nunca mais ia ser feliz do jeito que fomos, com os sorrisos que mostramos em nossas fotos empoeiradas e nos momentos que ficaram guardados, meio que pra sempre. Hoje eu sei que você deve ser feliz, do jeito que você pode. E eu sou também. Eu tento. A saudade não me corrói mais, eu não acho que você seja o último homem do mundo pra mim, embora por vezes eu tenha chorado nos jogos do campeonato espanhol porque não vejo mais sentido nenhum num barcelona sem real madrid. Não suporto mais o messi, e às vezes fico pensando se eu amava mesmo tudo aquilo, ou se eu amava porque você amava também. Também te vejo tão diferente do que você era, e fico pensando se de repente isso que a gente é agora não é o que a gente é verdadeiramente, e o que éramos juntos era uma espécie de ilusão. Acho que nunca saberemos, garoto. Você não me dói mais. Eu sinto saudades, porque desde que você se foi, eu tenho que arrumar vários outros melhores amigos pra botar no seu lugar, e às vezes eu canso. Canso da vida, e ninguém nunca mais disse que "seus amigos não gostam de te ver depressiva, então pare". Também não vejo nas pessoas a impaciência por não saber o que me dizer, querendo achar as palavras certas nos meus surtos (que a gente sabe que não são poucos), elas só me deixam pra lá, e dificilmente sorriem me dizem que "a sua vida é muito boa, não tem porquê isso". Eu brigava com você na época, mas você já enxergava o que eu só consegui ver agora. Minha vida era muito boa. &lt;i&gt;Yesterday was the time of our lives.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;Mas eu sobrevivo. Sobrevivo porque tudo deve ter acabado quando tinha que acabar, and &lt;i&gt;guess she gave you things, I didn't gave to you.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Não quero achar ninguém como você, porque eu sei que não tem. Quero achar outra pessoa, me divertir com outra pessoa, amá-la tanto quanto eu te amei. Ou mais. Quero amá-la mais, se você não se importar. Porque sabe, garoto, talvez o nosso amor não fosse mesmo pra essa vida. Porque cada minuto que passa é uma chance de mudar tudo pra sempre. E eu te encontro em outra vida, quando nós dois formos gatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-2727298868454490257?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/2727298868454490257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=2727298868454490257' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2727298868454490257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2727298868454490257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/nevermind-ill-find-someone-like-you.html' title='nevermind I&apos;ll find someone like you.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-8817718515262463049</id><published>2012-01-24T19:54:00.000-08:00</published><updated>2012-01-24T19:54:54.350-08:00</updated><title type='text'>trust no one.</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: white; color: #999999; font-family: 'Droid Sans'; line-height: 19px;"&gt;&amp;nbsp;É como se, com sentimento, eu fosse uma massinha de modelar. Com algum cuidado ela pode virar um pedaço de coisa concreta, mas deixada de lado é apenas um rolinho de massa colorida que em potência podia ter virado uma coisa concreta, mas em ato é só aquilo que sempre foi. Uma semana, duas, um mês. Te olharia nos olhos e me certificaria que existe qualquer-coisa-que-seja dentro de você. Não acreditaria. Esperaria - no paradoxo mais incrível do ser - por uma prova concreta. O que querem dizer seus risos, seus olhares, seus convites? Eu preciso da palavra - eu, que guardo a palavra até o último minuto - eu preciso da palavra pra ter certeza. E até ela, a palavra, é incerta. Eu já menti milhares e milhares de vezes, e você pode mentir também, e então esperaria por um olhar apaixonado, mas sem nunca fazer nada para que ele acontecesse. Seria pra você como uma musa, uma obra de arte, uma coisa que merece ser admirada pelo simples fato de existir. A não-reprocidade do amor que existe entre uma coisa viva, e uma natureza morta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #999999; font-family: 'Droid Sans'; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #999999; font-family: 'Droid Sans';"&gt;&lt;span style="line-height: 19px;"&gt;(re)utilizando trechos de mim mesma, no mesmo mantra: ainda não sei (ou nunca soube) confiar em ninguém.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-8817718515262463049?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/8817718515262463049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=8817718515262463049' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8817718515262463049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8817718515262463049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/trust-no-one.html' title='trust no one.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-9081680128849612446</id><published>2012-01-22T21:01:00.000-08:00</published><updated>2012-01-22T21:01:59.870-08:00</updated><title type='text'>don't worry,you still breaking hearts.</title><content type='html'>(with the&amp;nbsp;efficiency that only youth can harness)&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí tinha esse cara. eu conheci esse cara no salão de cabeleireiros, numa das primeiras vezes que fui tirar a sobrancelha. Ele usava uma jaqueta azul e preta, e eu só lembro disso porque minha memória não esquece de (quase) nada. Sei a roupa de todos os meus ex-amores (ou quase amores) em seus primeiros encontros. Guardo fatos, memórias, lembranças, bilhetes dentro dos livros, frases de efeito. Guardo que esse mesmo cara do salão de cabeleireiros estudava no meu colégio, e tivemos o que se chama de encantamento mútuo. Ou amor à primeira vista. Mas amor não, porque amor é uma coisa muito definitiva. Tivemos isso. Não sei falar direito, não sei demonstrar, só sabia sentar perto do grupo de amigos dele na hora do intervalo e supor que ele também gostava de mim. Um dia perguntei o nome dele. Duas semanas depois entreguei uma carta me declarando. Não sei o que dizia na carta, faz oito anos desde o ocorrido. Lembro de ter escolhido bem as palavras e de ter dobrado a carta do jeito que todas as meninas dobravam as cartas na época. Havia uma certa moda da dobradura das cartas, a gente se mandava muita carta no colégio. Ainda não existia facebook.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto da jaqueta azul me chamou pra conversar (acho que) uma semana depois da entrega. Ou um pouco antes. Sei que fui, e dotada de certa inexperiência não sabia o que falar. Não soubemos. Qualquer coisa me desencantou nele. Não sei se era o jeito de olhar, ou o nariz meio torto, ou um dente esquisito. Não sei se era isso, ou a minha mania suicida de correr logo depois do objetivo alcançado. Desisti. Deixei o garoto da jaqueta azul pra lá, como quem empurra uma comida que enjoou de comer. Nunca cogitei o fato do tal garoto de jaqueta azul gostar de mim. Pra mim estava tudo bem. Queria, agora não quero mais. Vivemos. Pra ele não foi bem assim. Nos próximos dois anos dele no colégio, ele me olhava com mágoa. Eu não sabia muito bem o que era mágoa, e nem entendia direito o que eu tinha feito. Eu encarava tudo como uma brincadeira, um jogo, um brinquedo que eu queria muito ter e depois não queria mais. Acabava por achar bem engraçado o jeito esquisito com que toda a trupe de amigos dele me olhava. Encontrei com esse garoto na faculdade, algumas vezes. Ele ainda não sabia lidar bem com a minha presença. Mudava de lado do ônibus, evitava, ficava longe. Depois de alguns anos eu fui me dar conta que, talvez esse meu "não querer mais o brinquedo" tivesse magoado ele de verdade. Não tinha mais o que fazer. Estava feito, o estrago. Ele me detestaria, ou pelo menos se incomodaria comigo por causa do coração que eu (quem sabe) despedacei quando ele ainda estava no colegial. O reparo não é refeito, nao existe superbonder pra colar o sentimento. Minhas desculpas seriam falhas demais, e meu arrependimento não mudaria os fatos. Nada podia reparar a minha negligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei com esse cara ontem, já sem a jaqueta azul e preta, mas com os mesmos amigos. Não sei se ele ainda se incomoda comigo. Por vezes tive a impressão que sim. Talvez se eu estivesse mais bêbada, eu me daria ao trabalho de perguntar. Mas, sóbria e coerente achei melhor deixar tudo como estava. Eu vou sumir pela cidade, ele também, faz oito anos do ocorrido e ele encontrará um novo amor. Ou isso, ou algum psicanalista, algum freud, lacan, skinner ou jung darão jeito no mal que eu causei. Fato é que, enquanto eu dançava as músicas ruins e o ambiente me enjoava eu pensava em quantos corações eu já tinha quebrado por pura negligência. Eu juro, eu não faço por mal. Não levanto de manhã e penso "hoje magoarei essa pessoa". Eu só nunca imagino que as pessoas estejam de fato envolvidas comigo. Não o suficiente pra se magoarem. Eu trato sentimento como aquelas crianças descuidadas. Como um brinquedo. Se quebrar, a gente leva na loja e troca por outro. Ou compra um mais bonito. Não assim, frio assim, seco assim, mas assim. Qualquer coisa em mim não sabe cuidar, regar a planta, ser responsável por aquilo que cativas. Li pequeno príncipe aos 12 anos, depois aos quase vinte, mas essa lição eu não aprendi. Até porque, nunca soube lidar com o sentido de "eternamente", palavra que me atormenta e me arrepia até a ponta do nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo uma retrospectiva, magoei todas as pessoas que já gostaram de mim. Até as que eu não deixei. Quer dizer, as que eu nunca não-deixei alguém. Uma vez fui quase deixada, numa cadeira, chorando, no meio de um monte de bêbados. Eu digo quase porque eu fui deixada de fato, mas anos antes eu tinha deixado também. Foi uma revenge. Talvez não dele, talvez da vida, do destino, não sei como chamar. Mas foi. Não tivesse eu tratado o começo do sentimento com negligência, talvez não tivéssemos nos abandonado. Hoje enxergo assim. Se ele me abandonou, o abandonei também, quando no começo não o quis e escolhi o outro. Sou desapegada talvez por um certo medo de ser deixada, talvez por defesa, talvez por saber que, um dia enjoarei do brinquedo e o deixarei ali, no canto, na caixa de doações. Desapegada, ou alice do closer, que prefere sempre deixar ao invés de ser deixada. Deixei sem nenhum remorso alguns vários amores na minha vida. Porque enjoei, porque conheci outro melhor, porque encasquetei de ficar sozinha. Ajo com total negligência com qualquer relacionamento, falo demais, exijo demais, brigo quando não deve e já magoei de propósito. Sei onde enfiar a agulha pra fazer sangrar a ferida, conheço de pontos fracos, e se me perguntarem direi que não chorarei o luto da partida quando me deixarem. Ou não entrarei na fossa da solidão, se eu os deixar. E não entrarei. Não entrarei porque nunca entrei, porque criei resistência, porque não me permito, porque parto pra outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei é cuidar de corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não soube com o menino da oitava série, não soube com os meus outros namorados, com o único homem que julguei amar na vida, não soube com os pequenos casos, com os rolos sérios, com as paixonites de ocasião. Sei que sou altamente destrutiva. Sei que me destrui também no processo, fiquei cansada, amargurada, sem paciência. Sei que já fui mais esperançosa, já pelo menos quis tratar os corações com alguma calma e com algum cuidado, já deixei bilhetes dentro de latinhas com presente, já fiz o doce preferido do amado depois do almoço. Segurava o coração como quem segurava um ovo, com medo de quebrar a qualquer momento, mas tentava. Tentei duas vezes, três, não mais que isso. Agora sei que estou cansada demais, intratável demais, negligente demais. Agora tenho medo do meu "não saber lidar" às vezes afasto de propósito, às vezes sumo sem dar explicações, e na maioria das vezes simplesmente não faço questão. Deixo que o amor floresça ou embolore, do jeito que o outro bem quiser. E se for o caso de dar errado, não vai ser a primeira vez (e nem a última).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que, ontem, olhando pro cara crescido que já usou jaquetas azul-com-preto, fiquei cansada. Cansei de ser assim, esse desajeito todo, destrutiva assim, saindo das casas e deixando copos quebrados. Fiquei cansada dos meus abandonos e da legião de corações destroçados que deixei por aí, sangrantes, e ainda pisei em cima. Eles com certeza já me superaram, hoje batem muito bem, provavelmente por uma mocinha menos complicada. As mocinhas menos complicadas tiveram que lidar com o coração magoado, mas essas mocinhas costumam entender melhor deles, e devem ter dado jeito. O jeito que eu nunca soube dar. Todos os meus ex qualquer coisa (tirando um ou outro), hoje namoram essas mocinhas menos complicadas, e parecem felizes. Às vezes acho que é a minha sina. Destruir as esperanças de alguém pra que outro alguém revigore a fé deles. Só que de repente, é domingo de tarde e você descobre que cansou disso tudo. De ser intratável, negligente, de deixar os corações cairem no chão e espatifarem que nem ovos. Acontece que eu acho, que a essas alturas eu já também derrubei meu coração no chão e ele espatifou. Me sinto cansada, terrivelmente cansada. Cansada de ser isso, assim, cansada de não ter esperança, cansada de racionalizar os jogos de amor como quem joga poker. Estratégias, respostas, ação-e-reação. Não sei se tem cura. Talvez, à essa altura, seja preciso um outro coração quebrado pra entender o meu. Talvez à essa altura só me reste desistir, continuar, do jeito torto que sei, dançando tango argentino nos corações alheios - e depois partindo. Mas é que pelo menos uma vez, eu queria saber como é ficar. Tem como?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-9081680128849612446?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/9081680128849612446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=9081680128849612446' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/9081680128849612446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/9081680128849612446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/dont-worryyou-still-breaking-hearts.html' title='don&apos;t worry,you still breaking hearts.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-8729583891304466965</id><published>2012-01-21T23:57:00.000-08:00</published><updated>2012-01-21T23:57:21.188-08:00</updated><title type='text'>você precisa é de um homem pra chamar de seu</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="p1"&gt;(não consigo escrever há uns dois dias e pra manter esse querido blog atualizado, os deixo com um texto escrito há quase dois anos atrás - e nunca postado).&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Licença, hoje eu quero falar é de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Não que eu não fale das outras vezes, entendam bem, é SÓ o que eu faço. Mas hoje, especialmente, quero dizer, eu, primeira pessoa do singular, assim, personagem de nada, só existindo como se deve. Eu, há 21 anos, tenho evitado sempre que posso o termo "melhor amiga". Não por nada, apenas assim, nunca a tendo tido, evitei. Também evitei o termo "melhor amigo", mas aí por razão contrária, completamente díspar: por não saber escolher. Agora amiga, sempre tive uma só. Em momentos diferentes, mas sempre. Uma, e mais uma legião de meninos do lado. Tenho uma alma masculina, quem sabe, prática. E gosto da troca de experiências entre mulheres e homens. Não no sentido físico, mas no existencial, quem sabe. Homens são mais práticos no lidar, não competem com você e não sofrem de TPM. Eu também não sofro, e não compreendo a histeria das outras mulheres, e muito menos a necessidade delas de justificar o mau humor em hormônios. Devo acrescentar, sou bicho-homem. Ou aprendi a ser por falta de meninas do lado. Quando criança só tinha primos, e brincava de bola. Filha única, bonecas apareciam vez ou outra, mas como brincadeira solitária. Aprendi a ser menininha com a minha tia, e a ser menino com meu pai, que em não tendo um filho homem, me ensinou o futebol, o gosto pelos esportes e a praticidade. Na escola sempre tive amigos meninos, mesmo quando as outras meninas odiavam os guris. Lembro do Rafael, do Felipe. Lembro de me juntar na parte de trás da salas e jogar aquele jogo de almofadinha com eles, três ou seis marias, não sei bem o nome daquilo. De melhor amiga tive algumas, que fizeram rodízio, e nunca mais de uma. Pelo menos não como assim, melhor amiga. Fora isso nunca tive a estranha cumplicidade das mulheres que se unem contra os homens-cachorros. Homens não são cachorros, não são invejosos e principalmente, não perdem tempo com tantas bobagens.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Mulher é bicho-fêmea, quer marcar território, ser grande, ser a única, ser a alfa. Homem não. Homem divide, compreende, toma cerveja e se ferra junto sempre que pode. Homem se doa num sentido não egoísta. Doa sem saber que se doa, por companheirismo puro. Não deseja nada em troca. Meus fiéis escudeiros sempre foram da raça masculina. Os meus meninos do segundo, do terceiro colegial, depois da faculdade. Já as meninas, até se doam. Mas olha, me decepcionei demais nesses vários anos de amizade feminina. Mulher sabe ser multifuncional, mas só antes de encontrar o amado. Depois disso se atrapalha toda em função dele, e vira sim, vira mulherzinha. A primeira amiga que perdi por conta de bicho-homem foi na sétima série, quando apareceu-lhe o primeiro namorado. Eu, bicho solto, ficava ali, sobrando, como filho ciumento que tenta pegar um pouco da atenção que a mãe atribui ao pai. Confesso, não foi bom. Faltava-me. Faltava me o ombro, o aconchego, e principalmente - a exclusividade. Não que nenhuma pessoa que comigo convive deva existir apenas para mim, mas deve, existir quando assim sinto preciso. Faltava. Não havia mais o tempo para os shoppings, as longas conversas. Faltavam-me as cartas, os telefonemas, as mensagens. E em pouco tempo faltava a preocupação, a atenção e o cuidado. Meses depois, minha melhor amiga não existia. Existia a namorada de fulano, coisa-pertence, ser-humano perdido.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;E assim foram acontecendo sucessivamente, a troca. Não é que eu exigisse o tempo todo pra mim, mas é que o tempo para mim apenas deixou de existir. Deixou também de existir em todas elas a persona "amiga". Sobrou apenas a persona "namorada", a amélia que reside em cada mulher e que gosta de cuidar - e ser cuidada - por seu homem, sempre que assim precisar. Ou melhor dizendo, sempre. E foi assim que me desapeguei não só do termo "melhor amiga", como do fato. Tenho sim, amigas, umas até muito incríveis e que estão ali. Mas temo. Temo perdê-las para qualquer bicho-homem que aparecer em seus caminhos. E afirmo: temo e vou. Não sei se isso é parte integrante da vida de toda mulher: um dia entregar-se inteira a ser apenas o pertence de outro ser, mas aconteceu com todas as espécies-amigas que cruzaram o meu caminho. Elas negam, dizem que não e bradam sempre que podem: "sou uma mulher independente". Não o são. A dependência do século XXI não reside mais nas coisas de outrora. É claro que (quase) nenhuma delas se presta a passar tardes cozinhando e lavando a roupa de seus respectivos e nem tampouco dependem deles financeiramente. Até o contrário. Vangloriam-se de não saber fritar um ovo e de pagar metade da conta no cinema e do restaurante. Depois gritam: "não dependo de homem nenhum". Tolas. A grande dependência é a emocional. Não cozinham para o seu bicho-homem, mas não saem sem ele. Exibem culpa. Culpa de aparecerem de mãos vazias na rua quando na verdade pertencem a alguém. Necessitam do estar diário quase que doente. Necessitam de ouvir te amos diários. Necessitam de ter o bicho-homem ao seus pés todos os dias da semana. Sacrificam aquilo que tem de mais sagrado: seu tempo. E gastam todo ele em função de agradar seu bicho homem. Não com comidas, com roupas lavadas, com a subserviência do dinheiro. São dependentes hoje do afeto, do carinho, da presença e quem sabe até do pau. É, do pau. Mulher é dependente de companhia. Companhia de homem, de macho, de ser-que-cuida. Mesmo que esse seja falho e não exerça nem metade das funções que deveria. E por ele se doa, se transmuta, e esquece seu universo. Mulher de hoje depende de homem. Não pelo o que ele é, e sim pelo que ele representa.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;E são assim essas minhas mulheres (salvo raras exceções). Dependem de homem pra sobreviver. Deles. Do existir deles. Do respirar deles. Do bem estar deles. E eu não estou dizendo que isso é errado não. Homem é ótimo. Quando na dosagem certa. Pode, é claro, durar pra sempre. E eu não duvido que um ser possa se fechar apenas dentro de sua vida com seu homem. Mas pode também acontecer de acabar, e essa mesma mulher se ver sozinha e já sem nada. E daí, corre pra onde? A procura de outro homem, pois não aprendeu a ser verbo intransitivo. É verbo transitivo direto. Depende do complemento. E aí põe os pés pelas mãos a procura de qualquer homem que seja, que represente companhia e um pau. Mesmo que seja o pior dos homens do mundo. É homem. É complemento. Desisti de ter melhores amigas, porque não sei estabelecer relações de posse. Tenho amigas. Poucas. Boas. E que felizmente, aprenderam a ser. Existem com seu homem, mas também existem fora deles. Não vou mentir. Hoje enxergo apenas umas duas. Logo talvez nem isso. E aí você me pergunta, e você? Como disse, sou bicho-homem. E isso não é lá superioridade nenhuma. É até de uma grande cafasjestagem. Admiro os homens e os tenho perto, como amigos fiéis, porque eles aprenderam a largar as mulheres em casa para uma pelada com os amigos, ou uma cerveja no bar. Admiro esse homem. Que existe enquanto companheiro, mas que existe também enquanto pessoa. Com e sem a sua mulher. Egoistamente, sabendo ser gente. Admiro a mulher que larga seu homem por um passeio no shopping com uma amiga, por uma cerveja no bar, por uma noite sozinha com brigadeiro e filme meloso. A mulher que sabe que ser a namorada, ou a mulher de alguém é um estado e não uma condição. E pode passar. Admiro também a mulher que passa a tarde toda cozinhando para seu amado e tem com ele uma tarde imensa de amor, os dois e os dois apenas. Mas que não faz só isso. Faz também isso. Entendem a diferença?&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;E depois de duzentos e duas decepções, digo a vocês: não tenho melhores amigas, e largo sem culpa alguma meu namorado em casa por qualquer uma de minhas meninas - ou meninos. Não é insensibilidade não. É condição humana do verbo ser. Verbo Intransitivo. E em primeira pessoa do singular: sou. E só dependo de complemento quando quero, e principalmente, quando - e porquê - me faz bem. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-8729583891304466965?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/8729583891304466965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=8729583891304466965' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8729583891304466965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8729583891304466965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/voce-precisa-e-de-um-homem-pra-chamar.html' title='você precisa é de um homem pra chamar de seu'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-3851233832742887577</id><published>2012-01-19T19:51:00.001-08:00</published><updated>2012-01-19T19:51:48.933-08:00</updated><title type='text'>anything else.</title><content type='html'>e concluia, sorridente: o suspiro é a voz do sentimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-3851233832742887577?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/3851233832742887577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=3851233832742887577' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3851233832742887577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3851233832742887577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/anything-else.html' title='anything else.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-2146359201131004538</id><published>2012-01-17T22:23:00.000-08:00</published><updated>2012-01-17T22:23:09.011-08:00</updated><title type='text'>There's no light over London today</title><content type='html'>escrevo. mas nunca fui boa em escolher as palavras certas para encontros cara-a-cara. não sei como me portar frente a situações limite, não sei o que dizer, nunca fui boa em consolar. sei que a vida exige da gente um certo saber-lidar, uma dose de coragem, três tantos de destreza. A vida te pega as oito da noite com notícias inesperadas, no meio de uma tarde que não pretendia nada demais, nem nada de sério. porque as pessoas nascem, crescem, criam famílias ou não, são felizes ou nem tanto, envelhecem (ou não) e morrem. morrer é o inevitável e ao mesmo tempo o tropeço da vida. a única certeza e a pior dúvida. sabemos que morreremos, mas quando? é a pergunta que atormenta. às vezes é assim, as quatro da manhã de uma segunda feira qualquer. quando a gente envelhece, a morte de gente que a gente nunca viu passa a afetar a gente. nossos amigos perdem também parte de suas famílias e quando um amigo perde uma parte de qualquer coisa, a gente também perde uma parte da gente. nunca sei o que dizer exatamente nesses casos. só sei que a vida é assim, inesperada, corrida, fatal. sei que o caminho dos nossos avós é a morte, e logo mais o caminho dos nossos tios, e - que terrível - também o caminho dos nossos pais. todos nós somos filósofos frente a morte. pensamos sobre o corpo, sobre o encarar o fato, sobre que caminho faz a alma (se a alma existir). o que somos nós frente à imensidão do mundo, porque corremos tanto, porque nos desesperamos, porque fazemos dívidas, compras, exibimos carros, porque nos lamentamos em bancos gelados as duas da manhã porque não temos mais perspectivas? qual é o sentido de tudo isso se no fim estaremos deitados no caixão, cheirando a cravo e coroa de flores? everything is falling. eu, você, a nossa vida, tudo aquilo que conhecemos, nossa cidade, nossas famílias. tentamos reviver nosso passado e não conseguimos, tentamos ser felizes de novo e falhamos, porque a vida é um pouco como a morte também. algumas coisas depois que se vão se tornam definitivas. outras, por outro lado, se tornam lembranças eternas, pedaços de coisa infinita, a alma que continua vivendo depois da morte do corpo. nunca fui boa em escolher as palavras certas para os encontros, mas entendi que certas coisas se dizem melhor no silêncio. de algum jeito torto eu te entendo, de de algum jeito torto também você entende que é assim. te diria mil coisas, quem sabe, tentando traduzir o desejo de consolo em palavras, mas sei que não posso. a dor da morte é só nossa, não tem como dividir. mas o que é a amizade senão isso? o eterno desejo de, se não conseguir dividir a dor da vida, ao menos conseguir distrair dela. no meio da chuva e do cheiro de cravo eu entendi que, por mais que certas coisas mudem muito, outras tem o poder de permanecerem do jeito que estavam. são as coisas que continuam em silêncio. é o laço invisível das relações. amizade em estado puro. (re)conhecimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-2146359201131004538?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/2146359201131004538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=2146359201131004538' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2146359201131004538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2146359201131004538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/theres-no-light-over-london-today.html' title='There&apos;s no light over London today'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-2102352737494823724</id><published>2012-01-16T22:49:00.000-08:00</published><updated>2012-01-16T22:53:12.438-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Analise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não come não que é ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clichê com C maíusculo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nausea'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da madrugada'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Solidão'/><title type='text'>500 maneiras de enlouquecer um homem na cama.</title><content type='html'>Tinha sido isso, sexo e só. Por mais que exista afeto é impossível amar alguém que se conhece há menos de dois dias. Todo o jogo que tinha sido feito até ali tinha como primordial objetivo terminar na cama. Não era esse o objetivo de todos, no fim das contas? Um jantar, uma bela conversa, taças de vinho, restaurantes caros, comidas rebuscadas, a banda preferida no rádio do carro. Tudo pretendia terminar no encontro de corpos, numa cama qualquer, às três horas da manhã, com o objetivo de testar se ela fodia bem. Estava cansada dos jogos, do que pode e do que não pode, dos homens que se mostravam agressivos depois da presa conquistada. "Você é uma fresca", por vezes ouvia. E não se abalava, porque não tinha comprometimento nenhum em agradar aqueles homens que no fim das contas, não queriam muito mais do que o seu corpo. Ficava ali, inerte, imóvel, fazia o que tinha vontade e às vezes se segurava pra não cuspir na cara desses novos parceiros. Não queria ser nada, não queria nada disso, não exigia de ninguém grandes performances, orgasmos inexplicáveis, dez fodidas numa noite só. Dane-se. Quantidades, desempenho, comprometimento, saber todas as zonas erógenas do corpo de uma mulher. Isso qualquer babaca sabe, tem que saber mesmo como lidar, como tratar, o jeito certo de colocar no colo depois de um dia difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia saudades dos desajeitados, daqueles que de nervoso não conseguiam desabotoar direito seu sutiã, beijavam meio fora de compasso - mas a olhavam nos olhos. Se encantavam. Não eram máquinas da performance sexual sem erros. Da noite perfeita, da busca pelos orgasmos múltiplos, da espera pela mulher-puta e surpreendente na cama. Máquinas. Máquinas de prazer, vibradores com sangue que pulsa. Preguiça anterior de tudo isso. Procurava assim, humanidade. Clichê. Tinha se tornado um clichê ambulante desde que começou a se sentir vazia no meio das noites e dos novos encontros. Era pra isso? Era pra isso os elogios, os flertes, os chocolates, as saudades? Tudo isso deveria, inevitavelmente, terminar em sexo? Não deveria. De repente sentia-se cansada e queria uma vez que fosse passar uma noite inteira conversando, olhando pro teto, de mãos dadas, dividindo a vida. Queria um homem qualquer que não quisesse saber da sua performance sexual. porque isso viria, um dia. Sempre vem. E se torna fato comum, natural, o balé do envolvimento entre duas pessoas. Uma vez na vida um homem que levasse as coisas com calma, que quisesse apreendê-la na alma antes de possuir-lhe o corpo. Uma vez na vida o cortejo, o amor, o desajeito, a timidez, os quatro encontros antes da primeira noite. Ir no cinema. Qualquer coisa assim, brega assim, aceitaria que a chamassem de "princesa", de qualquer adjetivo cafona que fosse, se pelo menos um dos homens que encontrasse pela rua não tivesse como objetivo primordial saber se ela cospe, engole ou sabe chupar direitinho. Vivia sôfrega de tanto encontro errado, tanta bebedeira, tanta pegação no banheiro da balada, no banco de trás do carro, na cama de gente que nem tinha antes conhecido a casa, descoberto o nome do filme preferido. Não aguentava mais ser assim, essa alma errante e sozinha e tentar se achar, em meio de corpos, de noites sem poesia, dessa merda de performance sexual. Foda-se a performance sexual, fodam-se vocês todos.&lt;br /&gt;Todo mundo precisa de amor, uma hora ou outra.&lt;br /&gt;Precisa ser olhado nos olhos.&lt;br /&gt;Precisa.&lt;br /&gt;Precisa parar de ser máquina, precisa esquecer os manuais.&lt;br /&gt;500 maneiras de enlouquecer um homem na cama. Foda-se.&lt;br /&gt;"Foda-se se você encontrou meu ponto G, eu queria que você encontrasse a minha alma, a merda da minha alma. Que eu ainda tenho. Eu ainda devo ter" - ela pensava e derramava uma lágrima, enquanto seu parceiro sorria de satisfação. Performance perfeita, movimentos ensaiados. Mais um pra lista. Grande coisa.&lt;br /&gt;E deitada nua, coberta pelo lençol, na cama de seu mais ilustre desconhecido pensava: "estou cansada de quererem me tocar sempre primeiro no corpo, queria ao menos uma vez ser tocada primeiro no coração".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-2102352737494823724?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/2102352737494823724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=2102352737494823724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2102352737494823724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2102352737494823724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/500-maneiras-de-enlouquecer-um-homem-na.html' title='500 maneiras de enlouquecer um homem na cama.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-5774838262270715189</id><published>2012-01-16T18:09:00.000-08:00</published><updated>2012-01-16T18:09:03.692-08:00</updated><title type='text'>when love is not enough.</title><content type='html'>E de repente põe-se a pensar: o que é o amor senão uma sucessão meio debilóide de erros terríveis seguidos por desculpas amáveis? Não é isso, o amor? o conseguir lidar com o que existe de desagradável em alguém e, vez ou outra, não conseguir lidar tão bem assim com esse desagradável e desencantar-se? Logo após o desencanto vem a raiva. A raiva é contornada pelo outro, pedindo desculpas. As desculpas são sempre a melhor parte do amor. Quando se pede as desculpas, de certa forma se admite ao outro que, certas convenções serão feitas em prol de algo maior - esse, o amor. Quando se aceita as desculpas, se admite que, estaremos aceitando o desagradável em prol do sentimento. Talvez seja isso, o amor. Essa terrível briga entre duas pessoas que querem viver juntas porque se amam, mas nem sempre se suportam. E insuportáveis sendo, brigam. E brigando, pedem desculpas. E se amando, aceitam as desculpas e continuam convivendo. Talvez o amor acabe no momento em que pedir desculpas pareça esforço demais. Talvez o amor acabe quando nenhuma desculpa parece aplacar o erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez nem sempre só o amor seja o suficiente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-5774838262270715189?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/5774838262270715189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=5774838262270715189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/5774838262270715189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/5774838262270715189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/when-love-is-not-enough.html' title='when love is not enough.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-1821678304077220120</id><published>2012-01-09T23:02:00.000-08:00</published><updated>2012-01-09T23:18:55.481-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Morte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='samba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ausência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Saudades'/><title type='text'>Carta para um avô ausente.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://spd.fotolog.com.br/photo/29/47/85/larii_martins/1233717742091_f.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://spd.fotolog.com.br/photo/29/47/85/larii_martins/1233717742091_f.jpg" width="237" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem sido isso, vô. Vai fazer três anos que você se foi. A vida, aqui, não ficou nem mais doce nem mais amarga - apenas continuou - com o gosto da sua ausência. Choro poucas vezes lembrando de você, porque de certa forma acho que cumprimos tudo o que tinhamos pra cumprir no tempo que nos deram, embora talvez ache que devesse ter conversado um pouco mais com você. Você não me viu dirigir, e nem veria, porque não tirei a carteira até agora. Teria ficado orgulhoso, eu sei, de me ver formada e logo depois trabalhando, mesmo que eu me queixasse de ganhar pouco. Você deve saber também que não fiz ainda nenhum curso no exterior e nem ao menos conheci outros países. Eu sei, vô, que você julgava importantíssima a educação lá fora, se vangloriava contando os feitos dos filhos dos seus conhecidos que tinham ido estudar "no exterior". Pretendo ir, eu juro. Uma pena não poder te mostrar as fotos dos lugares que vou conhecer, e nem te dizer se era muito frio ou muito quente. Você não conheceu muitas cidades, eu sei. Acho que nunca saiu do brasil. Sua relação com o mundo vinha dos livros, da tv, do discovery channel que você sempre gostou de assistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, vô, a vida não é fácil. Me lembro de você dizendo, já ao longo dos seus 93 ou 94 anos que chega uma hora em que viver é meio insuportável. Já deu tudo o que tinha que dar e a gente faz uma espécie de hora extra no mundo. Eu tenho vinte e dois anos e hora ou outra já tenho sentido isso. Tenho comido menos queijo (acho que nunca mais comi queijo provolone), e aprendi - o senhor veja só - a comer porcaria (carne de porco, na nossa linguagem). Como menos torresmo também. O bacon continua o de sempre. Tem coisa que a mãe não faz mais porque lembra muito de você, e daí dói. Torresmo mesmo. Fez uma vez quando os tios todos vieram aqui (temos nos reunido menos com a sua ausência), e nunca mais fez tutu de feijão. Ah, eu aprendi a comer tutu de feijão também, antes eu não gostava. Imagino que tenha começado mesmo pela sua lembrança, mesmo que inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo continua bem, e eu acho que não seria conveniente lhe contar dos desentendimentos familiares que já te aborreceram tanto em vida. Eles se ajeitam, do jeito que dá, a mãe continua a mais preocupada da família, você não ganhou nenhum bisneto novo e tem estado todo mundo saudável, tirando um tropeço ou outro (é que têm envelhecido, todos). Meu "velho", continua bastante teimoso, e agora velho de fato. Ainda joga futebol todo santo sábado à tarde e torce, fielmente pro são paulo. Enxerga menos, tem os passos mais curtos. Coisas da vida. Eu não estou trabalhando agora, não sei o que eu quero fazer da minha vida exatamente, e às vezes sinto uma agonia que nem as balas butter toffes que costumávamos comer juntos dão conta de acalmar. E você nem me viu crescer, né vô? Me conheceu voltando da faculdade, tendo uma ou outra aula à tarde, sem nenhum compromisso assim, inadiável. A vida adulta é muito pior, bem pior. O remédio é viver mais ou menos como o senhor vivia. Fazer piada do que dá, ser criança sempre que pode, se render a uma pinguinha de vez em quando na hora do desespero. Ou uma coca cola com pastel, se o fígado não mais aguentar por ordens médicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mercado shangri-lá continua tendo ótimos produtos. No natal fizemos bacalhau, lembramos muito de você. Eu lembro de você em tudo, vô. Não assim, esse lembrar de ausência que machuca, mas é que tem tanta coisa minha que eu sei que foi sua. Meu gosto infantil por queijo e salame, meu jeito de descascar a laranja, meu gosto musical (o samba, sempre o samba). Até o meu vício por ler sempre, me informar sempre, meu tino com politica, minha tolerância. Você que lia diariamente os jornais, que assistia os noticiários de tarde e à noite, que criou filhos evangélicos, filhos católicos e filhos que se casaram com testemunhas de jeová porque sabia que a tolerância e o conhecimento eram a chave de tudo. Você, que me incentivava a estudar, que me ensinou a comer coisas boas, que me levava pra comprar caramelos nas lojas brasileiras. Você que lia a biblia diariamente e acreditava no seu Deus, do jeito que achava correto, sem nunca ter sido membro assiduo de igreja alguma. Você, homem humano, também cheio de erros, mas que teve muitos, tantos acertos e que me formou essa menina que sou agora. Você e seu humor ácido, suas piadas com coisas descabidas, o jeito debochado de se referir aos outros e o jeito leve de falar de morte. "Foi se encontrar com jisuis, ele né? não é assim que falam os crentes?" e se ria todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não leio tantos livros quanto lia na infância, continuo com a mesma familiaridade com os equipamentos eletrônicos. Ouço um pouco menos de samba, porque esqueço. Por vezes lavo a louça e lembro de você cantarolando "para pedro pedro para esse pedro é uma parada". Não subo mais em árvores, não frequento mais casas com grama como a sua, não apresentei nenhum outro namorado pros meus pais desde aquele que você conheceu (e muito pouco). Acho que vou saber quando for a pessoa certa quando eu pensar que "esse garoto eu apresentaria pro meu vô", sem ter medo de você achar ele estranho, ou inadequado. Por enquanto, estamos esperando por ele. Ainda pretendo casar, embora negue isso eventualmente. Quero ter filhos, claro que quero, pra contar a eles que eles tiveram o biso mais incrível de todo mundo, pra repassar pra eles a história da raiva, e todas as suas outras histórias. Não sei se eles terão um vô tão maravilhoso como eu tive, mas eu acho que o "velho" vai fazer o que pode. A mãe também vai. Vivi vinte anos inteiros com você que me ensinou a ser gente, que foi meu referencial masculino enquanto meu pai viajava pra me sustentar. Aprendi, sorri, te li histórias, te coloquei sambas aos domingos, te levei arroz pra colocar pros passarinhos. Você cuidou de mim e mais tarde eu cuidei de você. Porque é o ciclo da vida e eu acho que o nosso, vô, foi bem fechado. Eu não poderia ter vivido vinte anos com nenhum outro avô. Queria que você fosse eterno, é claro que eu queria. Te apresentar meus namorados, te levar pra minha formatura, te ter na minha festa de casamento, te levar pra brincar com meus filhos, mas não teria como. Você se foi quando tinha que ir e o que cabe a mim é saber que você continua vivo (e muito vivo), dentro dessa pessoa que eu me tornei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei onde você está hoje, e espero que esteja no céu como o senhor acreditava que estaria. Saiba que aqui a gente sente muito a sua falta. Pelo menos eu senti hoje, enquanto ouvia essas músicas que me lembravam nossos almoços de domingo, você lembra? com gengiskan? Em que eu colocava a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=b4zUztUfRlo"&gt;música do gato&lt;/a&gt; dos demônios da garoa e você ria todo? Ria porque você tinha o riso mais gostoso do mundo, e o terrível hábito de afugentar meus gatos todos (coitados) lhes jogando água. Era um velho com coração de criança, com um espírito de menino que não morreu nunca. E permanece. Permanece dentro de mim em tudo que você ensinou pra nós todos. Permanece vivo, em lembrança e história, e no meu jeito de me portar. Permanece vivo porque todo mundo que a gente ama, nunca morre. Eu só espero que tenha te feito feliz tanto quanto você me fez, vô. Eu te juro que fiz o meu melhor. Cuida de mim, onde quer que você esteja (se estiver), que eu continuo daqui, sentindo a sua falta nessas madrugadas de segunda feira e nas tardes de domingo, e te deixando vivo contando pra todo mundo, em forma de poesia, prosa ou narrativa que eu tive o melhor avô do mundo inteiro, ele se chamava estevo, e dentro de mim não morrerá jamais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-1821678304077220120?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/1821678304077220120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=1821678304077220120' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1821678304077220120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1821678304077220120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/carta-para-um-avo-ausente.html' title='Carta para um avô ausente.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-2206420361061988117</id><published>2012-01-03T22:28:00.000-08:00</published><updated>2012-01-03T22:31:58.373-08:00</updated><title type='text'>Valsa para Nina e José.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="p1"&gt;&lt;i&gt;"- Nina anseia por me conhecer em breve, me levar pra noite de Moscou. Sempre que essa valsa toca, fecho os olhos, bebo alguma Vodka. E vou."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;(Nina - Chico Buarque)&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Era difícil mensurar o tamanho de cada estrago feito a cada vez que um novo encontro acontecia, mas fato é que alguma coisa sempre muda dentro de qualquer pessoa que seja, quando qualquer encontro que seja ocorre, então era fato que ela tinha mudado um pouco. Não tinha mudado assim, completamente, desde que encontrou aquele homem, até porque vem de desencontros, anda muito enjoada de amor, enjoada como quem come o mesmo doce por muito tempo e depois não quer mais saber de doce algum. Soa clichê, é claro, dizer que não se quer mais amar. Até porque na vida, nada é uma decisão definitiva. Se diz não querer amar nunca mais e acaba-se amando, eventualmente, quando menos se espera. As pessoas que não queriam casar casam, as que não queriam ter filhos os tem, e as que dizem não querer namorar engatam namoros firmes e felizes. A vida é feita de improbabilidades, e os casais casados há mais de trinta anos também se separam. Porque amor, meus caros, amor acaba. Talvez o leitor desavisado esteja achando que essa é mais uma daquelas histórias de amor de encontros e finais felizes, e daí eu explico ao leitor que aqui tratamos de uma história que ainda não aconteceu. A grande verdade é que nenhuma história aconteceu por inteiro, mesmo aquelas que terminaram, e tudo a que foi dado um ponto final ainda pode pular a linha, dar espaço: outro parágrafo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Nessa história temos o primeiro parágrafo. Apenas isso, talvez, quem sabe uma página inteira, mas nem isso. E saiba o leitor que é terrivelmente difícil escrever sobre as histórias que ainda não aconteceram. Porque escrever sobre as coisas que não foram-ainda é um eterno pensar como-teria-sido-se-fosse, e a fantasia nunca se parece com a realidade. Salvo as vezes que, sem querer, o escritor se depara com uma história que parece com a vida de algum de seus leitores, assim, como psicografia e aí há a catarse. Dizem que é pra isso que servem os escritores, e os escritores acham que o único papel do leitor é identificar-se. O papel do escritor hoje, é o de escrever essa história que ainda não aconteceu. Chamaremos a menina de "Nina". "Nina", um diminutivo de menina, um nome comum. Chamaremos esse homem que ela encontra por acaso de José. Os amores de José e Pilar. Poderíamos chamar a menina também de Pilar, mas daí estaríamos copiando a vida de José Saramago e não queremos copiar romances. Não queremos reescrever a história de José e Pilar. Queremos criar essa história que ainda não aconteceu por inteira, mas aconteceu. José e Nina. José, vinte e poucos anos de idade. Nem magro e nem gordo. Bem apessoado. Não procura grandes amores. Já quis casar, não deu certo. Desistiu. Passa seus dias em ônibus e passos pela grande cidade em busca de seu trabalho. Nem tão empolgante assim. Não quer se apaixonar, ignora os romances todos, se diz prático. É objetivo. Desistiu de amar aos 22 quando percebeu não ser aquele o grande amor de sua vida. Não sabe que encontrará Nina num café ainda. Não sabe que Nina virará sua vida de ponta cabeça, e assim continua vivendo. Nos ônibus lotados. Nos prédios altos. Nos afazeres das sete as sete, diariamente.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Nina, vinte e poucos anos de idade. Magra. Alta. Nem tão bem apessoada assim. Já encontrou seu único grande amor, e perdeu. Nunca quis casar, mas já foi pedida em casamento. Recusou. Passeia pela grande cidade em busca de alguma coisa que ainda não sabe o que é. Escreve longos textos que não pretende publicar em um caderno velho, no método arcaico da caneta sobre papel. Não procura encontrar nenhum José em nenhum café, e não tem noção de que costuma virar vidas de ponta cabeça. Não sabe viver nos ônibus lotados, nos prédios altos. Adia seus afazeres da sete as sete, diariamente. Nina sai de casa à procura de nada, e pede um cappucino. José é &lt;i&gt;habitué &lt;/i&gt;do café há pelo menos dois anos, quando começou a trabalhar naquela empresa. Nos encontros do acaso, caro leitor, ocorrem coisas como: trombadas acidentais no meio da rua, o estranho segurar o livro preferido da pessoa em frente a ela no metrô e surgirem assuntos, o encontro de olhar num show da banda preferida, ou, se formos usar os exemplos mais atuais, a conexão prefeita na rede social preferida do usuário em questão. Um &lt;i&gt;tweet&lt;/i&gt;&amp;nbsp; bem colocado, um &lt;i&gt;post&lt;/i&gt;&amp;nbsp; bem produzido, o &lt;i&gt;status &lt;/i&gt;certo na hora certa, as banda preferida com astronômicas execuções na página do &lt;i&gt;last.fm. &lt;/i&gt;Tudo isso poderia ter acontecido com Nina e José, usuários regulares das redes sociais, mas o destino quis que aquele encontro acontecesse por: falta de mesa no café. Nina sentou na última mesa, e José, cansado, não aguentava se dar ao luxo de esperar uma mesa vagar pra tomar seu café. Pediu licença para sentar à Nina - que ele sequer imaginava chamar-se Nina - a misteriosa garota de vestido preto e cabelos castanhos. Nina aceitou por educação porque não gosta de estranhos. José não teria puxado assunto com ela se não estivesse necessitado de companhia naquele dia em especial. Como pode ver o leitor, os encontros dependem de uma série de fatores para acontecer. José puxou assunto com ela, que respondeu com certo entusiasmo, ao ver tratar-se de um interlocutor bem apessoado. Isso ainda não foi dito, mas Nina repara muito em aparências.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você vem sempre aqui?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você devia ter me abordado com uma cantada menos óbvia, mas não, é a minha primeira vez.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Nina lhe sorriu, desafiadora.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Desculpe, sempre começo as conversas do jeito errado.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não te culpo, eu nem ao menos começo conversas.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Devo me retirar?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Em absoluto. Termine de tomar seu café, e em todo caso, você já começou mesmo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você não parece muito interessada.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Eu nunca pareço muito interessada. Caso você queira alguém efusiva, talvez você devesse tentar outra mesa.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você não gostou de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Nina lhe sorriu, condescendente.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você é bastante inseguro, e isso é engraçado. Me diz, qual seu nome?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- José.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- José tipo José de "José e Pilar"?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- "José e Pilar"?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Tem um filme. Quer dizer, um documentário. A mulher do José Saramago se chama Pilar. São um belo casal. Espirituoso, ao menos.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Seu nome é Pilar?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Detesto frustrar suas expectativas de sermos infinitamente ligados pelo destino, mas me chamo Nina.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Só Nina?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Só Nina. Você acha que eu deveria me chamar mais alguma coisa, tipo Firmina? Marina?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não acho nada, só achei curto.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você se chama José. É só José?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Só José.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Temos o mesmo número de sílabas, José. Por que me julgas curta?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Desculpa, não foi a intenção.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;NIna lhe sorriu, brincalhona.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você é mesmo muito engraçado no seu desajeito.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você tá caçoando de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Imagina, José, só te julgo curto.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;José lhe sorriu, quase encantado.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Mas, e você, vem sempre aqui?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Todos os dias.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Te sentas sempre na mesma mesa, metodicamente? Tens cara de que sentas sempre na mesma mesa.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Sento. É defeito?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- É um pouco. Deve arrumar as camisas por cor no guarda-roupa. Deve gostar das coisas organizadas.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Nem tanto.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Tens manias, ao menos.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Algumas.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Sou bagunçada, não sirvo pra você.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- É o fim de nosso amor?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Sim José, me deixe!&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você me odiou.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Nina gargalhou, encantada.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Tivesse eu te odiado, José, mesmo em sendo você um homem curto - lhe disse sorrindo - teria te mandando embora antes do segundo ato de nossa conversa. E já estamos figurando em nosso segundo ato.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Qual é o segundo ato?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Esse em que temos impressões um do outro e nos julgamos aptos ou não para continuar nos relacionando.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Qual o veredito?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não sei, José. Não sou curta assim.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Eu não devia ter dito isso né?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Nina lhe sorriu olhando nos olhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Devia sim. Ou não teríamos uma piada-insulto compartilhada. Parte do segundo ato. Estamos criando coisas próprias.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Qual é o próximo passo?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- José, você além de curto é muito apressado. Pare de querer adivinhar as minhas impressões. Isso estraga toda a poesia do encontro. Você tem que mostrar o seu melhor, eu mostrarei o meu melhor e assim tentaremos nos conquistar.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Nós estamos querendo nos conquistar?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não me leve tão a sério, é uma suposição.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Talvez eu esteja querendo te conquistar.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Nina lhe olhava, desafiadora. E nada respondia.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Ok. Você não quer me conquistar.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- José, o que eu lhe disse sobre as impressões?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Ok, desculpe.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- O que voce faz da vida, José?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Estudo jornalismo e estagio numa redação.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Tens cara de um homem de respeito.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- E voce?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não faço nada. Escrevo. Faço letras. Escrevo. Mais faço letras do que escrevo.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Estou na frente de uma dessas artistas, então?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Talvez. Mas não.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- E o sotaque?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Sou gaúcha.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Mora aqui?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Nem um pouco, moro em porto alegre.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- O que faz aqui?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Passo as férias e tomo cappucinos em lugares inusitados.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Só isso?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Encontro pessoas que me acham curta.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Pessoas que você odeia logo no primeiro contato.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Pessoas que não sabem ler bem minhas impressões sobre elas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Os dois se olharam e se sorriram.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Nessa hora, caro leitor, houve o que se chama de "magnetismo do encontro". Nossos dois personagens, embora ainda não tivessem perdidamente apaixonados e não pensassem em ter filhos um com o outro, ou ainda não tivessem brigado sobre onde queriam casar, sentiam alguma coisa diferente. A estranha sensação de ter encontrado algo que pode-vir-a-ser. Nessa hora tinham a estranha ânsia de saber mais e sempre mais sobre o outro a fim de descobrir se eram mesmo assim tão compatíveis. Compatíveis além dos olhares e sorrisos, compatíveis também em opiniões, compatíveis em vida. Compatíveis além do encantamento. Nina e José teriam que descobrir-se.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;-Nina, voce vai embora?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Daqui do café? Eventualmente, não é de bom tom tomar mesas de um café lotado.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não, Daqui da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Vou.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Quando?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Hoje. Mais precisamente a meia noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Dei o azar de te conhecer indo?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Ou deu a sorte de me conhecer no último instante.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não trabalho mais hoje, você quer sair?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Sim, podemos, José. Mas assim como o meu nome, meu tempo é muito curto.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você nunca vai parar, né?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Nina lhe sorriu com todos os dentes.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- E nem voce, né?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Acho que não.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Continuemos então.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;José pagou-lhe a conta porque dizem que os homens encantados querem impressionar as vítimas de seus encantamentos com tudo que podem. Ainda não podia segurar-lhe a mão, embora quisesse, e ela ainda não podia deitar em seu ombro, embora sentisse vontade. Tinham encontrado-se no café quatro horas antes de Nina partir e naquelas quatro horas tinham que se descobrir. José tinha inseguranças quanto a ela odiar os lugares que sugerisse e pedia opiniões. Nina, travessa, queria ser impressionada e abalar a insegurança do recém conhecido. Nossos personagens tinham urgência. Urgência que ainda não se sabe amor, porque não se é amor ainda. Urgência de presença, de ser, de conhecer, urgência de pegar o que puder um do outro. Os tiques nervosos, o jeito de arrumar o cabelo, as manias, as inseguranças. Tinham urgência de se encontrarem, porque tinham urgência em não se perderem.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você acha que conversar na praça é assim, muito clichê?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Eu acho que meu nome é curto.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Nina, para com isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não, acho ótimo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- É que eu não sei onde te levar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você tem um medo tão terrível de ser julgado que se priva de mostrar o lugar mais incrível dessa cidade toda só por achar que eu vou detestar.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Vou te levar na minha padaria preferida, então. O melhor croissant da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Estamos evoluindo.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você odeia croissants?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Eu adoro croissants!&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Sorriram-se.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;José escolheu a mesa, uma mesa qualquer e temeu ser rechaçado por Nina, que podia preferir outra. Nina achou o lugar muito bem escolhido, mas pediu pra sentar na janela. Ela deixou que ele lhe sugerisse o croissant, mas pediu outro, por pura birra de não querer ser levada pelo homem. Acabou gostando mais do que ele tinha sugerido, e trocaram. Ela pediu cappucino, ele insistia em tomar café forte. Conversavam sobre tudo, como se o mundo fosse acabar no próximo instante.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você quer ter filhos, José?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Quero. E acho que seria um ótimo pai.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Já quis, hoje não quero nem casar.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Eu já quase casei.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- E não casou por que?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Acabou antes da gente casar.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Eu já fui pedida em casamento, mas recusei.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Recusou por pavor de compromissos?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não, porque sou contra casar sem amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- E os filhos?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Quero tê-los ainda, mas finjo que não por medo de não achar o pai certo nunca.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;…&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- E em amor, Nina, acredita?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Só sei da vida que meu no.. ah ok, parei. Não sei. Já acreditei muito.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- E hoje?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Acho que é mais bonito na literatura.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- José e Pilar era uma história real.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- E meu nome é Nina, José.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;…&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Vai morar em Porto Alegre pro resto da vida?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Mas é claro que não.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Que convicção.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não gosto tanto assim de lá.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Moraria aqui?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Por um motivo muito relevante, moraria.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;…&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Como eu te acho assim que você for embora?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Te dou meu telefone, te passo minhas redes sociais, meus contatos on-line. As pessoas se encontram.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- E podem se perder.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não se perdem depois que se encontraram de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você pode me odiar com um tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você também pode, todo mundo pode.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Assim você coloca a gente num patamar abrangente demais.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- E somos. Somos como qualquer outro casal que se encontra, e que pode se perder.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Ou não.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Ou não.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;…&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Falta dez minutos pra eu pegar o taxi e ir pra rodoviária, o que você quer me dizer nos nossos últimos dez minutos?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Isso é muito definitivo.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Nada é definitivo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você é muito desafiadora, não sei, tenho medo de dizer a coisa errada, o tempo todo.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- As coisas certas são chatas, José.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Gostei de te conhecer, passaria a noite toda conversando com você.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Pra sempre?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Daí não sei. Mas é sua vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Gostei de te conhecer, também. Passaria a noite toda conversando com você, mas tenho que voltar pra casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Tem mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Ah, tenho. Prefiro acreditar que as coisas acontecem. Não quero mudar os planos todos e estragar isso aqui que já existe.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Acho que você está certa. Não devo te levar à rodoviária também?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não deve, dramático demais. Você ainda não me ama, pra ter que passar por esse tipo de despedida sofrível.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não te amo?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Decididamente, não nos amamos. É muito cedo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não nos amamos.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Mas nos encontramos.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- E o que vem agora?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- O que for pra ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Te beijo pra tirar a dúvida do encontro agora?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não sei se deve, não acha que seria sofrível se encontrar com isso sabendo que depois não teremos mais? não seria pesado ter que lidar com a saudade do beijo que se deu no meio da distância?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Ficamos com o beijo imaginado para quando for pra ser?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Não sei, é só um palpite.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- A dúvida de que pode não ser bom talvez nos acalme.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- A certeza de que é bom nos apressaria demais.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Te abraço então.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Me abrace então.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Como eu vou ter certeza de que você não vai me deixar?&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Já nos passamos todos os contatos, eu te mando uma mensagem assim que chegar no ônibus. E outras mil. E te acho assim que chegar em casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Você vai me esquecer.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;- Teu nome é muito curto para que eu esqueça.&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Sorriram-se, abraçaram-se e partiram.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;José deixou Nina no taxi, queria beija-la, mas queria que o sentimento da descoberta perdurasse e deixou ir. Nina esperava talvez que ele descumprisse a promessa de não beijá-la, mas depois achou melhor assim. Era ainda o primeiro encontro, e seria bom que se descobrissem mais antes de concretizar o sentimento. Nina cumpriu sua promessa e, ao chegar dentro do ônibus mandou uma mensagem pra José. José olhava o celular angustiado com a demora, crente que Nina já tinha o deixado pra sempre. Sorriu ao ler a mensagem. Sorriu respondendo todas as outras. Encontraram-se de novo. Acharam bastante adequados algumas linhas deixadas no &lt;i&gt;twitter&lt;/i&gt; um do outro, se encontraram nas execuções astronômicas de suas bandas preferidas no &lt;i&gt;last.fm, &lt;/i&gt;se conversam muito por onde podem. Prometem se encontrar em breve. Nina lhe manda fotos com sua casa e suas roupas novas. José recebe fazendo um inventário da Nina que conhece cada dia mais. Comunicam-se através de telas, de mediações frias, mas já sorriem juntos nas piadas compartilhadas. José já sabe que nina levanta as sobrancelhas quando em dúvida, e Nina já descobriu sua bela cara de desajeito quando posto em dúvida. Têm estranhos momentos de silêncio onde se cabia um beijo que não se pode dar, e que não se sabe o gosto. Nada sabemos sobre o futuro de José e Nina, que se descobrem a cada dia de jeitos inusitados. Se descobrem como duas pessoas que querem se apreender e se conhecer a cada dia mais. Se descobrem com angústia e têm urgência. Urgência de saberem de si. Medo de não se gostarem. Inseguranças. Tristezas. Pequenos ciúmes calados. Pequenas impressões erradas. Sabem tudo e nada sabem. Como em qualquer história que começa e não se sabe o fim. Como qualquer história que está sendo. Nada podemos afirmar, caro leitor, sobre o futuro de José e Nina e nem sabemos se podemos chamar isso de história de amor. Talvez casem, talvez se odeiem no segundo encontro. Talvez irritem-se demais com pormenores um do outro e terminem em uma briga besta. Talvez se amem perdidamente por dois ou três anos e o amor acabe. Talvez se mudem pra mesma cidade, casem, e tenham dois filhos: um menino e uma menina. Talvez se desencontrem antes disso e nem cheguem a saber o gosto do beijo um do outro. Talvez se liguem diariamente e descubram-se apaixonados antes mesmo de se encontrarem. Talvez encontrem-se e nunca se apaixonem. Talvez tudo dure um dia só. Talvez um ano. Talvez três meses. Talvez nunca aconteça. Nada sabemos sobre José e Nina. Sabemos que estão felizes, e tentam se encontrar ao mesmo tempo que tem medo de se perder, e ainda não se escreveram um final, porque nada é definitivo. E tudo pode ser. Ou não.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-2206420361061988117?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/2206420361061988117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=2206420361061988117' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2206420361061988117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2206420361061988117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/valsa-para-nina-e-jose.html' title='Valsa para Nina e José.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-4917295986856660586</id><published>2012-01-01T23:06:00.000-08:00</published><updated>2012-01-01T23:06:17.686-08:00</updated><title type='text'>Feliz ano novo.</title><content type='html'>Era aquilo então, a vida. O eterno procurar pelas coisas que não se sabe que se procura - e tentar achar. É difícil então, a vida. E parecia ainda mais inadequada quando ela via que começara o ano e nada de novo se faria. Nem um novo amor, nem um novo emprego, nem um carro novo na garagem: nada. Nem ao menos um novo par de sapatos sem graça para ir à padaria o ano que entrava reservava. Tinha pedido paz, amor, esperança. Abdicara à cor da calcinha porque tinha deixado de acreditar em simpatias. Os anos tinham sido ruins todos. Os vestida de preto, de branco, e quem sabe teriam sido ruins até os anos-novos passados nua na cama trepando com seu novo namorado, e realizando a simpatia de beijar a pessoa com quem se quer passar o ano todo à meia noite. Não sabe se dá sorte porque nunca nem sequer beijou alguém à meia noite. Um pouco por medo de ter que lidar com a escolha definitiva de ter outro ser pelo ano todo, e outro resto por evitar passar anos-novos com pares amorosos, como uma espécie de superstição. Parecia dar azar trazer uma escolha passada pro ano que viria, e escolhera então passar sempre sozinha na presença de amigos e familiares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse no tinha sido de uma passagem normal, nem desastrosa e nem catártica. Só o amor de sempre, porque amor acaba ficando calmo ao longo dos anos, depois de muito tempo, e então tinham passado aquele reveillon sem histerias, apenas com a certeza de que, de certa forma, apesar de tudo - e por tudo - continuariam se amando pra sempre, de um jeito ou de outro. As mesmas pessoas de quatro anos atrás, reunidas todas, se desejando felicidades genuinamente. Era o que importava, no fim das contas, e não as calcinhas vermelhas ou rosas, ou as lentilhas e sementes de uva. Passou-se o reveillon, passaram-se dias, entrou-se o ano e tudo parecia sem jeito, sem remédio, ficava ela prostrada na cama esperando os dias passarem rápido. E passavam. E a vida ia do jeito que tinha de ir. E vinte quatro horas, os horários meio trocados, a alimentação já meio errada. Tinha tentado sem sucesso parar de fumar no ano passado, e nem quis renovar os votos nesse ano que entrava. Se for pra entrar o ano estourando os pulmões, que estoure. E estouravam mesmo, tinha a respiração curta, pouca vontade de tudo, e tinha aumentado consideravelmente o consumo de café, já que de uns tempos pra cá, cada cigarro pedia uma xícara de café. E iam maços de cigarros, e garrafas de café. Amarelavam os dentes, enfraqueciam o pulmão, faziam doer o estômago. E tudo bem - dizia ela - porque a vida também destrói e não traz prazer algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia acordou cedo por falta de cigarros. &amp;nbsp;Despertou com uma ânsia de fumar logo que teve um sonho ruim e tinham acabado todos os maços. Fumava mais, cada vez mais, cada dia mais, e fazia sempre menos coisas. As únicas motivações para sair de casa eram os cigarros, o pó de café e por vezes uma coisa ou outra para fazer comida. Os amigos chamavam no telefone vez ou outra, mas tinha declarado a primeira semana de janeiro como o período sabático para a elevação espiritual e assim tinha decidido parar de falar com todos que conhecia. E todos eram todos mesmo. Lidava com suas angústias sozinha, não ligava o computador, não respondia às mensagens no celular e tinha se proibido inclusive de ligar para qualquer um de seus pares amorosos pra saciar o desejo de sexo. Tinha sido um ano de muitos excessos, inclusive desse, e havia "trepado feito gata no cio", como diziam as amigas. Vários pares amorosos, alguns fixos, outros casuais, intercalavam-se em noite mal dormidas de bebidas e às vezes cinema, às vezes jantar e às vezes nada disso, só sexo mesmo, sexo puro, sem rodeios nem convenções e sem beijo de boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou sem sucesso dormir sem fumar, pra não ter que encarar a padaria do bairro logo às seis da manhã, mas teve que ir. Calçou os chinelos, fez um coque no cabelo, botou um vestido qualquer, colocou alguns trocados no bolso e foi comprar mais um maço de cigarros. Antes tinha preferências muito ortodoxas quanto à marca do cigarro, mas agora, há quatro meses sem emprego e fumando cada vez mais, tinha baixado um pouco seus padrões e fumava cigarros populares. O mesmo cigarro que fumam as empregadas domésticas no ponto de ônibus, e quem sabe as putas, depois do programa. Decaia e sabia de sua decadência. Por isso o período sabático em que só eram permitidos os vicios solitários e o contato com ela mesma. Tinha enlouquecido por vezes, chorado por longas noites até pegar no sono, tinha cogitado se matar com o gás aberto, mas achou a vida ainda irrelevante demais para um ato desesperado desses. Era o quinto dia do ano e era também quinta feira, e ela descia o elevador se olhando no espelho. Não se reconhecia muito bem, se via cansada, maltratada pela vida, quase trinta anos e nada de tão sólido assim tinha sido construído. Tinha um apartamento velho, um carro de dez anos atrás que ganhou do pai aos dezoito e uma vida sem muitos sonhos junto com um reveillon sem simpatias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era descrente de tudo, dela mesma, da capacidade de largar os vicios e seguia pela rua até a padaria da esquina pra saciar o único vício que ainda se permitia ter na semana de reclusão. Ia observando as pessoas, que a essa altura do ano já corriam pros seus empregos, com seus carros do ano, seus ternos, seus vestidos de marca. Andava de calça jeans, camiseta branca e havaianas e não se maquiava desde a virada do ano. Enquanto observava um cartaz desses de propaganda que dizia algo como "isso pode mudar a sua vida, nos ligue", se distrai e não percebe o movimento na padaria. Entra desavisada, pega os trocados no bolso, ameaça pedir um cigarro, mas olha em volta e vê todos deitados no chão. Um homem aponta uma arma pra todos e diz "vai moça, pro chão, pro chão". Ela deita, diz a si mesma que poderia morrer naquele momento, mesmo que fosse assim, sem realizar nada. Morrer no chão da padaria porque o vício do cigarro não podia esperar mais uma hora. Morrer pelo vício, morrer por não aguentar a vida sem as drogas legais. Morrer enfim por culpa, por sua máxima culpa, culpa sua de não ter se tornado um ser digno, respeitável, que cumpre as atividades de cidadão modelo logo que o ano começa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assaltante sobe no balcão e pede silêncio. Diz não querer nada, diz que tinha sido um homem honesto, que tinha tentado pelo menos. Diz que trabalhou anos e anos como servente de pedreiro, mas um dia sofreu um acidente, perdeu a mão e não podia mais ser pedreiro. Segurava a arma com a mão esquerda. Conta que ficou desempregado, se enfiou na bebida, foi perdendo tudo até que parou na rua. Conta também que um dia passava fome e ficou ali, na frente da padaria esperando a caridade de alguém. Entrou na padaria, aquela mesma padaria, e foi expulso por estar sujo, maltrapilho, foi olhado com nojo e não foi defendido por ninguém. Disse ele também que naquele dia deixou de acreditar que o mundo fosse um lugar bom e virou assaltante. Com o dinheiro dos assaltos dava pra comer bem, sem ser expulso, sem ser humilhado. Só tinha que tomar cuidado com a polícia. As pessoas o olhavam assustadas, pediam clemência, era o terror no bairro nobre da grande são paulo. O assaltante diz então que agora já não vê mais sentido em nada, e que não espera mais nada da vida, desse mundo em que a gente tem que assaltar pra ser respeitado, pra comprar um pouco de pão. Antes de puxar o gatilho diz que Deus entende os motivos de todo mundo, e que espera ser perdoado no céu, porque foi maltratado pela vida. Puxa o gatilho e vai matando, um por um dos clientes da padaria. Mata a senhora de bolsa de grife, mata o executivo que tomava café com clientes, mata todos aqueles que não o olharam no olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela observa a chacina, e não tem mais medo de morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assaltante - agora assassino - olha pra ela antes de puxar o gatilho e diz pra ela ir embora. "Moça, corre, você eu não quero matar não, eu vi que a senhora chorava enquanto eu contava a minha história, a senhora tem coração, ao contrário dessa gente". Ela sai correndo e olha pra trás a tempo de ver o último tiro. O assassino atira em sua própria cabeça e morre. Ela sai andando de volta pra casa, sem os cigarros. Não foi procurada pela imprensa, sua presença não foi notada na chacina que ninguém viu. Nada quis documentar, também. Só tinha a certeza de ser a única sobrevivente daquela quinta feira dia cinco. Passou os outros dois dias em casa, sem falar com ninguém, sem fumar cigarro algum e sem tomar um gole sequer de café. Percebeu que a vida era frágil e aceitou a redenção daquele assaltante como um sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final do dia sete, pegou as chaves do carro, saiu pra rua e percebeu que o único remédio pra vida não é calcinha colorida, nem beijo na boca a meia noite. A única solução possível é renascer a cada ano dos mortos, porque o único caminho é sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-4917295986856660586?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/4917295986856660586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=4917295986856660586' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4917295986856660586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4917295986856660586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2012/01/feliz-ano-novo.html' title='Feliz ano novo.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-4034634406474819833</id><published>2011-12-27T21:46:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T21:50:01.550-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='apenas um grande desabafo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Analise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ano novo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vazio'/><title type='text'>Quanto a escrever,</title><content type='html'>Minha crise criativa vem em momentos de crise de vida em que me refastelo no sofá assistindo todas as novelas que posso. Estou dizendo assim, em primeira pessoa, não pretendo nesse texto criar qualquer personagem que seja: me sinto rasa demais pra isso. O mundo reviravoltou, minha vida é o mar em ressaca e não existe amor ou ódio, tristeza ou alegria demais que me faça querer assim, literatura. Desisti de ler também, faz meses. Cem anos de solidão continua recostado no meu criado mudo cheio de bijouterias, no meio desse meu quarto cheio de coisas que já fizeram parte da minha história - e hoje não fazem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava desses tempos de descanso, inclusive das pessoas (talvez principalmente das pessoas), porque - dizem - olhando as coisas de longe se enxerga melhor. Não sei se enxerguei alguma coisa, me vejo sem perspectivas e sem vontades, completamente esquecida pelo crivo do destino. O crivo do destino é mau, a vida quando não pensada muito bem te leva para caminhos esquisitos. Me lembro que Mathieu, um dos protagonistas das histórias de jean paul sartré, engravidava sua namorada de quem, aparementemente, não gostava tanto-assim e saia pelas ruas de paris procurando uma senhora que fizesse um aborto nessa criança não quista. A criança de Marcelle. Sinto um pouco a minha vida nesse fim de ano como a criança de Marcelle, e sou Mathieu, procurando pelos cantos e becos dessa paris (que é londrina), alguém que possa tirar essa vida e me dar outra perspectiva. Ao mesmo tempo - assim como Mathieu - acabo por me questionar se quero mesmo sair dessa vida. Não sei se quero abortar a criança, é tudo confuso demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me enfio a escrever livros, escrevo seis, sete páginas, depois odeio. Assim como odeio tudo que faço, enjoo dos meus empregos, das pessoas que escolhi pra amar (salvo certos amigos, que permanecem inabaláveis), enjoo até de mim e resolvo querer outra vida. Mas não se aborta vidas assim, pelas ruas de paris, com velhas em seus consultórios sujismundos e sem estrutura. A vida é a criança de Marcelle que não pode ser abortada, porque na vida a gente tem que lidar com os erros que cometeu, não se aborta escolhas com intervenções cirúrgicas e já dizia sartré que a angústia do homem é a angústia das escolhas. Nunca sei se escolhi bem, se escolhi certo ou errado e me angustio no momento seguinte à escolha. Mas não há o que se fazer, uma vez escolhido escolhido está, e é a angústia também, inabalável. Porque a angústia nunca cessa. Existe a angústia pré escolha de fazer a escolha certa, a angústia durante a escolha de estar escolhendo, e a angústia pós escolha de dever, talvez, ter escolhido outra coisa. Viver é a própria angústia e exige responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exige responsabilidade de mim, que não sei nem arrumar meu quarto, e guardo comigo escritos de quando tinha treze ou catorze anos, junto com os livros de sociologia que talvez nunca mais lerei. Meu quarto é um amontoado de presentes de gente que já foi embora, de livros que sei que não vou ler, de fotos de gente que nunca mais verei, de roupas que já não fazem mais meu estilo. Minha vida também, um pouco disso, cheio de restos de coisas que não sou mais, de escolhas insensatas e rápidas demais, e gente que eu quero que fique indo embora e trombando com gente que eu não quero que fique: mas permanecem. Me vejo cansada, andando por todos os lados da vida procurando o que fazer, que carreira seguir, de que jeito me portar e como me vestir. Me vejo um ser mutável, sempre com escolhas novas, me angustiando demais pelo peso de não sabê-las certas. Escolhi os amigos que devia? Disse tudo que devia dizer? Estou na profissão correta? Faço a pós graduação que deveria? Escolhi o tema mais satisfatório? Nunca saberei, assim como nunca se sabe se foi certo ou não abortar uma criança, escolher a sua vida ou a vida do outro. Sempre a angústia, uma angústia que nenhum deus salva - só alivia, quem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro paz nas ruas quentes de londrina, quero distância de tudo aquilo que me pressiona, me vejo refastelada no sofá, comendo doces, às vezes sem nem ter tanta vontade assim de ver gente, ou movimento. Meu mundo já me basta, me cansa demais, há muitas escolhas a serem feitas e eu não sei por onde começar. Há muitas coisas sobre as quais, quem sabe, eu poderia escrever mas escolhi calar por julgar imprudente. Calo então qualquer possível literatura, qualquer possível amor, qualquer possível convite, qualquer possível ensaio. Calo até as bandas novas que não conheci e os livros que ainda não abri, calo as mensagens de texto que não pensei em escrever, calo meus livros ruins que não passam da página dez, calo tudo que posso porque estou cansada, e gente cansada não sabe lidar com angústia, escolha, amor, ou até mesmo literatura. Me calo porque me angustiei, e porque nada é tão importante assim. Até a minha vida, calei e deixei pro ano que vem, as escolhas, a angústia, adiei-a. Deixei o filho de marcelle na barriga pra depois ver o que se faz. E quanto à escrever, mais vale um cachorro vivo. (um yorkshire, quem sabe).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-4034634406474819833?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/4034634406474819833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=4034634406474819833' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4034634406474819833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4034634406474819833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/12/quanto-escrever.html' title='Quanto a escrever,'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-4279619596919208489</id><published>2011-12-12T20:19:00.000-08:00</published><updated>2011-12-14T09:23:45.651-08:00</updated><title type='text'>I try but you see it's hard to explain.</title><content type='html'>talvez o ponto crucial da vida seja justamente o fato de que, todas as coisas - desde as mais simples às mais destruidoras - acontecerão nos momentos em que você estiver distraído, e não esperar nada, absolutamente nada. Todos os encontros fortuitos haverão de acontecer às sextas à noite depois de um dia de trabalho estressante, ou nos domingos à noite depois do fantástico. As melhores noites serão aquelas que você não planejou ha uma semana e, as piores notícias serão dadas nas segundas feiras à tarde, quando toda esperança ainda permanece viva. Porque talvez seja isso, a vida. O incerto, o inevitável, o problema e a solução, a notícia triste e a alegre, o destruição que cria. Há de se desconstruir para que se possa criar, há de se esquecer para que se possa recomeçar, há de se não esperar nada para que se surpreenda. Os nasceres do sol são sempre mais bonitos depois de noites em claro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-4279619596919208489?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/4279619596919208489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=4279619596919208489' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4279619596919208489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4279619596919208489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/12/i-try-but-you-see-is-hard-to-explain.html' title='I try but you see it&apos;s hard to explain.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-5785883689015685440</id><published>2011-12-07T19:53:00.001-08:00</published><updated>2011-12-08T05:51:00.723-08:00</updated><title type='text'>chegadas &amp; partidas</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="p1"&gt;Não era assim, amor. Porque não podia mais ser. Dizem que, toda vez que você trata mal o amor, ele te vinga com o karma de nunca mais voltar sem que seja com sofrimento acoplado. Tinha havido desencontro. A única vez que tentou amar de verdade perdeu. E perdeu pra vida, depois de ter perdido pra si mesma. A gente sempre sabe quando ama e, deixar o amor guardado em caixinhas é flertar com a possibilidade dele acabar. Acabou. Não acabou, mas foi-se. A chance estava perdida. O amor de sua vida hoje descansa dos problemas do trabalho nos braços de outra, e sossega de sua existência. Desse descaso com o amor sobra, sempre, um coração cansado que bate em descompassos. A vida, essa aventura esquisita não perdoa. Não a perdoou. O coração bate em silêncios e faz som.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Era sempre isso, agora. Chegar em casa, sempre cansada, desiludida, olhar p'ros livros na estante que sabe que nunca vai ler, e aquietar. Aquietar da vida também, porque não tem pra quê tanta pressa mais. É muito desencontro, em tudo, pra tudo, pra sempre. As pessoas em casa sempre entediantes, sempre espaçosas demais e, estar sozinha parecia um luxo que custava caro. As paredes bege hoje estavam descascadas das fotos que houvera arrancado das paredes. Os sorrisos ali compartilhados já não faziam sentido algum. E de repente é isso. Um dia você acha que não pode viver sem uma pessoa, e de repente se depara olhando pra ela como uma construção errada de células, que não mais formam sentido na sua vida. Ciclos. É impossível querer que as relações permaneçam as mesmas sendo que, a gente mesmo muda o tempo todo. Lidar com escolhas definitivas era um peso que ela não sabia muito bem carregar, e por isso evitava. Sempre o transitório. Passar pela vida em contratos de experiência de três meses. Depois romper e tentar outra coisa. Não se apegar também é um jeito de ser estável. As separações costumam doer quando acontecem, e para tanto é melhor que nem haja a junção definitiva das vidas em primeiro lugar.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Naquele dia em especial ela trazia consigo a imagem longínqua de um avião que partia. A imagem e o sentimento. Seis meses, dois, três anos aprendendo a amar e conviver com os defeitos e qualidades de uma pessoa e um dia ela se vai num avião sem data pra voltar. O vazio continua em todo e qualquer programa que já tinha sido feito anteriormente em companhia da pessoa. A ausência é aquele sorriso que não há, aquele espaço em branco, aquela lacuna que só pode ser preenchida por uma coisa específica. Coisa essa que não mais está lá. Lembrava-se por vezes que, ouvia o celular tocando com o número das pessoas que partiram. Alucinava. Nunca era ninguém. O pior de tudo é saber que, algumas das pessoas que se foram nem avião haviam pegado. Sumiram ali, nas ruas da cidade, no massacre da vida. Tudo bem, não tem problema, acostuma-se. E acostuma-se porque tem de se acostumar, não há outra maneira. Algumas pessoas podem ser repostas e outras são insubstituíveis. É difícil evitar as do segundo grupo. É difícil porque, por mais que se acostume com a idéia de que tudo é transitório, algumas pessoas trazer em si a essência do imutável. Alguma coisa nelas, mesmo que mínima, continuará fazendo sentido com alguma coisa sua, mesmo que mínima. E eram essas pessoas que estavam naquela imagem longínqua do avião que partia. Um dia essas também vão. Porque todas vão um dia. E lacunas terão de ser preenchidas, mais uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Era esse o problema, e era por isso que tinha evitado o amor. Não assim, conscientemente. Mas inconscientemente sabe que se prendeu ao vício de não apegar-se quase nunca. É muito doída a imagem das pessoas partindo em ônibus, rumo à lugares que não se sabe, é dolorido o tchau do lado de dentro do vidro na pista de decolagem dos aviões. O ônibus parte, o avião decola e depois sobra o silêncio. É um silêncio infinito e uns passos pesados. Se sabe sempre que, de alguma forma, há de se continuar a vida. A pessoa que vai começa, mas quem fica continua. Tem que visitar os lugares apesar da ausência do outro, tem que arrumar outros tipos de compromisso social e ocupações aos sábados à noite. Ela tinha lidado com isso tantas inúmeras vezes que aprende a ter uma certa tolerância. Das últimas vezes em que foi se despedir, não chorou. Queria, mas não mais conseguiu. Sentia o vazio dos aviões decolando, dos ônibus partindo e dos carros pegando a estrada, mas continuou andando. No outro dia arrumava o que fazer "sempre tem mais o que fazer", e ficava assim certas saudades, que depois acabavam sumindo no meio de uma outra ocupação qualquer. Depois disso o descaso. Tudo bem, eles podiam ir embora, ou ficar mais dez minutos, ou resolverem nunca mais aparecer que tudo estaria bem. Havia, ela, se acostumado a destituir o sentido das relações e transformar tudo num "um dia de cada vez", que podia ser sempre o último.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Por vezes acabava mesmo sendo o último, o derradeiro, e não só o "último até a próxima vez". Chorava dez minutos e depois não via mais sentido. O desapego é um vício sem volta. As relações sempre frágeis, sempre na corda bamba, sempre podendo acabar no minuto seguinte, e tudo bem, porque a vida é transitória assim. Não era assim amor, mas era também. Porque se ama o vício de não amar, se ama a partida, e se ama - talvez, e principalmente - a esperança de um dia tropeçar no lógico e acabar por apegar-se enfim. Não mais os aviões decolando, os ônibus partindo, os passos vazios e sozinhos. Não mais o coração, esse portão de embarque e desembarque, cheio de gente saindo e entrando, levando as malas, deixando pouca coisa - ou nada - pra trás.&amp;nbsp; Não mais tantas chegadas &amp;amp; partidas,&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=25owkq5TA8k"&gt; pra quê sofrer com despedida?&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-5785883689015685440?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/5785883689015685440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=5785883689015685440' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/5785883689015685440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/5785883689015685440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/12/chegadas-partidas.html' title='chegadas &amp; partidas'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-1697725099279487143</id><published>2011-12-05T19:33:00.000-08:00</published><updated>2011-12-05T20:01:20.503-08:00</updated><title type='text'>apesar de tudo, e por tudo.</title><content type='html'>Talvez não tenha como não cair em clichês horrorosos tentando escrever sobre aqueles dias em que, você acorda achando que vai ser um dia comum, e acaba por ver toda a sua perspectiva de vida tranquila caindo escada abaixo. Seria legal, quem sabe, escrever uma enorme metáfora, um conto, um texto, uma poesia, qualquer coisa que seja assim, mais literata do que um desabafo, mas não existe como  - e nem porquê. Não vem ao caso aqui citar tudo o que aconteceu, contar em detalhes a minha vontade de chorar assim, de dentro, botando pra fora outro clichê. O interessante dessas situações-limites em que a gente é colocado é que, a gente acaba por refletir a vida como um todo. E com isso voltamos a outro clichê: quem realmente se importa com você? o que você verdadeiramente deseja da vida? Era esse o lugar em que você sempre quis estar? São diversas questões que acabam entrando em ação toda vez que você se vê perdido de novo, começando de novo, botando o pé na estrada. A resposta pra esse tipo de questionamento também acaba por ser bem simples. Algumas pessoas se importam e sempre se importarão, e outras se mostrarão meros utilitários. Vão aparecer aquelas de quem você não esperava nada e, dentro do que podiam, te deram muito. A gente nunca sabe o que deseja verdadeiramente da vida. E o mais decisivo de todas as constatações: esse é um lugar confortável, mas não é o lugar onde eu sempre quis estar.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Abdicar a vida, querer estabilidade no meio dos 22 anos é, em primeiro lugar, odioso. Em segundo lugar é falta de juventude. Acontece isso mesmo, é necessário testar várias profissões, vários lugares, outras pessoas, outro tipo de gente, outras noites de sábado, outras tardes de domingo. Tenho outras cidades pra conhecer, várias noites em claro, coisas que pretendo provar. Não vi nem metade dos shows das bandas que eu gosto. Tenho muita gente por conhecer ainda. Existe mais de um grande amor na vida. Existe mais de um emprego dos sonhos. Existe mais do que um melhor amigo. Os beijos tem vários gostos. E eu só tenho 22 anos. 22 anos em que não preciso guardar dinheiro para a vida estável que nunca quis ter, para a família que ainda não pretendo formar, para a vida conjunta que ainda não planejo com ninguém. Recomeços são difíceis, sempre, traumáticos às vezes. "Mas tenho sobrevivido". Tenho sobrevivido desde os anos mais odiosos, e sobreviverei ainda. Porque se sobrevive, sempre. E se sobrevive mais quanto mais perto da morte se está. A vida não é feita apenas das 9 as 6, e tem um pouco mais de poesia na madrugada (quase) sempre. Talvez seja bonita daqui um tempo a vida dos almoços regrados, jantares pomposos, dormir cedo-para-acordar-cedo, mas por enquanto não é estritamente necessário. O rótulo de sucesso que eu nunca quis ter me pesa. Sempre preferi flertar com o fracasso, com a decadência, com as noites em claro, com as olheiras. Sempre preferi rum barato com coca, sentada na calçada, de frente pra santa da vizinha, ouvindo smiths. Sempre preferi passar vergonha dançando-sem-saber-dançar. É assim que a gente ri mais alto, é nos tropeços da vida que a gente acaba por descobrir quem é. Que venha o que vier, todo mundo é mais vivo quando deixa de ter medo da morte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vida é uma eterna escolha. Mas nenhuma escolha é definitiva. Eu nunca soube onde queria estar, de qualquer maneira. Apesar de tudo, e por tudo - sobtevivemos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-1697725099279487143?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/1697725099279487143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=1697725099279487143' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1697725099279487143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1697725099279487143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/12/apesar-de-tudo-e-por-tudo.html' title='apesar de tudo, e por tudo.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-3310753793835458604</id><published>2011-11-28T19:16:00.000-08:00</published><updated>2011-11-28T19:20:33.835-08:00</updated><title type='text'>Tem coisa que tem que mudar</title><content type='html'>Minha monografia na pós de especialização web vai ser sobre conteudo colaborativo na internet. Como acabo pensando e lendo muito sobre isso o tempo todo, achei por bem separar os espaços. Esse sempre foi um blog muito pessoal (e por vezes muito íntimo), e os textos sobre tecnologia e sociedade não parecem coexistir muito bem com o resto dos outros textos daqui. Fica esse blog pra quando eu quiser fazer essa literatura marginal, e fica um novo blog pra textos como o da usp. Caso você, leitor, tenha gostado daquela reflexão sobre a usp, fique a vontade pra lê-la de novo - e saber outras coisas, nesse endereço aqui:&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://vagabundagensposmodernas.wordpress.com/"&gt;http://vagabundagensposmodernas.wordpress.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;as vagabundagens pós modernas agradecem. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-3310753793835458604?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/3310753793835458604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=3310753793835458604' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3310753793835458604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3310753793835458604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/11/tem-coisa-que-tem-que-mudar.html' title='Tem coisa que tem que mudar'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-1601982420102320169</id><published>2011-11-08T20:21:00.000-08:00</published><updated>2011-11-08T20:45:46.260-08:00</updated><title type='text'>O retrato da minha geração.</title><content type='html'>vagabundagens pós modernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha geração ainda não tem livros, retratos, não tem um filme-voz, não tem nada disso. Minha geração é a geração que hoje luta, que hoje faz, que é o presente. Minha geração é a geração que hoje está ocupando a usp. Eu não queria falar sobre usp, sobre revolução, sobre maconha, sobre luta, sobre nada disso. Eu não queria porque acho irrelevante, porque acho chato, porque não julgava necessário emitir opiniões sobre isso. Eu nem tenho uma opinião formada, porque eu não estudo na usp. Eu não nasci em são paulo, eu não sei se o rodas é ou não é um ditador. Eu não entendo da militarização de são paulo. Tudo que eu sei, a tv me conta. Compartilham no meu facebook. Escrevem no meu twitter. Tudo que eu sei é a informação rasa, dos memes com o menino de gap e ray ban, a enxurrada de gente dizendo que, com o dinheiro dos pais, qualquer um é capaz de fazer a revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu resolvi falar porque essa geração é a minha geração. Aqueles estudantes que ocupam a usp tem a minha idade. Eu poderia estar ocupando o prédio da reitoria da usp. Poderia, ou poderia achar tudo isso uma bobagem imensa. Eu não tenho o que achar porque eu não estudo na usp. Eu não sei quem está certo, quem não está, se a maconha é um problema, se a militarização é um problema, se os revolucionários de lá usam ou não usam gap, se são ou não sustentados pelos pais. Se a PM fazia o seu trabalho, se dentro do prédio da usp as pessoas foram ou não torturadas. Eu não sei. Eu sei que a minha geração é uma geração sem causa. Não estou falando dos revolucionários da usp, não estou falando dos ex-revolucionários da minha universidade, eu estou falando do que eu vejo. A gente não sabe porquê - ou pra quê - lutar. A nossa geração nunca teve ideais e os persegue de qualquer modo, porque todo mundo precisa de alguma coisa pra acreditar. Nós somos a geração de um deus que não há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estejam lutando por o que quer que seja os revolucionários da usp, seja por motivos contundentes como evitar a militarização da usp como projeto de governo, errado, dos governadores de são paulo junto com o senhor reitor da usp; ou seja pela simples vontade de fumar maconha dentro do campus, livre, debaixo das árvores, eles estão lutando por alguma coisa. Eu não quero defender aqui se isso é válido ou deixa de ser válido, mas o que eu enxergo na gente - e eu digo a gente, porque faço parte dessa geração de fim dos anos 80, começo dos anos 90 - é que a gente precisa de ideais, mas não os tem. Estejam lutando pelos motivos certos, ou errados, lutando certo ou errado, os meninos da usp não são ruins. Eles só estáo perdidos. Perdidos no mundo como eu estou. Perdidos porque somos uma geração que nasceu sem conflitos. No meio da liberdade, do liberalismo, do capitalismo já consolidado. Somos a geração que viu desenho animado na tv, que estudou em bons colégios, que passou no vestibular, que quer acreditar em alguma coisa, mas não sabe no que. Nossa geração não tem voz, não tem exemplo, não tem retrato, não tem james dean, não tem chico buarque gritando cale-se. Não tem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa geração dança nas boates ao som de lady gaga - talvez o maior expoente de contravenção dos meninos e meninas dos anos 90 -, e se compartilha no facebook. Nossa geração faz piada com tudo pra ser ouvida, amada, estrelada e retwittada. Nossa geração destituiu clarice lispector de sentido em um meme e ressuscitou caio fernando abreu em trechos perdidos no twitter. Nós citamos o escritor não lido da década de 80 porque não temos quem fale por nós. Não temos um momento histórico contundente, não precisamos ser contrários a nada. Tudo já aconteceu, as mulheres hoje trabalham, a corrupção já se entranhou, os políticos serão sempre assim, nós temos a nossa liberdade, nós temos opinião pra tudo, o tempo todo. Nós criamos ruído e não temos heróis. Não temos ícones. Somos vagabundos pós modernos, nos repetindo e querendo nos encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a minha angústia com a história da usp se deu depois de ver as fotos das pichações na reitoria e da reação dos estudantes contra a PM. Citavam maquiavel nas paredes. Mquiavel e Chico science. Meninos vestidos de Gap e rayban se misturavam com o menino sem camisa que tentava declamar poesia pro PM, com uma flor na cabeça. Outros deles mostravam karl marx pro policial. Milhares de livros e ícones que não são nossos. As frases do marx já não valem nada contra o que quer que seja, o maquiavel não pode ser usado como reação em pleno século XXI e os hippies já fizeram essa revolução com flor e poesia, há pelo menos 40 anos atrás. Nossos pais fizeram a revolução com esses ídolos, e esses ídolos não são nossos. O marx não fala por nós, ele nem faz mais sentido. Nem ele, nem o maquiavel, e talvez nem mesmo o Chico Science, dentro desse contexto signifique alguma coisa. Mas nós repetimos padrões porque não sabemos falar. Se os estudantes da usp picham o A de anarquia dentro da reitoria é porque não há outra ideologia, não há mais ícones, modelos, não há mais deuses e então seguimos pegando emprestado tudo aquilo que já vimos acontecer. O marx, o maquiavel, a esquerda, a luta com flor e poesia, as frases escritas pelos estudantes que lutaram contra a ditadura. Nada é nosso. Nem o pensamento é nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada é nosso porque seguimos compartilhando as coisas já escritas sem pensar sobre, seguimos declamando frases fora de contexto, refazendo sentidos otários, lutando por guerras que não existem. Deve existir no meio dos meninos tão criticados da usp, gente que realmente acredite naquilo que está fazendo. Também, é claro, deve ter gente que só está ali porque está, sem saber muito bem o que está acontecendo. Fiquei triste ao ver coquetéis molotov e frases de marx pichadas nos muros. Foices. Ideologias comunistas empoeiradas que não fazem mais sentido e a gente ainda repete porque não sabe o que pensar e nem fazer por conta própria. Somos uma geração perdida. Uma geração que protesta de gap e rayban, que declama poemas, que se veste de flores. Nós repetimos os modelos que vimos porque não sabemos criar nossos próprios. Não tem pecado nisso. Não tem pecado em termos sido jogados na pós modernidade e não sabermos como lidar com ela. Eu não sei, meus amigos não sabem e esses meninos da usp - desculpem - também não. É tudo meio jogado, meio esquisito, meio rapido demais pra que a gente realmente tenha uma postura critica e global sobre o que acontece com a gente. A gente não tem. A gente faz o que dá, meio de rompante. Nossa vida acontece na velocidade das notificações do facebook, nosso pensamento não ultrapassa os 140 caracteres do twitter. Somos mero compartilhamento de informação, readequação de ídolos e de sentido fora de contexto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós não sabemos como lutar. Mas queremos - e fica nisso. A geração dos anos 70 nos criticará por não ter vivido a ditadura. Por sermos sustentados pelos nossos pais. Ninguém sabe lidar com a liberdade que nos deram. Nem eles, nem a gente mesmo. E nos perdemos. Jogando nossos coquetéis molotovs na rua como na revolução de 60, colocando flores nos cabelos e recitando poesia como nos anos 70, pintando a cara e citando marx como quem lutava contra a ditadura. Apenas repetimos modelos. Mas nós não somos ruins. Apenas estamos a procura de nossa própria voz, de nosso próprio retrato, de algo nosso. E enquanto não acharmos - reinventaremos. Desse jeito torto, esquisito, e meio ridículo, que é o que sabemos fazer - de garrafa na mão, fazendo a revolta no facebook. Nem a gente sabe no que acredita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revolta será transmitida na twitcam - e posteriormente, compartilhada no facebook. A pós modernidade é o retrato da minha geração. E castiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os revolucionários da usp são o retrato da nossa geração. E contentem-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-1601982420102320169?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/1601982420102320169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=1601982420102320169' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1601982420102320169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1601982420102320169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/11/o-retrato-da-minha-geracao.html' title='O retrato da minha geração.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-3304850913856645647</id><published>2011-11-04T14:50:00.000-07:00</published><updated>2011-11-04T14:50:17.489-07:00</updated><title type='text'>o slilêncio que precede o esporro.</title><content type='html'>estou cansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a vida faz um ruído que, por vezes, fica difícil suportar. rotina. me lembro de uma época em que metade dos meus textos reclamavam da rotina. os ônibus diários, as catracas, as pessoas com cara de vazio. mudaram os ônibus, os horários, mudaram também as pessoas - nem todas elas tem cara de vazio -, mas a rotina continua ali. o despertador sempre programado para a mesma hora, o mesmo caminho, as músicas, as lembranças. meio ridículo isso, esse parágrafo, esse texto, esse assunto, tudo isso - minha vida.&amp;nbsp;o emprego vai bem, a vida vai bem - tirando o que não vai - e não tem lá muito motivo pro mundo parecer errado, p'ras tardes parecerem cinzas, não tem muito pra quê esse clichê todo, essa derramação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acontece que o mundo faz um ruído que me impede de me ouvir. todo dia alguém está falando alguma coisa, te pedindo alguma coisa. os e-mails não param de chegar, existem layouts para fazer, existem e-mails pra responder, recados, mensagens, o celular apitando. a urgência. a urgência porque não se pode perder tempo nunca, porque temos que aproveitar a vida, porque cada noite de sono traz em si o peso de não estarmos produzindo. o peso do equilíbrio. os remédios, os psicólogos, as aulas de yoga. a cidade correndo, o tempo todo correndo, os computadores ligados, os carros que gritam as três horas da manhã em plena sexta feira. interação. somos interativos, tudo apita, tudo diz, tudo quer-dizer, tudo quer comunicar. a revolta da usp sem razão de ser, as fotos compartilhadas que gritam e calam numa mesma interface. as campanhas sem sentido, esse monte de gente vil, esse monte de gente que deseja a morte dos outros, esse monte de gente que não se ouve. não se ouve no twitter, no facebook e não se ouve na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;todo mundo se divertindo o tempo todo, bebendo muito, tirando muitas fotos, compartilhando, os sábados à noite que nunca podem ser vazios (por quê?), as sextas à noite que devem ser preenchidas, churrascos cheios de bebida, gente caindo desacordada na grama, vomitando no próprio cabelo. temos que beijar na boca ao menos uma vez por semana, temos que fazer sexo, temos que nos mexer, nos divertir nos divertir "o que tem pra hoje?" "o que tem pra amanhã?" "o que você acha disso?" a corrente da contra-corrente. a opinião da anti opinião. réplica, tréplica, quintúpla, décipla, o mesmo círculo vicioso, nenhuma conclusão. ninguém.é.feliz. o mundo faz um ruído imenso que me impede do simples, das noites na minha casa dormindo, dos livros, do meu celular sem receber mensagens. o mundo faz um ruído em que eu não me ouço mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero ficar quietinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um monte de festa chata, de gente chata, de bebedeira chata, de assunto chato, de polêmica chata, de gente que eu não queria conviver mais convivo, de noite que eu não queria ir - mas vou. tudo pra escapar do ruído, das ligações, do celular que apita, eu nunca mais sentei pra conversar com ninguém no silêncio. silêncio sem twitter, sem rede social, sem facebook, silêncio sem música alta. filme em casa com o telefone desligado. discussão com lasanha e macarrão e só. tv desligada, violão. amigos, abraço, qualquer coisa dessas que comunique de verdade - sem ruído. sempre tem alguém no facebook enquanto a gente conversa, sempre tem alguém com o 3g, sempre tem alguém cheio de barulho no meio da gente que quer silêncio. eu quero silêncio porque eu não consigo me ouvir. não consigo. não consigo. paz. um momentinho só. um domingo fora, out, um domingo de filme, um domingo de conversa. um dia de paz. o ruído do mundo quieto por um instante que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu entrei em uma histeria louca, histeria de escrever o tempo todo. histeria. eu quero ficar quieta. um pouquinho quieta. pra pensar na vida que eu deixei passar, pra pensar nas coisas que eu disse, pra calar as coisas que eu digo demais - o tempo todo. pra sentir saudades, pra formular minha saudades, pra parar de ser hostil, horrorosa, fora de compasso. pra deixar de ser só mais uma, no meio do ruído terrível que tem sido existir. eu quero o silêncio, mesmo que seja o silêncio que precede o apocalipse, mesmo que o silêncio seja insuportável, mesmo que a solidão dê vontade de morrer. me desobriguem, me aquietem, me deixem num canto um momento que seja pra eu entender como é que funciona mesmo isso de existir, de lidar com os outros fora da tela do computador. como é que funciona mesmo isso de viver? eu acho que eu esqueci. amar eu nunca soube mesmo, mas existir tem doído. me deem o silêncio, uma vez que seja, o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o vazio. o último suspiro antes da grande explosão. onde tudo começa de novo.&lt;br /&gt;onde tudo ao menos começa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-3304850913856645647?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/3304850913856645647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=3304850913856645647' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3304850913856645647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3304850913856645647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/11/o-slilencio-que-precede-o-esporro.html' title='o slilêncio que precede o esporro.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-5595899774531451613</id><published>2011-11-03T12:12:00.000-07:00</published><updated>2011-11-03T12:12:27.904-07:00</updated><title type='text'>é drummond, um dia a gente enxerga.</title><content type='html'>(a literatura estragou suas melhores horas de amor).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-5595899774531451613?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/5595899774531451613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=5595899774531451613' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/5595899774531451613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/5595899774531451613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/11/e-drummond-um-dia-gente-enxerga.html' title='é drummond, um dia a gente enxerga.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-6035825931736985256</id><published>2011-10-31T10:05:00.000-07:00</published><updated>2011-10-31T10:05:34.649-07:00</updated><title type='text'>feedbeck song for a dead friend.</title><content type='html'>É dificil encarar as esquinas da cidade sem você. Todas elas. As que rodeiam a minha casa, e as um pouco mais longe. Você teve essa coisa de conseguir deixar lembranças em todos os lugares que podia deixar. No meu quarto, nas paredes da sala, nas colheres da cozinha. Um monte de lugares sem conexão que se encontram na tarefa de lembrar uma mesma coisa: você. As mulheres no ônibus apertadas em suas meias kendall não sabem que a minha deseducação e a minha cara amarrada as seis da tarde é muito mais saudades que cansaço. Entrego o lugar pra elas, pareço esgotada, elas me dizem "senta, você trabalhou demais". E eu aceito, porque ter amado demais também me esgotou as víceras. &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Te dizer que talvez eu sinta mais saudades de mim do que de você. Você, que era a minha religião, meu encontro-com-o-sagrado, meu ponto de equilíbrio. É dificil andar em linha reta sem você me guiando os passos. Depois que você se foi, a vida se deu num eterno descompasso em uma busca terrível por um deus que não há. Porque não há socorro na literatura, ou na festa, ou no copo de vodka barata que eu tomo que me faça voltar a ser aquilo que eu era. Crescemos. Você cresceu, eu aprendi coisas e mais coisas depois que você me deixou, mas o meu descompasso é qualquer coisa com a qual eu não sei mais viver. Você me via largada no chão de tanto desgosto e me segurava firme, dizia que a vida era mais que isso, que eu tinha que acreditar nesse meu potencial. O potencial que eu não te fiz acreditar, que eu não te mostrei, que eu não te dei prova. Que você só enxergava, e daí me pegava pela mão e dizia que a vida é mais que isso, poxa, mais que esses meus lamentos constantes, minhas depressões, meus altos e baixos. E eu, destrutívissima, não queria acreditar em você dizia pra mim mesma, baixinho "você não entende, você nunca vai entender esse meu vício na busca, no incerto, no vazio". Mas aceitava o abraço porque às vezes não há mais o que se fazer. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E tinha esses teus olhos complacentes com qualquer coisa, com as minhas posturas arbitrárias, com o meu jeito errado, com os meus tropeços. Eu era tão mais gente com você, tão mais grande, tão mais bonita. A cumplicidade dos teus olhos que não esperavam mais de mim do que eu podia dar. Uma palavra desajeitada aqui, uma coisa demais ali. Você com tanto medo de me fazer sofrer, me tratando como um desses elefantinhos  de cristal que não tem muito valor, mas que a gente criou apego, então cuida pra não quebrar. Justo eu, que cheguei na sua vida arrombando as portas, tirando seus filmes do lugar, te chacoalhando, te fazendo correr segurando na minha mão seca. E você, tão frágil, tão incerto e tão doce, me mostrando que a vida não precisa de tanto assim, que eu podia ser feliz, que eu podia ser tudo que eu quisesse no meio da minha literatura marginal, das minhas teorias que eu aprendi pela metade. Você acreditava na filosofia que eu não li inteira, você me admirava mesmo eu sendo esse ser-pela-metade que eu sempre fui. Você ria das minhas gafes, cuidava dos meus tropeços, dividia comigo o espetinho que você pagou com seus últimos dois reais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não queria sentir tanta falta de mim assim. Eu não quero mais amar, que se dane, eu não quero mais ninguém, mais nenhuma pessoa é capaz de carregar meu mundo, você sabe? De me mostrar que a gente não precisa ser assim tão amargo, não precisa ser assim tão erudito. Que eu posso ser assim pela metade, cheia de defeitos, cheia de bobagens e que é possivel ser melhor, ter vontade de ser melhor. Eu queria conseguir sorrir, de novo, nessas noites de quarta feira meio mornas, com comida barata. Eu queria achar graça nos teus filmes ruins, eu queria que alguém ao ver o descompasso que eu me tornei, me olhasse com olhos cumplices e me desse uma vontade qualquer de mudar, de ser melhor, de crescer, de qualquer coisa assim dessas que você me dava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Você não ia sentir orgulho dessa criaturinha que eu me tornei, e eu não sei como você tá. Eu só sei que a cada tombo, a cada porre, a cada choro no banheiro, a cada vômito que eu dou no meu próprio pé eu só peço baixinho que você volte porque desde que você se foi, eu estou sentada na sarjeta esperando que você me dê a mão - e um pouco de equilíbrio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;(escrito sei lá quando - estou resgatando os textos não publicados no blogger, enquanto a inspiração me fugiu).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-6035825931736985256?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/6035825931736985256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=6035825931736985256' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6035825931736985256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6035825931736985256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/10/feedbeck-song-for-dead-friend.html' title='feedbeck song for a dead friend.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-3752666010633866303</id><published>2011-10-20T22:02:00.001-07:00</published><updated>2011-10-20T22:09:39.534-07:00</updated><title type='text'>I want to live offline</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="p1"&gt;(where soul meets body).&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;dia desses, não tanto tempo assim, nem tão logo também, me deparei com gente fazendo o inimaginável: as pessoas largaram suas contas na internet. na época pensei que seria mais fácil pra mim deixar de ver tv, ou ficar sem celular do que apagar minhas contas na internet. minhas contas na internet são, de certa forma, minha identidade num mundo. talvez não nesse mundo palpável, de sol e chuva, de ilusão, desilusão, trabalho e café morno. mas num mundo à parte, eu sou o que eu posto no meu facebook - e as minhas estrelinhas no twitter. sempre olhei com certo descaso as pessoas que apagavam suas contas na internet. um facebook não é nada, não tem pra quê apagar. além do que, deixa a comunicação mais difícil, pra quê dificultar a comunicação quando vivemos na era das redes sociais, na comunicação instantânea? não usa mais, mas apagar, pra quê? até lembro de ter visto um desses vídeos anti-facebook do tipo "você não é o que você posta no seu mural", e pensado que as esferas da vida de uma pessoa são tão maiores que o facebook, que era meio simplista - e ridículo - ver as coisas desse jeito meio piegas, meio clichê.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;hoje eu entendo essas pessoas que apagaram suas contas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;não agüento mais o ruído que essa comunicação instantânea faz em mim. meu celular apitando, milhares de novas notificações de nada, as pessoas expondo as suas opiniões como se gritassem em praça pública. nunca ouvidas, nunca compreendidas, no máximo compartilhadas - e pelo sentimento egoísta da identificação. facebook traz consigo uma neurose. a neurose de postar um vídeo e esperar ser curtido. a tristeza de não ser amado por não receber comentários. traz consigo a necessidade de compartilhar. estou no shopping. estou comendo batatas fritas. estou me divertindo. estou me divertindo tanto que tenho que compartilhar. uma urgência. uma urgência que espera balões vermelhos com notificações numéricas em forma de amor. não existe amor no feice, parafraseando o criolo. existir até existe. mas não é como se essas pessoas não arrumassem um jeito de se amar que não fosse ali, em meio a curtdas e comentários. o facebook expõe todas as facetas da vida de uma pessoa. você entra em contato com todos os círculos sociais dos seus amigos. você sabe as coisas que ele te escondia que gostava. você o julga pelos seus guitly pleasures. você sabe quando ele está saindo sem você. você se deprime aos sábados à noite quando alguém está no bar e você está sozinho. demonstrar uma felicidade - por mais legítima que ela seja - não nos faz pessoas mais felizes.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;não existe mais comunicação que não espere uma validação vazia. você espera sorrisos em suas perguntas do formspring. você espera estrelinhas e RTs em seus tweets. você espera que maria, fernanda, claudia e mais 12 pessoas curtam aquele vídeo. você se sente rejeitado quando isso não acontece. o que a gente esquece é que o sentido é muito subjetivo. eu amo as músicas do oasis e de repente, ouvir "masterplan" faz todo o sentido do mundo pra mim. por coisas que eu passei. e eu preciso colocar aquilo pra fora. e coloco meu video no facebook. ninguém curte. ninguém liga pras coisas que eu acho legal. não. as pessoas simplesmente não ouviram oasis na adolescência e nem tiveram um encontro com o sagrado naqueles versos. o sentido é relativo. a gente se grita em praça pública no twitter em 50 updates por minuto e nem consegue se entender. não sabemos nos comunicar frente a frente e criamos mal entendidos terríveis. ao invés de mandar nossos versos de música diretamente para a pessoa, nós colocamos no facebook esperando que ela saiba que aquilo ali era pra ela. ao invés de esclarecer as brigas da vida, nós indiretamos as pessoas com uma agulhada que começa com "gente que". ficamos neuróticos. ficamos centrados em nós mesmos. colocamos carapuças que não foram jogadas pra gente. criamos terríveis mal entendidos. não sabemos demonstrar amor. não sabemos conversar frente a frente. nós esperamos que as pessoas nos entendam por aquilo que escrevemos no twitter quando elas não estão nem nos lendo. precisamos de validação, de aceitação, ok, somos humanos. mas precisa? talvez precise. precise porque a cada tweet estamos mais sozinhos. a cada vez que postamos um vídeo com uma música ao invés de mandá-lo diretamente pra pessoa que queremos que veja, estamos um passo atrás da aproximação de fato. precisamos das estrelinhas e dos RTs porque precisamos nos sentir ouvidos, entendidos, compreendidos. enquanto isso as outras pessoas só nos compartilham por identificação. catarse. só que uma catarse tão rápida e vazia que a gente nem aproveita direito.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Eu estou cansada. cansada da neurose da minha timeline. cansada de imaginar se aquelas palavras eram ou não pra mim. cansada das pessoas que fingem ser felizes o tempo todo. escrever no twitter que você vai ter uma bela noite com o seu namorado não restaura seu relacionamento. as pessoas precisam mostrar o tempo todo que estão fazendo coisas legais, estão sendo amadas, que tem muitos amigos, que se divertiram no sábado à noite. e elas nem estão. as pessoas felizes de verdade não tem tempo de escrever suas felicidades no twitter, no facebook, porque elas estão ocupadas se divertindo. os casais felizes não twittam o tempo todo que são felizes, porque não precisam se convencer disso. felicidade não precisa de validação. amor não precisa de validação. acontece. e eu estou cansada dessa vida que não acontece. de ao invés de chamar alguém pra sair soltar que "alguém podia me chamar pra sair". é claro que eu estou pensando em alguém específico. por que eu não chamo aquela pessoa então? por que eu me frustro quando aquela pessoa - que não tinha a menor obrigação de entender que aquilo era pra ela - não responde ao meu pedido? por que eu espero que as pessoas gostem de tudo que eu achei genial? por que eu espero que elas tenham a mesma perspectiva que eu sobre qualquer assunto? por que eu me acho mais ou menos amada pelo tanto de estrelinhas, RTs, smiles e curtidas que eu ganhei? por que a minha vida virou um ranking ridículo?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Eu tenho achado triste esse mundo de favstar, esse mundo cheio de números, de rankings. esse mundo em que existem os primeiros alunos da classe e aqueles que ficam na enxurrada da informação. é deprimente. é deprimente apertar o f5 na espera de mensagens, mentions, e recados de amor que nunca chegarão. é triste esperar que na sua caixa de e-mail chegue alguma coisa a mais do que e-mail de compra coletiva sendo que vivemos num mundo em que as pessoas nem se falam diretamente. elas se cutucam. sinto falta dos recados. sinto falta da época que saudade e admiração não era demonstrada com uma estrelinha no twitter e sim com um simples - mas bonito - "estou com saudades. acho que começo a achar inválido o tanto de sentido que a gente tem que atribuir a uma ação só pra demonstrar um sentimento simples. é simples amar. é simples sentir saudades. mas por quanta interpretação de sentido a gente não tem que passar até se dar conta que aquele vídeo com aquela música que a gente ouviu pela primeira vez que ele postou no mural do facebook era pra dizer que ele sente a minha falta? essa informação jogada e ambígua dificulta os relacionamentos humanos. a gente não sabe o que o outro quer. a gente imagina. e pode errar. porque a gente sempre erra.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;cansei da urgência, do compartilhamento, cansei de olhar minhas redes sociais a cada cinco minutos em busca de algo que não vem. cansei de gente contando suas vidas medíocres de um jeito que pareça interessante, cansei de gente que pensa tweet pra receber estrelinha. que mundo babaca é esse? cansei de estar on-line o tempo todo e não conseguir mais nem conversar com as pessoas. só mandar indiretas - de amor amigo, ou de escárnio e maldizer - no twitter. esperando que elas encontrem o sentido naquilo que nem eu mesma sei o que quer dizer. quero a vida mais simples. quero me livrar da urgência, da angústia, e da internet 3g. não que não exista beleza nesses amores jogados, também. às vezes é bonito, uma estrelinha, uma curtida daquela pessoa no vídeo que você colocou pra ela. essas sutilezas modernas. mas é mais simples dizer que estar com saudades e mandar o vídeo diretamente. e é tão sutil quanto. provavelmente não apagarei minhas contas na internet. mas cansei. estou esgotada. preciso me desconectar, preciso reaprender a me comunicar com as pessoas diretamente de novo, e não mediada por uma timeline. cansei de todo o processo de interpretação de sentido que o outro tem que passar pra entender o que eu quero. ninguém tem a obrigação de me entender quando nem eu mesma me entendo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;nós vivemos na era da comunicação, e desaprendemos a nos comunicar que nem gente. soltamos palavras ao vento, esperando que alguém pegue e faça com elas algum sentido. no fundo, esperamos a mesma coisa que alguém esperava antes do advento das redes sociais: ser amado. e pra isso não é preciso twitter, nem facebook, nem ao menos celular. é preciso duas pessoas dispostas. a grande verdade é que, a gente não está disposto. não agora, não assim, não desse jeito torto.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;cansei. de verdade. tudo ficou muito idiota. cansei desse mundo de "eu sei, porque li no seu twitter", eu quero me contar pras pessoas, eu quero ouvir coisas que ela tem pra me contar, diretamente. eu não quero ler tudo no twitter. eu quer contato também. cansei dos mal entendidos, cansei de me superexpor esperando reações, cansei de enviar indiretas-convite, indiretas-amor, indiretas-frustração, sem nunca falar diretamente com a pessoa em questão e entender o sentido dela sobre aquilo tudo. cansei de tudo isso que não funciona. quero amar, quero ser amada, quero viver mais e esperar menos notificações. eu quero estar offline, eu quero viver &lt;i&gt;where soul meets body.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;ainda existe amor em algum lugar. &lt;i&gt;onde é que há gente no mundo?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-3752666010633866303?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/3752666010633866303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=3752666010633866303' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3752666010633866303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3752666010633866303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/10/i-want-to-live-offline.html' title='I want to live offline'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-4634657896769049311</id><published>2011-10-18T22:19:00.000-07:00</published><updated>2011-10-18T22:19:06.799-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='apenas um grande desabafo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a insustentável leveza do ser'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ausência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vazio'/><title type='text'>don't wanna be myself no more</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="p1"&gt;(I wanna be somebody else)&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;tinha descoberto que precisava de equilíbrio. e não era um desses equilíbrio que vendem em comercial de tv não, uma paz interior qualquer. era um equilíbrio mesmo, um equilíbrio de verdade. tinha percebido que era assim, mais uma daquelas pessoas descontroladas que povoavam o mundo. todo mundo no mundo moderno tem neuroses, todo mundo tem os seus problemas. ela tinha se dado conta dos dela. era isso, era sempre afastar o outro por medo do abandono, era a neurose paranóica da possibilidade da perda. sempre um achar que existe uma tramóia por trás de tudo, porque é difícil e perigoso ser feliz. ser feliz não dura. fazia um tempo que tinha então abdicado de qualquer salto no escuro, esperando assim a coisa vir até ela. às vezes também tentava destruir a coisa. qualquer coisa que pegue qualquer profundidade que seja precisa ser afastada porque pode ferir. tinha amado uma vez e foi bom, foi lindo, sentia-se viva e o sangue corria pelas veias, pelos cabelos, o sorriso da paixão se via nas fotos, o olhar dele pra ela, o olhar dela pra ele. se amavam mais quando desavisados porque o amor aparecia. o amor aparecia nos arquivos perdidos no computador. qualquer dúvida sobre o fato do amor ter acontecido estava acabada ali, naqueles arquivos de alguns mil megapixels. mas acabou, como tudo sempre acaba, e desde então é cansaço. cansaço, neurose, medo. medo de ser abandonada por outra, medo de sofrer caso aconteça e é por isso que desapegou-se. desapegou-se desde a infância em que seu pai foi-se pra longe, não parava em casa, trabalhava demais. percebeu ser mais fácil a partida daqueles a quem não nos apegamos muito. quando tem apego tem dor e todo mundo vai embora, não vai? preferi deixar antes se for assim. e deixa. deixa até o que poderia dar certo, inventando histórias, narrativas fantásticas. "ele não me ama mais, ele nunca seria capaz de me amar", diz baixinho. a realidade não existe. não nesse mundo desequilibrado em que escolheu viver. sabota-se, mutila-se, resguarda-se, abandona, desapega. amar é muito karma, é difícil, é terrível, tem que se entregar. e depois de se entregar o inferno. a paranóia, o controle, a chantagem, o medo do abandono, sempre o medo do abandono. "você me esqueceu?", perguntava ingênua. quase sempre respondiam que não, mas sabe-se lá. não acreditava nos outros, duvidava, testava o amor sempre que podia. tudo isso no meio de histórias, de sonho de "ele não me ama mais". tudo isso no meio de frustrações por qualquer convite recusado, qualquer resposta demorada, qualquer recusa percebida. histórias inventadas, fantasias terríveis, o se frustrar por uma realidade que não é. o medo. o medo do abandono. o teste do amor. cansou-se. daí deu-se conta de tudo isso. que difícil é viver assim, nesse medo, nessa urgência, nessa neurose, nesse abandono-iminente. resolveu mudar. mas dói. a cada novo sintoma um respiro fundo. "isso não está acontecendo do jeito que você vê". virou vício. um trabalho, um exercício, um dia de cada vez. tentar viver, tentar se entregar, tentar não se desesperar com as frustrações cotidianas. difícil, pesado, doloroso. difícil sair do isolamento pra colocar o pé na vida de novo. ser sozinha dói menos, bem menos. é menos esforço, menos necessidade de controle, menos briga consigo mesma. o terrível exercício diário do equilíbrio, do ver as coisas claras, do não se desesperar, do não fazer tempestades em copo d'água, de não manipular, jogar a culpa, espalhar indiretas infundadas. surtar, enfim. todo dia uma luta no silêncio que precede o surto. era mais fácil viver na negação, mas agora que deu-se conta, quer parar de sofrer pelo simples fato de estar viva. quer ser, quem sabe, plena. quem sabe de novo o bom corpo, o sorriso, o amor que se vê pelas fotos. lidar com o silêncio que precede o surto. ir um dia de cada vez. tentar, enfim.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;à todos, do passado e do presente, desculpa qualquer coisa.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-4634657896769049311?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/4634657896769049311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=4634657896769049311' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4634657896769049311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4634657896769049311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/10/dont-wanna-be-myself-no-more.html' title='don&apos;t wanna be myself no more'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-5572288506319658167</id><published>2011-10-16T21:33:00.000-07:00</published><updated>2011-10-16T21:33:52.967-07:00</updated><title type='text'>a título de curiosidade.</title><content type='html'>a título de curiosidade, esse nunca pretendeu ser um blog sobre a minha vida. o uso da primeira pessoa é apenas um vício de linguagem. não sei me distanciar nem dos filmes que eu assisto, porque me distanciaria dos personagens que escrevo? não tenho aqui a vontade de mostrar nada pra ninguém. não espero me redmir dos meus erros, nem mostrar novos caminhos. não acabe a mim, nem a você - o leitor - descobrir se alguma dessas personagens aqui descritas são de fato eu. nem eu sei se são. nenhum personagem aqui transcrito existe do mesmo jeito na vida real. tudo que passa pelos olhos dos outros para ser descrito já não é o que era em primeiro lugar. mascaro a realidade e escrevo textos. escrevo textos que inventam uma nova realidade. escrevo porque preciso viver em um outro mundo que não o meu. escrevo porque a realidade crua me desgasta de sobremaneira. escrevo porque tenho insônia, porque sofro de distúrbios ocasionais, escrevo porque me frustro, escrevo porque preciso sublimar. não escrevo por sua causa, nem por causa dele, nem por causa dela, e nem por causa de vocês. escrevo pra mim. escrevo por mim. escrevo do que vem de dentro de mim. nada do que existe aqui aconteceu de verdade. é tudo literatura. literatura de 1,99, de romance de banca de revista escrito em papel jornal, mas literatura. não exponho a ninguém nos textos desse blog. não escrevo à ninguém nos textos desse blog. eu escrevo pra nada, pro silêncio, escrevo porque é meu vício primitivo, porque é meu único jeito de me expressar completamente, escrevo porque preciso falar e não sei, porque queria ser livre e não sou. escrevo pra me libertar. saibam, nenhuma pessoa é a motivação da minha literatura. a minha literatura é que é a motivação do meu existir. e se vocês se enxergam aqui uma hora ou outra é porque fazem parte da minha vida. e eu só sei escrever sobre aquilo que já senti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nenhum romance é completamente imparcial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-5572288506319658167?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/5572288506319658167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=5572288506319658167' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/5572288506319658167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/5572288506319658167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/10/titulo-de-curiosidade.html' title='a título de curiosidade.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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estaria segurando um cigarro se fumasse, mas seguro bem minhas pulsões de morte. do jeito que posso. existir me dar náuseas, mas eu tenho medo de morrer. tenho medo de morrer porque tenho medo que o paraíso exista, e eu não sei o que fazer com a eternidade. a eternidade me dá calafrios na espinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seu atraso de meia hora, quase quarenta minutos. eu devia ter ido embora, mas nada me abala mais. uma, duas, três cervejas. as pessoas do bar me olham com certa pena. algumas cochicham. cochicham a minha solidão intrusa. as pessoas não sabem lidar com gente sozinha. eu sorrio um sorriso sádico e agradeço por pelo menos não ser o casal da minha frente que não se conversa. eu já fui neurótica pela sua presença e hoje evito até te mandar mensagens perguntando onde você está. podia ser um acidente de carro, uma fatalidade, é claro que podia. mas eu não acredito mais nisso. eu não acredito mais em você. eu não me importo se você morrer. eu sempre esperei que você sumisse, mas você continua. continua me perseguindo só porque você é sozinho, e quando você foge é porque se enxerga em mim. eu pensei isso no meu quinto copo de cerveja. esperaria mais vinte minutos e foda-se. se você não aparecer eu dou tudo por acabado sem te falar nada. e vou embora. eu sempre te disse que eu não sabia cultivar relacionamentos. você disse a mesma coisa. é pra isso que a gente nasceu. foi por isso que a gente se encontrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;dai você chega. chega, não me olha nos olhos, pega um pouco da minha cerveja. pede desculpas, meio desajeitado. eu não ligo, não é como se você me machucasse. eu digo que tudo bem e sorrio. você sorri de volta, me conta da sua vida, dos seus sonhos, das suas perspectivas. quando eu falo você não me ouve assim, não completamente. seus olhos sempre procuram alguma coisa longe de mim que eu nunca vou saber o que é. talvez eu saiba. talvez seja outra garota, talvez seja a liberdade, talvez seja alguém mais simples. eu não te culparia por isso. eu nunca te culpo por nada, porque não há do que te culpar, assim, exatamente. eu soube de tudo quando te conheci. soube que nós não nos apaixonaríamos, não viveríamos uma bela história de amor, eu soube - como quem compra uma bandeja inteira de iogurtes na promoção - que eu tinha que te aproveitar logo porque a gente tinha data de validade próxima. e eu achei que fosse ali, naquele dia. você chegou desinteressado, bebendo várias cervejas, eu tinha que inventar assuntos sem vontade. você não queria meus assuntos daí a gente tentava comer, ou tentava beber, e você até tentou ocupar o vazio segurando as minhas mãos, mas nem isso daria jeito. foda-se. eu queria te deixar pra sempre. te deixar sentado na mesa segurando seu copo de cerveja e sua empáfia e te abandonar dizendo que na verdade eu nunca te quis. eu talvez te abandonasse sem dizer nada. não tinha nada a ser dito. nunca houve. eu te olhava como olhava as fotos do mural do meu quarto. meu quarto cheio de gente morta na minha vida, cheia de gente sem sentido e sem significado. eu te olhava e não achava o sentido em você. eu, vivendo a procura dos sentidos ocultos. não tinha mais o que te dizer, eu não tinha mais como fazer aquilo funcionar, eu tropeçava no meu salto alto, o mundo girava de um jeito enjoado quando você tentava me beijar. há quantos anos estamos juntos, eu pensava. pra esse cansaço todo? sete anos, talvez quinze. eu não lembrava direito nem o dia em que tinha te conhecido. eu sabia que não tinha que te anotar na agenda. eu não gosto de ser imprudente com sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;mas aquele dia tinha uma coisa, talvez o meu cansaço da vida, talvez a náusea de existir, talvez a simples vontade de romper com tudo e sair correndo. qualquer coisa dessas. qualquer coisa dessas me fez querer vomitar em você, te bater, te dizer que não precisava mais daquilo, que você podia ir embora e me largar pra sempre, e ia ser melhor assim. ia ser melhor assim porque eu não sabia lidar com seu silêncio, com o nosso cansaço, com essa merda toda. eu queria te dizer pra ir embora, ir embora de vez. me deixar, cuspir na minha cara que seja, mas acabasse logo com isso. eu já fui abandonada tantas vezes, tantas inúmeras vezes que não faz diferença, eu ia te jurar, não faz mesmo. ia ser mais uma. mais uma vez. eu ia acabar esquecendo teu rosto em dois meses e arrumando outra coisa pra me apaixonar. e você, quem sabe, se encontraria com o amor da sua vida porque é assim que funciona. é assim que funciona na minha vida. e eu, tão cansada de tudo, tão terrivelmente apática, de repente levantei e gritei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- porra, que merda, me abandona de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;você me olhava e não entendia nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- me abandona, caralho, me abandona de vez. vai embora, me deixa a pé, andando na chuva, mas não me faz sentir como aqueles putos da mesa da frente. casados há duzentos mil anos e que não conseguem nem falar sobre o tempo. me faz pelo menos sentir raiva de você já que você tá matando todo o carinho. eu não sinto nada, caralho. eu não sinto nada você tá entendendo? na-da. me tira dessa merda. me tira. não dá assim, eu não sei continuar assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;você pagou a conta, me puxou pelo braço, me sentou no banco lá fora. você me odiava. eu podia sentir que você me odiava. me odiava porque eu não tinha tido um porre e vomitado no seu pé, eu não tinha feito um escândalo de subir na mesa e dançar, eu não bati no teu carro nem risquei a lataria nova, eu só vomitei o que eu sentia em você. e com isso você não soube lidar. essa parte de mim você sempre preferiu esconder que existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- por que você fez isso?&lt;br /&gt;- porque eu não nos agüento mais.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- e precisava, assim, no meio de todo mundo?&lt;br /&gt;- na verdade o plano inicial era te dar as costas e ir embora sem te dizer nada. mas eu tô bêbada. eu tô bêbada e olhei pra essa sua cara de tédio e não deu. só te largar era muito pouco. eu tinha que te jogar isso, essa coisa. não dava pra ser assim, do jeito que eu achava que ia ser.&lt;br /&gt;- você já gostou de mim, me diz você já gostou de mim em alguma parte disso tudo?&lt;br /&gt;- eu gosto ainda.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;-você disse pra eu te abandonar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- justamente porque eu gosto de você. porque acabou a nossa urgência, dá pra ver, você olha pra mim contando as horas pra me levar pra casa. eu nem lembro qual foi a última vez que eu conversei com você alguma coisa com empolgação. é só assim, você fala, depois eu falo e você não me ouve e a gente come, depois trepa, e é tudo um pretexto ridículo, e quando não é isso estamos bêbados, e você me segura e eu vomito no teu pé, no teu carro, depois na cama. acabamos desacordados, um pra cada lado. decadentes. que rotina ridícula. a gente é ridículo. terrivelmente ridículos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- eu não sei o que te dizer.&lt;br /&gt;- você não sabe o que me dizer porque você nunca soube, porra. mas alguma coisa você sente.&lt;br /&gt;-&amp;nbsp;eu gosto de você.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- você gosta menos de mim do que gosta do seu cachorro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- meu cachorro não exige validações de sentimento.&lt;br /&gt;- e eu não exijo nada de você.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- isso é o que você acha.&lt;br /&gt;- pode dizer que eu sou louca.&lt;br /&gt;- e é. é porque complica tudo do jeito mais terrível.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- por que você não me abandona de vez?&lt;br /&gt;- porque eu não consigo, tem alguma coisa em você. qualquer coisa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- por que você não me abandona de vez?&lt;br /&gt;- porque eu não quero.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- você ia mesmo me virar as costas?&lt;br /&gt;- ia.&lt;br /&gt;- não virou por quê?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- porque eu tinha que tentar pela última vez, vai que não sei, vai que dá certo, vai que eu redescubro em você aquilo que eu vi no primeiro dia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- é isso que a gente vive buscando, será? aquilo que a gente era no primeiro dia?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- acho que é isso que todo mundo busca, no fim das contas. até aquele casal terrível e sofrido que tava sentado na nossa frente. todo mundo vive na esperança de voltar a sentir o encantamento e a urgência do primeiro dia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- naquele dia você falava mais, bem mais.&lt;br /&gt;- naquela época você era encantado por mim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- você ainda sorri do mesmo jeito.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- e você nunca sabe direito a hora de me beijar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;você me beijou. eu te sorri. não queria mais te abandonar. não naquela hora. mas eu sabia, um dia aconteceria. talvez não hoje, e nem daqui há uma semana. mas chegaria o dia em que não existiria mais em nossos ossos o encantamento nem a urgência do primeiro dia, e nem seria possível recuperá-los. eu não anotei nosso primeiro beijo na agenda. não quero acreditar em amor como não quero acreditar no paraíso, porque eu não sei o que faria com a eternidade. a eternidade me dá calafrios na espinha. me enxergo te deixando deixando pra nunca mais voltar. imagino você me abandonando pra sempre, por causa da minha loucura insuportável. sorrio assim. me fazem feliz as bandejas de iogurte compradas na promoção para serem consumidas rápido, num tempo determinado. tudo tem data de validade.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;."..and in the end gets easy to pretend that you are just some lover. "&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-218996070250018617?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/218996070250018617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=218996070250018617' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/218996070250018617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/218996070250018617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/10/do-you-think-love-is-laserquest.html' title='do you think love is a laserquest?'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-1685550981136424447</id><published>2011-10-14T23:58:00.001-07:00</published><updated>2011-10-15T00:05:39.102-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cansaço'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nausea'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vazio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='existir'/><title type='text'>Entre o ser e o nada</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;Jean paul satre ou um outro filosofo qualquer disse que o ser humano esta fadado a uma terrivel angustia a partir do momento em que se d&amp;#225; conta da pr&amp;#243;pria exist&amp;#234;ncia. Essr mesmo sartre escreveu um livro chamado a na&amp;#250;sea. Na&amp;#250;sea &amp;#233; o que eu estou sentindo agora. Nausea do existir. Quero vomitar minha vida pela boca. Quero nascer de novo. Quero ao menos conseguir revidar o tapa, sair da in&amp;#233;rcia, gritar a dor: voltar a sentir enfim. Porque hoje sou o ser - e o nada. Sinto meu cora&amp;#231;&amp;#227;o na ponta da faca, sangra, mas eu n&amp;#227;o sei mais gritar. Estou cansada de existir - a na&amp;#250;sea.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-1685550981136424447?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/1685550981136424447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=1685550981136424447' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1685550981136424447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1685550981136424447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/10/entre-o-ser-e-o-nada.html' title='Entre o ser e o nada'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-4793569029479225810</id><published>2011-10-13T13:49:00.000-07:00</published><updated>2011-10-13T13:49:16.048-07:00</updated><title type='text'>anti-métrica</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #2a2a2a; font-family: 'Segoe UI', Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;versos livres,&amp;nbsp;&lt;br style="line-height: 17px;" /&gt;brancos&lt;br style="line-height: 17px;" /&gt;a caneta não toca o papel&lt;br style="line-height: 17px;" /&gt;a escrita não toca a alma&lt;br style="line-height: 17px;" /&gt;você não toca meu coração&lt;br style="line-height: 17px;" /&gt;&lt;br style="line-height: 17px;" /&gt;o amor é só um jogador na reserva de um time,&lt;br style="line-height: 17px;" /&gt;que nunca vai entrar em campo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-4793569029479225810?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/4793569029479225810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=4793569029479225810' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4793569029479225810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4793569029479225810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/10/anti-metrica.html' title='anti-métrica'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-6591010044139538354</id><published>2011-10-08T23:58:00.000-07:00</published><updated>2011-10-09T00:03:43.447-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='apenas um grande desabafo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Analise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a insustentável leveza do ser'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da madrugada'/><title type='text'>do aleatório do ser que derrama em plena madrugada</title><content type='html'>chego em casa. penso em escrever. penso em conversar. penso em dizer quinhentas mil coisas que ficaram engasgadas em mim, mal resolvidas. as noites não tem sido assim tão interessantes, e nem adianta mais ser a menina mais-bem-vestida-da-festa. as coisas não fazem sentido. não é culpa sua, não é culpa minha, não é culpa de tudo-que-deveria-ter-sido-e-não-foi. não é culpa do passado nem do presente, nem dos trânsitos astrológicos pelos quais estou passando. é da vida. é da vida essa insatisfação sem fim, essa busca sem fim em si mesma. uma semana a gente flerta com a decadência, vomita a alma pela boca, desmaia e não lembra de nada. na outra a gente sai e volta dama da sociedade, garota alternativa e bem vestida de classe média. é tudo assim, meio cíclico, meio errado, meio cheio de voltas. é tudo assim, meio indefinido. queria &amp;nbsp;escrever o texto da minha vida, queria a catarse, o perfeito, a criação. queria tirar de mim o que quer que seja isso. o peso que ficou nos meus ombros depois de tanta perda, de tanta morte, de tanta solidão. cheguei na terrível parte da vida em que se todas as pessoas que eu conheço sumirem eu sou capaz de acostumar. vivo sozinha, um bicho meio apático, ninguém sabe muito das coisas que eu quero, das coisas que eu faço. nem eu mesma. por isso não culpo. hedonismo. a busca pelo prazer. sei lá, que seja. eu vomito na janela do carro, eu experimento tudo que há para experimentar, eu vivo nesse &lt;i&gt;filme sem nexo pierrô retrocesso meio bossa nova e rock and roll &lt;/i&gt;e ninguém se importa muito. nem eu mesma. joãozinho bobo na mão da vida, se você me empurrar eu vou. pra qualquer lugar que seja. não esperem de mim as mais belas cartas de amor, as demonstrações mágicas, os textos bem escritos. tudo deu um tempo. sobrou em mim esse vida que vai indo do jeito que dá, do jeito que pode. um dia beija, depois não beija mais, um dia sai, depois não sai mais. passo dias inteiros indo em casas desconhecidas, refazendo amizades, conversando sobre qualquer assunto. depois outra semana inteira em casa com meus livros &amp;amp; filmes, minha pizza metade napolitana metade brócolis. tanto faz. tanto faz você, tanto faz eu, tanto faz a vida. tanto faz. eu já quis ser feliz, eu juro, eu quis mesmo. quis ser feliz, equilibrada, quis levar essa vida regrada que todo mundo gosta tanto. essa vida de tv no domingo, de ligar pra dar boa noite. mas não sei lidar. tudo na minha vida veio fácil demais pra que eu quisesse manter comigo, não sei, vai saber, essas coisas não fazem mesmo o mínimo sentido. eu não faço o mínimo sentido. hoje só sei viver assim. um dia não bebo nada, depois bebo demais, chego em casa, vomito no meu próprio pé, tenho pena de mim mesma, me acho velha demais pra essas coisas. sento na cama digo pra mim mesma que quero sossegar, quero viver mais calma, quero um amor-quem-sabe, alguém pra me pegar na mão, pra me fazer feliz. mas sei que esse não é o caminho, o caminho sou eu. eu sou meu próprio desequilíbrio. eu sou isso. sou um dia de videogame e coca e outro dia de porre de cerveja com tequila. sou de ímpeto, de aventura, de ser livre. sou assim de ser livre e acho que não há o que fazer. olho pra mim cansada, os cabelos mal cuidados e as roupas mal escolhidas e sorrio porque podia ser pior, podia ser muito pior. eu sei que podia. eu sei que me mantenho nesse equilíbrio frágil. um equilíbrio que toma porre, e fala demais. que diz o que não deve e que se atropela, mas o meu equilíbrio. eu sou capaz, eu sei, eu sou bastante capaz mas no momento, sabe, no momento que seja, tanto faz, tanto faz de verdade. no momento eu não sei ser de outro jeito e não tem pra quê ter pena de mim. talvez eu devesse quem sabe ser mais capaz, mais ajuizada, mais dessas pessoas que não acham que tudo acaba, tudo-sempre-acaba. quando você acha que tudo acaba você aproveita tudo muito intensamente mas esquece de fazer-durar. é assim com tudo até com a minha vida. não sei lidar com manutenção, não sei atender expectativas, eu vou sempre as minhas mensagens guardadas na pasta de rascunho, inadequadas. vou ser sempre esses textos de desabafo, o querer consolar e fazer piada, o não saber demonstrar nada muito profundamente. mas por enquanto nada incomoda, vai bem assim, obrigada. todo mundo sabe que a gente muda quando tem que mudar, quando chegar a hora eu mudo também. alguém me ensina. eu aprendo. ou ninguém ensina nada pra ninguém nem aprende nada e sai de mão dada tropeçando e atropelando a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tanto faz. no fim todo mundo é feliz na medida que pode. menos feliz do que queria ser. (bem) mais infeliz do que diz ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-6591010044139538354?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/6591010044139538354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=6591010044139538354' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6591010044139538354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6591010044139538354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/10/do-aleatorio-do-ser-que-derrama-em.html' title='do aleatório do ser que derrama em plena madrugada'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-3715126283092966893</id><published>2011-09-29T22:02:00.001-07:00</published><updated>2011-09-29T22:02:35.958-07:00</updated><title type='text'>Minha vida é um filme do linklater (ou do kaufman)</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="p1"&gt;Nunca entendi o porquê de não gostar tanto-assim de todas as histórias de amor cults do universo cinematográfico. No mundo cinematográfico existem as comédias românticas feitas para o "público em geral" e as comédias românticas feitas para um clube mais seleto. No segundo grupo se encaixam: "brilho eterno de uma mente sem lembranças" "500 dias com ela" "before sunrise" e "bafore sunshine". Coicidentemente o kaufman e o linklater, os diretores desses filmes, escreveram alguns dos filmes que eu mais gosto na vida. Só que os em que eles falam de amor simplesmente não me encantam. Hoje eu finalmente assisti "before sunrise". O filme conta a história de um casal que se encontra num trem indo pra viena e acaba por passar uma tarde e uma noite apenas juntos, sabendo que eles iriam partir pela manhã. No meio disso há diálogos sobre questões da vida, arte, amor e é claro, beijos e algum romance. Os diálogos são bem trabalhados, a história é fascinante, existe magia. Mas não me encanta. Eu me enxergo na personagem, mas não me sinto tocada. Tudo isso me fez pensar e repensar mil razões e porquês. Porque se eu me acho tão parecida com clementine the tangerine, ou com a francesa da sequencia de antes de amanhecer e antes do por do sol, eu não consigo me emocionar genuinamente com elas? por quë esses filmes que de certa forma retratam partes de mim não figuram entre os meus preferidos? A resposta veio na cena do jogo de perguntas entre os personagens de "antes do amanhecer". Eu fiz um jogo de perguntas, uma vez. Igualzinho. A partir daquilo eu consegui entender que eu não gosto desses filmes, porque esse romance já existiu na minha vida. Existe. E quando uma coisa retrata apenas a realidade, ela não é interessante. É preciso o sonho, a idelização, o mais-alguma-coisa.&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Eu imagino que milhares de meninas assistam esses filmes e queiram ser clementine-the-tangerine. E queiram achar um joel. Talvez elas esperem um dia em viena conversando sobre assuntos variados e tomando vinho no parque. Diálogos interessantes, jantares, dançar no meio da rua, tomar vinho no parque, falar de sexo abertamente, discutir política no meio de um jantar romântico. Coisas-que-só-acontecem-no-cinema. O que eu presto atenção quando penso na minha vida é que todos os meus relacionamentos - dos mais duradouros aos que duraram uma noite - tiveram em si essa aura de aventura. Sempre dividi com meus amores, amantes, ficantes, homens, essa espontaneidade. Eu já discuti assuntos seríssimos andando de mão dada na rua. Já beijei no meio da calçada as três da tarde. Já dancei nos lugares onde ninguém dançava. Já rolei na grama do parque numa quinta feira à tarde. Fiz piquenique. Levei vinho pra tomar no chão do quarto. Ouvi beatles na cama. Discuti cinema, literatura, política, minha vida, deitada na cama olhando pro teto. Andei na montanha russa e na roda gigante do parque. Andei na montanha russa infantil do shopping. Levei bichinho da máquina de ursinhos do playmaster. Namorei no parque da rodoviária. Me agarrei em cantos escuros. Demonstrei amor em lugares públicos. Saltitei na rua de mão dada. Sentei no chão do carrefour. Pedi dinheiro no sinal pra dividir coca cola no shopping. Discuti sobre vida, morte e deus, na sacada da minha casa as sete da noite. Comi pipoca discutindo jean baudrillard e sua relação com matrix a uma da manhã de um dia de semana. Falei de existencialismo. Dancei na sala. Passei uma noite com um cara que ia embora pela manhã, também. Sabíamos que era a última noite das nossas vidas. Vimos pulp fiction na última noite da nossas vidas. Tentamos fazer de pulp fiction uma narrativa linear. Não conseguimos. Acabamos algum tempo depois. Não nos encontramos seis meses depois em viena. Mas foi bonito, enquanto durou foi bonito. Tudo na minha vida foi muito bonito enquanto durou.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Talvez eu tenha dificuldade em ver beleza nesses filmes porque eles fincam a beleza na coisa transitória. O amor vai acabar no momento seguinte. Personagens intensas, sempre. Todas as minhas relações nunca foram pautadas num "seremos felizes pra sempre". Eu nunca nem tinha certeza se ia continuar vendo a pessoa amanhã. Ou daqui uma semana. Na verdade, eu até hoje parto do pressuposto que todo encontro é na verdade e último e me espanto quando acontece o próximo, e no próximo eu já vou achando que vai ser o último e assim por diante. Sempre o último. Nada vai durar pra sempre. Nem pra sempre, nem até amanhã. Meu namoro mais duradouro se deu no meio da distância. 1000km de distância. Encontros mensais. Tinhamos que aproveitar todo tempo juntos como se fosse o último momento das nossas vidas. Ele me fez almoço ao som de vinícius de moraes pra dançar na sala. Ele discutiu a abertura de um restaurante chamado sgt.peppers comigo na praça de alimentação do shopping, num domingo. Ele sabia tudo que eu pensava sobre todos os assuntos do mundo. Ele sabia tudo que eu pensava sobre tudo. Precisávamos nos descobrir enquanto tinhamos tempo juntos. Nos embrenhavamos em aventuras impensáveis, roteiros turísticos improvisados, conversas que não acabavam nunca, encontros amorosos em lugares insusitados. Tinhamos urgência um do outro porque sabíamos que nos dispediriamos pela manhã. Essa manhã que às vezes demorava uma semana, mas às vezes dois ou três dias. Cada minuto com ele precisava ter em si pequenos pedaços de eternidade. Conversávamos sobre qualquer assinto, bebíamos qualquer vinho, entrávamos em qualquer restaurante. Ele me tinha como queria, eu o tinha do jeito que bem entendesse. Sempre. Corremos pra são paulo pro show das nossas vidas. Brigamos e nos amamos ao som de radiohead. Experimentamos os novos drinks, as novas músicas, vimos todos os filmes que podíamos, conhecemos todos os lugares. Nos amávamos intensamente, brigávamos intensamente, tudo intenso. Tudo como se o mundo fosse acabar pela manhã. E ia. Ela ia embora. Eu ia ficar. Nossa vida ia voltar a ser separada. Nossa relação era sazonal.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Só sei ter amores, amores talvez não seja a palavra, mas relações assim, lindas, dignas de filme alternativo. Roteiro do linklater. Conversas, diálogos bem elaborados, garrafas de vinho, música bem escolhida, coisas compartilhadas, risadas e todos eles, todos eles sem nenhuma exceção, encontros felizes que tinham em si o karma de se acabar pela manhã. E por isso tinha de ser intenso. "Essa por ser a última vez que eu te vejo". Essa vai ser a última vez que eu te vejo. A próxima é um acidente. A próxima já é a última. Nunca soube prometer nada, nunca soube lidar com regularidade, não sei o que são amores que se comem pela rotina, não sei o que é ver dvd no domingo, sair pra jantar, não querer agarrar cada minuto com as mãos porque aquele minuto pode nunca mais acontecer. Não acho o amor bonito nos filmes porque eu já vivi tudo isso. Não em viena, não fazendo anjinho na neve, não com casas se dissolvendo e programas para apagar o amor da sua vida de sua memória, mas já tive. Já tive os diálogos incríveis, já me abri sobre a minha vida, já ouvi muito sobre a vida de todos eles, já dancei, já me acabei, já passei madrugadas acordada discutindo a vida, já perdi todos os meus pudores, já passei vergonha, já fui muito feliz. Em momentos com data de validade, mas muito feliz. Eu não preciso dos filmes. Eu tenho a minha vida. A vida que às vezes é tão arte quanto a própria arte. A vida que também está programada pra acabar no momento seguinte e precisa ser vivida com intensidade. Eles todos me deixaram num trem e nos despedimos prometendo nos ver. Talvez aconteça, talvez não.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="p1"&gt;Vocês vêem beleza no inesperado e eu vejo beleza na rotina, no dia-a-dia, no trivial, no previsível, no calmo. Talvez porque só se enxergue a beleza naquilo que ainda não se tem. Queria experimentar um dia, a regularidade. A certeza do encontro no outro dia. A certeza do ter, talvez. Talvez eu odiasse. Talvez eu descobrisse que isso não é pra mim. Insatisfação. Love is a losing game. E eis que descubro que continuo jogando pelo prazer do jogo, e nunca - quase nunca - pra ganhar. Até que chegue o dia, quem sabe, o dia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="p2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-3715126283092966893?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/3715126283092966893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=3715126283092966893' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3715126283092966893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3715126283092966893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/09/minha-vida-e-um-filme-do-linklater-ou.html' title='Minha vida é um filme do linklater (ou do kaufman)'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-1438765309672023860</id><published>2011-09-25T20:53:00.000-07:00</published><updated>2011-09-25T20:53:38.519-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='e de amores talvez?'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Parece-bolero-te-quero'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não fui eu foi meu eu-lírico'/><title type='text'>eau de perfume</title><content type='html'>Lembro. Quero dizer alguma coisa, qualquer coisa assim que invadisse todos os sentidos, os poros, que fizesse uma sinestesia da alma. Qualquer coisa que fizesse a alma ter cor, gosto, cheiro, que desse pra pegar a alma com a ponta dos dedos. Ensaio. Ensaio mil e uma vezes o melhor jeito de dizer, sem que pareça muito, sem que pareça pouco, sem que pareça nem demais e nem raso. O suficiente. Queria dizer o suficiente dessa coisa assim, sabe, essa coisa que não tem nem nome nem jeito, nem denominação. Dessa coisa que chegou um dia, de madrugada, não avisou nada, não avisou como vinha e nem se ia embora. Teria nascido a coisa? o que nasceu afinal? nasceu assim de um jeito torto, estranho, linha cruzada da vida.&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;Interferência, atraso, desvio, atalho. Caminho? Seria esse o caminho a seguir? Não sei. Sei que lembro. Lembro e repasso os momentos aqui e ali, num de cada vez, não sei o que pensar, despenso, não sei o que dizer, desdigo, tento escrever e não sai. Canto, cant&lt;i&gt;o para mim qualquer coisa assim sobre você, &lt;/i&gt;mas não isso porque essa não é a banda certa. Danço na sala, relembro de novo, ensaio uma declaração de qualquer coisa, te dedico todos os versos. Depois te esqueço, te enfio debaixo dos cobertores e saio, sou sozinha, sempre fui, te afasta, te afasta eu não sei o que te dizer. Não hoje, não assim desse jeito, amanhã talvez-quem-sabe, mas amanhã também não, amanhã é muito cedo, ou seria tarde demais? Quando é o tempo certo. Existe? o tempo, senhor relativo das coisas, apressado, cruel. Penso no instante certo e o instante se foi, se perdeu, eu me perdi. O que foi que aconteceu? o que é isso que tem acontecido? Não sei. Esqueço. Lembro de novo. Faz frio. Aquele caminho, sempre aquele caminho. Corro. Corro dez metros, vinte, trinta, cem metros, um quilômetro inteiro e quase explodo. Explodo e depois caminho. Caminho devagar pensando. Lembro. Queria dizer alguma coisa, qualquer coisa, gritar, correr, tentar explicar usando as palavras, um gesto, um cartaz, gifs animados. Queria soar menos brega, menos clichê, mais madura, queria uma ficção bonita, inventada pra dizer tudo isso. Tudo isso o que? Nem eu sei. Existe? Penso de novo em versos, saudades quem sabe, pipoca às três da tarde, uma metáfora qualquer. Uma história dessas, dois personagens, aventuras, o romantismo está nas pequenas coisas. Pequenínissimas. O mesmo verso cantado da música. Você me faz sorrir. Talvez seja isso. Talvez não. Lembro. Queria uma história inventada, qualquer coisa sublime, sentir orgulho, terminar de escrever e sorrir, explicar tudo isso, mas não consigo. Não sei dizer das coisas vivas. Só das que já morreram. E essa coisa sem nome se faz viva. Viva demais. E invade como esses perfumes baratos que impregnam. Invade e fica no nariz. Esse cheiro de perfume. E eu, que sofro do medo ancestral de perder tudo, prefiro me afastar. Me dissipo no ar como o perfume que não dura. E acabo por não dizer nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-1438765309672023860?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/1438765309672023860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=1438765309672023860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1438765309672023860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1438765309672023860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/09/eau-de-perfume.html' title='eau de perfume'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-739590111035224398</id><published>2011-09-23T16:43:00.000-07:00</published><updated>2011-09-23T16:43:51.085-07:00</updated><title type='text'>Saber amar é saber deixar alguém te amar.</title><content type='html'>"&lt;i&gt;No dia em que ocê foi embora eu fiquei, sozinho no mundo sem ter ninguém, o último homem no dia em que o sol morreu." &lt;/i&gt;Lenine - O último pôr do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi essa música e dei de chorar. Foi assim, terça feira no trabalho, de tarde, uma merda. Uma merda dessas que me deixou improdutiva, &amp;nbsp;sem vontade, sem jeito, sem nada. Pensei em amor, é claro, só podia ser a falta de amor, de um amor qualquer, daquele amor. Achei que era. Acordei no outro dia, num sopetão, escrevi um outro texto desses, caramba, mais um sobre o único amor que eu tive que se foi. Só sei escrever sobre isso talvez, o tempo todo assim, esse repetir das coisas que eu já nem sei se sinto. Digo que não sei porque tenho sofrido de saudades, uma saudade imensa, uma nostalgia que me faz quase-chorar a cada vez que eu repito essas histórias de nós dois, nós três, nós quatro, nós cinco. Sofri de angústia, a semana toda. Não soube lidar. Achei que o problema comigo, depois botei o problema em você, estive descontrolada, mal, falando demais, me derramando em todas as redes socias, em todos os lugares que podia. Quase pegava na mão das pessoas e pedia pra elas conversarem comigo, pra por favor me ouvirem, olha pra mim eu preciso de atenção, eu preciso contar essas histórias pra vocês, essas coisas que me afligem tanto, preciso contar essas crônicas desse amor que se foi, esse amor que eu preciso, esse amor que eu perdi. Preciso contar do dia em que ele foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei que precisava. Achei que o problema todo era ele. Sempre ele.&lt;br /&gt;Não era. Não dessa vez.&lt;br /&gt;E talvez não tenha sido nas outras também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma coisa em psicologia que se chama "processar o luto". O luto não processado parece causar uma espécie de problema, a curto ou a longo prazo. O luto não processado deve causar câncer. Metaforicamente falando, ou talvez não, que seja. No último ano, esse ano que passou, eu acabei perdendo muita coisa. Engraçado, só de escrever isso vem lágrima no olho. Meu melhor amigo mudou pra são paulo no fim do ano passado. Eu, essa desajeitada do sentimento, não soube direito nem chorar a partida dele. Me lembro de ter dado um abraço nele, lá embaixo, depois de uma noite de jogar videogame. Subi o elevador meio atônita. Chorei um pouco sentada no sofá e dormi. Acordei no outro dia lidando com isso como uma espécie de sonho. Quando ele se foi chegou o outro amigo. Ele também tinha data pra ir embora. Março. A gente aproveitou esse dezembro-a-março como se fossem os últimos meses da nossa existência. As noites em casa, na balada, no carro. As bebedeiras, as conversas, as saídas pra comer iscas de frango. A sucessão de festas que deu pra gente as últimas três semanas mais maravilhosas antes da ida dele. Em março ele se foi. Eu não consegui chorar no aeroporto. Eu não sei chorar as partidas, eu não sei nem dizer "eu vou sentir sua falta".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes deles tiveram as pequenas perdas. A amiga que começou a namorar e não mais nos emprestava a casa dela. O amigo que começou a namorar e parou de nos chamar pra dançar na sala. A gente era assim. A gente tinha essas tardes de tomar rum com coca e ouvir smiths. Depois acabava a vodka, o rum, a coca e sobrava as músicas. A gente conversava e conversava e conversava. E dançava na sala. E tinham também as tardes de macarrão e brigadeiro e conversar. Tenho sido nostalgica das tardes no shopping tomando coca e conversando. Tenho sido nostalgica de tudo, de tanta coisa que se eu fosse contar encheria três páginas inteiras. Mas esse não é o ponto. O ponto é que as pessoas foram sumindo, uma a uma, e eu fui agindo como faço sempre. Como se fosse normal, o curso da vida, como se eu não me importasse, não sentisse falta. No intervalo de um ano eu perdi todos os meus melhores amigos. Todos eles. O que sumiu da minha vida depois começou a namorar. O que mudou pra são paulo. O que foi pros estados unidos. E fiquei aqui, bicho solto nesse mundo, e meu deus o mundo é imenso pra gente se cuidar sozinha. Até daquele que eu achava chato às vezes porque me fazia dançar salsa no meio da sala e dizia que eu devia beber mais eu sinto saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que vocês se foram eu nunca mais me derramei inteira pra alguém. Vocês foram embora levando minhas noites de conversa sem fim, meus desabafos, minha depressão entendida. Ter que lidar com o mundo sozinha, meu deus, é muito dificil. Ter que lidar com um mundo de só sair pra beber, só sair pra dançar, nunca contar como vai a minha vida. As pessoas aqui não tem mais tempo pra isso, gente. E com as que tem eu ainda não criei essa intimidade. Só vocês me conheciam assim, tanto, pra sempre, desse jeito. Eu sinto a falta de vocês três como se tivessem tirado meu braço direito. Saudades de tomar coca no shopping e sair pesado de tanto pensar. Saudades de rum com coca, radiohead, smiths, dormir no sofá. Saudades de dançar em rodinha no meio da sala. Saudades de fazer macarrão no almoço e ficarmos todos até as dez da noite, conversando e só. Saudades de vocês, caralho, saudades de vocês. Saudades do videogame, dos videos do youtube, saudades do jeito que a gente cuidava um do outro, mesmo sem perceber. Saudades de não precisar sair e ficar sempre-sempre na loucura porque a nossa presença nos bastava. Saudades de vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades de vocês que eu só consegui processar e enxergar agora. Eu, que não chorei a partida de nenhum de vocês. Que não consegui contar pra ele o quanto ele me fazia falta. Que não consegui chorar nas outras duas despedidas. Que falho redondamente em mandar recados dizendo que sinto saudades. Eu, que principalmente, falho em dizer pra mim mesma o quanto eu fiquei sozinha, incompleta, sentida com a partida de cada um de vocês. Eu, o ser desapegado e autossuficiente. Eu, a independente, tenho estado perdida na vida desde que vocês se foram. Faz falta. Sinto falta. Queria vocês de novo. E hoje chorei o luto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto só digo que sei que tenho falhado redondamente nas minhas novas relações. Tenho sido arredia, medrosa, esquisita, fugitiva. Não sei lidar. Não sei lidar com a possibilidade de outra pessoa que eu goste muito sumir de repente da minha vida. Daí prefiro assim, essa distância segura, esse descaso, esse meu jeito de nunca me contar demais, nunca olhar nos olhos, nunca convidar pra uma nova saída. Desajeitada, tropeçando nas palavras, me despejando demais e sendo inevitavelmente cruel. &amp;nbsp;É dificil recomeçar. Dar o primeiro passo, se abrir de novo, lidar com novas pessoas, entender que elas não te entendem tanto porque nem te conhecem tanto assim. Porque você não deixa elas te conhecerem tanto assim, então nem tem o direito de exigir. Engraçado enxergar tudo assim, às seis da tarde de uma sexta feira com chuva e se derramar num blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofro do terrível medo da perda do ser amado. E o ser amado nem sempre é o homem amado. Talvez essa tenha sido a grande epifania do dia. A maior delas foi ter percebido que eu chorei porque de fato "fiquei sozinha no mundo sem ter ninguém" me sinto "a ultima mulher no dia em que o sol morreu". Mas não porque me foi tirado o ser amado. Mas sim porque me foram tirados os amigos, amados, lindos, queridos, necessários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também preciso de outros seres humanos pra viver, mesmo que eu não saiba dizer isso com palavras. Eu sinto saudades de vocês, tanto, tantas. Mas a vida é sobre enxergar os erros e tentar recomeçar. A vida é sobre não saber como lidar, e ter que lidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desabafo que ninguém vai ler, &amp;nbsp;ou o texto menos literário e mais importante do ano.&lt;br /&gt;I'm going back to the start.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-739590111035224398?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/739590111035224398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=739590111035224398' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/739590111035224398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/739590111035224398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/09/saber-amar-e-saber-deixar-alguem-te.html' title='Saber amar é saber deixar alguém te amar.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-931457157610237375</id><published>2011-09-19T18:43:00.000-07:00</published><updated>2011-09-19T18:43:27.650-07:00</updated><title type='text'>A única maneira de se enterrar um grande amor é um epitáfio</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Tempo exato para ter nascido assim aquário, e nãopeixes – embora eu não acredite na sorte do zodíaco. Nasci assim, de bundavirada pra lua, sem saber esperar, sem saber que existe jeito errado de nascer(e de se viver). Nasci em fevereiro odiando o carnaval, filha única de paiszelosos. Não soube perder, não sei dividir e tendo os pais me amado inteira ecompleta, só sei amar pela metade. Receber muito amor, quem sabe, nos ensina anão saber amar de volta. Ou não é nada disso. Não se sabe, nada se saberá comcerteza dessa epígrafe de um grande amor. Se eu escrevo é pra te matar dedentro de mim. O único amor que senti. A única criatura pela qual o corpo sefez carne. O único olho no qual eu me enxerguei, me cegou. E se fez cego. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span lang="RU"&gt;Preciso de uma opinião: se fosse o primeiro parágrafo de um livro que você lê em pé na livraria, você continuaria lendo? É isso que vocês estão pensando, mesmo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="RU" style="font-family: Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-931457157610237375?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/931457157610237375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=931457157610237375' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/931457157610237375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/931457157610237375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/09/unica-maneira-de-se-enterrar-um-grande.html' title='A única maneira de se enterrar um grande amor é um epitáfio'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-37319240345358378</id><published>2011-09-18T22:18:00.000-07:00</published><updated>2011-09-18T22:18:18.306-07:00</updated><title type='text'>um escritor renasce nos olhos do outro.</title><content type='html'>E aqui estamos, sozinha, no meio de jornalistas frustrados, intelectuais sem nome. Uma mulher declama um pedaço de um livro de uma maneira sofrível. João Paulo Cuenca, é claro, nunca saberá da minha existência no planeta terra. O problema da literatura são os estudantes de literatura. O problema do texto é ser dito por alguém que não tem talento. O problema da literatura são os amantes de literatura. O problema do mundo é querer encontrar sentido em tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João paulo cuenca adentra no recinto.&lt;br /&gt;Diz coisas que eu pensava, mas nunca tinha dito antes.&lt;br /&gt;Toma em duas horas o tanto de água que eu não bebo em três dias.&lt;br /&gt;Deixa o recinto me deixando três frases escritas, uma pergunta respondida, esse trecho de coisa alguma e um sentimento comum: no fundo, todo mundo sente igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;16/09/11 - o único final feliz para uma sexta feira comum seria um acidente.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-37319240345358378?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/37319240345358378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=37319240345358378' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/37319240345358378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/37319240345358378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/09/um-escritor-renasce-nos-olhos-do-outro.html' title='um escritor renasce nos olhos do outro.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-7927442608843840057</id><published>2011-09-13T20:41:00.000-07:00</published><updated>2011-09-15T21:29:59.224-07:00</updated><title type='text'>você é o grito que ninguém ouviu no teatro</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="background-color: transparent;"&gt;&lt;span id="internal-source-marker_0.06030140141956508" style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;NÃO SE MATE&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;Carlos, sossegue, o amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;é isso que você está vendo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;hoje beija, amanhã não beija,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; 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color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;se é que virão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;O amor, Carlos, você telúrico,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;a noite passou em você,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;e os recalques se sublimando,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;lá dentro um barulho inefável,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;rezas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;vitrolas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;santos que se persignam,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;anúncios do melhor sabão,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;barulho que ninguém sabe&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;de quê, praquê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;Entretanto você caminha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;melancólico e vertical.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;Você é a palmeira, você é o grito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;que ninguém ouviu no teatro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;e as luzes todas se apagam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;O amor no escuro, não, no claro,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;é sempre triste, meu filho, Carlos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;mas não diga nada a ninguém,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;	&lt;/span&gt;ninguém sabe nem saberá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Carlos Drummond.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999; font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Existe uma hora, na vida de qualquer pessoa - e nas das que escrevem, principalmente - que se falta a vida e, pior ainda, faltam as palavras. Uma coisa meio morte, meio enxergar sua vida como personagem de outra coisa, outra história. Não se faz parte, não se existe, quase se morre. Nesses estados de quase-morte empresta-se as palavras de outra pessoa pra querer se dizer o que não se consegue. É que os que não escrevem fazem. É pra isso que servem os escritores. Para dar voz àquilo que se vive, mas não se sabe colocar em verso, nem prosa, e nem mesmo grito. Deixo que nesse hiato Carlos Drummond fale por mim. É terrível não conseguir escrever com suas próprias palavras aquilo que se sente. A catarse, pra quem cria, é apenas parte do processo. É bonita, mas não preenche. Os olhos às vezes cabisbaixos indicam tristeza. Eu preciso de tempo, eu preciso ficar sozinha, eu preciso me encontrar pra poder entender o que pode virar texto e o que não pode. A metalinguagem de escrever sobre o não-escrever também não preenche. É só uma constatação. Alguma coisa dentro de mim precisa colar pra que se crie. É preciso criar pra que se viva. Eu preciso escrever pra me sentir parte. Parte do mundo, parte de mim, parte do universo. A cura pela fala sempre fui minha cura pela escrita. Sublimação. Freud explica, mas não consola. Aos olhos dos outros, toda pessoa aparentemente amarga precisa de amor. “Você precisa amar, você precisa ser amado”. Todos querem. Eu, inclusive, não nego. Só que hoje, eu preciso criar. Porque o escrever é necessário. E o amor, acontece quando tem que acontecer – &lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: italic; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda feira ninguém sabe o que será.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999; font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: italic; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Mas não diga nada á ninguém, ninguém sabe nem saberá”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: italic; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; color: #999999; font-family: inherit; font-style: italic; font-variant: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Não.se.mate&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-7927442608843840057?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/7927442608843840057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=7927442608843840057' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/7927442608843840057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/7927442608843840057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/09/voce-e-o-grito-que-ninguem-ouviu-no.html' title='você é o grito que ninguém ouviu no teatro'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-4700768947988521086</id><published>2011-09-07T17:45:00.000-07:00</published><updated>2011-09-07T17:45:11.633-07:00</updated><title type='text'>ring out</title><content type='html'>Fracasso é isso, é não acontecer aquilo que estava previsto, é uma curva no lugar errado, é bater de cara no poste, é ter que lidar com o inevitável, a curva mal feita da vida. Assim são os imprevistos do mundo. Estava acostumada com o fracasso, o gosto de ferrugem e sangue na boca, o soco, a queda, as mãos raladas. O correr correr e acabar chegando a lugar algum. Sensação inevitável à todo aquele que está vivo. Desculpem, fracassamos. Fracassamos nas manhãs, nas noites, nas tardes, nos céus azuis, nós fracassamos o tempo todo, todos os dias. Todo dia tem um pouco de fracasso e raiva, de expectativa frustrada, de tristeza de fim de tarde. Todo dia tem um pouco daquilo que não foi. Poderia ela quem sabe, bater na mesa, maldizer o mundo, sair sozinha na rua gritando tudo aquilo que não deu certo. Mas o mundo não é assim, tem dia que não é hora e pronto. Senta-se, toma um café, esquece-se daquilo, respira-se três vezes e continua-se a jornada. Viver não permite que se agarre tudo com a mesma mão, mesmo que às vezes pareça possível - ou até mesmo necessário. Amores escaparão pelos dedos, felicidades sumirão por entre as copas das árvores e às vezes não existe poesia nas sextas-feiras à noite. Nenhuma poesia, nem aquela felicidade embriagada, e os carros passam com suas luzes acesas, suas músicas altas e na sua vida tudo é só um desassossego meio sem nome e nem porquê. É que às vezes a vida não é feita pra fazer sentido, a vida é feita pra te dar soco na cara, pra te fazer cair, pra te deixar sem jeito de levantar. A vida é feita de entremeios meio estúpidos, de fases de transição que são tipo a adolescência. A vida fica com uma voz estranha, espinhas na cara e não sabe direito como se portar. Talvez seja isso, esse terrível entremeio de não saber direito o que se vai ser no momento em que se acorda de novo. Difícil isso, o não-saber. O fracasso enraizado em todos os pequenos momentos, os pequenos desgostos, os pequenos goles de solidão as duas da manhã. Viver nem sempre é sorte e muito poucas vezes é feito de amor. Até podia ser, até podia ser, mas houve imprevisto, não era a hora, e não foi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-4700768947988521086?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/4700768947988521086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=4700768947988521086' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4700768947988521086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4700768947988521086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/09/ring-out.html' title='ring out'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-7773466805980610773</id><published>2011-09-02T11:28:00.000-07:00</published><updated>2011-09-02T11:28:23.770-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não come não que é ficção'/><title type='text'>confundo relação com inércia</title><content type='html'>Eu confundo demonstrar afeto com comida, com jogo de videogame, com pipoca com ajinomoto as duas da manhã. Confundo demonstrar sentimento com raiva, com furor, com obsessão. Sofro do mal do frio na barriga, da proteção exagerada para comigo mesma. Tenho pavor de relacionamento. Fiquei infeliz, fui infeliz, amei na hora errada, apareci entregando os papéis como uma daquelas alunas desastradas - que vejam só, eu também fui - que tropeçam em seus tênis com cadarços desamarrados e acabam por derrubar tudo no chão. Sofro de desencontro, de desencanto, de muito desencanto nas horas erradas. Imagino as relações como aquela hora em que você se pega olhando pros seus pés e se dando conta do erro terrível que é dividir a vida com uma pessoa. Trabalho com prevenção de erros, com o menor esforço. Leis quanticas das relações humanas em que, sabendo que o desinteresse posterior é inevitável, o interesse então é uma variável nula. Zero. Qualquer interesse é transformado em zero, tudo vezes zero é igual a nada. Nada. A única palavra definitiva que parece fazer parte do meu vocabulário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te ofereceria bolinhos de chocolate em pequenas forminhas e te daria a mão, ocasionamente, mas desconfortável. Não gosto que me peguem na mão, acho intimidade demais. Sexo é ok, dois corpos desconhecidos vagando numa cama com um objetivo meio comum. Pegar na mão significa alguma coisa como querer tocar outra parte com a ponta dos dedos. As mães seguram nas mãos de seus filhos em seus primeiros dias na escola dizendo simbolicamente que estarão com eles naquele momento dificil. O calorzinho da mão que significa apoio, proteção, eu-estou-olhando-por-você. Tocar na mão é mostrar a outra pessoa pro mundo, é se dar conta da existência dela no mesmo espaço que você. Correntes eletromagnéticas passam por vocês, troca de calor, choquinhos por problemas de eletroestática. Dar as mãos é de certa forma permitir que, por algum momento por menor que seja, a outra pessoa esteja dividindo o seu espaço no mundo com você. Eu não gosto de dividir o meu mundo, entenda - eu tenho medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja possível me levar pra jantar, me olhar nos olhos, me beijar na testa. Talvez eu goste e comente qualquer coisa sobre o lugar ser agradável, duas piadas, dois sorrisos. Nunca o verbalizar o sentimento, nunca o pegar na mão, nunca o encostar no ombro por iniciativa. É como se, com sentimento, eu fosse uma massinha de modelar. Com algum cuidado ela pode virar um pedaço de coisa concreta, mas deixada de lado é apenas um rolinho de massa colorida que em potência podia ter virado uma coisa concreta, mas em ato é só aquilo que sempre foi. Uma semana, duas, um mês. Te olharia nos olhos e me certificaria que existe qualquer-coisa-que-seja dentro de você. Não acreditaria. Esperaria - no paradoxo mais incrível do ser - por uma prova concreta. O que querem dizer seus risos, seus olhares, seus convites? Eu preciso da palavra - eu, que guardo a palavra até o último minuto - eu preciso da palavra pra ter certeza. E até ela, a palavra, é incerta. Eu já menti milhares e milhares de vezes, e você pode mentir também, e então esperaria por um olhar apaixonado, mas sem nunca fazer nada para que ele acontecesse. Seria pra você como uma musa, uma obra de arte, uma coisa que merece ser admirada pelo simples fato de existir. A não-reprocidade do amor que existe entre uma coisa viva, e uma natureza morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um pouco aquelas estátuas de pedra das lendas. Só fico viva com um pouco de lágrima. O sentimento me faz renascer. E tendo certeza do sentimento verdadeiro do outro, correspondo. Correspondo numa estranha ação-e-reação. Tudo que você me der, eu sou capaz de dar de volta, só que um pouco de energia que é disperdiçada no processo. Volta então o impulso pra você, mas com um pouco menos de intensidade. O sentimento enquanto leis da física. Atração, repelir, ação e reação ou a completa inércia. Eu confundo sentimento com lei matemática, programa de tv, palavra dita ao acaso, convites aceitos sem titubear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cadeia-alimentar do sentimento, sou um ser inanimado, mecânico, pré-programado com algumas funções básicas. Respondo, alimento, te ofereço um chá. Qualquer coisa assim, que não tenha sentimento demais envolvido, dispendio de energia, não sei falar de saudades, de gostar, de amor (existe?). Não é que eu não sinta. Eu sinto. Penso em mil coisas pra dizer, ouço em loops musicas bonitas, re-conheço o sentimento nos filmes, nas novelas, nos seriados baratos. Ensaio um texto, uma ação, uma mensagem de celular, até uma ligação quem-sabe, tenho vontade eu quase-vou. Mas acabo perdida, em casa, no meio de um telefone que não vai tocar, e penso num bilhete, um recado, um sinal de fumaça. Termino enfim comendo um chocolate, e escrevendo mais um capítulo da antologia poética de mais um amor que não existirá. Amor esse que figurará nas páginas perdidas da história da minha vida destinadas às inúmeras vezes em que confundi demonstrar sentimento com comida - e nem fiz a receita por medo de errar a mão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-7773466805980610773?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/7773466805980610773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=7773466805980610773' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/7773466805980610773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/7773466805980610773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/09/confundo-relacao-com-inercia.html' title='confundo relação com inércia'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-3267611009367255335</id><published>2011-09-01T14:08:00.000-07:00</published><updated>2011-09-01T21:08:47.375-07:00</updated><title type='text'>O amor é uma musica que eu não sei os acordes</title><content type='html'>(ou como estragar relações em apenas três acordes).&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei lidar com sentimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Primeira verdade universal da minha vida, primeira pessoa do singular. Não sei. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Da única vez que amei (e foi a única assim, indivizível) percebi tarde demais, porque nunca soube brincar de amor. Difícil conseguir enxergar uma coisa com a qual nunca houve um contato anterior. É como tentar reconhecer uma mesa como mesa, sem nunca ter visto uma. Se dá outro nome, se inventa, não se sabe muito bem a função da coisa nunca-antes-conhecida. Havia o ciúmes, e uma coisa grande que às vezes fazia chorar de dor, e às vezes fazia chorar de não caber. Desconfiei daquilo ser amor pelo que eu já tinha lido nos romances. Uma urgência, uma vontade de ter a coisa pra si sem que necessariamente a coisa tenha que ser sua. Se necessita do sentimento por, não se necessita da coisa em si. Só soube do amor que tinha quando te vi partir, e daí já era tarde demais. Disse quando me declarei, errada, sem postura, gaguejando e tropeçando naquilo que sempre soube usar bem - as palavras - que morava em mim o descompasso. Descompassada. Só sei dançar no sentimento fora do tempo, pisando nos meus próprios pés. Acho que ainda sinto os calos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois de você, deu-se a eterna procura de um outro sentido. Amar traz um sentido ao existir. Um sentido só teu, um sentido que aparece meio desavisado. Eu te amava nos meus livros, nas músicas que você tinha me dado. Te amava nas lembranças de casa, no sofá da sala, nos pequenos souvenirs que ficaram, aqui e ali. Eu te amava na ausência, na falta, na necessidade. Te amava porque sem você eu era a mesma menina descompassada que tropeçava nos próprios pés e caia ralando o joelho - só que sem mão pra segurar e rir junto, o que deixa a vida toda de um erro-sem-fim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eis que houveram as novas relações e como não pisar nos próprios pés, como dançar no ritmo da música, como não ralar o joelho? Existe uma regra? existe um jeito de nascer uma compreensão sem precedentes da parte que precisa receber o amor de que você não sabe lidar com aquilo? Não sei responder. Não sei responder porque da única vez que amei cai nos joelhos do ser amado quebrando os dentes e sangrando a boca. Da única vez que amei descobri que o amor tem data de validade e desencontro. Descobri o amor quando não mais me amavam, não soube demonstrar quando devia e aí, acabou-se. Depois entrei numa busca sem fim de entender como lidar. O amor nasce? Se encontra o amor? Quando ele começa a acontecer você diz? Ou você espera sentada no seu sofá por um manual de instruções?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei brincar de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil dizer, fazer um retrospecto, admitir de joelhos sangrantes que o fracasso sou eu. Simples dizer que tenho em mim um espírito de liberdade aguçado, que guardo em mim expectativas que as pessoas nunca serão capazes de alcançar, que sou incapaz de lidar com sentimento de um jeito que não seja trágico. É simples me explicar assim, por vício. Olhar pras novas pessoas que entram na minha vida e dizer: "olha, eu sou um fracasso, e provavelmente eu não vou atender às suas expectativas. Porque eu não sei fazer isso". Não sei se aprende-se isso. Coisas simples. Mandar mensagens de felicitações, parecer equilibrada, chamar pra tomar um café. Sou incapaz, me desculpem, sou. Veio errada a tecla que ensina como lidar com seres humanos. Comigo ou você me leva e me ganha, ou esquece de mim. Esperar qualquer coisa que seja da minha iniciativa é pedir demais, é esperar demais, é se frustrar. E daí, o amor que nem chegou a existir vai embora, e eu, ajoelhada no chão peço mais uma chance. Geralmente já é tarde demais. É como ser um daqueles cubos mágicos embaralhados demais pra querer juntar as cores certas. Quando chegar ao fim pode ser que compense, mas você prefere deixar o cubo de lado. Muitos movimentos, voltas, quebrar a cabeça, ficar com raiva, querer jogar o cubo no chão. Esse cubo que, até você compreender a sua esquisita lógica, não vai atender aos seus comandos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é o meu inventário do irremediável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que os melhores cozinheiros erram no almoço de casa. Aprendi a escrever sobre amor, entendo na teoria, seria a melhor namorada-amante-companheira-de-aventuras do mundo, mas no fim das contas, você acostuma a ser aquele cubo mágico esquecido no cantinho da escrivaninha. Viajantes vão chegar, querer aceitar o desafio. Alguns vão durar mais, outros desistir na primeira volta, outros vão tentar bastante. E quem sabe um dia coloquem todos os meus pedaços nas faces certas desse meu existir. Mas &lt;i&gt;eu&amp;nbsp;sou poeta e não aprendi a amar.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o amor é essa canção que eu insisto em cantar - mas não sei o tom.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-3267611009367255335?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/3267611009367255335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=3267611009367255335' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3267611009367255335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3267611009367255335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/09/o-amor-e-uma.html' title='O amor é uma musica que eu não sei os acordes'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-1434172283994019387</id><published>2011-08-23T21:46:00.000-07:00</published><updated>2011-08-23T21:51:42.558-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Analise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da madrugada'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vazio'/><title type='text'>questo silencio dentro te</title><content type='html'>        &lt;p class="p1"&gt;ninguém  me entedia muito bem,  era meio normal que nem todo mundo compreendesse que às vezes o problema todo dessa minha confusão era justamente essas pessoas todas tentando me dizer o que fazer, que eu não devia ficar sozinha, que eu devia me importar mais com as pessoas, ligar pra elas, dizer que eu sinto a falta delas. E eu até sinto, mas é essa obrigação que a gente acaba tendo com os outros que me mata, essa rotina. Eu tentava explicar que pra eu me sentir completa eram terrivelmente necessários esse momentos em que eu ficava só, completamente só. Eu e minha música, eu e meu quarto, eu e meus livros. Tem dia que a gente não precisa de companhia pra viver, e tudo bem. A auto suficiência parece errada, mas é o único jeito que eu aprendi de saber lidar comigo.&lt;/p&gt; &lt;p class="p2"&gt;Eu tentava explicar esse monte de coisas pra Camila e ela me olhava como se eu fosse um desses extraterrestres, essas coisas que pertencem a algum planeta distante. Eu sei que eu olhava pra ela segurando o copo de cerveja e dizia "mas é que é assim, sabe? eu amei uma vez e amei demais e quando a gente ama demais a gente sabe que qualquer coisa que a gente sinta menos que aquilo não vai ser o suficiente". Daí ela me dizia que eu tinha que tentar, que eu tinha que me envolver mais com as pessoas, que eu tinha que correr atrás da minha felicidade, porque a felicidade a gente busca, ela não cai num potinho em cima da gente como chuva no meio do verão. Só que eu pensava que cai, cai sim. Felicidade quando vem, aparece sem avisar e todas as vezes que a gente corre atrás dela a gente tropeça. Amor também, forçar amor é tropeçar num sentimento que foi feito pra te sugar que nem coisa grande, imensa, não pra ficar colando tijolinhos com argamassa pra ver se de repente forma um castelo. Ou é, ou não é.&lt;/p&gt; &lt;p class="p2"&gt;Tinha esses dias que eu tinha muita vontade de contar o quanto quando um amor é grande ele fica guardado ali e você aprende a conviver com ele. Não se deixa de viver, mas a gente sabe, a gente sempre sabe que certas coisas simplesmente não serão tão imensas e às vezes, às vezes na vida a gente quer escolher coisas imensas e não quer se esforçar pras coisas rasas, então é melhor ficar barquinho na correnteza do que se esforçar, remar, lutar contra as correntes do ártico e do pacífico pra no fim chegar numa dessas terras que a gente nem queria tanto desbravar assim. Não tenho querido muito nenhuma dessas terras que me aparecem, eu acho que também é um direito da gente a gente querer conhecer vários países e não criar uma casa em nenhum deles. Eu acho que sim. &lt;/p&gt; &lt;p class="p2"&gt;E ela me dizia que não, que é necessário criar pequenas casas pra ver como funciona a cultura local e de repente eu não queria ouvir mais nada, só falar. Só falar que tudo que eu queria naquele dia, e não só naquele dia, era sair por aí sem rumo, e eu ia sozinha mesmo, não importa, às vezes cansam essas pessoas do lado da gente olhando a gente como se a gente estivesse falando uma bobagem imensa, mas não é como se doesse, é só um cansaço porque não há de se esperar compreensão de quem nunca entendeu o seu universo do jeito que ele é. E então eu queria sair andando, descobrindo esses pequenos novos universos que vivem em cada pessoa, mas só descobrir, porque o que me importa é a descoberta do novo território, não a conquista. Não quero conquistar nada, nem fincar bandeirinhas, nem mesmo dar nome a uma nova civilização. Só descobrir que elas existem, fazer contato, trocar a identidade cultural e depois partir. Porque eu gosto de descobrir e partir. Agora eu gosto disso, é o que eu quero, não tem mal nisso, não tem mal em gostar de ficar sozinho, tem mal em ser solitário. E a Camila me olhava, e não entendia nada. "Às vezes existe mais solidão com outra pessoa do que sozinho em casa" eu disse. Ela não concordou. Mas tinha entendido. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-1434172283994019387?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/1434172283994019387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=1434172283994019387' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1434172283994019387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1434172283994019387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/08/questo-silencio-dentro-te.html' title='questo silencio dentro te'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-8975276740009408331</id><published>2011-08-20T21:37:00.000-07:00</published><updated>2011-08-20T21:55:07.938-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não há vida sem literatura'/><title type='text'>O vazio cresce cinco metros e explode.</title><content type='html'>A alma de escritora permanece intacta. Mas as palavras, as palavras se formam em brasa e se acabam em cinza. Existe a necessidade de me gritar para que quem sabe alguém me ouvisse. Sou um desses universos em expansão, um câncer, qualquer coisa dessas que aumenta e vai tomando conta. Tomo conta de mim, não me caibo, não me aguento e às vezes me sinto profundamente infeliz. Preciso de alguma coisa que valha a pena. O amor não existe só em forma de romance e a vida não acontece só lá fora. O que a gente precisa é de sentido, de vontade, de gana, de um jeito bonito de se viver. O que eu preciso é da palavra, viva, em forma de texto que derrama e vira um pedaço de mim vivendo no papel. O que eu preciso é da catarse, de ver a alma subindo, sumindo, fazendo sentido, pulsando. Preciso me apaixonar por alguma coisa, sentir o vento bater nos cabelos, correr e sentir a boca secar, saber que no mundo ainda há vida. Preciso de um pouco de vida. Dessa vida que não vem dos outros, essa vida que nasce de mim e derrama, daí vira palavra. É possível viver enclausurado numa masmorra. É possível fazer do meu quarto um universo particular. É possível existir sem ter com quem dividir o próprio mundo. É possível a existência de um ser humano sem que as suas idéias sejam entendidas ou sequer ouvidas. É possível viver e nunca mais querer um grande amor. É possível aguentar que todos os meus amigos sumam, que todos eles me abandonem em troca de novas vidas, é possível conseguir sobreviver num estado de solidão completa. Só não é possível viver sem dividir a existência, o ser. Só não se pode deixar de mostrar que de algum modo meu coração ainda pulsa, que bombeia o sangue, que está vivo. E o meu modo de estar viva é a palavra escrita.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se me morrer a palavra, eu também estou morta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-8975276740009408331?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/8975276740009408331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=8975276740009408331' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8975276740009408331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8975276740009408331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/08/o-vazio-cresce-cinco-metros-e-explode.html' title='O vazio cresce cinco metros e explode.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-3451329177818388308</id><published>2011-08-08T20:57:00.000-07:00</published><updated>2011-08-08T21:28:40.754-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infinito tres vezes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amizade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Saudades'/><title type='text'>Maldita seja a distância entre nós.</title><content type='html'>eu sinto saudades daqueles rabiscos, sabe. dos meus também, um pouco. eu tinha menos, é claro. bem menos que você. É que a minha vida era mais bagunçada. Gente bagunçada demais não dá conta nem de rabiscar direito e costuma encarar vazios. Hoje é a minha parede descascada e o meu teto branquíssimo. Engraçado, né? Um pequeno pedaço de casa vira de repente um universo. Às vezes eu acho que o tempo passa e a gente cria mesmo um mausoléu. Sabe, as coisas vão morrendo e aí a gente joga as cinzas aqui e ali ou enterra mesmo. Fica numa esperança louca que as coisas que passaram, assim com acreditam os budistas, passem por uma espécie de roda de samsara e renasçam (melhores). &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bendita seja a distância entre nós. Distância que foi se configurando aos poucos, e quando a gente se deu conta estava em outra vida. Vez ou outra eu sento na mesa e ainda sinto cheiro de lasanha, ou pavê, ou sorvete de flocos semi-derretido. Fico pensando quantas relações ainda serão constituidas de puro vazio até chegar perto dessa coisa que já existiu. Tudo parecia simples, e bobo e até um pouco infantil. Porque era comum. Nunca achei que um dia eu iria acordar e estivesse tudo assim, meio desmanzelado. O universo não parecia assim tão deserto de almas naquela época. Porque gente tem. Gente tem de monte, andando nas ruas, comprando coisas, enchendo sacolas, jogando lixo, indo nas academias, comprando carros novos ou até mesmo passando fome. Tem muita gente no mundo. Agora alma sei lá. E fica até meio clichê isso, a gente reclamando de alma, de essência, de vida. Um dia eu expliquei pra vocês que a pós modernidade estava chegando. E olha, chegou. Um indvidualismo tão louco, né? A gente parece parte de um mundo que já existiu - e que não volta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Penso em vocês na sacada, penso na gente, poxa, na gente falando tanto sobre nós mesmos. E enormes momentos de silêncio e pausa, de violão de poucos acordes, de suspiros longos. Amar não é concordar o tempo todo. Amar não é nem mesmo amar o tempo todo. Eu já odiei vocês. Já quis que vocês sumissem tal qual os balões de cinza que jogamos da janela. A vida é um pouco isso né. Esses balões de jornais que sobem bonitos depois queimam no chão. Acho que queimamos um pouco no chão, não sei se sobe. Não sei se agora existe um jeito de dar a volta, um retorno desses que bota a gente de novo na estrada onde tava e refaz o caminho. Parece que não. A gente já bebeu menos, já se acabou menos, já comeu menos. A gente já foi mais a gente, sem se auto destruir. Amor mesmo, sabe, amor de verdade já embriaga por si só. E a gente era meio embriagado, meio embriagado de sentimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Às vezes a vida doia no meio dos copos de coca. O mundo passando, as pessoas comprando mc donald's em volta e a gente tentando entender que vida era aquela, o que o mundo estava fazendo dele mesmo, porque é que a gente não conseguia fazer parte, jogar o jogo, ser parte do time. A gente ainda não consegue, mesmo separado a gente sabe que não consegue. Que não conseguirá. Só que as crises agora são longe, e eu sei que meus copos só estão assim, até a borda de tanta cerveja porque eu não tenho mais vocês. Não do jeito que era antes, não dá mais pra discar o numero de vocês e dizer que tudo bem, a vida é uma merda, ninguém se ama mais só que a gente tem a gente, e uma travessa de macarrão e um pote de sorvete. A gente tem a gente e pode gritar da sacada, e pode segurar a mão um do outro, mesmo que de um jeito metafórico, mesmo que a gente nem saiba nada sobre os contatos físicos imediatos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que é a vida agora senão um erro? a gente se perdendo, perdendo o trato com as pessoas. A gente se convencendo que nunca quis muito ser feliz, né? a gente nunca quis, não muito, tá bom assim do jeito que tá. Meio caído, meio vazio, cheio de coisa errada, mas a gente vai levando. O pedro não podia achar ninguém melhor que a mariana. A fernanda não podia achar ninguém melhor que o cristiano e ok, tá tudo bem nesses namoros sem amor que a gente leva, nessas noites cheias de "diversão" que a gente tem. Uns brincam de amar, os outros se jogam da sarjeta, eu cansei de brincar de amor e caio na sarjeta. Às vezes eu acho que vocês também ficam em casa, olhando o teto, as paredes descascadas, o universo-quarto de vocês e sentindo saudades do que a gente era. Às vezes eu acho que a gente deve abrir ao mesmo tempo o facebook um do outro e pensar em perguntar como vai a vida, se você continua gostando de macarrão com molho, de sorvete de flocos meio derretido, se ele continua esse desastre social cheio de mancadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas tem os namoros, os quase-casamentos, os trabalhos, as faculdades, as distâncias, as mudanças que vem com a vida e a gente se perde mesmo, né? E o que sobra é isso. A melhor época das nossas vidas eternizada numa foto granulada e escura em que ninguém saiu muito bem, mas eu juro que estávamos felizes. E tudo que eu queria era juntar todos os pedaços daquela foto depois de dez anos e nos ouvir realizados. Mas nós sabemos que não vai acontecer. Não tem como ser feliz depois de ter se perdido tanto. Não tem mais alma nessa vida que a gente leva. E sem alma, não tem nada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o pior de tudo é saber que continuaremos. Mesmo com dor, mesmo sem alma, mesmo sem ter pra quem contar a vida, mesmo levando a vida só pra gente. Mesmo guardando o peso sozinho, carregando a cruz sem saber bem pra onde. Mesmo infeliz e sabendo disso. É que não tem outro caminho a não ser continuar. É que continuando talvez a gente se encontre, desavisado, na mesa do bar ou debaixo da ponte, procurando aquele mesmo retorno que vai nos botar de volta no caminho certo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Oxalá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(eu não sei se sinto mais saudades de vocês, ou de mim. Maldita seja a distância entre nós). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-3451329177818388308?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/3451329177818388308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=3451329177818388308' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3451329177818388308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/3451329177818388308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/08/maldita-seja-distancia-entre-nos.html' title='Maldita seja a distância entre nós.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-2099287816058922766</id><published>2011-08-07T20:58:00.001-07:00</published><updated>2011-08-07T21:02:42.411-07:00</updated><title type='text'>fragmento</title><content type='html'>te olho nas fotos perdidas em que não apareço mais. não te vejo sorrindo eu nunca mais te vi sorrir daquele jeito que, sabe? o sorriso que me faria atravessar os sete mares a nado. qualquer coisa eu faria por aquele-sorriso. acho que procuro nos outros aquele-sorriso, acho que às vezes espero demais de mim e me sobrecarrego esperando ser recompensada com aquele-sorriso. às vezes penso em te pegar de surpresa pra ver se quem sabe, aquele-sorriso. mas te perdi. te vejo em fragmentos de vida, nos poemas, nas músicas. nas cartas guardadas, nos poemas de amor que não te entreguei, no aniversário que não comemoramos juntos. te vejo nas fotos, numa vida em que eu não pertenço mais - e ainda derramo uma lágrima. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(e já faz tanto tempo).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-2099287816058922766?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/2099287816058922766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=2099287816058922766' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2099287816058922766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2099287816058922766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/08/fragmento.html' title='fragmento'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-2210104891905380243</id><published>2011-07-25T20:40:00.000-07:00</published><updated>2011-07-25T20:56:21.114-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clichê com C maíusculo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor verdadeiro amor eterno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tudo que eu queria te dizer'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Old Habits Die Hard'/><title type='text'>Que amava toda quadrilha.</title><content type='html'>(do Chico Buarque e do Drummond que me fazem, falo como personagem)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Te amo", é dessas expressões que nunca cogitei te dizer nem em sonho porque sempre soube que dizer "te amo" pra você deixaria de ser expressão e se tornaria um ridículo e extenso (e quem sabe nunca-antes-visto) derramar de mim mesma.&lt;br /&gt;Amor é uma coisa complexa que se eu tentasse explicar me embananaria toda, salvo se estivesse munida por eu-líricos cantantes e bonitos. Gosto de ti. Porque sim.&lt;br /&gt;E deveria saber que quando a gente gosta "porque sim" de uma pessoa é porque gostar já é palavra boba demais dentro do universo que envolve essa relação.&lt;br /&gt;Me destruístes de tal modo que não é possível que consiga poetizar nossa quadrilha, pois coisa vira e, real que você é pra mim, só sei de você cru e nunca soube de você minha história. Sei de você cru nos meus ossos, carne e, principalmente em pensamentos que me ocorrem em tardes cinzentas.&lt;br /&gt;Sempre te acharei a companhia perfeita para a casinha de sapê que nunca construiremos e de algum modo vou sempre imaginar alguma coisa ridícula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ridícula do tipo, não terminar esse texto porque admitir que eu te amo quase que me embrulha de amor de tão cru que és).&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Texto encontrado - e não revisado - num caderno de faculdade que data de 2008. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-2210104891905380243?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/2210104891905380243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=2210104891905380243' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2210104891905380243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2210104891905380243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/07/que-amava-toda-quadrilha.html' title='Que amava toda quadrilha.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-1282066717543998355</id><published>2011-07-25T06:31:00.000-07:00</published><updated>2011-07-25T21:38:33.695-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor verdadeiro amor eterno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Parece-bolero-te-quero'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tudo que eu queria te dizer'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Old Habits Die Hard'/><title type='text'>and there is no modern romance.</title><content type='html'>Liguei&lt;i&gt; &lt;/i&gt;o rádio e soube: dali pra frente nada mais se concretizaria na memória a não ser as lembranças. Tem sido assim. Assim, um eterno lembrar-e-esquecer como um círculo vicioso, um carrossel, uma roda gigante que não para nunca e aonde, por mais que entrem novas pessoas, ela continua sentada no exato mesmo lugar. Dando voltas e voltas, e mais voltas. Teve esse e aquele outro e um belo momento e outro belo momento mas, de alguma forma, no amor a existência tem precedido a essência e a falta de sentido é uma constante. Como em equações matemáticas a vida é dada como: amor-vezes-a-constante-(falta-de-de-sentido)-é-igual-a-zero. Zero. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pensava nisso enquanto tentava pensar em outra coisa. Sempre assim. A gente pensa que esqueceu, depois ouve uma música qualquer e tudo volta feito ferida que não cicatrizou, e lateja o lugar que a gente tinha esquecido que tem (o coração, talvez?). Foi assim naquela noite fria enquanto tomava meu whisky e fumava meus cigarros de filtro laranja. Tudo que ainda sabia dele é que, continuava com o mesmo senso de humor e, tinha começado a fumar também. "Não fumávamos quando éramos jovens", pensei. Engraçado a inconsequencia ter começado no exato momento em que deixamos de ser. Será que éramos sem saber nosso ponto de equilíbrio, nossa religião? Seria o amor o nosso deus? talvez. Você era a única coisa em que eu acreditava. Personificação do amor. A partir do momento que você se foi o amor deixou de existir e, se você voltar pode ser que ele renasça. Pode ser. Já fazem três anos e tudo que você deixou se transformou em descrença.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu olhei o telefone algumas vezes, encarei, sexta feira as onze da noite não deve ser um momento propício pra ligar pra alguém que não nos ama mais e destilar alguma coisa como mágoa ou veneno, e todos esses sentimentos meio amargos que nascem pra disfarçar o amor. Mas pensei. Te mandar um torpedo te dizer "olha, eu sempre te amei, eu sempre vou te amar", mas você não iria entender e ia sentir pena do meu amor, pena de mim, pena de tudo isso que você fez nascer e eu estou cansadíssima das suas penas. Estou cansada do mundo também. Você sabe que tenho me enfiado em bares, bebido muito, caído, fumado cigarros e experimentado novos corpos. Guardo no meu apartamento uma garrafa de whisky pela metade e enquanto me embriago penso em você e em tudo-que-poderíamos-ter-sido, depois busco um número qualquer na minha lista de contatos e discutimos cinema, e literatura e depois transamos sem nenhum amor e nos beijamos sem nenhuma paixão e talvez, eu disse talvez, exista ternura nessas coisas e nesses novos homens e nesses quase-amores mas é tudo tão diferente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já ensaiei dizer "te amo" pra novas pessoas, mas eu não sei falar de amor. As vezes até tento, daí engasgo, daí digo "eu-gosto-muito-de-você-e-nunca-quero-te-perder" como um desses cachorrinhos carentes que se enfiam no colo de qualquer um, mas eu sei que no exato momento que ele sair por aquela porta todo significado acabará como a cinza desses cigarros que eu fumo e se espalhará pela mesa da cozinha, pelo chão da sala e depois vai sumir. E eu vou ficar, vou continuar, vou beber whisky sem gelo e vodka com suco de laranja. Vou tentar inventar amor, vou frustrar expectativas de romance, vou responder eu-te-amo-também pensando em você e em você porque é só em você que eu penso quando olho dentro daqueles olhos sem brilho nos beijos sem gosto que tenho dado. Tanto faz quem sejam as novas pessoas agora. São só bocas e cabelos e olhos e elas podem me ter quando quiserem e me deixar quando bem entenderem, eu não sinto ciúmes, nem ternura, nem nada. É só um nada, um vazio, uma necessidade de preencher todo esse buraco que você deixou quando se foi, e eu invento momentos sublimes e interessantes, minha vida tem parecido um desses filmes alternativos de romance que a gente nunca gostou e quem olha de longe quase sente inveja da minha fe-li-ci-da-de.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sou feliz, baforo fumaça pra fora pra ver se toda essa cinza espalhada pela casa te exorciza. Se eu cremo o meu amor por você, se de repente um dia eu acordo e faço uma espécie de funeral pra todos os momentos que tivemos juntos nessa casa, nessa imensidão de cidade, e dentro de mim. Pra ver se tudo isso que me destrói aos poucos destrói junto tudo o que sobrou de você em mim. Eu me reinventei, me recriei, me refiz. Refiz uma vida toda pra esquecer e me livrar da vida que eu tinha, daquela que eu era, pra esquecer que eu era sua - e amava. Penso em te abraçar, te ligar, chorar, ajoelhar na porta da sua casa te dizer que depois-que-você-se-foi-a-vida-se-tornou-uma-aventura-errante e penso, todos os dias, em dizer que (ainda) te amo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas tomo um gole de whisky, acendo um cigarro e mando uma mensagem dizendo que "estou com saudades porque lembrei de você nessa noite fria" para um número que não é o seu. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-1282066717543998355?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/1282066717543998355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=1282066717543998355' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1282066717543998355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1282066717543998355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/07/and-there-is-no-modern-romance.html' title='and there is no modern romance.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-7236290317074129382</id><published>2011-07-04T20:44:00.000-07:00</published><updated>2011-07-04T21:46:43.746-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Morte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rotina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ausência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vazio'/><title type='text'>do fundo do poço.</title><content type='html'>E ela estava encolhida no cantinho do quarto, chorando baixinho, se cortando baixinho com as navalhas imaginárias que a vida deu. Essas navalhas que não são de metal nem de aço, essas navalhas que não fazem sangrar a pele - essas navalhas que perfuram o coração de uma vez só. Esse coraçãozinho machucado, menina. Esse coração estraçalhado de dor &amp;amp; desamor, com todo o desamor do mundo morando lá dentro. Desamor, cansaço, falta de vida. É tanta coisa que de repente vai morar no coração da gente. Desapercebidos, assim. Os longos suspiros de um surto que era ciclico. Vez ou outra ao chegar do trabalho, ao ouvir um comentário meio maldoso vinha um choro com barulho, um choro sem fim nem começo - mas que doia. De repente o mundo não era mais mundo e ela flutuava. Flutuava porque não fazia parte e não era um flutuar leve. As coisas iam de um lado pro outro, rápidas, como quem queria engoli-la. E ela corria. Corria e chorava e as lágrimas caiam sem controle nenhum. Só caiam. Uma cachoeira inteira de dor invadindo aquele rosto novo e cansado de junhos e julhos tristes e pesados. Tontura, vertigem, o mundo embaçando, o barulho fica alto. "Deus, o que você quer dizer com isso?" ela grita. Porque ficou abandonada, no meio do nada, no meio do cinza. Os carros passam, e passam as pessoas, e as luzes também passam e tudo aquilo quer engoli-la e ela num esforço terrível e meio ridículo de tentar sobreviver, de tentar respirar no meio do ar rarefeito do mundo - o ar que o mundo a impediu de respirar.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mundo às vezes impede a gente de respirar, às vezes a gente de depara com esses lapsos de não-normalidade, pequenas alterações na linha-reta-e-constante que se faz a vida. Pequenos surtos baixinhos, no canto da sala e no meio da rua. Ela tinha surtado ali, no meio da rua, seis e meia da tarde, horário de rush. Saiu do ônibus, se deparou desrealizando, despersonificando e foi. As lágrimas caiam, a vida parecia sem sentido, o respirar era dolorido. E depois teve essa outra vez, meia noite, no quarto, no cantinho da parede se cortando de levinho com as navalhas imaginárias do coração. E tudo isso é decadência, o fundo do poço, tudo isso é falta de vida, falta, falta, falta - ausência. Todos os cafés do mundo serão tomados afim de produzir úlcera. Todas as drogas existentes serão experimentadas na esperança do alívio. Todos os cigarros serão fumados pra que saia ar (mesmo que sujo) de onde já não se respira. Morrer é um acidente do acaso, é uma curva na vida, é o fim inevitável. Toda bebida do mundo será ingerida para causar embriaguez. Zen budismo, religião, existencialismo, cabala - qualquer coisa. Uma estrada que redime e destrói ao mesmo tempo, é nisso que ela queria entrar. A cada nova desilusão um gole, a cada nova frustração um trago, a cada nova perda um calmante com wisky. A cada novo alívio, a destruição.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todo clichê é perdoável.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Experimentar todos os corpos, todas as oportunidades, todas as pequenas ofertas da vida. Beijos sem compromisso, sexo casual e navalha no coração. As músicas que tocam ao fundo não tocam mais o coração. As pessoas ao lado são irreconhecíveis. Tudo é um misto de interesse &amp;amp; hedonismo. Tudo é cansaço e preguiça. E dor. Microagulhas entranhadas embaixo da pele, uma a uma, preparadas para fazer sangrar aos poucos a dor que é estar viva - e ter se perdido. Não existe estrada para a felicidade, não existe amor, não existe esperança e o fim é inevitável. Numa vida das oito às seis, ela se esconde embaixo dos seus casacos pretos e seu batom vermelho. Ela está cansada, os balões não colorem o céu e a vida não é um filme, afinal. Nem uma minisérie em apenas um capítulo. A vida - a vida dela - é uma poesia suja, marginal, sem métrica e nem rima. Poesia decadente de páginas grudadas, perdida na estante de um sebo que ninguém nunca vai entrar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No fundo do poço só se vê o chão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É que depois de tanta esperança falsa, de tanto amor em vão de tanta energia gasta, de tanta perda, de tanta estrada que não era - e nunca foi - caminho, o olho se cega pra luz, a saída não existe mais e a gente chafurda a cara na lama. Se a gente ficar morre, mas se for lá fora é a vida - e a vida também mata. Mas mata de cansaço, de desilusão, de desamor, de frustração, de preguiça e de descaso. E se é pra morrer, que seja em paz. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-7236290317074129382?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/7236290317074129382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=7236290317074129382' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/7236290317074129382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/7236290317074129382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/07/do-fundo-do-poco.html' title='do fundo do poço.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-6613537750475073863</id><published>2011-06-26T19:58:00.000-07:00</published><updated>2011-06-26T20:46:23.172-07:00</updated><title type='text'>o amor, sartre, a monogamia e eu.</title><content type='html'>Então a vida é assim. As pessoas nascem, crescem, se reproduzem e morrem. Simples. A vida é simples. A vida é sobre achar um trabalho pra ganhar algum dinheiro e um amor pra vida toda. A vida é um pouco desses vazios que tem que ser preenchidos com alguma coisa. Com amor, talvez. Talvez esse texto tenha como objetivo falar de mim. Talvez eu nem saiba do que eu estou falando ainda e deseje na verdade, me entender. A vida tem sido difícil, essa aventura errante cheia de pequenos desencontros e grandes neuroses. Poesia também, bastante poesia. Mas a poesia às vezes nada esconde e nada alivia. O problema de tudo é estar vivo.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tenho me sentido um ser livre. Tenho me sentido talvez seja a construção errada, e a construção certa da frase talvez seja "sempre me senti" um ser livre. Sempre. Nunca entendi o porquê da vida ser configurada a partir de outras pessoas. A vida é minha, e assim sendo abracei a minha solidão como parte existente de mim. Existente de um modo que não há como me separar dela. Eu posso não estar sentindo, mas ela existe. Existe também um certo conforto em ser sozinha. Costumo gostar muito (e talvez mais) dos momentos em que ando com música e vento na cara na cidade, e enxergo o resto do mundo como um monte de desconhecidos sem nenhuma ligação profunda comigo. Talvez seja isso, gosto de sentir que não tenho nenhuma ligação profunda com ninguém, de modo que não sou atrelada a ninguém e totalmente responsável pelas minhas escolhas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O peso, a angústia, o existencialismo. Tudo isso que reaviva com um sartré na estante, mas que sempre existiu. Nos caminhos escuros e frios da cidade me peguei pensando. E a monogamia? nasci pra isso? Quer dizer, você nasce e acaba tendo um sonho que nem sabe se é seu de casar, e ter filhos e constituir familia. Mas pra isso, tem que existir um marido só. Um núcleo só para sua vida, um só amor. Eu, que não sei contar pra que lugares vou. Eu, que não consigo compreender ninguém fazendo parte demais da minha vida, nasci pra isso? nasci pra amar apenas uma pessoa e conseguir viver com todas as implicações que isso causa? Não que não seja bonito. Poetizo e imagino grandes amores que durem pra sempre. Uma vida toda dedicada a amar somente uma pessoa. Uma única pessoa digna de admiração. Não que eu não acredite que isso seja possível. Eu acredito, e quero acreditar. Me parece meio utópica essa felicidade que vêm de todos os lados, esses multi-amores. Ou talvez não seja assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De qualquer modo, o que eu quero explicar é que, me sinto mais leve a partir do momento em que não assino contratos de exclusividade. Pode não parecer assim, mas um namoro, um casamento, ou um relacionamento sem nome, traz em si contratos de exclusividade. E nesses estranhos contratos feitos pelos seres humanos em nome do amor, é que o amor acaba. Não entendam errado, eu não sou mais uma daquelas pessoas que maldiz o casamento. Mas é que as chances disso dar certo são um pouco limitadas se você não age com isso da maneira certa. Eu quero dizer, a partir do momento que em que você coloca pra você mesmo que se juntou com uma pessoa e ela - e só ela - é a responsável por suprir todas as suas necessidades, é que a coisa degringola. Quer dizer, uma pessoa não é um ideal, um modelo pre-montado. Uma pessoa é uma pessoa e a grande verdade é que, na maioria as vezes, por maior que o amor seja, ela não vai suprir todas as nossas expectativas. Pode suprir algumas, a maioria delas, mas todas? todas é impossível. E são nessas exigências de coisas que você espera que a pessoa faça e que ela não é capaz de proporcionar é que a monogamia falha. Porque como você só pode ter aquela pessoa, já que o contrato assinado assim exige, você não consegue lidar com o fato de que aquela pessoa que você escolheu pra ser única não consegue suprir todas as suas expectativas. E que vai falhar, varias e repetidas vezes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Engraçado que por sermos humanos, deveríamos aceitar de antemão que um contrato de exclusividade por si só já frustraria algumas expectativas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que eu quero dizer é que, a partir do momento em que entro em um desses relacionamentos em que a fidelidade e a exclusividade são impostos, eu me sinto sufocada. Começa um emaranhado de exigências que eu sei que eu não vou conseguir atender, e por saber que aquela é a única pessoa que é permitido que supra as minhas necessidades, eu começo a exigir também coisas e me frustrar. E tudo isso gera um stress tão grande que depois acaba se tornando uma neurose que torna o relacionamento inviável. Não é leve, não é bonito, é só um contrato, vocês entendem? um contrato que precisa ser cumprido e eu não sei trabalhar com regras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por outro lado, quando não estou em nenhum relacionamento no qual a exclusividade seja exigida, me sinto leve. Leve porque eu não tenho nenhuma obrigação. Eu faço as coisas porque quero e sei que a outra pessoa também o faz porque quer. Não é dificil meus relacionamentos começarem a dar errado no momento em que tomam o nome de "namoro", porque namoro pra mim tem um monte de implicações chatas como por exemplo o fato do outro se achar uma parte indivisível da sua vida, com mais direitos que deveres e capaz inclusive de tolher sua liberdade de escolha, de se vestir e de não o ver quando der vontade. Aí criam as rotinas, as pequenas obrigações, o lado da mesa, o restaurante das sextas. Sabem? Coisas que as duas partes fazem porque um "namoro" exige assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só que um relacionamento não deveria ser feito de obrigações e sim de vontades. Nos veremos porque temos vontade, não nos veremos porque não temos vontade. Comemoraremos, sairemos, nos amaremos ou passaremos uma semana sem se ver porque assim quisemos. E mais ainda, estaremos juntos  e continuaremos juntos porque temos vontade. Nada mais do que isso. Ainda não sei se pra mim, também seja necessário a liberdade ser tanta a ponto de eu poder colocar outra pessoa na minha equação. Várias pessoas suprindo as minhas necessidades. Talvez uma só, mas sem cobranças. Talvez seja tudo uma questão de ser livre. A liberdade de estar com uma pessoa porque escolheu assim, e a liberdade de não mais estar por causa da mesma escolha. Qualquer contrato gera em mim uma neurose instantânea. Qualquer compromisso também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É que gosto de amar, de gostar, do envolvimento e da poesia. Mas acima de tudo gosto de mim, e da minha solidão. E quero estar junto por escolha, e não por contrato. Dentro do descompromisso que escolhi pra viver. Não gosto de ter meu espaço invadido, não gosto da rotina cobrada do estar-junto. Não sinto necessidade de presença sem fim. É que gosto de ter outro. E gosto tanto (ou mais) de mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Talvez vocês nada tenham entendido desse texto, mas é que tudo é um imenso caos. Quero um relacionamento que me permita não querer apenas a pessoa, porque acho que, a partir do momento em que for permitido querer vários, posso escolher querer só aquele. Ou não. Mas há a possibilidade. A verdade é que nada sei sobre sartre, o amor, e a monogamia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E sei menos ainda sobre mim, mas tenho tentado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-6613537750475073863?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/6613537750475073863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=6613537750475073863' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6613537750475073863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6613537750475073863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/06/o-amor-sartre-monogamia-e-eu.html' title='o amor, sartre, a monogamia e eu.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-7862940753937489296</id><published>2011-06-16T19:13:00.000-07:00</published><updated>2011-12-13T11:58:58.315-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='distancia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vazio'/><title type='text'>Na posta restante.</title><content type='html'>Eu só queria encontrar com ela, e se fosse pra dizer alguma coisa, eu diria baixinho: "cuida bem dele, cuida mesmo com toda a força que você pode. Cuida dele como se a sua vida dependesse de cuidar bem do coração desse menino. Pega na mão, não deixa ele cair. Se for fazer ele sofrer, esquece. Não deixa ele sofrer não, ele não pode sofrer. Continua fazendo o café com pouco açucar, e de vez em quando, conta umas piadas pra alegrar o coração. Se permite ser piegas, se permite dançar na sala, se permite um fim de semana inteiro vendo filme e fazendo macarrão. Cuida desse coração como se fosse um vidro frágil, põe numa caixinha se for preciso. Põe numa caixinha e protege dos males do mundo. Segura ele pela mão, mostra que caminho ele deve seguir, sabe. Ele  é tão perdido e costuma se perder tão fácil da própria vida. E ele já se perdeu tanto que eu espero mesmo que você seja o caminho, já que o caminho não fui eu. Podia ter sido, podia ter sido pra mim que ele diria todas essas coisas. Essas coisas de amor &amp;amp; paz, de "baby, como você me faz feliz". Mas hoje é você que faz ele feliz, e tudo bem. Tudo bem porque nada mais me importa nessa vida a não ser o fato de que eu quero mesmo que ele seja feliz.  E se for pra ser com você, que bom. Só cuida dele, cuida mesmo como você cuida daquilo que te é sagrado. E ama, ama esse menino até não caber mais dentro de si, até que você precise gritar que o amor é muito e imenso. Ah, você não sabe a sorte que tem de carregar do teu lado esse sorriso imenso. Esse sorriso que é dele, com essas coisas que são dele e de mais ninguém. Então cuida bem, que pode ser que você não saiba, mas o universo te presenteou com o único menino incrível do mundo. E ele merece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-7862940753937489296?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/7862940753937489296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=7862940753937489296' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/7862940753937489296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/7862940753937489296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/06/na-posta-restante.html' title='Na posta restante.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-6322374647938968701</id><published>2011-06-08T15:31:00.000-07:00</published><updated>2011-06-08T15:38:23.767-07:00</updated><title type='text'>descoberta.</title><content type='html'>Dois copos no escorredor de quem sempre morou sozinho,&lt;br /&gt;dois garfos e duas facas.&lt;br /&gt;dois pratos&lt;br /&gt;(e o seu é vermelho,&lt;br /&gt;como você disse que gosta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não costumo receber visitas,&lt;br /&gt;não assisto televisão&lt;br /&gt;tento não me chatear com as músicas do rádio&lt;br /&gt;não leio livros,&lt;br /&gt;jogo fora todos os jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho uma cabeça vazia,&lt;br /&gt;uma consciência livre de vícios,&lt;br /&gt;matei meu pai e minha mãe&lt;br /&gt;na infância&lt;br /&gt;para evitar os traumas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não serei aniquilado pelo édipo&lt;br /&gt;não te trocarei pelo futebol,&lt;br /&gt;gostarei de tudo que você me recomendar&lt;br /&gt;pois não tenho&lt;br /&gt;gostos&lt;br /&gt;próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você pode me ensinar a te amar,&lt;br /&gt;você pode me ensinar a ser o que&lt;br /&gt;você&lt;br /&gt;bem&lt;br /&gt;entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu nunca amei ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e sendo assim,&lt;br /&gt;ponho a mesa&lt;br /&gt;dois pratos&lt;br /&gt;dois garfos, duas facas&lt;br /&gt;e dois copos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pro dia que você vier&lt;br /&gt;eu já estar preparado&lt;br /&gt;pra você&lt;br /&gt;finalmente me ensinar&lt;br /&gt;como&lt;br /&gt;se&lt;br /&gt;deve&lt;br /&gt;ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(foi isso que me disseram&lt;br /&gt;que é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o amor).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-6322374647938968701?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/6322374647938968701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=6322374647938968701' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6322374647938968701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6322374647938968701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/06/descoberta-do-amor.html' title='descoberta.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-8377171430594656948</id><published>2011-05-20T23:31:00.000-07:00</published><updated>2011-05-20T23:40:02.620-07:00</updated><title type='text'>Eu te amo, Lucimar.</title><content type='html'>Você recomenda, &lt;div&gt;o livro do escritor&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que eu te apresentei, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;pros seus novos amigos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O livro que eu um dia te emprestei, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e que guardei na minha estante, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;do lado do relicário&lt;/div&gt;&lt;div&gt;na caixa que guarda as cartas de amor&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que eu nunca vou te entregar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-8377171430594656948?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/8377171430594656948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=8377171430594656948' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8377171430594656948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8377171430594656948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/05/eu-te-amo-lucimar.html' title='Eu te amo, Lucimar.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-6750696033120580093</id><published>2011-05-18T21:41:00.000-07:00</published><updated>2011-05-18T21:42:01.783-07:00</updated><title type='text'>O sapato mais bonito.</title><content type='html'>Hoje sou&lt;br /&gt;Aquela menina sentada na loja de calçados&lt;br /&gt;Tentando com esforço calçar&lt;br /&gt;O sapato mais bonito da loja&lt;br /&gt;Que hoje estava em promoção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Experimentando,&lt;br /&gt;O tão sonhado sapato&lt;br /&gt;Ela chora baixinho, pensando:&lt;br /&gt;"não vai me servir, não vai me servir".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-6750696033120580093?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/6750696033120580093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=6750696033120580093' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6750696033120580093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6750696033120580093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/05/o-sapato-mais-bonito.html' title='O sapato mais bonito.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-6605938929236811789</id><published>2011-05-04T01:05:00.000-07:00</published><updated>2011-05-04T01:09:29.525-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a insustentável leveza do ser'/><title type='text'>Na calmaria do caos.</title><content type='html'>A vida às vezes é sobre esses frios. Os frios da alma. Os frios que doem nos ossos. A vida às vezes é sobre sacrifício e sobre tristeza sem sentido. A vida às vezes é essa viagem errante em que a gente anda sozinho, na rua, olhando pro céu e sentindo a solidão se abrir num buraco imenso. Tão imenso que a gente não cabe. Tão imenso que a gente sobra. Tenho andado sozinha pela rua que é imensa. Uma viagem solitária no mundo imenso, com sentimentos imensos, coisas imensas. O querer pegar tudo com a mão e não conseguir. Tenho me perdido, constantemente, nas esquinas da minha própria cabeça. Minha vida não tem placa, nem atalho, nem direção. Sou bicho solto. Se foram todas as cordas que me impediam de ser solta no espaço. Estou solta, sozinha. Nenhum compromisso com a realidade me é imposto. Não existem os horários, as obrigações e se foram (quase) todos os laços afetivos. Me falta o existencialismo doente. O querer pegar a vida com as mãos que existia há algum tempo atrás. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu me pergunto baixinho onde foi que ficou o chão da sala, com vinho e conversa. Sem tv ligada, sem vídeo, sem assunto pra discutir. Sinto falta do abraço que não existe, da compreensão assistida com os olhos, da sacada fria dos invernos de julho que já passaram e não voltam. Da comida como mero pretexto do encontro. A vida de repente se transformou num eterno andar que dói, num caminho longo demais pra ser percorrido assim, sozinha, mas que se tiver que ser percorrido sozinho vai ser, e sem dor. Porque quando nada mais existe, nada mais importa. Porque quando nada mais se sente, nada se espera. Porque um dia eu acordei e percebi que os céus continuavam azulando, os pássaros continuavam cantando, a vida continuava existindo, mas o sentido tinha ido embora. Sobrava o simples fato de ser livre, e já não querer o ser. É que a falta de sentido me enjoa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tenho vontade colocar todos àqueles que continuam aplaudindo essa falta, essa ausência esse vazio em uma roda e dizer-lhes a verdade. Já não existimos, não somos, nos amamos em sobras, nossos corações já quebraram e guardam rancores, remendos, cansaço. É difícil amar onde sobra cansaço, é difícil o encontro quando existe ares de obrigação. Falta sentido. É que a falta de sentido às vezes se dá nas noites vazias de frio e solidão, quando você percebe, que como aqueles quebra cabeças de mil peças, às vezes a gente tenta encaixar as peças nos lugares errados. Já não cabem as peças,  não adianta o esforço. O estranho do vazio é saber que dele se pode construir qualquer coisa. Nada, uma roseira, ou um castelo. Também ervas daninhas, também casas com pomares. E também terremotos, tornados. É que depois do caos, vem a calma. No meio do caos, existe a calma. É que no meio da vida, às vezes sai música do vazio, e nasce beleza da onde parecia só nascer espinho. Porque a vida às vezes é sobre caminhar no vazio, é sobre desencontros e desamor. A vida às vezes é sobre encontros, reencontros e alguma esperança. É que a vida é feita de ciclos, e é quem sabe, sentar na grama, ouvir uma música e sentir qualquer tipo de paz. No frio, enquanto tudo em volta é puro terremoto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-6605938929236811789?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/6605938929236811789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=6605938929236811789' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6605938929236811789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6605938929236811789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/05/na-calmaria-do-caos.html' title='Na calmaria do caos.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-5922254969968780339</id><published>2011-04-21T21:09:00.000-07:00</published><updated>2011-04-21T23:56:50.908-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='e de amores talvez?'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não fui eu foi meu eu-lírico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da madrugada'/><title type='text'>Verborragia metafórica</title><content type='html'>"Como eu vou te explicar, é assim como, como se eu tivesse construindo uma casa, sabe? uma casa simples e de repente começasse a não querer mais uma casa simples, porque uma casa simples não supria mais as minhas necessidades e daí eu resolvo comprar um pouco mais de tijolos, e refazer o projeto e tudo isso vai criando uma casa maior e de repente eu não quero aquela casa mais, quero outra, e tudo isso vai aumentando e aumentando e de repente eu invento de construir um castelo e nesse castelo tem muitos quartos e salas, e janelas e jardins, imensos jardins onde eu começo a colocar flores e muitas árvores, inúmeras árvores onde eu espero que você me ensine a subir, você sabia que eu nunca soube subir em árvores? pois é, eu não sei, eu sempre tive medo, eu sempre tive muito medo de tudo, inclusive de você e não só de você, das pessoas e de tudo isso, sabe? se tudo isso de sentir e tudo mais, sentir é muito pior do que construir casas, ou castelos, e é mais ou menos isso que eu quero te explicar porque eu sentia uma coisa que cabia numa casa e de repente não coube e eu tive que aumentar e aumentar e de repente precisei de um castelo, um castelo inteiro pra colocar tudo isso que eu sentia em cômodos separados, em cada um eu colocava um sentimento diferente e às vezes era ódio e às vezes raiva e às vezes satisfação. Tinha até solidão, indiferença, mas tinha coisas bonitas também, tinha consideração e alegria, e euforia e tinha também um pouco de paixão porque tem que existir paixão pra que se valha a pena construir castelos e casas ou criar jardins com árvores e tinha essa esperança também uma certa esperança que você me ensinasse a subir nas árvores que eu plantei e na verdade eu não sei o que eu espero construindo esses castelo eu não sei se eu precisava construir um castelo porque eu construi tudo isso e na verdade eu nem sei, talvez eu ainda esteja construindo uma casa pequena e tudo mais e nem tenha árvores nem nada, só mato um monte de mato pra cortar e daí quem sabe plantar alguma coisa, é que às vezes eu me imagino morando na casa e acho tudo muito pequeno e ruim e tudo aquilo não me preenche, e às vezes penso num castelo e acho demais, é demais um castelo, é muito grande pra mim e eu não sei lidar com castelos, só com coisas pequenas, bem pequenas, pequenas como um quarto que não exigem muito trabalho, talvez menores que um quarto, você entende? eu quero coisas que ocupem uma gaveta, é isso, uma gaveta. Uma gaveta em que eu possa trancar a coisa lá dentro porque a gente pode ter total controle sobre as coisas que estão dentro de uma gaveta e mexer nelas como bem entender e até é assim com uma casa também, as coisas fogem um pouco do controle às vezes, mas dá pra dar um jeito, precisa de pouco tempo, mas imagina um castelo, a gente não tem controle sobre o castelo, podem estar acontecendo coisas que a gente não se dá conta e quando vê elas já aconteceram, já foram é assim tão irreversível se mudar pra um castelo que eu nem sei te dizer, porque com certeza você se perde porque tem vezes que você tá no jardim subindo em árvores feliz e nem se dá conta que coisas terríveis podem estar acontecendo nos quartos, ou na sala e podem entrar pessoas novas no seu castelo e quando você percebe já é tarde demais, pode ter sujeira enfiada debaixo dos tapetes e um monte de segredos entre os corredores, é muita ingenuidade achar que vai conseguir dar conta de um castelo. Mas também quando você se dá conta você j;a construiu e já se mudou lá pra dentro, mas eu nem sei se construi alguma coisa, nem sei se isso é uma gaveta ou se é uma casa, ou um castelo, é que me encanta a idéia das árvores, não dá pra colocar árvores dentro de uma gaveta e cabem poucas dentro de uma casa, dentro de um castelo cabem várias, mas também cabem outras coisas, cabem até masmorras coisas que matam que destroem e talvez seja melhor esquecer as àrvores e ficar mesmo com as gavetas, no máximo as casas pequenas, sem árvores, quem sabe um arbusto e no máximo um canteirinho de flores, é mais seguro assim  não é, e sei que as casas não são tão bonitas quanto os castelos e tem as árvores eu sei, as árvores em que você me ensinaria a subir, mas se pode cair das árvores também por mais bonitas que elas sejam, pode se cair e se machucar e não há como se machucar em uma gaveta, no máximo prender o dedo, mas não se quebra uma perna ou morre, é, talvez você tenha razão uma gaveta, uma gaveta bonita e bem arrumada que a gente pode trancar quando quiser, é isso, uma gaveta veja estou cuidando de uma gaveta, é isso eu estou cuidando de uma gaveta construí uma gaveta e é só isso, uma simples gaveta só que o que eu quero te explicar é isso e é também te dizer, é que na verdade eu queria te dizer que tem essa gaveta e tal mas ela tá dentro do castelo, sabe? um dia talvez eu queira sair da gaveta e olhar o castelo eu acho que é isso, eu queria te dizer que eu tenho medo das casas, e das casas grandes, e dos castelos e das árvores eu tenho muito medo das árvores então o que quer que eu construa eu queria te pedir, não me deixa não me deixa morrer, tá tudo bem se eu cair, se eu me machucar, eu já me machuquei tantas vezes mesmo, mas me deixa longe dessas coisas que matam escondidas debaixo dos tapetes dos castelos, em cima das torres, nos galhos das árvores, me livra disso. Me livra de morrer porque eu sei que sobre essas coisas que matam a gente não tem controle porque elas crescem. Elas crescem até no fundo falso das gavetas, é que até as gavetas tem um fundo falso e quando a gente se deu conta já morreu então não me deixa morrer, nem nessa gaveta, nem uma casa e nem num castelo enorme subindo nas árvores que eu plantei. Mas se for o caso de construir jardins, constrói comigo, planta as flores, rega as árvores, sobe nelas comigo e cuida do jardim, cuida de mim e não deixa morrer. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-5922254969968780339?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/5922254969968780339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=5922254969968780339' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/5922254969968780339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/5922254969968780339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/04/verborragia-metaforica.html' title='Verborragia metafórica'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-1449380250915392193</id><published>2011-04-19T21:30:00.000-07:00</published><updated>2011-09-16T12:11:20.471-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fim do amor verdadeiro e eterno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tchau'/><title type='text'>E depois de sabe-se lá quando tempo.</title><content type='html'>Eu posso dizer, sorrindo: eu não te amo mais. Eu não te amo mais. EU-NÃO-TE-A-MO-MA-IS. Nada, não amo. Não você. Não mais. Não te quero, não te espero e não quero que você morra. Eu só não te amo mais. Não te amo mais. Não te amo mais. Não te amo mais. E Repito como uma canção, um mantra, uma música preferida. Eu não te amo mais. Não.te.amo.mais. E sorrio. O não te amar foi o momento mais feliz da minha vida. Mais feliz ainda do que o te amar. O te amar doia. O não te amar alivia.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não te amo mais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;update: eu estava mentindo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-1449380250915392193?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/1449380250915392193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=1449380250915392193' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1449380250915392193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1449380250915392193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/04/e-depois-de-sabe-se-la-quando-tempo.html' title='E depois de sabe-se lá quando tempo.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-166029893234205230</id><published>2011-04-18T23:16:00.001-07:00</published><updated>2011-04-19T00:10:36.657-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Analise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a insustentável leveza do ser'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vazio'/><title type='text'>Cócega e buraco negro.</title><content type='html'>Às vezes penso em criar histórias bonitas, imensas metáforas que expliquem qualquer coisa que não sinto, qualquer coisa dessas que não vivi, mas não. Chego a uma conclusão lógica: não tendo ninguém em minha vida só sei falar sobre mim. De mim em relação à mim mesma. Como foi desde o princípio, agora e sempre. Assim, meio profético, meio religião, meio cristão e meio culpado. Eu parafraseei por tempos a minha emoção, tentei me contar de variadas formas, inclusive inventando outros personagem. Quis, como qualquer outro ser humano quer, me entender, me observar de longe como se eu fosse na realidade outra. A outra que ama um outro que também não existe e vendo tudo isso de uma certa distância quem sabe entender o que se passou. Mas passou, hoje não quero mais. Também espero muito pouco me entender. Já sei de mim. Sei dos meus vícios, das minhas crises, da minha mania preguiçosa de postergar ações pra àquele amanhã que é muito mais metafórico do que real, aquele amanhã que tem gosto de nunca, de eternidade que não se cumprirá. Sei que sou assim enquanto a vida exige foco e sei que subjetivo tudo aquilo que as pessoas buscam matematizar.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje subjetivo. Também já somei muito. Já fiz de amor contas matemáticas incríveis, onde a compatibilidade somada com a afinidade e a altura certa caminhariam para a perfeição assim, de imediato. Hoje sei que sentimento é muito mais uma indefinição do existir do que um querer consciente. Sentir é um jeito de tapar os buracos que a existência enfia na gente, de forma até meio cruel. Cheia de buracos então, a pessoa busca tapá-los com um outro ser, também cheio de buracos e tudo que se espera é que se tampem os vazios mutuamente e que formem então, os dois juntos, algum tipo de ser completo capaz de suportar o enorme buraco negro que vamos alimentando - e aumentando - a partir do momento em que nascemos. A grande verdade é que por mais que você formule o ser ideal, você nunca sabe quando e como serão realizados os preenchimentos de alma, e às vezes eles acontecem muito desavisados, descompassados e tão fora de hora que você nem se dá conta que só se sente algo perto de um ser pleno porque do seu lado (real ou metaforicamente) existe outro ser, também buraquento, mas que espera ser pleno e que é por causa dele que existe alguma plenitude na sua vida. A grande coisa é que isso acontece várias e repetidas vezes, os buracos são tapados de maneiras diferentes a cada vez e não existe um padrão, nem regras nem um manual de instruções de como agir com tudo. É muito normal nos seres humanos que eles tropecem, descuidem e estraguem as relações das quais participam. É também notável a incrível capacidade desses mesmos seres em forçar a plenitude, projetando a felicidade em alguém que não pode supri-la. Tentativas desenfreadas de tapar buracos por pessoas que não podem tampá-los, coisa que só faz alimentar o tal buraco negro da alma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É que talvez a regra da alma seja ser esse imenso buraco negro. A regra é o vazio, o imenso, o infinito. A exceção é o preenchimento das vontades. A sensação de eternidade palpável, que não incomoda nem dói. Talvez seja isso o amor. Uma certa aceitação da estranheza que traz a eternidade. Um aquietamento. Um sorriso em meio a dor. A aceitação do estado de dor e vulnerabilidade como coisa palpável, e bonita. A plenitude em existir. Talvez seja isso. Talvez o amor seja na verdade o que eu pensei esses dias. O amor é fazer cosquinhas. O amor é como se alguém estivesse fazendo cosquinhas em você. As cócegas te fazem rir, mas ao mesmo tempo te deixam sem ar. Te dão uma sensação de que aquilo nunca vai acabar. É bom e ao mesmo tempo sufoca. Você gosta do que recebe mas ao mesmo tempo não quer mais. Você sorri em meio a uma sensação de aflição. A pessoa que faz as cócegas sente prazer com o seu riso ao mesmo tempo que sente prazer com a sua aflição. Ela possui a outra pessoa nas mãos. Sabe que é a responsável pelo riso e pela aflição. É só ela que pode parar o riso e a aflição. E a pessoa que recebe as cócegas quer que aquilo pare, mas ao mesmo tempo não quer. Pois gosta de rir, e gosta também da aflição. Gosta de ser possuida por outra pessoa. Gosta da vulnerabilidade, do riso e do sufoco. Durante a relação muda quem faz as cócegas e quem recebe. Às vezes é um, às vezes é outro. Mas a plenitude do amor acontece mesmo quando os dois sorriem, o fazedor de cócegas aquieta, beija a outra pessoa e os dois riem e se deitam abraçados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Achei que isso definia, um dia enquanto andava na rua.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A grande verdade é que eu não sei de amor, nem de cócegas faz algum tempo. Não tanto, mas faz. Hoje encontro pequenos "tapa-buracos-existenciais" em cada canto. Um amigo, um affair, um possível-amor, um amor-impossível. A plenitude da vida tem se feito sozinha. Nos livros, nos filmes, nas novas pessoas aqui e ali. Nos momentos como esse. A minha alma continua um imenso buraco negro, e às vezes suga. Desacredito nos meus buracos tapados já faz um tempo. Às vezes me convenço que vou ser um vazio de alma pra sempre. Às vezes acho que terei os buracos tapados e uma aquietação em meio ao sentimento de eternidade. Eu, que não se lidar com sempres, ou com pra-sempres e que enjoo de tudo num mínimo espaço de tempo. É que só sei ser plena enquanto escrevo e escritores parecem se auto-boicotar para conseguir histórias bonitas, narrativas fantásticas e metáforas interessantes. Eu pareço inventar constantemente isso que chamam de sentimento, por vezes me ferindo só pra ver se ainda sei sangrar. E sei. Mas sangro groselha com água, ralinha ralinha e já não tenho talento pro melodrama. Sou esburacada porque gosto de ser assim e no fundo no fundo só quero alguém que alimente esse meu buraco negro com um pouco de poesia e três tantos de verdade. A vida é esse lençol em branco onde eu dei de inventar histórias. Sorrio enquanto sei que eu estou comigo e só. Um dia o amor acontece. Um dia a gente recebe as cócegas certas, deita na cama e aquieta. Daí o buraco negro se desmazela em poeira estrelar. Eu ainda alimento o meu buraco negro com mil frustrações, e sozinha. Nunca pareceu tão confortável, o caos. Não há nenhum equilíbrio como o caos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-166029893234205230?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/166029893234205230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=166029893234205230' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/166029893234205230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/166029893234205230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/04/as-vezes-penso-em-criar-historias.html' title='Cócega e buraco negro.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-4296954329837440957</id><published>2011-04-13T08:09:00.000-07:00</published><updated>2011-04-13T08:11:55.331-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clichê com C maíusculo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amizade'/><title type='text'>Heart shaped-box</title><content type='html'>"Quando o amor acaba todas as coisas as quais foram atribuídas significados viram coisas". Tinha lido essa frase em algum lugar, não sabe mais onde. Talvez em algum livro famoso, talvez numa dessas revistas de mulher - tem lido muitas dessas ultimamente, daquelas que ensinam truques de beleza e dicas para chegar ao orgasmo. Mas pensou na tal frase no momento em que olhou o guarda-roupas aberto e conseguiu lembrar, por um momento breve, a roupa que tinha escolhido pra usar no primeiro encontro com aquele que viria a ser o seu (grande?) amor. É engraçado como em cada época da vida de uma pessoa (do sexo feminino, em sua maioria) existe uma roupa que possui dentro de si a falsa capacidade de conquistar a pessoa amada. A daquela época era uma calça jeans skinny, muito apertada no corpo - mas que tinha ficado larga, emagrecera demais naqueles tempos difíceis -, uma blusa rosa por baixo de um casaco roxo, com botões de plástico, com cara de retro. Ainda tinha no guarda roupa todas aquelas peças. As lembranças já tinham se tornado um tanto rarefeitas. Mas olhando com atenção tinha uma bolsa, um doce, um livro. Algumas várias coisas que podiam fazer uma espécie de inventário daquele amor que um dia tinha sido, e não é mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia se de fato enxergava naqueles presentes apenas "coisas". Conseguia se lembrar do momento exato em que eles tinham sido dados. Tinha uma afeição especial por um sapo de pelúcia que tinha sido comprado de surpresa. Tinha afeições menores, mas não menos importantes, por todos os outros objetos. Os pegava na mão e conseguia lembrar que, naquele momento, tinha sido muito feliz. Às vezes a felicidade também vira coisa. Lembrança longe e que a gente tenta pegar com a mão, e não consegue. Milhares de sorrisos eternizados em um objeto que hoje é enfeite no quarto do lado de outros mil objetos diferentes. Os sorrisos embalsamados. Guardados dentro da bolsa, dentro da lata, embaixo dos cachecóis. Hoje, já não sorria tanto. Não com amores, pelo menos. Tinha uma certa felicidade em estar só. Não era comodismo, era outra coisa. A solidão é mais imensa que o amor, porque o amor se divide. A solidão é só sua. E é tão imensa que às vezes aprisiona. Ela se sentia aprisionada dentro da própria solidão. Os passos mudos, os pensamentos rápidos, as músicas. Tudo muito dela, solitário, íntimo, indivisível. Uma paz. A paz de não depender de ninguém. Não esperar ligações, mensagens, e-mails, congratulações. Não ter que esperar jantares, rosas, beijos inesperados as cinco da tarde. Não ter que preparar a comida preferida, desejar 'boa sorte', 'bom trabalho' nem dizer "te cuida, garoto, o mundo é mal". Fora do amor era menos ciumenta, menos posse, menos cuidado com o outro. Bem mais com ela. Pequenos objetos novos fazendo um inventário novo, o inventário da solidão. Roupas compradas em liquidações na rua, livros, filmes, tickets de passeios solitários no cinema, cartões das cafeterias onde ia dividir cappucinos com creme com ela mesma, e fazer um balanço geral do dia. A solidão não cabe dentro da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu então uma certa inveja daquela pessoa que um dia mereceu presentes, surpresas, declarações, cartas. Um certo rancor de si mesma de ter transformado tanta coisa repleta de significado em pequenos bibelôs espelhados pela casa. Bibelôs empoeirados, esquecidos, etiquetados com datas mentais e que sempre diziam "você já pôde ser feliz". E tinha sido. Mas sempre procurou uma espécie de felicidade completa e nada, nada a preenchia. Nem o emprego (razoavelmente bem sucedido), nem os amigos (vários, sempre presentes), muito menos as novas conquistas (costumava ser apaixonante). Tinha uma preguiça imensa de dividir sua vida com outra pessoa, ensaiar novos ritos, dar significado à novas coisas. Ficava ali, então. Ela, sua solidão amiga, os livros, os discos, as falsas demonstrações de afeto que costumavam vir de tempos em tempos, conforme a necessidade de um novo amor que raramente saia do campo platônico. É que as pessoas costumam ser extremamente desinteressantes quando chegam à luz da realidade. Quase feias. Esse amor ideal não existe, amor acontece no dia-a-dia. Acontece nos passeios de mãos dadas no mercado, quando resolvem trocar o almoço por nuggets. Amor acontece nos domingos à tarde deitados na cama olhando o teto e conversando sobre a vida. Amor acontece quando a gente não está prestando muita atenção, não está fazendo nada de muito grandioso. Nenhuma declaração muito ensaiada, nenhum presente muito caro. Amor é um troço cotidiano, nem tão bonito assim, porque é meio frágil. É mais ou menos como um arco íris, ou uma borboleta. Um dia acaba, ou se tocar muito fundo pode desintegrar. A última coisa que lembra, sobre um desses amores aconteceu na cama do quarto, quando os dois deitados não esboçavam mais emoção, só cansaço. As pernas entrelaçadas, os rostos colados e um eterno cansaço. O cansaço do fim do amor. De quem andou demais, esfolou os pés e de repente não sente mais forças pra continuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as despedidas são bonitas. Os ritos, sempre os ritos. Um último beijo, a misericórdia, um gosto doce. Nenhum desses presentes sabia que um dia torna-se-ia bibelô. Enfeite de mesinha de centro, de cabeceira, empoeirado pelo tempo e pesado de tanta lembrança. Pegou um deles na mão, lembrou do momento. Talvez os significados ainda estivessem ali. O sentimento não. Mesmo que ainda existisse, existiria transmutado. E, além do mais, depois de tanta solidão ancestral nem tinha como tirar a poeira que o tempo deixou nos presentes - e no coração. Sentiu uma espécie de gratidão. Ao mundo, ao amor, ao sentimento, à ele. Queria deixar eternizado em algum lugar que já tinha sido feliz. Colou uma etiqueta embaixo de uma boneca, escreveu a data que se lembrava "por volta de setembro" e completou "alguém me fez feliz com isso". Botou de volta no lugar, limpou a poeira e sorriu. Tinha criado uma espécie de mausoléu para a felicidade. Que hoje jazia enterrada a sete palmos e tomava cada vez mais distância do amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-4296954329837440957?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/4296954329837440957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=4296954329837440957' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4296954329837440957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4296954329837440957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/04/heart-shaped-box.html' title='Heart shaped-box'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-2578224828139818426</id><published>2011-04-08T00:04:00.000-07:00</published><updated>2011-04-08T01:14:17.383-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='e de amores talvez?'/><title type='text'>De novo, aquela palavra.</title><content type='html'>&lt;div&gt;E passam-se três anos desde. E vê-se sentindo da mesma maneira. Só que diferente. Percebe então que não está sentindo-se &lt;i&gt;ainda&lt;/i&gt; da mesma maneira, e sim que se sente &lt;i&gt;de novo&lt;/i&gt; da mesma maneira. Dessa vez sem filme, sem sacada, sem livro. Sem olhos e sem encontro. Coisa que acontece no meio de novos marços, entrando novos abris, que fazem nascer outras coisas. Mas o sentimento é o mesmo. Há três anos atrás não sabia o que isso significava. Hoje sabe que essa coisa arrebatadora e ridícula atende por um nome. Nome que prefere guardar. Melhor não dizer que a palavra quebra. É cheio de quebrar essa tal palavra. É cheio de fazer doer quando se sente. Há três anos atrás não sabia no que ia dar isso tudo. Hoje já deu, já acabou, foi-se. Depois de três anos ainda não sabe o que a coisa nova vai dar. Pode nem começar. Pode não dar em nada, mas não sabe. Desligaria com um simples apertar de botão, se pudesse. Mas sabe que não vai. A tal palavra ainda não dita não é coisa de botão. É coisa de sentir. A gente desliga e ela continua pulsando. A gente tenta ligar e ela não funciona. É que essa tal coisa não aceita estímulo, nem mandinga, nem simpatia.  É que às vezes a vida dá de fazer nascer na gente coisas nos lugares em que a gente não imagina que possa. Nasce um dia, como se nasce uma flor. Vida nascendo no sertão. Improvável como flor nascendo na pedra. Um jardim inteiro brotando numa pedra. Florescendo. Ainda os brotos. Não se sabe se darão flores. Talvez morram antes, onde já se viu flor nascer na pedra? Mas nasceu. O sentimento. Aquela palavra. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-2578224828139818426?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/2578224828139818426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=2578224828139818426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2578224828139818426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2578224828139818426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/04/de-novo-aquela-palavra.html' title='De novo, aquela palavra.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-6030490629014658726</id><published>2011-03-31T01:54:00.000-07:00</published><updated>2011-04-02T04:55:53.036-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clichê com C maíusculo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ausência'/><title type='text'>31/03/2011</title><content type='html'>Achei um bom dia pra desapegar-me. De você. Das lembranças. De nós dois. Achei que por bem devia te deixar junto com os livros que empoeiram na estante. É dificil dizer que de repente eu quero que você não mais volte. Mas prefiro assim. Fica. Você parece ter toda uma vida que já não depende de mim. E eu construindo castelos que dependem das pedras que você ficou de trazer. Não adianta. Não adiantam mais os livros na estante e as memórias que já tem cara e gosto de velhas. Não me lembro nem mais direito como você é. Eu tenho as fotos que você me deixou, um porta-retrato ou outro na estante, um momento ou outro dentro do coração, mas não vai adiantar. Não é como se juntando tudo que eu tenho de você eu fosse te trazer de volta. Eu sei, eu sei. Você foi minha esperança e por muito tempo eu esperei que você fosse minha salvação. Esperei mesmo, sentada, resignada como uma princesa que espera que seu principe venha em um cavalo branco e traga consigo todo o amor que o mundo não permitiu lhe dar. Justo eu, que nunca tive vocação pra contos de fada, cuspia na cara das princesas e queria ser a madrasta da branca de neve, com maçã e tudo. Eu, esperando que o amor de alguém me desse a redenção. Foi bonito, eu sei. Eu choro lembrando de você, vez ou outra. Bob Dylan ainda sente saudades suas quando sussurra que os tempos estão mudando e o meu sofá é grande demais pra mim. Minha casa cheia de ausências, água demais na geladeira. Tudo isso são coisas que você deixou, o tempo coloca poeira em cima, mas às vezes eu limpo e relembro. Eu sinto a sua falta nos dias de chuva, nos dias de sol quando eu tenho preguiça de ir caminhar sozinha. Eu lembro de você no meio de lembranças que eu nem sabia que tinha mais. Mas tudo isso é lindo aqui, na literatura. A vida real é doída. Na vida real eu lacrimejo no meio dessas lembranças todas e não existe beleza nenhuma em deixar um amor encroado. A verdade é uma só: você não vai vir me buscar. Eu posso sapatear, posso colocar uma faixa enorme na frente da sua casa dizendo o quanto eu te amo (eu te amo?) que não vai te trazer de volta. Posso fazer mandinga, oração, simpatia ou te entregar um livro inteirinho cheio de histórias como essa que tudo vai ser igualzinho está. Pode ser que alguma coisa em você ainda balance quando você pensa em mim. Pode até ser que um dia você acorde arrependido e pense que a gente podia ter dado certo no meio daqueles setembros e abris conturbados e quase bonitos. Mas a verdade é que você ama outra. E eu não nasci pra ficar me flagelando. Eu estourei minha cota, meu poder, tudo eu perdi e foi por sua causa. Eu te amo muito, mas agora eu quero amar outra coisa. Eu sei, eu já te disse isso tantas vezes, quantas vezes eu disse? Mas hoje eu quero me desapegar de você de vez. Vai embora. Pode ir. De vez. Da minha casa, do meu coração, da minha vida. Vai amar, vai te descobrir, vai viajar, vai te enxergar nos olhos de outra, de outras, de mil que sejam as suas próximas. Que eu quero mil próximos, quero amar outras criaturas, quero chorar no banheiro, quero sorrir na sacada, quero rolar na cama nas quartas feiras depois da novela. Quero descobrir outros olhos, quero sofrer de doer na carne de novo por qualquer pessoa, qualquer errante, qualquer maltrapilho que esteja disposto a roubar meu coração e depois atirar longe. Porque eu, que nunca pude ser só sua, cansei de sofrer só por você. E eu, que aprendi a sofrer pelos outros com você, quero voltar a sofrer só por mim. Que na verdade, amor, é o que eu sei fazer. É só o que eu aprendi a fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-6030490629014658726?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/6030490629014658726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=6030490629014658726' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6030490629014658726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6030490629014658726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/03/31032011.html' title='31/03/2011'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-4079276138797985914</id><published>2011-03-28T21:16:00.001-07:00</published><updated>2011-03-28T21:40:48.375-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não come não que é ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Espaço'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vazio'/><title type='text'>O astronauta.</title><content type='html'>O astronauta sai da terra. O ar rarefeito, as roupas pesadas, o medo do desconhecido. Uma pequena cápsula perdida no ar. A terra, vista de longe parece simples. Estar flutuando em meio ao espaço é uma sensação única. Ilógica. Reconfortante. Você só pode voar se estiver fora de órbita. O último conceito parece se aplicar à tudo. "Você só pode voar se estiver fora de órbita". Faz sentido. A pequena nave se distancia cada vez mais daquilo que conhecia como casa. "Planeta terra". Não parece tão assustador visto de longe. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Visto daqui um terremoto pareceria uma simples movimentação de terra. A terra dançando. A dança da destruição. Visto daqui talvez nem existissem terremotos. A terra parece um prédio de apartamentos com a janela fechada. Visto de longe. Não se sabe se as pessoas lá dentro sorriem ou brigam. Ou se simplesmente assistem televisão. A cada momento o astronauta se sente mais um pedaço de gente jogado no meio do espaço. Dentro de uma cápsula, indo pra sabe-se lá onde. A sensação não incomoda porque é familiar. Não é tão diferente de estar vivo, no fim das contas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estar longe de tudo é o mais perto da felicidade que conseguiu encontrar. Enxergar a si mesmo é como ter um planeta inteiro dentro de si. Visto de perto. Com guerras e terremotos. Se sente mais vivo fora da terra do que dentro dela. Fora do mundo e dentro de si mesmo. Faz sentido já que não sabe a quanto tempo está voando. Não tem certeza se vai voltar. Não se incomoda. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não há nenhum humano capaz de entender o que se passa com ele num raio de milhares de quilômetros. Não é muito diferente da vida real. Está flutuando. Se sente livre. Nenhum contato com as pessoas reais, nenhum medo. Apenas uma cápsula jogada no espaço. Que respira um ar rarefeito e flutua. O sentimento é familiar. Não sabe a quantos dias está longe. O tempo é um conceito relativo. O tempo não existe no espaço. O tempo não existe. Estar vivo é só uma questão de referencial. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-4079276138797985914?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/4079276138797985914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=4079276138797985914' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4079276138797985914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/4079276138797985914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/03/o-astronauta-sai-da-terra.html' title='O astronauta.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-2434167033476051891</id><published>2011-03-27T19:05:00.000-07:00</published><updated>2011-03-27T19:22:53.594-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rotina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='não come não que é realidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a insustentável leveza do ser'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vazio'/><title type='text'>a lua inteira agora é um manto negro.</title><content type='html'>Aquela parte da sua vida em que você chega à conclusão que ou você muda, ou sofrerá algum tipo de consequência grave. Consequências graves deve ser entendidas como cortes profundos na alma, ou ferimentos doloridos naquilo que chamam de essência. Um dia você acorda, seis da manhã, olha pela janela e percebe que os padrões que te tornaram quem você é foram readequados. Ninguém te avisou, as mudanças não foram bruscas, ninguém te tirou o chão debaixo dos pés de uma vez só. Foi aos poucos, sua vida estava construída em cima de um chão laminado de madeira e foram tirando um piso por vez. Quando você se deu conta estava flutuando numa queda sem fim. Não tinha mais chão, nem terra firme, nem lugar pra construir sua vida. Tudo perdido flutuando em um ambiente de gravidade zero. Nenhum referencial, nenhum parâmetro, nada mais em que se apoiar. Acabaram os modelos, os moldes, não se enxerga mais as pessoas. Você está só. E se apercebe que a grande verdade é que você sempre esteve só. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Reencontrou-se. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-2434167033476051891?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/2434167033476051891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=2434167033476051891' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2434167033476051891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2434167033476051891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/03/aquela-parte-da-sua-vida-em-que-voce.html' title='a lua inteira agora é um manto negro.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-922280903139564267</id><published>2011-03-23T22:23:00.000-07:00</published><updated>2011-03-23T22:53:56.379-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não come não que é ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Maria'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vazio'/><title type='text'>como consertar maria?</title><content type='html'>Maria, que não é nem gorda nem magra; nem baixa nem alta; nem bonita nem feia. Maria que não é burra nem inteligente, nem quieta nem agitada, nem normal demais e nem estranha. Maria que vive em São Paulo cinza, num apartamento fechado de paredes verdes descascadas e fuma cigarros baratos despejando as cinzas em um pires. Maria que ouve as bandas da moda, compra suas roupas em brechós e diz ter feito seu próprio estilo e ter subvertido o mundo à sua própria vida. Maria que não gosta de rótulos, exibe contente seu marlboro vermelho ou seu lucky strike mentolado, em suas calças que já foram forum, com uma blusinha vintage de sua vó e seus converse all star do ano de 2007. Rasgadinhos na sola. Maria que tentou ser famosa, tentou ser simpática, tentou ser popular e só conseguiu ser estranha. Então resolveu que tinha que comer de estranhezas, em seus coturnos mal colocados nos vestidos floridos rasgados do fundo de armário, de quando tentou ir em uma festa legal e só se achou inapropriada. Maria foi achar sua turma, foi achar seu lugar, leu muito john fante, arrotou muito bukowiski nos bares bonitos da augusta, bebeu muita cerveja no meio fio. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Maria que já usou os ultimos trocados do seu empreguinho chinfrim pra comprar um café no starbucks que estragou seu all-star vermelho, ano de 2009. Maria que já quis ser aceita, hoje quer ser estranha pra poder ser querida em seu grupo de estranhos. Maria no meio de suas maquiagens carregadas, seu perfume-imitação, seus looks de internet. Ela que já tentou ser autêntica hoje copia a si mesma todos os dias no espelho antes de sair pro trabalho. Antes de sair pro trabalho se troca. A calça jeans, o all star velho, as camisetas poídas. Pega dois ônibus e um metrô. Entra. Não é bem sucedida. Não fez faculdade. Trabalha numa loja de discos usados em troca de dois salários mínimos que compram suas roupas e seus fins de semana. Os trocados que compram as suas companhias. Maria que antes gostava de pink floyd saiu da loja com uma versão rara em vinil de uma banda indie que ela não sabe pronunciar o nome. Também não sabe pronunciar o som. Não escuta bem os solos de guitarra, não entende o porquê da flauta e já não sabe mais ler a sua alma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; Maria que nasceu feiosa, que nunca foi querida pelos meninos da escola se envergonhava de suas botas ortopédicas. Depois dos seus óculos. Depois do seu aparelho. Hoje usa botinhas pretinhas e óculos enormes. Maria nunca leu um clássico da literatura e erra concepções básicas de português, mas citou saramago num sarau. Nunca entendeu a ausência das vírgulas e nunca soube falar de ausência. Tom zé grita num rádio longe da sua cama que amanhã de manhã a felicidade vai desabar sobre os homens. Maria não acredita no que ouve. Mas sorri. Maria se olha no espelho, se coloca lápis preto, batom vermelho, rimel, blush. Meia calça arrastão, shorts, sapato de salto. Sai com cara de desarrumada depois de uma minuciosa produção. Compra uma cerveja no posto, senta no meio fio, conversa com dois caras, acende um marlboro velmelho. Traga. Coloca fumaça pra dentro, pra fora. Observa São Paulo. Só queria ser querida. Tem uma amiga mais bonita que ela. Tem mais três meninas mais interessantes. Maria sabe de suas limitações e por isso tenta ser agradável. Consegue a empatia de uns meninos nem gordos nem magros, nem bonitos nem feios, nem inteligentes nem burros demais. Sai de mãos dadas, ensaia um conto de fadas. Esquece. A vida é muito curta para que fantasiemos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; Maria volta pra casa, os pés doidos dos saltos, se olha no espelho e já não sabe quem é. Já nem sabe se um dia se chamou maria ou se atendia por outro nome. Todo passado é distante. Ela é distante dela mesma. A noite passada maria brilhou cinco ou dez minutos enquanto dançou bêbada no meio da pista. Maria, rainha de qualquer coisa por um dia. Nem se lembrava direito mais, mas ensaiou os passos na frente do espelho. Quase tropeçou. Nao reconhecia a figura disforme que tentava dançar na sua frente. Perguntou "quem é você?", mas não obteve resposta. Só um eco. Um vazio. Sabe-se lá. Maria deitou na cama com sua maquiagem borrada, e suas meias arrastão. Trabalhava no outro dia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Maria nem gorda nem magra, nem bonita nem feia, nem burra nem muito inteligente veste sua calça, seus all-star vermelhos 2008, sua blusinha sem marca, pega dois ônibus e depois se perde na fila do metrô. Olha pros lados e de repente se acha perdida no meio de tanta gente. Olha pro chão e vê pelo menos uns cinco tênis iguais aos dela. Olha pro lado e reconhece alguns cortes de cabelo idênticos. Quase todos vestem calça jeans. Metade delas estão com blusinhas sem marca. Todos estão indo trabalhar. Ninguém que olhasse de longe os reconheceria como um ser humano isolado. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Maria é só mais uma na multidão. E sabe disso. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-922280903139564267?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/922280903139564267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=922280903139564267' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/922280903139564267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/922280903139564267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/03/como-consertar-maria.html' title='como consertar maria?'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-6544862403408009905</id><published>2011-03-15T22:30:00.002-07:00</published><updated>2011-03-15T22:36:29.667-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livro'/><title type='text'>Prefácio</title><content type='html'>Eu nem gosto de ficar assim, contando os projetos pra todo mundo porque existe em mim um medo terrível de ao contar uma idéia, ela se perder. Mas pela primeira vez em 22 anos tive uma idéia pra um livro e ela parece razoável. Tem muito trabalho pela frente, mas meu livro tem um prefácio. Um prefácio do meu próprio livro escrito pela minha personagem. Minha personagem se chama Camila e nasceu de seu próprio encantamento com o universo de John Fante. Mais precisamente, de Arturo Bandini. a Camila do pergunte ao pó é a musa de Arturo Banini, mas a minha Camila não quer ser a musa de ninguém. A minha Camila quer ser Arturo Bandini. E é aí que a nossa história começa. Torçam por mim. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Prefácio.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Às vezes é tudo sobre o modo como o mundo te encara, ou a maneira que você encara o mundo. O mundo me encara de forma que, cospe na minha cara que sim, o sangue deles corre nas minhas veias. A gente pode fugir de muita coisa nessa vida, mas a hereditariedade é um carma. Você pode olhar para eles com nojo de seus pratos cheios de comida, suas barrigas pra fora da calça e suas injustiças, mas não há como negar que gotas do sangue deles correm em suas veias. Pedaços de genes, características dominantes, recessivas. Milhares de contas genéticas formando aquilo que sou. Eu tento fugir deles, mas eles estão dentro de mim. É estranho fazer parte de um sangue no qual você não se reconhece. Foi isso que eu descobri naquela tarde em que tudo ao meu redor parecia muito distante de mim. Um enorme sentimento de desperecimento frente à sua própria família. Tem sangue deles correndo nas minhas veias. Qualquer exame de DNA seria capaz de detectar nossos genes em comum, mas o que me tornou gente não foi a mesma matéria que os tornou gente. É tudo muito distante de mim, é um abismo. E talvez tudo isso tivesse doído um pouco mais fundo se não fosse recorrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz parte do clichê de quase toda pessoa que um dia acaba por ter a pretensão de se tornar artista esse desperecimento. Histórias tristes de como o mundo não deu de volta tudo aquilo que a pessoa esperava e como ela não e adequa à tudo aquilo, então resolve botar pra fora toda a sua incompreensão em forma de arte. Arte é o jeito que as pessoas encontraram para as suas loucuras fazerem sentido em algum lugar fora de suas próprias cabeças. Talvez muitos artistas não existissem se tivessem entrado em contado com freud, jung, ou lacan e curado suas angústias interiores. Não sei se acredito em psicanálise. Não sei se acredito em artistas. É claro que acredito em arte. Mas eu quero dizer artista com esse quê de dom. Pessoas que nasceram com a incumbência dada por deus, ou seja lá que entidade, de embelezarem o mundo. A arte como karma. Pra mim a arte só existe porque alguma coisa dentro da gente sempre precisa se mostrar. Pelo menos foi assim comigo. Se eu não conseguia me mostrar pro mundo, tinha que encontrar um jeito do mundo me ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não se enganem. Eu não sou uma artista. Eu apenas escrevo. E escrevo porque preciso ter voz. Desde pequena. Nunca fui bonita e nunca me destaquei muito. Eu sei, isso é outro clichê. Mas é que qualquer ser humano que se preze quer ser aceito. Quer ser notado. E eu só era notada porque era mais alta que o resto das minhas coleguinhas. No mais, era tímida, desajeitada e nunca tive traquejo social. Mas a imaginação sempre foi ótima. Era um jeito de deixar a realidade mais bonita. Recriar a realidade do jeito que ela deveria ser. Criar mundos paralelos, outros universos. Uma civilização inteira vivendo dentro da minha cabeça. Guerras, holocausto, grandes amores.  A vida é muito mais simples na literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acontece é que criar mundos não faz de você uma escritora. Existem muitas histórias dentro da cabeça de um ser humano normal, prontas para serem escritas. A grande questão é como você vai colocar essas histórias pro mundo. Eu quero dizer, nem tudo que acontece na sua cabeça é atraente e mesmo que seja, nem sempre existe um jeito apropriado de se colocar isso em palavras. Todas as minhas tentativas me pareceram extremamente inapropriadas. Todas, sem nenhuma exceção. Um monte de merda tentando virar poesia, talvez vocês não entendam. Eu quero dizer, tudo é bem mais bonito antes de ser passado pro papel. Depois vira lixo. Talvez devesse existir um método. Uma quantidade certa de parágrafos, as vírgulas, o clímax perfeito. Um manual perfeito capaz de transformar qualquer pessoa em escritor, qualquer idéia boa num grande livro. Mas não existe. Além do que, todos esses anos me ensinaram que escrever é uma tarefa solitária. Escrever é uma tarefa solitária que se faz em lenços reutilizados de papel de festas em que as pessoas parecem se divertir. Escrever é meu túnel iluminado antes da morte, é o único jeito que eu encontrei de perceber que estou sozinha, e em contato com tudo que mora dentro da minha cabeça. E gosto. O silêncio que se faz fora de mim traz paz, mas as palavras de dentro são um turbilhão que sossega a alma. Parágrafos, vírgulas, sintaxe, sentimento. Escrever é o jeito que eu encontrei de me isolar do mundo e ter voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a minha voz é rouca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi aí que eu conheci o john fanfe. Não o John fanfe em si. O Jonh Fante morreu cego, faz um tempo já. Ele ainda ditou um último livro pra  sua mulher e isso é uma bela história de amor. Mas o livro. Pergunte ao pó é um livro que conta a história desse cara que quer ser escritor, e o nome dele é arturo bandini. E ele precisa ter experiências intensas para que consiga escrever, porque ninguém escreve a partir do nada. Talvez Arturo Bandini fosse o próprio fante com um alter-ego. Sabem, a clássica história do jovem que quer se tornar escritor. A minha história. Pergunte ao pó é meu livro de cabeceira há pelo menos dois anos. Eu comecei quando eu tinha dezesseis anos, e hoje eu tenho dezoito. O arturo Bandini tinha vinte. O Arturo Bandini sabia que ele tinha que viver pra poder se tornar escritor. Eu fui viver pra escrever meu próprio livro. E essa é a história que vocês vão conhecer agora. Esse é apenas o prefácio. Eu escrevo o prefácio do meu próprio livro porque acho que ninguém mais o fará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque o Bukowiski morreu antes de me conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo caso essa história é sobre mim e não há ninguém melhor para falar de uma história sobre mim do que eu mesma.&lt;br /&gt;Prazer, eu sou a Camila e nossa jornada está apenas começando.&lt;br /&gt;A minha, como escritora. E a sua, como leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque escrevi um prefácio antes mesmo de escrever um livro. Porque só sei ser assim, do avesso. De trás-pra-frente. Porque precisei conhecer Arturo Bandini pra me conhecer escritora. Porque precisei conhecer escritora pra me enxergar Camila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A historia, caro leitor, descobriremos juntos.&lt;br /&gt;Naquilo que vem depois do prefácio e chamam de livro, mas nem vocês e nem eu sabemos exatamente do que se trata. A vida é uma descoberta maravilhosa a cada capítulo que eu preferi renomear de literatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-6544862403408009905?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/6544862403408009905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=6544862403408009905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6544862403408009905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6544862403408009905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/03/prefacio.html' title='Prefácio'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-6441438634847094026</id><published>2011-03-10T15:30:00.000-08:00</published><updated>2011-03-10T19:32:10.438-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='apenas um grande desabafo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='não come não que é realidade'/><title type='text'>Capítulo 1</title><content type='html'>(you've never seen me that way)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sair do personagem é coisa difícil para uma escritora. Depois que isso entra no seus genes, não parece haver outro jeito de existir. É mais fácil moldar a vida pra virar história, do que deixar de escrever histórias para caber dentro da vida. É assim, tem sido assim, não há como mudar isso. Meus arquivos dizem que faz três semanas que não escrevo. A escritora dentro de mim fugiu. Diz arturo bandini que a gente deve ter todas as experiências do mundo para poder escrever sobre elas. Um escritor não pode falar sobre algo que não viveu. Um escritor talvez possa. Eu não vivi tudo aquilo que escrevi. Eu escrevo o que eu queria ser. Hoje, eu vou escrever sobre aquilo que eu sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém, não importa quem, não importa aonde (pois para as histórias, ficcionais ou não, não importam as circustâncias) se achou no direito de dizer que a pessoa que vos escreve costuma ter certos desvios de caráter. Resumo para bom português: que essa que vos fala se orgulha em não ser uma boa pessoa. Algumas coisas me machucam, algumas coisas me magoam e algumas coisas me fazem pensar. Essa me fez pensar, porque a pessoa em questão não me conhece. Se um dia minha mãe chegasse e me dissesse: "filha, você não é uma boa pessoa", eu desabaria. Certas pessoas não me atingem porque não me conhecem. Eu só decidi me escrever porque em alumas esquinas da minha vida eu já recebi definições como: escrota, rancorosa, não ama ninguém, não se apega, filha-da-puta, insensível. As pessoas que me apontaram isso na cara, nunca me viram chorar. Talvez uma coisa não justifique a outra, mas o que eu quero dizer é que é muito fácil pegar partes da vida de uma pessoa e fazer um julgamento. É como julgar o que eu sou pelo meu quarto. É como dizer que eu não sei organizar a minha vida porque eu nunca soube oraniganizar meus livros em ordem alfabética. É como achar que sabe o que eu sou, lendo o que eu escrevo. É como achar que eu sou o que eu nunca te contei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde peqjuena, e eu quero dizer, muito jovem mesmo, eu lidei com rejeições. A pior delas foi quando um dia eu contei um segredo para uma amiga minha e ela se achou no direito de contar isso pra todo mundo que ela conhecia. Eu chorei. Eu passei alguns recreios sozinha. Eu tive que depender da pena das pessoas, por assim dizer. Ninguém se sente confortável com uma menina que chora na sala. Ninguém se sente confortável com alguém que passa os recreios na biblioteca, e então resolve sentir pena. Não confio nas pessoas. É uma predisposição. Não confio antes de conhecer e posso aprender a confiar depois, mas isso não é uma regra. Eu aprendi a escrever, porque o papel não contava minhas histórias pra ninguém. Eu aprendi a escrever porque não tinha mais pra quem me contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas sabem o que eu acho dos meus amigos. É disso que eu falo. Das roupas que eles usam e das besteiras que eles aprontam comigo. Porque eu pretendo manter as pessoas longe quando eu acho que elas vão me magoar. É claro que nesses vinte e dois anos, alumas pessoas conseguiram romper essas barreiras. Algumas se foram (eu costumo ser intolerante com falta de atenção) e algumas ficaram. Duas amigas e dois amigos. Um ex namorado. As únicas pessoas que um dia me conheceram por inteiro e que se um dia quisessem falar: " Larissa, você é uma bosta de ser humano" iam me fazer chorar. As meninas que arrumam tempo em suas agendas pra comer bolo no pátio de tarde, e que arrumam brechas em suas agendas no café da manhã. Um dia eu disse pra carol que eu gostava dela porque ela não me julgava. Eu disse a mesma coisa pra amanda. Porque caráter não se mede pelo fato de você ser uma pessoa frágil e sentir pena das pessoas, vocês me entendem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou uma pessoa humana. Eu tenho raivas, rancores, eu guardo mágoas. Eu guardo muitas mágoas. Eu me machuquei a vida toda. Eu tive uma vó doente, eu perdi um vô, meu pai tem depressão. Eu tenho crises terríveis de ansiedade. Eu sou hipocondríaca. Eu sou inrolerante com certos tipos de comportamento. Eu sou inconsequente com a minha vida amorosa, mas pera aí, eu nunca machuquei ninguém. Eu costumo ser sincera. Todo mundo sabe a bagunça que eu sou, e se resolvem me aceitar assim, eu só tenho que agradecer. Eu errei, milhares de vezes. Erraram comigo outro tanto de vezes. Eu já pedi desculpas, e eu já perdoei. Eu sou dura com certas pessoas porque eu tenho medo que elas sejam infelizes. Eu tenho medo das pessoas que eu amo serem infelizes. Assim como eu tenho medo de ser infeliz. Mas eu tenho mais medo por elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu abdiquei de amizades. Eu abdiquei de amores e deixei que eles fossem porque de alguma forma eles se sentem mais felizes sem mim. Vocês não sabem quantas vezes eu chorei no meu quarto sozinha pra deixar que a outra pessoa fosse feliz. Eu já abdiquei pela minha felicidade por outra(s) pessoa(s). Eu exerço pelo meus amigos um certo tipo de controle. Tipo mãe. Você não deve fazer isso. Você não pode fazer aquilo. ás vezes eu vejo todos eles se enfiando em caminhos tão tortuosos que eu sinto raiva. Raiva deles. Porque eles vão ser infelizes e eu não posso fazer nada. Nada. Porque eu não posso fazer as escolhas por eles. Eu não posso acabar com os namoros, eu não posso colocar eles nas faculdades certas, eu não posso dar empregos melhores, eu não posso fazer com que eles virem os cineastas, os músicos, as mães e os pais que eles querem. Não posso pegar eles pela mão e enfiá-los no caminho que eu acho que vai estar certo. Eu aconselho. Eu grito. E quando eles continuam pelos caminhos erôneos eu sinto raiva. Eu sei o que é ser infeliz. Ninguém mais precisa saber como é. Vai doer, vai sim, vai doer. E eu não quero que eles doam. Mas não ter mertiolate que eu possa dar pra evitar que eles sofram então se eu vejo que eles estão prestes a tropeçar eu só sinto raiva. Raiva deles, porque vão sofrer. Raiva de mim, que não posso fazer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas vão pelos caminhos que elas escolhem. E às vezes elas não enxergam, no meio de seus caminhos aquilo que você quer dizer. Eu? Eu só quero que as pessoas a minha volta sejam felizes. Porra. Vai ter coragem de ser feliz e se mexe atrás da sua felicidade. Eu tenho vontade de dizer: isso não é felicidade. Mas elas acham que é. E eu vou estar errada se disser que eu não acho. Então eu me calo. E sinto raiva. Mas de qualquer modo eu prometo dentro de mim estar ali pra segurar quando eles caírem. Eu sempre estou, não estou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que precisa ser explicado é que eu não sou sentimental. Eu não sinto dó de cachorrinhos que passam na rua, mas eu sinto dó de gente. Eu não choro em filme de amor, eu tenho opiniões firmissímas. E eu brigo por tudo aquilo que eu acredito. Eu quero ser feliz, porra. Todo mundo quer ser feliz. Eu nunca passei em cima de ninguém pra ser feliz, eu nunca roubei namorados, eu respeito tudo que eu posso o máximo que eu posso. Só não aprendi a ser moralista. Mas moral é um conceito pessoal. Ética é uma coisa geral. É isso que as pessoas não entendem. Dentro da minha moral, se perdoa traições, se divide sentimento de pura atração carnal, se fala daquilo que não gosta sem pudores. Mas sempre fui uma pessoa ética. Eu não sabotaria ninguém por uma vaga de emprego, eu não trairia meu namorado, eu não seria desleal com meus amigos. E eu não sou desleal. Quando eu falo deles, é simplesmente porque eu tenho raiva do caminho frente a infelicidade que eles às vezes tomam. E tenho mesmo. Daí entra a ética. Você não diz pra uma pessoa que ama o namorado que acha que o namorado dela vai fazer ela infeliz. Você não diz a pessoa que se acha talentosa que talvez ela não seja tão-maravilhosa assim. Algumas coisas não se pode dizer sem magoar. Algumas coisas tem de ficar implícitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não gosto das pessoas boazinhas, e nem das pessoas malvadas. Eu acho que uma pessoa é boa a partir do momento que ela não falta com respeito com ninguém. Pra isso você não tem que ser polyana. Pra isso você não tem que ser uma pessoa frágil. A vida exigiu de mim ser forte desde cedo. A vida me botou de frente com gente sem caráter antes dos doze anos de idade. Eu aprendi a não me machucar tanto, não ser feita de boba tanto. Mas eu aprendi a perdoar. Porque as pessoas só são legais porque são diferentes. E a gente tem que aprender a respeitar. Talvez a gente não concorde com tudo. Talvez não seja possível amar todas as pessoas. Mas é sempre preciso respeitar. A escritora, e o ser humano que habita em mim aprendeu que antes de dizer que uma pessoa é boa ou não, há de se conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é difícil dizer isso, mas quase ninguém me conhece. Ás vezes porque eu não quero, às vezes porque eu não deixo, e na maioria das vezes porque elas me julgam por aquilo que elas querem enxergar e não pelo que eu sou de verdade. E o que eu sou de verdade, é, muitas vezes diferente de você. E isso não me faz nem melhor, e nem pior. E isso não te faz nem melhor e nem pior que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me orgulho muito do que eu sou. Eu me orgulho muito do que os meus pais me ensinaram a ser. Eu tenho orgulho dos amigos que eu escolhi ter perto de mim. Eu amo as minhas meninas, e os meus meninos. ás vezes você conhece uma pessoa por anos e percebe que não a conhece. às vezes você conhece uma pessoa por duas horas e ela te leva metade da vida. Questão de afinidade, questão de confiança e acima de tudo, questão de tolerância. O jeito mais bonito de amar é amar por tudo aquilo que uma pessoa é, mas acima de tudo amá-la apesar das coisas que você não concorda. Amar o igual é muito fácil, difícil é amar aquilo que incomoda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu tenha um grande ego. Talvez eu tenha muitos defeitos. Talvez eu tenha muita confiança naquilo que eu sou. Eu sou humana, eu erro, eu tropeço milhares de vezes, mas eu tento ser tudo aquilo que eu quis. E o que eu quero é meia duzia de amigos, uma casa simples, um emprego bom e a minha família. Eu sou crítica, eu sou chata, eu sou ranzinza. Eu sei que eu sou difícil às vezes, mas eu tento. Eu só queria dizer que ninguém tem o direito de dizer que eu sou filha da puta e que eu me orgulho disso. Porque eu me conheço. Eu sei o que eu sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês nunca estiveram tão errados sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser humano dentro de mim saiu pra fora e quis dizer isso. Não é literatura, sou eu. Pela primeira vez. Mas agora me deem licença que eu só sou confortável na internet dentro de um personagem. Só sei me literaturar ficcionando. A quem sabe o que eu sou, e me ama por isso, amor eterno. Ao resto, me desculpem, vocês não me conhecem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-6441438634847094026?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/6441438634847094026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=6441438634847094026' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6441438634847094026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/6441438634847094026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/03/capitulo-1.html' title='Capítulo 1'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-7091499450567822181</id><published>2011-02-15T21:07:00.000-08:00</published><updated>2011-02-15T21:08:28.787-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ausência'/><title type='text'>It takes me back to the start.</title><content type='html'>Visto meu vestido novo e vou para a poltrona fazer-me de grande escritora. Pergunto-me se um dia, haverá um dia, em que eu passe o dia inteiro sem levar um pensamento que fosse à você. Você nunca nem morou aqui mas deixou comigo o peso de todas as lembranças do mundo. Lembro desse dia, daquele, daquele outro e não sei ficcionar mais nada. Às vezes te enxergo na ponta do colchão, na outra na ponta do sofá, mas tudo que eu consigo é ouvir a minha própria respiração. Constato: estou sozinha. E botar ar pra dentro - ou sendo mais específica- viver, tem sido uma tarefa dura. Claro que nem tanto e só por você, mas também por você. Essas conjunções "não só, mas também" eu uso o tempo-todo, desde que te conheci. É porque desde não consigo pensar outra vida que não só, mas também com você. Às vezes me pego fazendo enormes listas de tudo aquilo que não teria sido caso não tivesse te conhecido: os filmes que não teria visto, os lugares que não teria ido e até as palavras que não teria colocado no meu vocabulário. Hoje mesmo usei uma delas, não propositadamente, é que dou de me referir a mim como você costumava me chamar. Tem isso também, de eu ter virado não só, mas também, um de seus adjetivos. Mas me olho sem tudo aquilo que você me deu e não consigo me enxergar nada que não seja uma figura desforme. Explico: acho que me atrelei a você de maneiras que, se tentasse agora tentar descobrir o que é meu, o que é seu, e o que é nosso, acabaria por puxar milhares de pedaços errados e criar feridas. Você entende? Às vezes eu acho que não, mas sabe, grande coisa também. Eu cansei de te explicar as coisas. Cansei de olhar pra você de jeitos inexatos implorando que de, algum jeito, você enxergasse tudo que estava passando dentro da minha cabeça - e do coração. Eu sei tanto sobre você que chega a doer, e sei cada dia menos de mim. Mas onde levam esses desabafos? Você sabe, a gente trilha uma estrada, segura na mão um do outro e promete nunca mais se largar. Mas um dia larga, eventualmente. Você se esquece que um dia nomeou estrelas com meu nome, e eu finjo que não sei mais o nome da sua música preferida. E talvez não saiba mesmo. Talvez não exista mais nada de você além de uma camisa listrada e o mesmo perfume. Eu só vivo a te buscar porque preciso. Não assim, presente. Mas lembranças de que um dia fui capaz de amar alguém. Outra coisa que não meu próprio ego. Às vezes eu me arrependo de ter tido sempre esse orgulho tremendo, de nunca ter segurado seus joelhos e te pedido pra não ir, tal qual as músicas do chico buarque, mas sabe? Tem dias que eu olho pra tudo e lembro que um dia a gente sonhou em ser astronauta só porque você disse que na lua ia ser mais fácil de dançar sem me pisar nos pés. Mas você me pisou no coração. Nem tocava a nossa música preferida, e você dançou no único dia que eu não te tirei pra dançar. Meu coração, perdido saiu rolando e você pisou desavisado. A grande verdade é que: eu também não esperaria por mim tanto tempo. Eu também devo ter pisado e destroçado seu coração desavisada algumas várias vezes. E você continuou andando. Você continua, a passos tortos, até hoje. Talvez tenha estrelas com o nome dela no teu céu. E talvez vocês já estejam dançando na lua, e você já tenha aprendido a não pisar nos pés das mocinhas enquanto dança. Eu imagino que você esteja aprendendo a andar, e a viver. Eu só estou sozinha. Mas você me disse um dia dessa minha capacidade de estar sozinha, de não gostar de nomear estrelas e de reclamar da mão suando quando me apertavam muito forte. A solidão é confortável, eu te dizia. Depois saia correndo com os braços abertos te deixando pra trás. Eu ainda gosto da sensação de ouvir meus próprios passos e escolher meus rumos. Você vivia caindo, e eu tinha que arrumar um jeito de te ensinar a andar. Um jeito de não te fazer tropeçar mais, um jeito de você deixar de pisar no meu pé. Meu mundo dividido em pedaços de mundo que eram seus. Tomando meu espaço. E a solidão é esse bicho que te toma. Te cativa. Se pertencer é bom, se bastar é melhor ainda. Daí você me tirou dela. Me ensinou a ser sua. Meus pés doeram no começo e depois aprenderam a andar de novo. Hoje meu mundo é tão imenso que eu me perco. O mundo parece enorme quando você não tem com quem dividir. Infinito. Eterno. Dói e confunde. E eu me sinto pequena na imensidão. A grande verdade é que eu fico esperando que você volte a ocupar o seu lugar no sofá pra ver se o meu mundo volta a ter um tamanho confortável. Nem grande demais, nem pequeno demais. Com um céu nem azul demais, nem cinza demais onde quando anoitecer, apareça uma estrela com o meu nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-7091499450567822181?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/7091499450567822181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=7091499450567822181' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/7091499450567822181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/7091499450567822181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/02/it-takes-me-back-to-start.html' title='It takes me back to the start.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-1111445547687676562</id><published>2011-02-06T15:58:00.000-08:00</published><updated>2011-02-06T16:06:01.997-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Morte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ausência'/><title type='text'>"O inventário do irremediável"</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Pour away the ocean and sweep up the woods;&lt;br /&gt;For nothing now can ever come to any good."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Quatro casamentos e um funeral - Funeral Blues)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho injusto ter que lidar com morte. Não gosto. Não que eu ache que alguém no mundo goste. Meu texto vai ser fraco. Eu estou falando de coisas reais aqui. Eu, primeira pessoa do singular, acho injusto ter que lidar com morte. Lidei com isso poucas vezes na vida, é verdade. A morte do meu vô, aos nove anos, não me abalou muito. Minha mãe me contou sobre a morte dele - que tinha entrado em coma no dia da minha apresentação de dança e a madonna cantava frozen, terrível - e alguma coisa em mim dizia que eu tinha que chorar. Então deitei no colo dela, e não derramei uma lágrima sequer. A gente só sente a morte daquelas pessoas que vivem dentro da gente. Porque alguma parte da gente morre junto. E meu vô morava em algum bar da esquina onde ele jogava snooker. Mas não dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns anos depois, foi a minha vó. Isso doeu. Vó Maria vivia dentro de mim desde os meus primeiros anos de idade. E entrou em depressão quando eu fiz sete, ou oito. Ela também não sabia lidar com morte e desistiu de viver assim que o neto dela morreu. Achou injusto que Deus levasse primeiro um homem alto de trinta e poucos anos, e deixasse ela - setenta e tantos, e deprimidissima, e doente. E resolveu que não queria mais viver, e não viveu. Mas antes disso ela teve tempo de me ensinar a fazer bifes com muito alho, e a comer paçocas. E me viciou em café. Eu conto essas histórias repetidas vezes. Conto que minha vó tinha um quadro azul com uma pomba branca desenhada, e uma caixinha de música com uma foto dela dentro. Conto que eu costumava checar quais as tele-senas que podiam ser trocadas para que meu vô levasse na lotérica. Conto que ela me pedia pra rezar o pai nosso, e que costumava cantar tonico e tinoco quando podia ("moreninha linda do meu bem querer é triste a saudade longe de você"). Eu gostava de arrumar os cabelos dela com creme e colocar "ramonas". "Ramonas" eram grampos, mas pra mim sempre foi o "apelido-que-a-minha-vó-deu-pros-grampos". Meu cabelo oleoso, ondulado e com o redemoinho na testa, é dela. Minha pele brilhante, também. Alguns traços de personalidade. Vó Maria viveu aqui pra sempre, mas um dia quando eu tinha 16 anos eu fui dar tchau pra ela antes de ir pro inglês, e as mãos dela estavam frias. Quando eu voltei, a cama dela estava vazia. Eu não me lembro de ter chorado tanto quanto eu chorei aquele dia. Eu ainda choro nos pontos finais das frases desses parágrafos. Saudades. Ela ainda não morreu dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos depois, meu vô preferido também de foi. Muitos anos. Eu ia fazer vinte e estava na faculdade. Meu vô viveu 95 anos, tanto tempo (e tão pouco). As lembranças são tantas que vez-ou-outra quando esbarro numa foto ainda acho que ele está vivo. Em algum lugar, debaixo do pé de limão onde a gente esticava uma toalha e deitava, ele está. Na mesma cadeira, me esperando voltar da escola, depois da faculdade, pra irmos almoçar. Eu não posso medir quantos pedaços de mim foram embora o dia que meu vô se foi. Mas foram muitos. Eu chorei o choro mais sincero da minha vida quando vi que meu vô não era mais vivo, assim, entre nós. Parecia mentira. Parece, ainda. Um homem tão vivo que não podia morrer. Um homem tão vivo que não morreu. Tanta lembrança, tanto ensinamento, tanta piada. Vinte anos inteiros tendo o melhor vô do mundo.  O resto da vida vivendo com o melhor vô do mundo dentro do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas morrem, mas não se vão. Partes entranhadas delas ficam em todo lugar. A gente não quer que elas se vão então a gente vai deixando elas em pedaços. No coração, nas fotos, nos objetos, nas histórias. Hoje me veio de novo o fantasma da morte. Não comigo. Minha amiga me deixou um recado dizendo que a tia dela não tem mais cura. Vai morrer. Hoje é viva, mas amanhã pode não estar mais. Os dias de fazendo devagar, a iminência daquilo que hoje é, e amanhã pode não ser mais nada. Não soube o que dizer. Acho injusto ter que lidar com morte. Não há o que se fazer. Quem nunca lidou com isso poderia dizer que ela devia abstrair, tomar um porre, sair, distrair quem sabe. Mas o peso da eternidade com certeza mora hoje dentro dela. A eternidade e o imediato. Você não compreende o paradoxo enquanto não lida com ele. A morte ali, imediata, a espera eterna e ao mesmo tempo rápida. A ausência eterna. Porque é isso que a morte é. Uma ausência eterna. Uma saudade eterna. Não cura. Quando a pessoa que se vai era um pedaço da gente, não cura. Lateja nos dias de sol, nos dias de chuva. Fisga com uma música, com uma pessoa parecida com ela que anda na rua. Fisga em textos como esse, a cada vírgula de lembrança. A tia da minha amiga vai morrer. Não se sabe a hora exata, e nem se vai fazer sol ou chuva. Mas ela sabe que vai. Um pedaço da minha amiga vai morrer junto com ela, e eu queria poder fazer alguma coisa. Eu sei que eu não posso. Ela também não pode fazer nada para que a tia dela continue aqui. A morte é uma impotência eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nada a se fazer a não ser continuar. Eu sei que o máximo que eu posso fazer por ela é um olhar condescendente, um abraço. Eu vou ser piegas, vou dizer que a tia dela não vai morrer dentro dela (e não vai mesmo), que vai existir sempre uma lembrança, um pedaço. E existe mesmo. Uma espécie de ferida aberta, terrível, que sangra de quanto-em-vez. O pedaço da pessoa que morava a gente e arrancam. Mas que continua vivo. Buraco pulsante dentro do coração. Saudade. Ausência. Falta. Com peso de eternidade. Às vezes as lembranças fazem sorrir. Às vezes fazem chorar baixinho debaixo do cobertor. Às vezes aparece uma saudade imensa em que você quer contar pra pessoa tudo que está acontecendo na sua vida - ela não está vendo. "Vô, eu me formei". "Vô, eu ainda não sei dirigir, acredita?", "Vô, eles vendem cada vez menos daquelas balas de caramelo que você gostava tanto no mercado", "Vô, eu não sei se eu vou casar, mas eu queria tanto te dar bisnetos".  Mas as pessoas não vivem pra sempre. Elas nascem, crescem, deixam pedaços delas em outras pessoas, e morrem. Meu avós morreram. A tia da minha amiga vai. Ela vai perder um pedaço dela e eu não tenho como juntar os cacos, nem estancar a ferida. Não existem palavras capazes de formar frases dentro da língua portuguesa - ou de qualquer outra língua - que tirem a dor que ela está sentido,e ainda vai sentir. A morte nos deixa impotentes. A morte é eterna e imediata. A dor, a ausência e a saudade que vem com ela, também. Acho injusto ter que lidar com a morte. Acho mais injusto ainda as pessoas que eu amo terem que lidar, e eu não poder fazer nada a respeito. Porque ninguém pode fazer nada a respeito da morte. É a maneira que a vida encontrou de ser cruel: inventou o inevitável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-1111445547687676562?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/1111445547687676562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=1111445547687676562' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1111445547687676562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/1111445547687676562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/02/o-inventario-do-irremediavel.html' title='&quot;O inventário do irremediável&quot;'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-2009054066803860520</id><published>2011-01-25T09:17:00.000-08:00</published><updated>2011-01-25T09:19:15.415-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ressaca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tudo que eu queria te dizer'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ausência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Saudades'/><title type='text'>Eu só queria dizer, obrigada.</title><content type='html'>Espio a sacada, a vida lá fora. O dia amanheceu com um gosto eterno de melancolia. Tinha sido um pouco assim ao dormir, mas existe sempre aquela esperança de que, ao acordar, tudo tenha ficado dentro de um mundo estranho feito de sonho. Mas eis que acordei de ressaca - de sentimento e de você - e não sinto vontade de comer porque estou enjoada - da vida. Um mundo tão imenso lá fora, e eu aqui, presa nesse quarto que é cheio de lembranças de você. Remexi as nossas cartas, e acho que cheguei a uma conclusão meio inevitável: eu sinto mais falta de mim do que de você. Não que eu não sinta falta de você, também. Seu perfume barato e enjoado, as roupas quase nunca combinando, a segurança em que eu sentia de andar do seu lado. Sinto falta disso sim, ultimamente tenho andando muito sozinha, tendo que tomar muita conta de mim. Você tinha sempre essa impressão de que um dia eu ia me jogar da janela, então exercia sobre mim um certo cuidado, que me fazia bem. É que você me conheceu destruindo, e destrutiva. Ciumenta, histérica, terrível. E sentiu que era a sua obrigação me livrar do meu maior mal: eu mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os anos que passamos juntos, houve calma. É claro que inevitavelmente às vezes eu perdia a paciência, e entrava em terríveis ataques de melancolia que você tentava curar me desviando do assunto. Desviar do assunto sempre culminava naquela ladainha bonita de "sua vida é tão maravilhosa, você tem tantos amigos" ou até um leve afago de evo que dizia "mas você é tão talentosa e inteligente". Eu achava meio absurdo o fato de você admirar uma pessoa tão descontrolada como eu. Talvez você admirasse justamente por eu ser o seu oposto. Você, sempre parado no mesmo exato lugar, poucos riscos, poucos amores, e eu sempre esperando da vida um "algo mais" que ela não podia dar, e me atropelando. Você costumava limpar com mertiolate meus atropelos, até que chegou um dia em que do seu lado eu finalmente encontrei a paz, o nirvana. Eu sinto muita falta de mim agora que estou sem você. É como se com você eu tivesse um ponto de equilíbrio. Mais ou menos como aquela criança que transmuta o comportamento porque não quer decepcionar os pais. Eu sempre tive muito medo de te decepcionar. Muito. Eu li tantos livros, vi tantos filmes, inventei tantas teorias, criei mil novas receitas. E estava leve, sabe? Leve. Fui sorrateiramente me livrando dessa urgência louca de querer aquilo que não existe, desistindo de aventuras de fim de semana e sonhando com uma casa, calma, futebol na tv aos domingos. Minha vida simples era boa. Você ouvia as minhas frustrações, cortava as asinhas da minha depressão ancestral e me fazia sorrir em meio a tardes comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que você se foi eu fui tomada por um eterno descontrole. Que existia, sempre existiu. Mas que você de certa forma curou. Hoje eu me vejo de novo esperando soluções imediatas, chorando de raiva a cada decepção. Às vezes comendo muito, às vezes tomando porres homéricos que me fazem esquecer até o meu nome. Figurinha decadente eu me tornei. Tão diferente daquela menina magra, sensata, leitora, interessada, viva. Ah, eu era tão viva na sua presença. De uma vivacidade que não precisava de nada, só existia. O sorriso fácil e solto, a calma, a espera, o futuro. Um futuro nem tão brilhante assim, simplista, amornado, mas com brigadeiro depois do almoço e café no fim da tarde. Longas conversas. Você me ouvindo reclamar e me achando extremamente critica, e me dando o antídoto de ver as coisas com mais calma, com mais amor, com mais tolerância. Você me ensinou a ser tão tolerante. Com as pessoas, com os livros, os filmes, as músicas. Até a minha família eu dei de amar de um jeito maior depois de ter te encontrado. Eu não bebia demais, não comia demais, não chorava demais. Nem rir, eu ria demais. Eu apenas era feliz. Tudo ali, na medida certa. E hoje eu sinto muita falta de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti falta de mim ao dormir chorando, senti falta de mim ao me ver inventado amores, soluções simplistas, querendo fugir. Eu tinha me esquecido dessa pessoa que eu era antes de te encontrar e te perder. Esquecido da minha histeria, do meu descontrole, do meu choro infantil. Esquecido dos meus altos e baixos, da minha doação de mentira, dos meus porres. Esquecido da minha rebeldia sem causa, da minha procura sem encontro. Tanta procura sem encontro desde que você se foi, tanta perda. Essa perda de mim, do meu eixo. Fico esperando coisas que eu não quero ser, não foco, não me sinto capaz. Tenho entrado em malditos jogos de sedução, me machucado em carne viva, sangrando. Tenho jogado sal na minha própria ferida e desistindo de mim a cada dia achando que estou conseguindo soluções. Não estou nada bem, nada bem mesmo e o problema é muito menos não ter você do que eu imaginava. O problema é comigo, sou eu, é a minha destruição, é o meu problema, é o meu sintoma. Você foi por alguns anos a cura, o antídoto, o contrário que me fazia enxergar as coisas mais leves. E agora que você se foi, tudo pesado, negro, terrível. Decadente. Entrei em uma decadência sem fim, e eu que vivia reclamando de não te reconhecer mais talvez também não fosse reconhecida por você. Regredi. Empalhei. Tenho doído, tenho saído carregada dos lugares, tenho me olhado no espelho e me visto infeliz. Estou três anos lá atrás, antes de você, comigo que sempre fui a minha pior inimiga. Tem sido triste, minha vida tem estado uma bagunça sem fim, e por vezes me vejo insuportável. Insuportável pra mim, prós outros, o grande peso in e out. O mesmo peso que eu tinha quando te conheci e que você mesmo sem saber o que fazer com ele, disseminou, tornou leve, me transformou em criatura bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, eu não espero que você volte. Não agora, não pra mim. Não te espero na minha vida, no meu sofá, nem nada. Nem amor, essa palavra, estou querendo distância de amor. Você parece mais centrado que eu, no momento e eu cansei de tentar achar que eu era a sua salvação, quando na verdade você foi a minha. Hoje eu enxergo isso, no meio dessa loucura toda que anda essa minha vida pesada, terrível, negra, sem perspectivas. Eu enxergo que não sou karma, não sou destino, não sou a irremediável bagunça que um dia me fizeram acreditar que eu era. Não sou, não preciso, não quero sair quebrando corações como se quebram copos, me machucando, abrindo feridas, tendo longos ataques de histeria, ciúme, as acusações colocadas sobre a mesa, exigindo tudo em troca de dar nada, absolutamente nada. Eu já tive cura, eu já fui tão melhor, tão mais viva, centrada, bonita, feliz, sorridente. Nas quartas feiras de noite, nos sábados à tarde, nas madrugadas em casa. Tão mais leve. E foi no meio de um desses ataques terríveis, que assustam e apavoram e sobra caco de vidro cortante pra tudo quanto é lado, pegando em tudo quanto é gente, que eu descobri que você foi como aquela pessoa que te ensina a andar de bicicleta. Primeiro ela vai te segurando, você cai, ela continua te segurando, você cai mais umas vezes. Até que ela resolve te soltar. Daí você cai, rala o joelho, ela te dá a mão e depois te solta de vez. Você cambaleia uma duas vezes, acha que vai morrer, acha que vai se machucar muito, mas consegue ir. Depois pega o jeito, não precisa de mais ninguém segurando. Vai sozinha, livre, leve. Eu te amei muito, mas hoje, acho que amo mais tudo aquilo que você deixou em mim, tudo aquilo que você me ensinou ser. Hoje acho que amo tanto-quanto aquela menina que nasceu do teu lado, que pode e consegue ser boa. Que se doa pelo outro, que se faz infeliz pra ver o outro sorrir. Me deu vontade de resgatar tudo isso. Mas você já me ensinou como faz, já me mostrou que eu posso. Agora eu sei, garoto. Eu tenho que ir sozinha. E vou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-2009054066803860520?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/2009054066803860520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=2009054066803860520' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2009054066803860520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/2009054066803860520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/01/eu-so-queria-dizer-obrigada.html' title='Eu só queria dizer, obrigada.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-24777171390516950</id><published>2011-01-23T00:16:00.000-08:00</published><updated>2012-01-01T21:28:06.547-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não come não que é ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='e de amores talvez?'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Parece-bolero-te-quero'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não fui eu foi meu eu-lírico'/><title type='text'>Estala, coração de vidro quebrado.</title><content type='html'>Quando você me conheceu, ow baby, tão perdida no meio da cidade cinza, eu não achei que você seria um caminho. Tanta gente vestindo suas camisetas coloridas sem estampas, tanta gente assim moreno-claro, arisco, com medo do mundo. Tanta gente com essa mesma tristeza no cantinho dos olhos, os tênis gastos pela vida, pelo tempo, pela cidade febril. Tanta gente no mundo, andando, indo, voltando. Sempre com pressa. Tanta gente interessante a gente deve passar pela rua todo dia, ensaiar um olhar, desistir de um contato três segundos depois. Quanta gente eu já deixei passar nessa vida, podia ter deixado passar você também. Tão integrado. Calça jeans, camiseta branca, tênis preto, mochila nas costas, cara de quem está atrasado para um trabalho que não gosta, ouvindo música que antes te deixava em catarse e hoje parece música ambiente. O automático temível, baby. O automático temível podia ter-nos sabotado o encontro. Meu olhar perdido, sempre, desavisado. Os passos tontos e tortos, sempre batendo os dedos nas esquinas (da rua e da vida). Podia não ter te visto, ou ter te visto e te esquecido. Não ter notado o botton do meu cantor preferido atrás da sua mochila velha e não ter cantarolado aquele verso com gosto de esperança, encontro e acaso que fez você sorrir. Hoje eu queria, baby. Queria ter deixado o desespero pra lá, essa minha vontade maluca de procurar identificação em tudo. Nos livros, nas placas de trânsito, nos carros parados na rua, nas atrizes decadentes de novela das seis. Queria não ter tido a esperança de me identificar em você assim, tão espelho-inverso. Mas eu, bicho desesperado a procura de amor (sempre ele, o amor), não pude evitar o encantamento, não pude evitar a palavra ensaiada, não pude evitar o sorriso de lado e quando vi já tinha te cantarolado os versos. Tão batidos os versos. Tão meu, o sentimento de despertencimento do mundo que é ao mesmo tempo universal. E tudo tão certo, o tempo exato. A mulher deixou o lugar vago, você me olhou e disse "senta, pode sentar" e eu retruquei ensaiadamente com um "obrigada, to mesmo cansada e pensar que 'once-upon-a-time-you-felt-so-fine', é doído" e foi ali que todo o descompasso começou. Você me sorriu, natural, solto, alegre. Me perguntou "Bob Dylan né?" e eu respondi "sim, Bob Dylan é deus, a humanidade só encena as histórias que ele criou." E tudo deu margem ao bonito e longo diálogo. Você sentou do meu lado, pediu um cigarro. Eu te disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se pode fumar dentro dos veículos automotores mais. Nunca se pôde. Nem dentro dos bares, das casas de show. O mundo tá free tabaco.&lt;br /&gt;- Era pra mais tarde. Gosto de, você sabe, andar ouvindo música e derramando fumaça pra fora. Você fuma?&lt;br /&gt;- Não, tomo café. Eu gosto de, você sabe, tomar café ouvindo música e enfiando cafeína pra dentro.&lt;br /&gt;- Vícios.&lt;br /&gt;- Vícios, concordei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus deu quatro ou cinco chacoalhadas, ficou um silêncio enorme que pairava. Eu olhando as minhas unhas, os esmaltes descascados, uma mistura entre um vermelho barato e um azul clarinho que não tinha saído direito da ultima esmaltação de unhas. "ando num descaso enorme da vida", pensei. Os esmaltes craquelados, a vida quebrando. As unhas se roendo. Tudo errado, meu deus. Tudo errado. Me perdi olhando o caminho. As àrvores e tal, as nuvens e tal. O cinza, sempre o cinza de são paulo as seis da tarde e quando alguma coisa na minha cabeça ultrapassava a poluição e chegava no azul, você me perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você desce aonde?&lt;br /&gt;- Há mil léguas daqui, naquela padaria bonitinha de parede laranja, sabe? E você?&lt;br /&gt;- Três mil léguas daqui, e três pontos depois.&lt;br /&gt;- Não é muito perto.&lt;br /&gt;- Não é muito longe.&lt;br /&gt;- Tudo depende do referencial adotado.&lt;br /&gt;- Você parece, assim, pessimista.&lt;br /&gt;- Eu sou assim, tristonha.&lt;br /&gt;- Você parece bem conservada pra uma alma velha e cansada.&lt;br /&gt;- A maquiagem nasceu pra disfarçar os rostos vermelhos e inchados de lágrima e hematoma, rapaz.&lt;br /&gt;- A música também. Pra disfarçar as almas vermelhas e inchadas de lágrima e hematoma.&lt;br /&gt;- A arte, talvez.&lt;br /&gt;- A arte sim, pra disfarçar a vida inchada de lágrima e hematoma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te achei bonito, poético, triste. Bonito e sincero demais pra usar aquela camiseta branca com calça jeans e tênis. Perfeito demais pra ser deixado pra trás como um doce daqueles que a gente vê e acha bonito, quer levar, mas parecem extremamente caros. Eu vejo muitos desses na padaria bonitinha laranjinha do ponto em que desço. Lindas tortas de chocolate, bombons de morango. Lindos, poéticos, doces. Mas caros demais para serem levados pra casa em troca de um pouco de prazer. Devia ter te achado caro demais. Devia sim, mas continuei. Porque sou bicho passional, sangüíneo, e dobro frente a qualquer animal oposto que pareça ser caça. Caça suculenta e saciadora do apetite voraz. O apetite voraz da alma, o amor. E retruquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um bom jeito de pensar, você faz arte?&lt;br /&gt;- Não, ciência da computação.&lt;br /&gt;- Muito número?&lt;br /&gt;- Muita impessoalidade. Pouquíssimo hematoma doído. Distância da vida, a tela fria dos computadores. E você, faz arte?&lt;br /&gt;- Agência de publicidade.&lt;br /&gt;- Mercadológico?&lt;br /&gt;- Pseudo arte vendida barata demais pra ser catartica, entende?&lt;br /&gt;- Mas passa na televisão.&lt;br /&gt;- Tentativa frustrada de vender felicidade vendendo buraco que não encaixa o tempo todo, sabe? Quebra-cabeça faltando peça, é isso que a propaganda vende.&lt;br /&gt;- E continua nisso por quê?&lt;br /&gt;- Arte abre um buraco tão enorme na alma da gente que inflama.  A publicidade é meu contato com a realidade. Cruel, mas realidade.&lt;br /&gt;- É comò se voce vendesse caixinhas de sonhos que nunca vão virar sonhos de verdade?&lt;br /&gt;- É como se eu vendesse caixinhas vazias com rótulos a preencher. As pessoas vêem um carro e fazem dele uma caixinha escrito "felicidade", "sucesso", "amor". A caixa é vazia na verdade, mas elas colocam essas etiquetinhas e acreditam nisso até abrirem a caixa e verem que lá dentro não tem nada.&lt;br /&gt;- Você tem um jeito estranho de falar sobre as coisas. Metáfora, poesia. Escreve?&lt;br /&gt;- O tempo todo, mesmo quando não estou escrevendo.&lt;br /&gt;- Redatora?&lt;br /&gt;- Escrevo os textos bonitos das propagandas de banco e não acredito em felicidade.&lt;br /&gt;- Cruel, perigosa. Batom vermelho, cabelo liso. Não quero me meter com você.&lt;br /&gt;- Mas vai. Já está metido e não sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me sorriu. Com gosto. Todos os dentes. E na minha experiência de caça eu sabia: a presa estava volúvel. Dois passos, o ataque cruel, o bote certeiro, a morte. A morte do orgulho e da resistência para que se chegue a carne. A carne vermelha, que pulsa, que vibra. Coração. Paixão. Amor vem depois, ou não vem nunca mais. Você me olhou, sorriu, respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai ver estou.&lt;br /&gt;- Desculpa, às vezes eu solto essas respostas prontas e tudo mais, oferecidíssima, estranho. Te assustei?&lt;br /&gt;- Desde o primeiro momento. Ou você não sabe que você é daquelas que assustam mesmo quando caladas?&lt;br /&gt;- Não tenho essa exata noção não - menti. De sorriso solto, menti verdadeiramente.&lt;br /&gt;- Olha, voce desce no próximo né?&lt;br /&gt;- Desço. Encaro a padaria, não compro os doces que quero, volto pra casa, trabalho e me identifico com um personagem de novela aqui e ali.&lt;br /&gt;- As perigosas.&lt;br /&gt;- As mais inofensivas.&lt;br /&gt;- As que parecem mais inofensivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus deu mais duas chacoalhadas, eu já gostava de você, do seu papo, do seu jeito estranho. Gostava mais ainda da sua vulnerabilidade frente à situação. Me respondia galante, flertava de volta, tinha medo daquilo e admitia. Teu olho não tremia, encarava dentro enquanto você fingia uma timidez com seus pés inquietos. Um menino bonito na palma da minha mão, Uma menina frágil em fantasia de forte na palma da sua e você sem saber o que fazer. É por não saberem como me pegar na mão que resolvo pegar primeiro. Qualquer movimento mais brusco pode - e vai - quebrar meu coração feito de cristal fino de taça de chapangne francesa. Coração fraco de casquinha de ovo é o que eu tenho. Não encosta não, que quebra, moço. Deixa que eu encosto no seu, pego devagarinho, guardo numa caixinha e depois jogo fora. Jogo fora antes que sua mão saia de dentro do seu peito rumo a tocar o meu coração de casquinha de ovo com as pontinhas dos dedos que seja. Sou fraca, sensível, toda doída e quebro. Só encosto. Não deixo encostarem em mim, e nunca-em-hipótese-alguma tocarem por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu desço aqui, eu acho que isso significa adeus, certo?&lt;br /&gt;- Eu desço com você, continuo à pé depois. Não é muito perto, mas.&lt;br /&gt;- Não é muito longe.&lt;br /&gt;- Talvez voce devessse comprar um desses doces bonitos na padaria, mudança de rotina, sabe?&lt;br /&gt;- Talvez eu devesse me ater aquilo que eu conheço.&lt;br /&gt;- Eu te pago um.&lt;br /&gt;- Acho que é prudente aceitar a gentileza, mas você escolhe.&lt;br /&gt;- Bomba de chocolate. Chocolate amargo por cima, doce por dentro. Lindíssima.&lt;br /&gt;- Faz parte do seu repertório galantear as moçoilas supondo personalidades através de doces?&lt;br /&gt;- Não fazia, até agora. Acertei?&lt;br /&gt;- Isso é o tipo de coisa que se descobre, não se fala. Senão vem o desencanto.&lt;br /&gt;- Você costuma ser ensaiada demais, menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me deu o doce, que eu fui comendo na rua, tal criança lombriguenta, me melando com creme no nariz que você limpava a cada instante, como pai que cuida de filha espoleta. Mas esquece o édipo, freud, era só, sabe, encantamento. Tal coisa bonita que encanta e você de tão querendo que seja, toca como se fosse sua. Te lambuzei de creme uma vez, na ponta no nariz. Típica e previsível como devia de ser, e chegamos na porta do meu prédio, onde eu não tinha idéia que começaria uma história bonita, de príncipes e princesas, de guerras e cruzadas, de amor e desencanto, na porta que tinha gosto apenas de desalento. Te faço a pergunta crucial, charmosa e espero pela resposta afirmativa como quem espera o nome sendo chamado na lista do vestibular. Conquista. Armadilha da caça. A rede posta. Só te falta cair&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você quer subir, conversar, tomar um café?&lt;br /&gt;- Não sei se devo.&lt;br /&gt;- Eu não sei se devo ter te convidado também, mas convidei.&lt;br /&gt;- Você só faz o que você quer, menina.&lt;br /&gt;- Sou atiradinha?&lt;br /&gt;- Não, é autêntica. De um jeito, ai, de um jeito terrível.&lt;br /&gt;- Então sobe?&lt;br /&gt;- Subo sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subimos nos olhando fixo no cubículo do elevador. Entrei na minha casa, os sofás cor de vinho, as paredes bege. Tudo tão sem graça, tudo sem ter a minha cara. Te ofereci uma cerveja, você disse que preferia refrigerante. Eu te perguntei se era medo e você só me disse que a embriaguez toda vinha de mim. Te dei o copo, sentei do teu lado. Você me contou coisas sobre a sua vida, seus números, sua falta de perspectiva. Eu te mostrei histórias e rabiscos dos sonhos que inventei para que comprassem. Você me olhava fundo, encantado, e eu tinha medo dos seus olhos sinceros. Eu te contava tanta coisa, tanta coisa, tanta coisa. Tanta conversa, tanto despejo de história de energia que quando eu dei por mim estávamos feito bichos no chão da sala, em habitat natural e eu chorava encostada no teu peito, tomando refrigerante no gargalo, te abrindo todas as portas do meu coração. Te dizendo "ow, baby, se você soubesse o quanto a vida me dói" e você dizia que a sua vida doía também, tanto, que às vezes não dava conta de dar o último respiro e acendia um cigarrro. Depois pensava baixinho "a falta de fôlego vem do pulmão, e não da alma" e baforava fumaça pra fora se livrando de toda a impureza do mundo, da vida, do caos. Você empestiava a minha sala de fumaça, eu molhava sua camiseta branca de lágrimas  e soluços e você me olhou baixinho e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é tão linda, menina. E tão menina, menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E meu coração de casca de ovo estava prestes a abrir uma rachadura, e foi quando eu te agarrei por impulso e te beijei no ato, no chão da minha sala, com as lágrimas caindo, com gosto de sal. E tinha tanta vida naquele beijo, tanta carga de emoção que eu não ligava pro meu coração de tacinha de cristal prestes a quebrar, e alguma coisa dentro de mim esqueceu que você tinha aparecido na minha vida naquele dia, tanto fazem as datas, você já sabia mais de mim naquelas sete horas do que todas as pessoas que conviviam comigo há sete anos, então eu era mais sua do que de qualquer outra pessoa no mundo. E nos beijamos mais inúmeras vezes, e no meio dos beijos soltávamos mais segredos e no intervalos disso tudo você me olhava lá no fundo dos olhos como se estivesse enxergando por dentro, e não houve nada mais do que beijos, só os beijos e os segredos, tantos segredos perdidos naquela sala de quitinete no meio do centro. É que não precisava de encontro de corpo, corpo-dentro-de-corpo, porque tinha um encontro de alma tão mais profundo que dormimos entrelaçados como bichos, você de calça jeans e camiseta branca, eu com meu vestido listrado. Sem sexo. Mas com um toque profundo de alma que transcende o encontro do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você acordou, me preparou um café. Me beijou na testa, me deu uma flor roubada do hall do prédio. Me abraçou por trás, me beijou o rosto, e sussurou no meu ouvido baixinho "você é uma bomba recheada de mel, de tão-tão doce por dentro". Ali eu senti você tocar meu coração de casquinha de ovo com a ponta dos dedos. Foi quando você sentou na minha frente, sério e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha menina, lá fora dessas paredes beges tem uma vida, e sabe, a vida é louca e no meio dessa loucura toda eu te encontrei, e você é assim, doce e eu fiquei assim, volúvel, bichinho frágil na tua mão, menina. Tudo tão lindo, tão filme, e eu queria tanto não ter que te dizer "it-ain't-me-baby-it-ain't-me-you're-looking-for" que eu resolvi esquecer de tudo, mas lá embaixo, três pontos depois tem uma outra mulher esperando por mim. Nem tão doce, nem tão incrível, que não costuma aceitar rosas roubadas, que nunca choraria molhando a minha camiseta branca. Que nunca me confessou segredos desses seus, que eu nem sei se a vida dela dói. Mas ela existe. E talvez esteja me esperando pro café. E na mão direita dela, tem uma aliança marcada pra passar pra mão esquerda daqui há exatos dois meses. E eu podia te prometer, e eu devia te prometer que eu vou ficar aqui com você pra sempre. Mas eu sou fraco, menina. Sou fraco. Eu não quero te machucar, eu só espero que você não sofra tanto quanto eu caso eu resolva não voltar nunca-mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi chorando molhando a sua camiseta branca que eu retruquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu soube desde o ínicio que procurar felicidade não era o seu forte.&lt;br /&gt;- Soube?&lt;br /&gt;- Soube. Teus números, tua falta de hematomas, tua praticidade. Tua poesia perdida, sua tristeza. Você me doeu tanto no meio dessa sua infelicidade que eu quase me achei feliz. Porque eu ao menos estou procurando, sabe? mesmo que não exista eu ralo o joelho todo dia a procura de ser feliz. Tem estoques de corretivos e batons vermelhos naquele armário ali pra maquiar a minha cara de dor a cada vez que uma topada como você aparece na minha vida. Tem salto alto, tem vestido curto, tem frase ensaiada. Mas no fundo, no fundo eu só espero que alguém toque meu coração frágil com a ponta dos dedos, e foi a ponta dos seus dedos que eu senti chegar. Depois de tanto tempo, tanta luta, tanto hematoma. Não tem maquiagem pra você, nem corretivo não. Você que salte na minha dor, porque você precisa mergulhar. Você que viva, saindo daquela porta deixando um coração de cristal de taça barata quebrado pra nunca mais voltar. Você que volte pra sua aliança, pra sua praticidade, pro seu compromisso mas volte sabendo que felicidade, meu amor, felicidade a gente não encontra sempre não. A gente vive maquiado o tempo todo, mas de cara limpa tem um ou dois caras que saem todo dia. Felizes mesmo. Felizes como eu e você quando dormimos no chão dessa sala bege, se ferrando pra vida lá fora. Agora se você prefere não enxergar, eu não ligo. Vai doer, mas eu vou sarar, vou curar o hematoma da cara, da alma e do coração. Mas fica sabendo que uma vez que a gente quebra uma taça com vinho dentro, e por vinho entenda, amor, porque isso que você sentiu aqui hoje é a-mor, pode até se salvar um pedaço da taça. Mas esse vinho que derramou, esse vinho com caco de vidro não dá pra beber nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando você começou a molhar meu vestido listado. E eu vi nos seus olhos vermelhos o menino frágil com quem eu tinha me metido. E eu te disse "vai, vai que meu coração de vidro quebrado ainda tem jeito" e você me sorriu dizendo "mas o meu só bate embaixo de paredes beges". E saiu pela minha porta, depois do beijo mais cheio de amor já estudado pela humanidade, me dizendo "menina, você é doce, menina, você é amor, eu volto pra você. Eu juro que volto". E eu acreditando em você, mas morrendo de medo da vida fora das paredes beges, do tapete empoeirado, do sofá vinho. Morrendo de medo da sua vida longe do meu vestido listrado. Porque a vida lá fora, meu amor, é pra gente grande e você era tão menino na minha mão que sabe-se lá se você tem dessas forças que precisam os homens. Te mandei um beijo da janela, te gritei alto "vai, mas volta pra mim, volta" e senti pela primeira vez meu coração de vidro quebrado partir de tal maneira que soube que só a ponta desses teus dedos leves que o tocou seria capaz de consertar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-24777171390516950?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/24777171390516950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=24777171390516950' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/24777171390516950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/24777171390516950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/01/estala-coracao-de-vidro-quebrado.html' title='Estala, coração de vidro quebrado.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-8794210161862713306</id><published>2011-01-16T07:29:00.000-08:00</published><updated>2011-01-16T07:32:15.413-08:00</updated><title type='text'>Sugar, come on honey honey.</title><content type='html'>Honey,&lt;br /&gt;(I need you! I need a hug please -please)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, honey, se você soubesse o quanto tudo é terrível por aqui - ou anda terrível, mas é que eu tomo tudo isso que eu vou te contar agora como um caminho sem volta, um karma do existir, não cabem os estados passageiros, cabe apenas o verbo conjugado: ser - talvez você viria correndo me dar um daqueles abraços longos dizendo "calma, babe, vai tudo ficar bem, vai tudo ficar muito muito bem" me olhando com aquele semblante de quem sente pena mas não quer dizer. As pessoas me olham e continuam me achando tão forte, tão-tão, essas coisas no aumentativo que elas dizem de mim - ou no superlativo, por terem pegado meus vícios de linguagem - "Lígia, você anda fortíssima, anda lindíssima, anda estilosíssima" e eu tenho vontade de revidar "olha, meu bem, a única coisa que existe aqui é eu sendo, isso mesmo sen-do tristíssima.", mas não iam entender né honey? Iam achar que eu estou fazendo graça. Só você sabe que eu sou triste, me abraça, me faz café, me faz cafuné e me bota pra dormir. A vida tem sido difícil desde que você partiu pra "deus-sabe-quando", é difícil sobreviver sem ter meu irmão aqui, que caramba, a única pessoa no mundo inteiro com quem eu consigo manter uma relação de amor pura, verdadeira, pedaço do meu sangue. Também acho que só sei dividir tudo isso com você porque já dividimos a barriga, que coisa louca isso, comemos do mesmo cordão umbilical, fomos gerados no mesmo momento de amor. Deve ser por isso que eu tenho tanto amor dentro de mim - e você também, honey, você é a própria definição do verbo amar - porque fomos gerados de um amor tão tão imenso que tinha que ser dividido em dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, esses dias estava pensando na mamãe e no papai, como se amam aqueles dois. E que karma ter nascido filha gêmea de um irmão brilhantíssimo, num casamento sem nenhum defeitinho que seja. O pai tão atencioso, a mãe tão prestativa ao mesmo tempo. Se doando tanto um pro outro, tanto amor, tanto amor. Lembrei com uma certa saudades do pai levando a gente pro jogo do palmeiras, você odiando tudo um pouquinho e eu tomando aquele time como se fosse a minha vida, de paixão e sangue - como tudo que eu faço. Mas ai, honey, tá tudo tão escuro aqui. Sabes que eu estou cansada, estou esgotada, minha vida tá numa encruzilhada do tamanho do caminho que me leva daqui de São Paulo até Paris (onde você está belo e formoso, com meus sobrinhos, ai, com família linda, manda beijo!). Até curso de DJ eu fiz pra largar. Agora fico aqui sentada na sala, tendo que traduzir esses livros terríveis, esses textos judiciais. Não cai nada bom na minha mão pra ler. O que tá acontecendo com o mundo, hein honey? Me deu uma vontade louca que chegasse aqui em casa um daqueles livros que mudam a vida da gente, mas acho que todos os John Fantes morreram num desastre em 1933 (ainda sou boa nas referências literárias). Mas sei lá, de repente tento aí um curso de culinária, de paisagismo, de cinema. Você sabe, ainda não me encontrei na vida. Pretensões literárias sempre. É, eu sei, honey, "você deveria mandar até os bilhetes que você escrevia no guardanapo pra mim pra uma editora porque é ouro". Mas você sabe que eu espero uma coisa maior que isso, você sabe. Eu ainda vou conseguir. Mas no meio tempo preciso arrumar dinheiro pra pagar as contas, a internetê, minha conta de celular altíssima, minhas roupas, meus livros, meus vinis, e as cervejas e os vinhos estocados na geladeira (tô cada dia mais alcoólatra, honey. tô precisando de companhia pra ver se largo dos braços da cerveja). Tenho caminhado bastante, pra perder a barriga. Dei de pedalar três vezes por semana, voltei pra natação. Tô saudável, tô magrinha e tô gostosa (me apresenta pra esses franceses bonitos seus amigos quando eu for te visitar). Ai honey, mas tô tão doída. Te escrevi pra falar isso. Porque se fosse pra conversar você sabe que eu prefiro mil vezes a tua voz, e você sorrindo alto com as minhas trapalhadas do mundo. Mas pra falar de dor, só sei escrever e você bem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei pra pensar na minha vida. E tem todo esse descontrole profissional por aí e tudo mais, mas no fundo eu sou bem sucedidazinha. Não gosto de admitir que esse é meu sucesso, mas traduzo mil livros e ainda dou conta de umas ocupações paralelas aqui e ali (tenho feito umas fotos ótimas, saíram em revista e tudo, depois te mando). Só que a vida sentimental, honey? Você fala da minha personalidade histriônica, da minha histeria. Tudo tão certinho né, tão casado, eu entendo tudo que eu fiz, tudo por causa de você (que não devia analisar a própria família, mas o fez, e ainda-bem), mas eu cansei tanto. Tanto-tanto. Ai meu deus que horror que anda a minha vida nesses últimos tempos. Boto meu vestido florido, a bolsinha de laço de lado, me super-produzo e vou quebrar corações. Meu deus, honey, quanta gente mais eu andei desiludindo nesses tempos. E virou desilusão mesmo, eu nem acredito mais que amo a pessoa nem nada. Vou lá, faço meu joguinho - que você bem conhece - a aproximação, o sorrisinho de lado, as covinhas aparecendo, o melhor vestido, o melhor sorriso, o melhor argumento. Sempre dá certo. Tanta gente que se doou tanto pra mim e eu não dando nem um pedacinhozinho do que eu tinha pra oferecer, sabe? Hoje isso me doeu tanto. Fiquei aqui ouvindo chico buarque e querendo tanto ser amada. Mas de um tal jeito, sabe? Amor mesmo. Alguém que entendesse minhas limitações, essas minhas inseguranças, até a minha histeria. Me pegasse pelo braço e me dissesse que ia me ensinar a ser, no tempo que fosse. Mas sou tão arisca também né, honey? você que diz. Diz que eu pareço um gatinho daqueles que quando a gente tenta acarinhar sai correndo. Tenho saído correndo de um jeito que tem despedaçado a vida de tenta gente. Me dá uma dor. Hoje doeu tanto. Será que existe? Será que existe alguém que vai ter paciência o suficiente pra entender que tudo isso é um sintoma terrível dessa menina que no fundo tem medo de amar e depois deixar de ser amada? Tanto medo de ser deixada que deixo primeiro, tanto medo de deixar de amar que nem tanto começar a. Eu sei de tudo isso, mas continuo insistindo, rindo. Essas minhas manias suicidas de estragar tudo aquilo que podia ser bonito e transformar em literatura. De amar fracionado, de pouquinho, dando pouco pra receber o dobro e depois não querer mais nada. Ah, honey, queria tanto alguém comigo que fosse pra sempre, sabe? Aqui, fazendo café, pra eu deixar bilhetinho no guardanapo. Mas queria eu também não acordar um dia as dez da noite e dizer "olha, eu não te amo mais" e virar pro lado e continuar dormindo. Essa frieza, esse desprendimento, esse desapego. Ai, honey, não quero mais. Não-que-ro-ma-is. E nessa ânsia tenho achado que estou apaixonada e depois percebendo que não era nem paixonitezinha, nem afeto, nem nada. É só mais uma história bonita que eu inventei, floreei, mas sentimento mesmo. Cadê o sentimento, honey? Cadê o amor? Aquele que eu sinto, não o que eu escrevo. Quero sentir também. Quero mudar pra paris e ter uma vidinha pacata com dois filhos lindos que nem o seus. Quero amar igual o pai e a mãe, mas isso foi feito pra mim, honey? Ou vocês deixaram toda essa carga de vida feliz só pra vocês e esqueceram de me dar? Porque eu acho que esqueceram, não tem amor na minha forma não. Só essa coisa terrível, egoísta, de gostar esperando algo em troca, afago de ego. Pura destruição. Ah, não agüento mais. Me envolver com gente tão linda e saber que na verdade eu teria que dizer "Não me ama não, eu sou problema. Eu sou problema". Mas preciso tanto me sentir amada que esqueço, deixo me amarem e depois destruo porque não sei amar recíproco. Só sei receber, dar eu não sei. Por que, honey? Por que? Me explica, me salva disso, me diz que tem jeito, que eu vou amar alguém sim. Que vai ser pra sempre. Que eu vou olhar no olho dele depois de mil anos e conseguir enxergar mais amor do que enxerguei no dia em que a gente se conheceu. Vou ter dois filhos lindos feitos do mais profundo amor, feito eu e você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tô sem esperanças, honey. Acabou tudo, sumiu, secou. Vejo amor e digo que não é pra mim. Porque eu não sei amar. Não sei, não sei me desprender de mim mesma, não sei amar mais do que eu me amo. Não sei. Eu só sei amar você, o pai e a mãe. Eu amo vocês tanto, tão puro. Mas com o resto das pessoas mesmo o amor puro tem esse meu ego terrível entrando no meio, essa insegurança, essa necessidade de afirmação. Ser a mais bonita, a mais querida, a mais engraçada, a mais talentosa. Não tô dando conta mais. Quero sossegar, sentar num banquinho, tomar sorvete de flocos encostada no ombro de alguém e esperar o desprendimento no meio do amor. Sabe como? Essas coisas bonitas que você diz que existem, de olhar no olho do outro e enxergar o futuro, esperar que o outro seja tão ou mais feliz que você, querer arrancar um pedaço do teu braço só pra não ver a pessoa chorar. Ai, sabe? esse amor que cantam, que pintam, que escrevem (que eu mesma escrevo, mas nunca senti).  Quero isso, honey, quero me doar, quero deixar de ser assim, tão histriônica, tão terrível. Não consigo mais, me dói. Me dói respirar. Me dói existir e saber que eu vou me envolver com uma pessoa, entre na casa dela com esperanças de montar ali o meu lar e no fim sair destruindo os copos, os pratos e o coração da pessoa que me deu tanto (porque sempre me dão tanto, honey, perece até irônico). Mas parece tão impossível. Hoje pareceu. Reli as mensagens no meu celular, os e-mails, as cartas. Até carta tem, umas cartas bonitas, bem escritas. Não literatura assim, mas sabe? sincero. A pessoa querendo dizer cada palavra que colocou ali e me senti uma víbora. Enorme. Cobra que finge que não é venenosa pra depois se preparar e dar o bote que mata a vítima em uma picada. Guardar a pessoa no estômago quentinho pra depois deglutir. Fazer morrer no meio do ácido. Parece que a minha vida é assim. Eu sei, eu sei que eu estou exagerando um pouco, floreando aqui e ali. Você sa-be que até carta minha vira um texto bonito porque eu tenho que ler e sentir orgulho, o ego, sempre o e-go. Mas eu tô sendo sincera, honey. Tô sim. Eu sei que a minha sinceridade vai até a página dois, e o resto do livro da minha vida é toda uma história imensa cheia de mentirinhas, Antes eram brancas, amenas, mas agora eu entrei numa via-crúcis tão terrível que nem sei. Destruição minha, do outro, puro jogo de conquista. Pareço um carrinho em cima da montanha russa completamente desgovernado. Prestes a descarrilhar no meio do loop e morrer ali mesmo. Mas antes fosse morte, honey. Antes fosse. É só um câncer que vai deteriorando o coração aos poucos, pedacinho por pedacinho. Depois torna o órgão inutilizado e a gente morre. Porque deve ser uma coisa bem perto da morte esse não amar. Tenho ficado sem dormir noites e noites pensando como eu faço pra ser melhor, pra sair dessa invenção toda que eu criei. Tenho tanto medo de não saber amar ninguém de verdade e vida toda, só amar inventado. Queria morrer de amor, mesmo que fosse pra sofrer, não dar certo ou algo do tipo. Só pra esgotar as possibilidades, pra poder dizer: a-mei. E depois que seja, tem gente que nasce pra ser solteiro mesmo, pra dar errado. Ia aí viver de irmã de psicólogo super bem sucedido nessa Paris maravilhosa. Mas com amor nas costas, com gosto na boca de ter vivido e me entregado. E parece tão fácil olhando assim. Tanta gente amando tanto a minha volta, sofrendo horrores, amando sem ser amado. E eu dando nome de amor àquilo que só alimenta meu pobre ego que necessita de atenção inveterada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, honey, acho que vou terminar as pendências, comprar umas passagens e ir pra paris te visitar de vez. Tô precisada de saber que eu sei amar alguma coisa que não seja eu mesma. Mesmo que seja meu irmão, mesmo que seja porque é meu sangue e porque eu me reconheço em você. Você me busca no aeroporto com aquele sorriso enorme de satisfação em me ver, me mostra uns lugares bonitos, eu choro no teu ombro no meio do parque, sofrida como só eu posso ser e você me diz aquelas coisas maravilhosas. Que me fazem acreditar em mim de novo, sabe? que você sempre diz. Tem até um bilhete seu aqui, tão lindo que diz "Pára, babe. Você parece que não sabe o quanto é linda, o quanto é capaz, o quando é talentosa. O quanto é amor. Você é amor sim. Cada coisa maravilhosa que você já fez pelos outros. E não importa se é pra se sentir querida ou não. Você sabe ser boa, você sabe ser linda, você sabe amar sim. Você não me ama? ama sim. E se me ama pode amar o mundo. O mundo você já ama. Agora trata de amar uma pessoa só, tenta se jogar, você consegue sim, claro que consegue. Vai amar demais ainda, vou ser padrinho do casamento mais não-convencional do mundo inteiro, não vou? vou ver minha irmã sentada na sala no domingo assistindo DVD com o marido, e feliz. Você vai vir aqui me visitar com ele, depois com a família. Tem cura sim, babe, claro que tem. Tem amor dentro de você, é só saber botar pra fora (e por inteiro). Eu te amo mais do que qualquer pessoa nesse mundo. E você vai encontrar alguém que te ame todo esse tanto e mais um pouco. E você vai amar todo esse tanto e mais um pouco. Vai sim, não se esquece disso nunca babe, não se esquece".  Tem me dado força isso. É claro que eu leio e choro duzentos litros, mas me dá uma sensaçãozinha que eu sou capaz. É que no meio dessa loucura, dessa histeria, dessa solidão (tenho podido ouvir os meus próprios passos nessa casa, de tanta - mas os amigos continuam lindos) eu só quero ser normal. Tanta gente querendo ser como eu (mais desprendida, menos apaixonada) e eu só querendo ser normal. Cinema de mão dada no domingo, doação completa, torrada com manteiga no café, surpresa de aniversário, TV no sofá com peito pra encostar. E sem machucar mais ninguém. Só quero a beleza de amar e ser amada do jeito puro que tem que ser. Estou cansada de desvirtuar a palavra amor. Cansei. Você me disse uma vez que o admitir é o primeiro passo pra cura. Acho que vou chegar lá né, honey? Vou, sim. Devo bater com a cara na parede mais umas três vezes mas tô tentando não ser mais destrutiva, tô sim. Acho que vou aposentar o vestido preto, o batom vermelho. Será que me mostrar de cara lavada pra alguém não vai ser muita dor? Mas sem cair e levantar a gente não aprende nem a andar de bicicleta (e quanto tombo eu levei!). Só não quero mais doer essa dor de não amar ninguém. Se for pra doer que seja por amar demais e depois despejar tudo em literatura. E decidi honey, eu quero isso. Quero sim. E vou. Agora faz uma reza bem bonita pra tua irmã te ligar (porque pra coisa feliz eu ligo gritando) contando que está amando mais do que cabe nela, e apesar do frio de montanha russa que amar dá, que ela está feliz como nunca antes visto. Com aquele sorriso sincero que só você conhece. Com aquele amor que eu nunca senti antes - mas vou, vou sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ow, honey. Torce por mim, me manda uns pontinhos de amor sincero de paris. Pega na minha mão e diz que vai ficar tudo bem, igual você fazia quando eu desatava num drama imenso porque ralei o joelho. Diz que meu medo de amar é hipocondria, é sintoma inventado. E que não vai doer. Não vai doer né? Eu sei que não vai. Eu já consigo ouvir você me botando no colo e dizendo "não vai doer, babe, não vai doer". Que nem quando eu achava que minha dor de garganta era uma doença terrível que ia me fazer morrer. Eu só queria que você soubesse que é esse amor imenso que nos fez que me dá força pra continuar, irmão. Se eu sou capaz de amar alguém como eu te amo, eu me sinto capaz de amar. Agora eu te juro, te mando umas fotos do meu futuro amor e escrevo atrás "tô amando, honey, tô amando demais". E a gente sorri. Me dá a tua mão, me ajuda a dar o primeiro passo. Foi você, prodígio, que me ensinou a andar, agora me dá tua mão de novo que eu juro, eu juro que eu aprendo a ser feliz. Mesmo que seja tropeçando um pouco. Step by step.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Honey, te amo de um tanto que vem de são paulo e chega até paris rapidinho, sem nem fazer curva,&lt;br /&gt;Sua irmã,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lígia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-8794210161862713306?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/8794210161862713306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=8794210161862713306' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8794210161862713306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8794210161862713306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/2011/01/sugar-come-on-honey-honey.html' title='Sugar, come on honey honey.'/><author><name>Larissa.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510117303633637638</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-hHb7P1LQ_rc/TnbMu09bmFI/AAAAAAAACz0/HfxmZq00-P4/s220/Foto%2Bcriada%2Bem%2B2011-06-05%2B%25C3%25A0s%2B17.08.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2798922013859579212.post-8292498218268846240</id><published>2011-01-09T23:13:00.000-08:00</published><updated>2011-01-09T23:22:47.767-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não come não que é ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clichê com C maíusculo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor verdadeiro amor eterno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não fui eu foi meu eu-lírico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas da madrugada'/><title type='text'>O amor não existe.</title><content type='html'>Era domingo, era tedioso, modorrento - e doía. Não porque todos os domingos costumam doer de alguma maneira - todo fim de ciclo dói, pontudo - mas porque sentia uma dor que era mais que dor, e virou angústia. Virou angústia, numa terça, talvez numa quarta e ela nem sentiu porque já tinha se acostumado com tudo isso que as pessoas costumam não suportar: a angústia, o vazio, a solidão. Era entusiasta da solidão. Vez ou outra pegava a bolsa vermelha e entrava no carro e ia dirigindo pra lugar nenhum. Só ela, e a música. Nunca ansiava chegar a um lugar específico, porque sua vida era um eterno andar sem saber pra onde, nem porquê. Às vezes encontrava um campo com trigos no meio do caminho e achava por bem ficar ali pensando na vida. Às vezes parava o carro e ia andar na chuva sem guarda chuva e às vezes sentia uma vontade infantil de parar pra tomar sorvete, e parava. Deu-se essa mania estranha de fazer aquilo que bem entendesse, desde a mais tenra infância. Coisa que era ao mesmo tempo liberdade e solidão. Porque ser livre é ser um tanto sozinho, também. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas naquele domingo, em específico, ser sozinha deu angústia. Sentou-se no parapeito da sacada então, observando os carros e as poucas pessoas que iam e voltavam e avistava coisas como famílias aparentemente felizes e casais andando de mãos dadas passeando com um cachorro. A normalidade da vida cotidiana que cansa e encanta ao mesmo tempo. No rádio o pink floyd gritava &lt;i&gt;"wish you were here"&lt;/i&gt; e ela não conseguia pensar em nenhum ser humano vivo que ela quisesse que dividisse a sacada com ela. Não naquele momento. Depois veio o Bob dylan gritando rouco e tresloucado que &lt;i&gt;"ain't me your looking for"&lt;/i&gt; e não houveram dedos suficientes pra contar nas mãos quantas vezes tinha falado - ou pelo menos pensado em falar - aquilo para outra pessoa. Nunca era ela. Mesmo quando era, nunca era ela. Porque é muita fantasia pra uma pessoa só. É muita mania, muita histeria, muita necessidade de mudança. Não dá pra agüentar. "É que um dia eu estou sentada num café dizendo 'você-é-o-amor-da-minha-vida' e no outro eu digo 'não-existe-ninguém-mais-errado-pra-casar-que-esse-cara'", pensou. E é assim, não tinha jeito. Amor era coisa de gente crescida demais, convicta demais, que se doava demais. Não coisa pra uma menina que não sabe decidir nem que tênis vai colocar com a roupa que escolheu. "De repente ninguém sabe mesmo de amor", refletiu. E podia bem ser que seja. Mesmo aqueles que sabem, não sabem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas olhava prós casais felizes de mãos dadas passeando no domingo e tinha angústia. Porque sabia que tinha passado, naqueles vinte e poucos anos de vida, muito mais domingos sozinha do que domingos segurando mãos. Também segurou poucas mãos na vida, e mesmo as que segurava tentava soltar rápido demais. Existia nela um terrível paradoxo entre sonho e personalidade destrutiva. Sonhava com uma casa, um jardim enorme com árvores que dão frutas, porque de repente acha importante que as crianças trepem em cima das árvores como macacos, mesmo que isso consista em cair e quebrar os joelhos. Ela nunca conseguiu subir nem no primeiro nível da árvore. Medo demais de cair do céu e despencar no chão. Realismo demais, pragmatismo demais. Desde os sete anos de idade nunca se permitiu sair do chão. Sonhar sim, mas nunca o risco demasiado. Ou amor, se preferir. Sonhava com essa casa com espaço, ar livre, o verde. Mas de repente pensava de novo e achava que os filhos iam acabar sendo mesmo crianças-de-apartamento, como ela. Dessas que passam o dia todo no computador, ou nos jogos de tabuleiro. Quem sabe um video-game. Nada lúdico, nada educacional e é por isso que sonhava também com um marido extremamente criativo que aceitasse ter uma chácara pra passar as férias com a crianças, e aceitasse de bom grado fazer as malas numa sexta feira depois do serviço, pegar o carro e sair com as crianças num tipo de passeio sem-rumo cantando músicas de viagem, ou beatles. Simples fantasias. Um marido zeloso, apaixonado, dois filhos - um menino e uma menina - uma casa confortável, um emprego flexível, ser-feliz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; Encontraria seu marido em um lugar inespecífico, puxaria assunto, teria um gosto parecido com ele para culturas em geral, e talvez eles gostassem do mesmo tipo de bizarrice, tipo perder uma noite inteirinha de sono pra comer pizza de marguerita em cima da cama conversando e bebendo coca no gargalo. As pessoas não sabem, mas elas são muito influenciáveis pelo fato de alguém no mundo compartilhar - ou ao menos entender - os gostos estranhos delas. No caso dela seus gostos estranhos incluíam música brega dos anos oitenta, desejos por comidas gordurosas em plena madrugada e dormir de meias, mesmo no calor. E tudo isso parecia um sonho impossível pra quem não conseguia gostar nem de um refrigerante por mais de três semanas seguidas. Pensava nesse tipo de coisa, no meio da angústia. Quando será que existiria alguém capaz de escrever na vida real uma história que tivesse ares de filme romântico alternativo? E respondia pra si mesma: nunca. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguns números no celular, algumas pessoas pra quem poderia ligar quem-sabe dividir uma cerveja no bar. Afinal é domingo, seis da tarde e talvez seja isso que se espere das pessoas que não tem um namorado, uma família ou mesmo um cachorro pra levar junto na padaria pra comprar seis pães e um litro de leite gelado. Uma ligação, um encontro, uma conversa que vale a vida, o começo de um grande amor quem sabe. Mas não. Já conhecia aquelas pessoas, sabia que irritava nelas qualquer coisa que seja. O dente canino pontudo demais, a mania de sair pra fumar no meio da conversa, o gosto por filmes de ficção científica, a mania de escolher o toque mais irritante pro celular, não querer ter filhos, dirigir devagar demais, não gostar de bandas de brit-pop, ser sério, ou simplesmente ser um doce mas não suscitar nela qualquer tipo de sentimento que chegasse próximo do amor verdadeiro (e ele tinha beatle preferido, que terrível). Então debruçou no parapeito da janela, quase acendeu um cigarro, quase foi pegar uma cerveja na geladeira, quase calculou quanto tempo um corpo jogado do décimo quinto andar demoraria pra chegar ao chão, quase ligou pra três pessoas, quase mandou ume mensagem bonita, quase inventou um novo amor, mas no fim só mudou de música porque o amor parecia bonito demais enquanto um dos irmãos do oásis cantava &lt;i&gt;"and-all-I-know-is-that-I'm-in-love-with-someone-who-loves-me-too"&lt;/i&gt; e então gritou "o amor não existe!" bem alto, no meio da melancolia, da angústia, e achando que algum casal separaria as mãos depois de ter bradado o que pra ela seria a grande verdade universal ainda não revelada pela humanidade. O amor não existe. Só existe na literatura, e no cinema e o dia dos namorados foi inventado para as pessoas se sentirem um lixo por causa de uma coisa que todos sabem que não existe. O amor não existe. Não existe nas segundas feiras a tarde, nem nas quintas feiras frias com vinho e macarrão, nem nos sábados felizes e muito menos nos domingos modorrentos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Pra que doer por causa de uma coisa que nem existe?" se perguntou. E tentou dançar, e tentou cantarolar "happiness-is-a-warm-gun" e quase concordou "é sim, john, é claro que é". E se sentiu feliz por um instante. E tentou fumar um cigarro, e tentou beber a cerveja de geladeira, e tentou ligar para duas pessoas, e tentou mandar uma mensagem bonita, e tentou inventar um amor. E falhou. E de repente olhou de novo pra fora, tão out, e viu que um homem sorria segurando uma mulher pela mão como quem mostra pro mundo "é minha". e ela sorria de ser dele. E duas crianças mais pra frente, pulavam, e se sentiam amadas. Daí pensou que o amor existe sim. Estranho, errado, manco, bonito, sublime, do jeito que for. E pensou que quem sabe, o amor acontece, num desses domingos modorrentos, de angústia que dói, de solidão encroada de anos e meses, e dias. No meio da rua, aparece alguém que tem o mesmo gosto estranho por pizza as três da manhã, um canino que não incomoda e uma tremenda capacidade de fazer nascer amor. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dividiriam então uma trajetória juntos, quereriam uma árvore por acharem os dois ser indispensável para uma criança trepar nas árvores até ganhar tantos hematomas quanto puder. Passariam a lua de mel de mochila nas costas, desbravando a américa do sul ou a europa e casariam de tênis - por ser mais confortável. Antes disso teriam dividido várias pizzas as três da manhã onde conversavam até secar a saliva e descobririam numa dessas conversas que odeiam o filme preferido um do outro, e não ligariam. Assistiram novos filmes, identificariam um ao outro em personagens de literatura, escreveriam bilhetes com citações que lembrarem o outro, gravariam DVDs com filmes que não gostaram tanto, mas sabiam que o outro amaria. Dividiriam pedaços de vida, de história e do último pedaço de doce que sobrou na geladeira. Doariam um pro outro às vezes, o último copo de leite. Ele lembraria de comprar pra ela seu bombom preferido quando fosse à padaria comprar pão. Enxergariam traços um do outro em seus filhos. A cor dos olhos, a ondulação do cabelo ou o jeito despretensioso como ela olha às vezes, igualzinho à mãe. Brigariam, refletiriam sobre o fato do amor ainda existir. E ela ia querer fugir mil vezes tentando gritar que "o amor não existe". Pois se sabe criança imatura, que não sabe brincar de amor, mas que espera um dia dizer que não sabe amar, e ouvir de volta "está tudo bem, eu te ensino". E quem sabe seria feliz. Com os pés fora do chão. Casando de tênis, as quatro da tarde, no meio do mato dizendo sim para o homem no qual enxergou no fundo dos olhos um futuro lindo e descobriu que o amor existe sim, e dá pra pegar na mão, num dia de chuva cantarolando que "you-and-I-will-gonna-live-forever" e sorrindo. Num domingo cinzento, às cinco da tarde, enquanto alguém na sacada observa e já não tem coragem de gritar que o amor não existe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2798922013859579212-8292498218268846240?l=meuuniversonopapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meuuniversonopapel.blogspot.com/feeds/8292498218268846240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2798922013859579212&amp;postID=8292498218268846240' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8292498218268846240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2798922013859579212/posts/default/8292498218268846240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meuuniversonopapel.bl
