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25.7.11

Que amava toda quadrilha.

(do Chico Buarque e do Drummond que me fazem, falo como personagem)

"Te amo", é dessas expressões que nunca cogitei te dizer nem em sonho porque sempre soube que dizer "te amo" pra você deixaria de ser expressão e se tornaria um ridículo e extenso (e quem sabe nunca-antes-visto) derramar de mim mesma.
Amor é uma coisa complexa que se eu tentasse explicar me embananaria toda, salvo se estivesse munida por eu-líricos cantantes e bonitos. Gosto de ti. Porque sim.
E deveria saber que quando a gente gosta "porque sim" de uma pessoa é porque gostar já é palavra boba demais dentro do universo que envolve essa relação.
Me destruístes de tal modo que não é possível que consiga poetizar nossa quadrilha, pois coisa vira e, real que você é pra mim, só sei de você cru e nunca soube de você minha história. Sei de você cru nos meus ossos, carne e, principalmente em pensamentos que me ocorrem em tardes cinzentas.
Sempre te acharei a companhia perfeita para a casinha de sapê que nunca construiremos e de algum modo vou sempre imaginar alguma coisa ridícula.

(Ridícula do tipo, não terminar esse texto porque admitir que eu te amo quase que me embrulha de amor de tão cru que és).



Texto encontrado - e não revisado - num caderno de faculdade que data de 2008.

and there is no modern romance.

Liguei o rádio e soube: dali pra frente nada mais se concretizaria na memória a não ser as lembranças. Tem sido assim. Assim, um eterno lembrar-e-esquecer como um círculo vicioso, um carrossel, uma roda gigante que não para nunca e aonde, por mais que entrem novas pessoas, ela continua sentada no exato mesmo lugar. Dando voltas e voltas, e mais voltas. Teve esse e aquele outro e um belo momento e outro belo momento mas, de alguma forma, no amor a existência tem precedido a essência e a falta de sentido é uma constante. Como em equações matemáticas a vida é dada como: amor-vezes-a-constante-(falta-de-de-sentido)-é-igual-a-zero. Zero.

Pensava nisso enquanto tentava pensar em outra coisa. Sempre assim. A gente pensa que esqueceu, depois ouve uma música qualquer e tudo volta feito ferida que não cicatrizou, e lateja o lugar que a gente tinha esquecido que tem (o coração, talvez?). Foi assim naquela noite fria enquanto tomava meu whisky e fumava meus cigarros de filtro laranja. Tudo que ainda sabia dele é que, continuava com o mesmo senso de humor e, tinha começado a fumar também. "Não fumávamos quando éramos jovens", pensei. Engraçado a inconsequencia ter começado no exato momento em que deixamos de ser. Será que éramos sem saber nosso ponto de equilíbrio, nossa religião? Seria o amor o nosso deus? talvez. Você era a única coisa em que eu acreditava. Personificação do amor. A partir do momento que você se foi o amor deixou de existir e, se você voltar pode ser que ele renasça. Pode ser. Já fazem três anos e tudo que você deixou se transformou em descrença.

Eu olhei o telefone algumas vezes, encarei, sexta feira as onze da noite não deve ser um momento propício pra ligar pra alguém que não nos ama mais e destilar alguma coisa como mágoa ou veneno, e todos esses sentimentos meio amargos que nascem pra disfarçar o amor. Mas pensei. Te mandar um torpedo te dizer "olha, eu sempre te amei, eu sempre vou te amar", mas você não iria entender e ia sentir pena do meu amor, pena de mim, pena de tudo isso que você fez nascer e eu estou cansadíssima das suas penas. Estou cansada do mundo também. Você sabe que tenho me enfiado em bares, bebido muito, caído, fumado cigarros e experimentado novos corpos. Guardo no meu apartamento uma garrafa de whisky pela metade e enquanto me embriago penso em você e em tudo-que-poderíamos-ter-sido, depois busco um número qualquer na minha lista de contatos e discutimos cinema, e literatura e depois transamos sem nenhum amor e nos beijamos sem nenhuma paixão e talvez, eu disse talvez, exista ternura nessas coisas e nesses novos homens e nesses quase-amores mas é tudo tão diferente.

Já ensaiei dizer "te amo" pra novas pessoas, mas eu não sei falar de amor. As vezes até tento, daí engasgo, daí digo "eu-gosto-muito-de-você-e-nunca-quero-te-perder" como um desses cachorrinhos carentes que se enfiam no colo de qualquer um, mas eu sei que no exato momento que ele sair por aquela porta todo significado acabará como a cinza desses cigarros que eu fumo e se espalhará pela mesa da cozinha, pelo chão da sala e depois vai sumir. E eu vou ficar, vou continuar, vou beber whisky sem gelo e vodka com suco de laranja. Vou tentar inventar amor, vou frustrar expectativas de romance, vou responder eu-te-amo-também pensando em você e em você porque é só em você que eu penso quando olho dentro daqueles olhos sem brilho nos beijos sem gosto que tenho dado. Tanto faz quem sejam as novas pessoas agora. São só bocas e cabelos e olhos e elas podem me ter quando quiserem e me deixar quando bem entenderem, eu não sinto ciúmes, nem ternura, nem nada. É só um nada, um vazio, uma necessidade de preencher todo esse buraco que você deixou quando se foi, e eu invento momentos sublimes e interessantes, minha vida tem parecido um desses filmes alternativos de romance que a gente nunca gostou e quem olha de longe quase sente inveja da minha fe-li-ci-da-de.

Não sou feliz, baforo fumaça pra fora pra ver se toda essa cinza espalhada pela casa te exorciza. Se eu cremo o meu amor por você, se de repente um dia eu acordo e faço uma espécie de funeral pra todos os momentos que tivemos juntos nessa casa, nessa imensidão de cidade, e dentro de mim. Pra ver se tudo isso que me destrói aos poucos destrói junto tudo o que sobrou de você em mim. Eu me reinventei, me recriei, me refiz. Refiz uma vida toda pra esquecer e me livrar da vida que eu tinha, daquela que eu era, pra esquecer que eu era sua - e amava. Penso em te abraçar, te ligar, chorar, ajoelhar na porta da sua casa te dizer que depois-que-você-se-foi-a-vida-se-tornou-uma-aventura-errante e penso, todos os dias, em dizer que (ainda) te amo.

Mas tomo um gole de whisky, acendo um cigarro e mando uma mensagem dizendo que "estou com saudades porque lembrei de você nessa noite fria" para um número que não é o seu.

24.11.10

ah, beibe.

Quando eu sentei de volta naquela cadeira, eu queria ter tido a coragem de te dizer "beibe, você fez muita falta". Você devia saber, também, que, apesar de tudo - e eu digo isso assim, cheia de vírgulas e pausas mesmo, porque cada palavra que sai vem direto do coração e dói - eu esperava que você estivesse presente. Você, talvez, quem sabe, iria dizer que eu espero talvez demais de você. É difícil acostumar a minha cabeça meu vício e (principalmente) meu coração ao fato que, talvez, você, nunca mais, esteja presente. Seria bem mais fácil se eu estivesse acostumada as grandes separações. E talvez eu até esteja. Nunca esperei grandes amores de lugar nenhum que fosse, eu nunca dei um passo maior do que a minha perna e na verdade, olha, na verdade, só sei viver de pequenos passos que acabam me fazendo chegar muito atrasada em todos os lugares que quero, e, daquela vez, porra, daquela vez, o lugar era o seu coração. E quando eu finalmente cheguei, eu tinha perdido toda aquela trajetória que eu comecei a dar muito, mas muito tempo mesmo, antes.

às vezes eu tenho vontade de cantar pra você e pra mim, todas aquelas canções que dizem de tudo que deveria ter sido e não foi. Hoje, beibe, hoje nem medo eu tenho. Eu já te perdi, eu sei, já foi it's over, e por mais que eu entenda que cada olhar desencontrado seu é uma tentativa de dizer desculpas e de pensar "meu-deus-como-o-mundo-nos-separou-assim?" já não tem mais nada que possa ser dito entre eu-e-você. O mundo pode não ter querido, mas você sem querer quis. Eu ainda me lembro do dia que você me levou pra tomar o último café e me disse que tudo aquilo que um dia existiu, olha beibe, não existe mais. "Não tem, não tem mais nada" você dizia. Como se tudo aquilo que existiu - e você sabe que existiu - eu tivesse inventado no meio do meu mundo cheio de palavra. E eu dizia, que "eu sei, beibe, eu sei como é difícil lidar comigo" sempre me desculpando por ter sido essa bagunça na sua vida e enquanto isso você me olhava e eu sabia que se você soubesse como juntar meus pedaços de novo, você juntaria. E toda vez que você me vê, você me olha como se quisesse juntar meus pedaços. E eu quero dizer "olha, já teve muito amor dentro de mim, e se você remexer, você encontra tudo de novo. tu-do. é só você me olhar de qualquer jeito que seja, com a mínima intenção de juntar as minhas partes quebradas, que você acha esse amor perdido, e beibe, para que eu não quero mais encontrar amor dentro de mim. Não esse seu amor". É que eu vou ficar bem. Do jeito que eu posso, do jeito que dá, bebendo minhas cervejas toda semana, você sabe que eu vou ficar bem (embora não acredite).

O que me mata, beibe, é essa sua culpa. Para com essa culpa de ter me feito sofrer. Eu te amei porque eu quis te amar. Você não fez nada pra que isso acontecesse. E faz de tudo, todos os dias, pra que deixe de acontecer. E essa sua mania, de ficar cuidando de mim, me olhando como se sempre houvesse uma dívida entre eu-e-você que nunca te permitisse viver a sua vida (embora você viva). Não existe dívida nenhuma aqui dentro, e nem a dor, nem essa dor que eu sinto, sabe, essa dor, nem essa dor é sua. A dor é minha, o amor é meu, você é o resto disso, o que sobrou. E esse seu olhar triste, ah, beibe, é isso que mata. Eu te vi sorrir com os olhos tantas vezes. É que existe uma diferença, sabe, nesse teu sorriso de agora e naquele. Se eu tivesse te visto uma vez que fosse com aquele sorriso, do olho, da boca, do coração, olha, eu juro, eu juro mesmo que não ia ter mais peso. Mas de repente, você vem de lugar nenhum, encosta no meu ombro e enquanto pergunta se eu estou bem se esconde no meio dessa sua vida, ai, beibe, pára. Se for pra ser feliz mostra essa sua felicidade pro mundo. Esquece, me machuca com o sorriso, o sorriso-maior-do-mundo, e se lixa pro mundo. Vive, caramba. Mas você não vive. Você sabe viver? de um jeito qualquer que seja, você sabe? sem ter esse fundo-de-tristeza-no-fundo-dos-olhos, você me disse isso uma vez e olha agora, eu enxergando tudo isso em você. É que eu acho que eu já fui tão você que nem que eu quisesse não ser, beibe, não ia ter como.

"Eu senti tanto, tanto, tanto a sua falta, beibe". Eu quis te dizer isso, naquele dia. Eu quis que você me abraçasse, e me dissesse que tudo-ia-ficar-bem. Me dissesse do seu jeito desajeitado, no meio do jantar, que você estava orgulhoso de mim. Só que esses teus olhos tímidos ainda dizem mil coisas, ai beibe, dizem, e ainda tinha orgulho ali. Eu focava em você e continuava, é que eu foco em você e continuo, e olha só, eu já esqueci de mim, o problema agora é você. Me diz, me diz que você está feliz, me conta de um mundo todo de coisas maravilhosas, porque de mim eu sei cuidar beibe, sei sim. Nem que seja pra me deixar de ladinho e ir cuidar do mundo pra disfarçar que eu choro às vezes, mas tem tanta coisa e tanta gente linda ao meu redor, eles vivem num enorme afago de palavra-e-sentimento, que mesmo que eu quisesse ser infeliz, não tinha como. E você, você fica aí tão sozinho, sabe, tão se perdendo de você mesmo, que às vezes eu te imagino fazendo um milhão de coisas que é pra não pensar na vida. Você já fez isso tantas e tantas vezes, mas depois parava, tomava um ar, eu sempre tinha tempo pra você e pra suas bobagens, hoje eu já não sei se você para. Às vezes eu acho que não. É que eu me seguro pra dizer, convictamente, que no fundo beibe, eu ainda sou mais feliz que você. Um dia você me perguntou se tinha alguém no mundo que não tinha esse resquício de tristeza no fundo dos olhos, e eu disse que devia ter, porque tem gente no mundo que ama de verdade, beibe. Tem sim. Só que não é você, e nem sou eu. E você ia me olhar com uma cara esquisita se eu te dissesse isso de verdade, mas eu repito "não-é-você-e-nem-sou-eu".

Agora me esquece, vai. Eu senti a sua falta sim, por mais presente de corpo que você estivesse. Aquele seu espírito voando, sei-lá quantas coisas passavam pela sua cabeça enquanto você me ouvia falar aquelas coisas todas, mas mais uma vez nessa nossa trajetória eu esqueci que eu queria te dizer mesmo que eu senti a sua falta demais, que eu pensei em você o tempo todo, e acabei foi querendo te abraçar e dizer "ai, beibe, para de se perder assim desse jeito e vai ser feliz, porque você merece". O que me dói beibe, ah, o que me dói é saber que se eu te dissesse isso você ia me retrucar dizendo "mas eu, eu sou feliz" e enquanto abre um sorriso daqueles que enganam todo mundo eu olharia pro seus olhos e saberia do tamanho da mentira. É que no fim das contas, eu sempre imagino a gente se encontrando na frente do bar,depois de cinco, dez, vinte anos, e depois da gente se contar inteiros, eu te abraçando a cantarolando "Baby, we're lost, baby we're lost causes". Porque nós somos. Porque nós só soubemos apagar nossos resquícios de tristeza no fundo dos olhos, quando nos olhamos, deixamos de enxergar nós mesmo e vimos um ao outro. Porque vai ver, eu sempre morei no fundo dos teus olhos. E você nos meus.

13.10.10

old soldiers, just fade away.

Você sabe, a última coisa que eu escrevi foi que eu provavelmente ia ficar te esperando em uma cadeira em qualquer lugar que seja. Eu disse isso mesmo. E mais que isso, eu pensei e senti que iria ficar esperando por você o-tempo-que-fosse-preciso. Ia mesmo. Ia colocar uma almofada na cadeira, maquiar a minha tristeza e ficar lá, esperando até o dia que você resolvesse me pedir desculpas. Acontece que hoje, nesse dia sem música que eu tive, eu fiquei olhando pra minha vidinha (e digo mesmo, vidinha, no diminutivo, porque não é nada que eu realmente possa chamar assim de Vida, com letra maiúscula) e percebi que por mais que eu sinta sua falta, aqui e ali, nos cafés, nas caminhadas, nas letras de músicas, eu já não preciso de você. Nem assim, na literatura. É que eu pensei em uma história e pela primeira vez ela não incluia você. Nem assim, como personagem maquiado. Eu pensei nesses mil álter egos que eu faço pra você, te chamando de mil nomes diferentes, e pela primeira vez, achei desnecessário. É que eu andei pensando em mim, sorrindo com as besteiras das ruas, com as crianças, juntando dinheiro pro sorvete. É que eu andei sem músicas que me lembrassem você, nem os lugares. É que eu sonhei em comer cocada, pão de queijo, em fotografar. Olhei as vitrines, me descobri no meio da moda e não quis que você sentisse orgulho de mim. Eu já não espero mais que você esteja ali pra colorir minhas histórias, nem como parte-integrante nem como parte-de-dentro nem como personagem secundário e nem como aquilo-que-eu-queria-que-você-fosse. É que pela primeira vez eu olhei pra mim antes de olhar pra você, e eu-sem-você sou feliz. Do jeito que eu posso. Nessa melancolia de cafés de fim de tarde, livros não-lidos dentro da bolsa, no meio da minha mania de cada dia querer ser uma coisa diferente, de às vezes não beber nada e no outro dia querer tomar um porre. No meio da minha indecisão de vida de mil coisas e no meio dessa minha descoberta gigantesca e sem fim, pela primeira vez eu me descobri sem você. E não doeu, nem fez furo, nem fez dor, nem fez arrependimento. Só aconteceu.

15.7.10

Quebra cabeça de existência.

Talvez eu queria te olhar, dizer meu deus você era a minha única esperança nesse mundo, nessa vida, nessa minha existência. Era a minha única esperança agora pelo menos nesse instante era a única coisa em que eu estava me agarrando, e tudo isso, toda essa indecisão-indiferença, todo esse mistério sem sentido tem me feito mal, meu deus, tão mal que você se soubesse ia parar ia sumir ou ia dizer de um jeito estranho sem amor, sem sentimento sem nada que estava tudo bem, que ia dar tudo certo e que ainda havia esperança em algum lugar na vida, no mundo, nas pessoas, nas coisas todas. Mas você nem deve saber o que é isso. Eu descubro então que na verdade não queria te dizer coisa nenhuma dessas, porque na verdade você não é nem perto daquilo que a gente pode chamar de esperança ou sei lá o que. É só assim um nada, no meio desse monte de nadas que tem se tornado a minha vida. Desses buracos. Eu tento te pegar e dizer meu deus, vem cá, preenche esse buraco. Mas o buraco não foi você quem fez, fui eu. E não cabe a você nem a ninguém preencher. Como um quebra-cabeças desses de cem peças que perdem uma parte não adianta tentar colocar a peça que for no buraco, quebras-cabeças precisam de encaixes perfeitos. Assim também se faz com a vida, com o amor e comigo. Você não é a minha peça, a minha esperança, você só é esse nada no meio do monte de nadas que a minha vida virou desde que eu perdi uma peça. Um pedaço, uma parte, meu braço direito. E o quebra-cabeças fica lá, perdido, perdendo cada dia mais peças, abrindo cada vez mais buracos e é nessa ânsia de preenche-los que tudo que eu consigo é me perder cada dia mais. Nessa procura de peças erradas coisas erradas gentes erradas tudo que eu percebo é que só existe uma peça que eu perdi e só resta então conviver com o buraco até achar a peça de novo, ou quem sabe só aprender a conviver com o buraco, com o vazio, com o nada.

Diariamente.

17.3.10

Mesmo que mude (é sempre amor).

"Ela vai mudar,vai gostar de coisas que ele nunca imaginou. Vai ficar feliz de ver que ele também mudou. Pelo jeito não descarta uma nova paixão, mas espera que ele ligue a qualquer hora só pra conversar e perguntar se é tarde pra ligar. Dizer que pensou nela, estava com saudade, mesmo sem ter esquecido que é sempre amor, mesmo que acabe com ela aonde quer que esteja. É sempre amor, mesmo que mude, é sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou.

Ele vai mudar, escolher um jeito novo de dizer "alô". Vai ter medo de que um dia ela vá mudar que aprenda a esquecer sua velha paixão, mas evita ir até o telefone para conversar, pois é muito tarde pra ligar. tem pensado nela, estava com saudade. Mesmo sem ter esquecido que é sempre amor, mesmo que acabe com ele aonde quer que esteja. É sempre amor, mesmo que mude, é sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou.

Para conversar nunca é muito tarde pra ligar. Ele pensa nela. Ela tem saudade. Mesmo sem ter esquecido que é sempre amor, mesmo que acabe com ele aonde quer que esteja.

É sempre amor, mesmo que mude. É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou." (bidê ou balde - Mesmo que mude)

E dizendo assim, que pode ser qualquer coisa dessas, dessas coisas inúteis que me lembre qualquer coisa inútil tipo amor, mudança esse estar constante e esse não ser. Qualquer coisa, Caio F., Clarice, Bidê ou Balde. Uma palavra, uma foto, um dia ou um gesto, usando qualquer coisa dessas pra tentar te dizer aquilo que dia após dia eu só sei é sentir: Garoto, você (ainda) me dói.

11.3.10

a saudade é arrumar o quarto de um filho que já morreu.

É difícil te dizer essas coisas.
Mais difícil ainda porque tenho tentado repetidamente há alguns meses sem sucesso algum. Não que eu não saiba as palavras certas. Você tem que concordar comigo que de palavras eu sempre entendi. De amor nem tanto, mas sobre palavras, como colocá-las da maneira certa pra te atingir aqui ou ali eu sempre soube. Talvez saiba até hoje, mas já não tenho tanta certeza.

Existe algo, aqui dentro, que vem quebrado repetidamente. Todos os dias quebra mais um pouquinho. Não sei se você entende sobre coisas que quebram. Eu sempre fui a quebrada das coisas. Você sabe, bem por detrás do meu sorriso bonito sempre teve alguma coisa quebrada. Dor, ou qualquer coisa assim. Aquela coisa que você olhava ou ouvia e depois me dizia que não sabia como agir quando eu lhe dizia essas coisas. Eu sempre achei bonito. Bonito esse seu não-saber-mas-querer. Eram momentos assim que me faziam querer te guardar em caixinhas. Daquelas pequeninas, ali na estante. Sentimento. Dos bons.

Eu tenho repetido rotas. Rotas que repito todos os dias, repetidamente. Comigo, com outras dez pessoas, com uma só, só que outra. Partes do meu cotidiano assim, imagens daquelas tão corriqueiras que se nos pedirem os detalhes a gente nem lembra. Faz um tempo que em todas as minhas rotas lembro de você. E não importa quantas vezes eu tenha passado lá com outras pessoas e nem quantas vezes ou quanto tempo faz desde que o trajeto não é feito com os seus pés de tênis sujos do lado do meu, mas tudo grita: vo-cê. Em detalhes.

A esquina em que um dia deixei você ir e fiquei te esperando, sentada, vendo o sorriso bonito. O caminho que devo ter feito dez, vinte, sessenta e sete vezes desde a única vez que o fiz com você, mas lembro é de ti, em detalhes. Me lembro do dia que te esperei e te vi. Me lembro do único dia que me esperastes, nervoso. Me lembro dos teus pés do lado dos meus, silenciosos quase e eu gritando nervos, falando demais, como sempre-sempre. Me lembro de primeiras vezes, de únicas, de rotinas esquecidas aqui e ali. Me lembro de você. Do cheiro e do sorriso. Do jeito de rir, dos dentes errados, do desajeitamento, da altura exata e até das vezes que eu deveria ter prestado mais atenção eu me lembro.

Tenho me lembrado, que nem doença, de você.
Me lembrado como se lembra das pessoas que morreram. O não as ter nos faz lembrar delas em trajetos e rotas e rotinas. Faz lembrar do que um dia se teve e não se vai ter mais. Por fatalidade. Um dia você acorda e te contam que aquela pessoa nunca mais fará parte da sua vida. Nunca mais os telefonemas, as visitas, as tardes e as rotinas.
Nunca mais.
E é quando você começa a viver com lembranças. Me lembro do dia que. Daquele outro dia que. Da camiseta verde. Da camiseta azul marinho. Da bolsa. Da carteira. Lembranças. Lembranças que qualquer dia somem e só sobra a essência. O cheiro de morte, tudo que deveria ainda ser e não é mais.

O que eu quero dizer, sem eufemismos ou tragédia demais, é que você morreu pra mim. Não por dentro. Ninguém morre por dentro de ninguém. As pessoas que morrem continuam tão vivas ou mais vivas que as pessoas que respiram e andam perto da gente. Mas em algum lugar, você morreu. Um dia eu acordei e te vi, morto, sem nenhuma respiração ou aspiração na minha vida. Tenho contado os dias, e os meses. Tenho vestido meu luto. Tem doído. Eu tinha resolvido não aceitar. Eu tinha vestido meu luto na frente da porta e esperado você voltar. Todos os dias eu esperava você voltar. Todos os dias a saudade aumentava um pouco. Todos os dias a dor aumentava demais. Cada pedaço de terra, de rua, de comida ou de livro me lembrava você. Eu tenho um quarto todo mobiliado com coisas suas desde que você morreu. Eu tenho esperado como a mulher que perde o marido na guerra ou a mãe que espera o filho desaparecido. Eu tenho sentido as saudades mais doídas. Todos os dias.

Mas hoje eu olhei a ausência e pensei na falta de sentido que faz conservar os mortos. O falar em cada conversa, o esperar em cada jantar, o guardar os presentes e as lembranças. E é isso que eu queria te dizer, que eu espero que você morra dentro de mim, como já morreu fora. Delicadamente, causando pouco estrago, aos poucos. Eu não espero acordar amanhã e ver você morto dentro de mim. Eu sei que eu ainda vou me recolher no meu luto algumas vezes, sei que ainda vou chorar sua partida, e mais que tudo vou desejar que você estivesse comigo, vivo e falante, com todos os trejeitos que eu conheço tão bem.

Mas por hoje, eu decidi que eu quero que você morra, e é isso que eu queria te dizer. Faz tanto tempo que você se foi e eu aqui, cultivando essa saudade, esse vazio essa vontade de. Eu não posso mais, o te ter viva em mim é que me faz morrer.




17.1.10

Punchdrunk lovesick singalong

E então ela chega em casa e ele não está mais lá. Rápido. Exatamente do mesmo jeito que ele entrou na sua vida ele se foi. Deu tempo dele se instalar e esquecer de levar alguns livros, uns filmes e umas três camisetas. Deu tempo dele deixar inúmeras e incontáveis memórias. Umas atrás da outra. Café, ônibus, celular, almoço, beijo, tristeza, livro, risada, altura, desajeito, brigadeiro, panela, sacada, água, banqueta, bolacha, chocolate, computador, filme, filme, filme, ligação, corrida, cinema, panqueca, lasanha, seriado, mania, mania, mania, consideração, timidez, amor. Não necessariamente nessa ordem mas é assim que os pensamentos se dão. O armário, o sofá, a almofada, os jogos, a cozinha, a garrafa d'agua, as colheres, os passos, a chave, o interfone, a internet. Tudo lembrava ele de uma maneira ou de outra, assim, desavisadamente como se dá qualquer memória de qualquer amor que chegou ao fim. Ele se foi pra ficar com alguém que nunca nem tinha entrado na história e depois do lento afastamento ela olhou pro lado e só tinha aquilo: ausência. No primeiro dia de todas as ausências, quando as pessoas percebem que o rompimento era um fato consumado, ela, que nunca bebia, tomou cinco copos seguidos de toda bebida que conseguiu imaginar. Pra esquecê-lo. Depois da euforia anterior tudo lembrava de novo ele e ele e ele ele ele ele ele. O copo, o lugar, o colchão, a cama, o vinho, a risada, a piada, a falta, a falta, a falta, a falta. Bebeu até querer vomitar, até subir fogo pelo estômago. Queria vomitar ele, queria tirá-lo de dentro dela assim, como se vomita alguma coisa que faz mal. Assim, como o organismo se encarrega de eliminar qualquer coisa que esteja em excesso. Tinha excesso dele, queria vomitá-lo, vê-lo descendo descarga abaixo, morando no esgoto, pra nunca, nunca, nunca, nunca mais voltar. Simples e sorrateiro assim. Exatamente como no dia em que ele bebeu-a e ela nunca nunca nunca mais conseguiu se livrar dele. Pois nem vomitou bebida e nem vomitou ele. Sentia apenas um peso, uma ausência, uma falta de. Uma azia, uma ânsia. Uma ânsia de viver, de estar e de tentar sobreviver no meio daquela ausência enorme. Ela tão pequena, a ausência tão grande grande grande que não cabia nem dentro dela e nem dentro de trinta copos seguidos de coisa alguma. Clichê. Mal estar. Azia. Ânsia de estar vivo e amar aquilo que já não é, já se foi, nunca voltará a ser. Mais uma história de amor. Todos os seus planos, casar, tarde, filhos, cafés, chás, chocolates, corridas, felicidade felicidade felicidade, sorrisos , ansiedade, águas, recados, cartas, livros, filmes filmes filmes, sentimento, amor. Tudo resumido a uma canção de amor clichê pra se cantar bêbado.

13.1.10

Doer.

Eu tentaria qualquer coisa. Fumar um cigarro, um copo de vodka barata, apertar os lábios até sangrar. Qualquer coisa, só pra você não me doer mais. Nunca mais.

Every man has your voice.

"Eu... Eu costumava fazer longos discursos depois que você foi embora. Eu costumava falar com você o tempo todo, mesmo quando eu estava sozinha. Eu andei por aí por meses falando com você. Agora eu não sei o que dizer. Era mais fácil quando eu só te imaginava. Eu até te imaginava me respondendo. Nós tínhamos longas conversas, nós dois. Era quase como se você estivesse lá. Eu podia te ouvir, eu podia te ver, eu podia sentir o teu cheiro. Eu podia ouvir a tua voz. Às vezes a sua voz me acordava. Me acordava no meio da noite, assim como quando você estava no quarto comigo. Então... isso de repente desapareceu. Eu não conseguia mais te imaginar. Eu tentei falar em voz alta com você, como eu costumava, mas não tinha nada lá. Eu não podia te ouvir. Daí... Eu só desisti. Tudo parou. Você só... desapareceu. E agora eu estou trabalhando aqui. Eu ouço a tua voz o tempo todo

Todo homem tem a tua voz."
(Paris, texas)

11.1.10

Da sua ausência não sei dizer.

Sempre soube falar sobre ti. Assim, sei te contar em mil e vinte sete maneiras diferentes. A minha melhor parte, o pedaço mais bonito de mim. Sei contar a nossa história com todos os detalhes que uma história bonita deve ter, sem ter que inventar nada além do que ela realmente é. Você sempre foi a parte mais bonita de mim, assim, em primeira pessoa do singular. Eu só existi completa quando na sua presença. Me ensinaste sobre amores e tristezas e dores e sobre consideração. Me mostrou algumas vezes que uma pessoa pode ser bonita pelo simples fato de existir. Fostes meu verbo, minha canção e meu céu azul por um tempo muito maior que o tempo que se contam nos relógios. Foste também meu tempo, meu lindo tempo de infinito que existia quando você em mim. Saberia contar de todas as nossas aventuras em detalhes, como quem narra um romance adolesecnte, como quem escreve um roteiro de filme de comédia. Te literaturei das maneiras mais bonitas que pude, fostes meu personagem mais completo. Aquele que eu adoraria ler se um dia fosse o caso. Sei falar das suas manias mais irritantes como quem defende aquilo que mais ama. Sei defender o jeito com que tomas tudo como se fosse seu e sei também, claro, dizer que entendo todas as decisões que você tomou e elencar porquês mesmo quando você mesmo acha que tomou a decisão errada. Sempre te defendi com a bravura de quem ama demais a outra pessoa. E lutei por você. Até o dia em que deixei você partir.

Podia falar de ausencias e faltas. Das milhares de coisas que você deixou aqui, e das minhas coisas contigo. Das manias que eu tenho só por sua causa e as coisas ridículas que você ama e eu aprendi a amar. Sei falar de todas as coisas como se você ainda estivesse aqui, só não sei falar da sua ausência e de todo esse emaranhado que se faz quando eu penso nisso de deixar você ir e entre mandar você voltar. Eu nem lembro mais como foi exatamente o dia que eu resolvi que eu te deixaria ir. devia ser um dia qualquer e devia ser eu exausta de não te ter mais. Não me lembro o dia, a hora a roupa que estava usando e nem se fazia sol. Só sei disso, te deixei ir. E só sinto isso, ausência. Uma ausência tão enorme que eu não posso te dizer como ela se sente. Posso elencar objetos. Posso te falar dos risos que faltam. Posso te dizer das palavras que não saltam mais e dos convites que não mais aparecem. Posso te falar de um lugar no sofá de umas comidas. Te dizer até de um folheto que um dia eu quis guardar e acabou indo com o lixo, até disso eu posso te falar mas eu não sei nem o que eu sinto com isso.

Às vezes você me dói. Fundo. Objetivamente junto com as coisas que eram suas e hoje são minhas meio que do jeito que eu quis que fossem. Queria te chegar e falar tantas coisas. Não dessas que eu solto assim quando escrevo, mas coisas pra você, coisas entre eu e você que eu podia entitular como "tudo o que eu queria te dizer antes de você partir". Assim, como se você tivesse pegando um ônibus para o outro lado do país e eu precisasse te deixar com a certeza de que você sabe de tudo que eu um dia senti por você. E eu não estou falando de amor nem nada dessas babaquices. A coisa agora é sentimento. Eu tinha um monte de coisas pra te falar antes que você partisse. Coisas minhas. Mas você nunca me deixa falar nada e vai indo embora embora embora. E eu desisto de te entregar coisas pra que você leia depois no momento exato que penso em escrevê-las por mais que eu saiba que é necessário que você saiba de mim antes de partir de vez. Mas eu não sei falar sobre a sua ausência. Nem pra mim mesma, quanto mais saberia elencar todos os fatos que eu tinha que te falar antes de você partir. Justo pra você que resolve partir antes mesmo de eu querer que você vá. Justo pra você que era a única presença que realmente importava e eu resolvi deixar ir.

Eu queria saber falar de nós, mas eu só sei falar de mim. Ou de você. Assim, separadamente como sempre fomos. Eu queria te deixar ir também. Pra muito longe. Mas com a única condição que você me esquecesse de vez. E quando eu digo esquecer eu digo apagar da memória. Eu posso deixar até minhas coisas com você e você pode até esbarrar com umas partes minhas (eu sei que deixei algumas várias nesses ultimos meses) mas mesmo assim você não irá sentir falta. vai olhar pro meu pedaço em você e vai deixar de lado junto com os jornais lidos. Junto com tudo que um dia foi importante mas hoje não tem mais razão se ser. Só assim você pode ir.

Mas você não vai. E essa é a pior parte. Se pelo menos você fosse e mudasse de vez eu ia conseguir falar da sua ausência. Mas me diz, que ausência? Eu te deixei ir. Eu não apareço mais nas horas inoportunas, eu nem te ligo mais pra saber como você vai e eu nem me interesso em saber das coisas que você gosta. Mas você vem me contar. Assim, inesperadamente, você vem me dizer das coisas que você gostou e depois vai embora. Exatamente do jeito que veio. Ocupa sua cadeira por quinze minutos, até menos, e volta pro seu país. Aquele em que eu não quero entrar. Te vejo no ônibus e fico te dando tchau esperando que você vá de vez, mas você nunca vai.

Eu não tenho mais medo. Se um dia você resolver me deixar tudo seria bem mais simples. Com o tempo ia ser difíxil lembrar a sua voz, o jeito que você ri e o que te faz sorrir. Ia sobrar uma saudade, mas eu já tenho saudade de tanta coisa. Tem tanta coisa que se foi guardada aqui e ali que minha casa e meu coração tem espaço sobrando pra saudades e ausências. Você ia ser mais um na estante ali, guardado, do lado dos meus amigos que eu não vejo mais. Exatamente ali. E depois ia existir uma vida toda sem você que só ia te encontrar na rua um dia e pergunta como você vai. Nada mais será como antes. E Partimos.

E eu não sei falar da tua ausência, porque você nem se foi. Está ainda, aqui e ali e eu ainda te procuro nos rostos de todas as pessoas que vejo enquanto caminho pelo caminho que hoje parece meu lugar no mundo. Ainda espero te encontrar de novo porque toda vez que eu te encontro eu consigo ser o que eu era. Eu só preciso te dizer muitas coisas, todas as coisas antes que você parta no seu ônibus com destino a lugares que eu não gosto. Eu te digo, e você vai. Mas se vá de vez porque eu quero conseguir escrever sobre a sua ausência. Não a eminente. A que eu vou sentir, e que vai doer. Mas que enfim, vai ser real.

13.12.09

voce em mim.

pensei então na sua jarra de água dentro da minha geladeira. Assim, enquanto fui pegar alguma coisa que não era água pra matar a sede. Coca cola, água de coco, a sua soda limonada. Qualquer coisa que não água, o liquido que eu passo dias e dias sem tomar e que você sempre diz que vai me matar dos rins - com um certo sarcasmo cuidado que eu costumo compreender (e gostar bastante). Alguns passos pra cozinha e é sempre assim desde que você se foi. Abrir a geladeira e ver a sua jarra de água lá. A sua água com gosto de velha, de jeito de quem não tomou. e tomo as vezes do líquido que vai me curar dos rins e sinto gosto amargo de velho - ausência. Sua jarra na minha geladeira quer dizer isso, ausência. A sua. A sua jarra vai sempre continuar lá, dentro da minha geladeira, assim como vão exisitir cento e cinquenta coisas suas aqui dentro de mim. inevitável.

8.11.09

pra sempre (?) meu.

você sempre foi meu. desde que eu posso me lembrar, você sempre foi meu. você existiu pra mim sendo meu garoto, meu garotinho. meu grande, enorme, completo garotinho. você sempre foi meu. mesmo quando não era, você sempre foi. e assim sendo, eu nunca tive o que temer. podiam passar alguns dias, alguns vários dias, mas você sempre ia voltar pra mim e eu ia voltar pra você. era um acordo mútuo assim traçado. a gente nunca mais vai se largar. nunca mais. e podiam passar tempestades e eu podia viajar de balão por todas as cidades que eu quisesse que quando eu voltasse, você estaria lá me esperando. me esperando de braços abertos e com o sorriso-mais-lindo-do-mundo. e eu estaria assim pra você também. você podia se perder por aí como você fazia de vez em quando, mas eu sempre te entendia e deixava um café pronto e forte pra quando você voltasse. só pra você nunca se perder de mim, e aprender que mesmo que se um dia não souber mais pra onde ir, você ia sempre poder voltar pra mim. pra sempre.

mas a grande verdade é que você nunca foi de vez. eu até estou tentando pensar um dia que você tenha ido realmente, mas esse dia nunca aconteceu. Daí a gente só pode tirar a grande verdade do universo, ou a grande verdade da nossa história, como você quiser. você nunca deixou de ser meu, mesmo quando deixou. houveram umas vezes em que você resolveu que ia passar um tempo em outros lugares. você já gostou de outras garotas, é verdade. você quis namorar outras garotas, e todas elas foram e voltaram, mas sem mim você nunca deixou de estar. eu te deixava ir, mas porque eu sabia que você ia voltar pra mim. porque eu sabia que você nunca na verdade tinha se desligado de mim. e eu estava lá, como alguém que te deixa trilhar os próprios caminhos, mas só pra não te deixar desviar da rota certa. eu sempre fui sua rota certa. você podia ir pra qualquer lugar, que no fim das contas era pra mim que você voltava. era comigo que você sempre esteve, você lembra? você ainda lembra que eu te dei colo em todas as vezes que você fez as decisões que eu sabia que iam dar errado e voltou pra mim, dizendo que não estava bem. eu só te deixava ir porque você precisava aprender, mas eu também só te deixava ir porque eu sabia que você ia voltar. e ia voltar pra mim, porque na verdade você nunca tinha ido. você só tinha ido dar uma volta, provar outros ares, mas só pra me contar depois como tinha sido e me dizer que tinha sentido minha falta em alguns pedacinhos da viagem.

Tu ainda te lembra daquela vez que mesmo quase-apaixonado você quase desistiu de tudo por mim? tu ainda te lembra que eu sempre fui teu porto seguro? tu ainda te lembra que eu um dia fui teu ideal de garota? tu ainda te lembra que na verdade você sempre esteve comigo? garoto, você sempre foi meu e eu sempre fui sua. sempre. mesmo quando não fui, eu sempre sempre fui sua. desde o primeiro dia. desde o dia em que você me cativou que eu sabia que eu ia ser sua pra sempre. mesmo que náo fisicamente. eu ia ser sua. podia estar sendo de outros caras, podia ter vinte e sete namorados, mas ainda sim, eu ia ser sua. porque eu nunca fui de mais ninguém. não depois de te conhecer.

mas hoje alguma coisa estranha acontece e pela primeira vez eu tenho medo de que você vá e não volte. que em alguma parte sua, você tenha esquecido que você sempre foi meu. e então resolva ser dela. dela, dela que não tem um tico que seja a ver com você e que vai ter que aprender a lidar com todas as coisas que eu já sei. com todas as coisas que eu já aprendi. tenho medo que você aprenda a ser dela, dela que não sabe o jeito de adoçar teu café ou os livros que você possivelmente vai gostar. dela que não sabe que você tem na verdade quinze anos e que sonha com alguém pra ser sua, e pra ser sua pra sempre. dela que ainda não sabe o jeito que você prefere os seus lanches e nem o que você faz aos domingos, e nem o que você fez a sua vida toda, e nem o que você poderia querer fazer, antes mesmo de você mencionar. tudo isso eu sei, tudo isso eu aprendi enquanto você era meu e eu nem percebia. porque você só era, e assim era como se você tivesse sido assim sempre. nunca houve um jeito de existir que não fosse você sendo meu. nunca. e então eu nunca soube imaginar que um dia pudesse haver. e então parece que há, e eu tenho que te dizer que eu nunca senti tanto medo assim na minha vida. como é que eu vou viver sem ter você pra mim? me diz, me diz se você conseguiria viver com um vazio do tamanho do universo inteiro pra lidar. com todos os sábados da sua vida e todos os restos dos outros dias sem cor. só me diz se você ia conseguir viver sem seu braço direito, porque você é meu braço direito, e o esquerdo, e todo o resto do meu corpo. e eu nasci com todas essas coisas, então nunca imaginei como seria viver sem elas, mas eu sei que ia doer. eu também nunca me imaginei viver sem você, porque até agora você era meu e olha, se você for embora eu só sei que vai doer de um jeito que eu não sei nem explicar como vai ser porque é uma dor que eu nunca senti. e olha, eu não quero saber. porque deve ser alguma coisa bem perto de morrer ou de perder um braço. ou perder o corpo todo. ou seria como viver vendo tudo preto e branco pra sempre, sem nenhuma corzinha que fosse. sendo de qualquer jeito ia doer muito e ia ser bem sem graça. então olha, continua sendo meu. não vai ser esforço nenhum, já que faz um tempão que você já é meu. e aí eu prometo que eu continuo sendo sua, porque eu nem sei ser de outro jeito. mas caso você tenha mesmo que ir e me deixar sem meu braço direito, sem minhas cores e com um vazio do tamanho do universo, só te lembra que eu ainda vou ser sua, se um dia você quiser voltar. porque eu sempre vou ser sua, mesmo quando não for. agora, antes de ir só tenta me explicar o que eu faço se eu te perder, porque eu juro que não sei.

30.10.09

só não se perca de mim.

(para ouvir ao som de Warning Sign - Coldplay)

"...Come on in

I’ve gotta tell you what a state I’m in
I’ve gotta tell you in my loudest tones..."

Sempre foi você. desde que eu possa me lembrar, sempre tem sido você. A pessoa pra quem eu quero dizer, gritando, sorrindo abrindo a boca o que aconteceu, o que vem acontecendo comigo. Meu sempre não é tão velho assim, mas desde que eu te conheci eu tenho a sensação de eternidade que eu sempre procurei. vinte e nove horas ineterruptas seriam se eu precisasse, se você precisasse. quarenta e nove. seu número da sorte que eu nunca soube qual era. o tanto de tempo que fosse necessário. eu estaria com você o tempo que fosse necessário. e você estaria comigo. esteve. está. está (?)

Está. nunca mais do jeito que era antes, nunca mais minha cumplicidade com você. nossa complicidade, eu e você, nós. Agora você me visita às vezes quando por subto lembra de mim, não sei se por vício ou por mania. às vezes quer saber como eu estou, tanto faz. às vezes nem liga. e eu podia despencar na sua frente que você não me estenderia a mão. depois me aparece com seu sorriso, o seu sorriso, as suas piadas, o seu jeito e fica triste por mim. depois não me responde mais, desiste de se preocupar. queria te entender. queria voltar a.

Tinha uma cadeira. na minha frente tinha a sua cadeira de lugar cativo. pra sempre sua. pra-sem-pre. com o peso da eternidade, exatamente assim, com a leveza dela. e você poderia passar dois dias, um mês, e cinco anos que ela ainda estaria lá. pra quando você quiser, quisesse. toda sua. você senta, eu te ouço, a gente faz silêncio. você me conta seu universo de coisas, ou você não me conta nada, mas a gente faz nascer flores coloridas nesse jardim que é meu, seu, nosso. suas banalidades, seus sonhos grandes pro futuro e o que você pensa da vida. na sua cadeira. só sua, pra-sem-pre sua.

Faz algum tempo, pequeno tempo desde que você não ocupa mais a sua cadeira. E eu fico te esperando com um café forte e pensando em te dizer que tudo vai ficar bem, não importa o que esteja acontecendo, tudo vai ficar sempre bem, e mesmo que não fique você vai ter a sua cadeira ali, e mesmo que não queira a sua cadeira vai ter um espaço no meu coração. sempre teve, desde sempre, desde o nosso sempre sempre teve.

Não queria nunca me perder de você, assim, usando todos os extremos estranhos, queria te ter pra sempre pra não perder nunca mais. E eu não sei se você sabe, mas eu nunca fui uma pessoa de sempres ou nuncas. E sim de talvez. você me ensinou a ter certezas, a querer bastante, e a não querer nunca mais. você me ensinou tantas coisas que eu nunca aprenderia com mais ninguém, ou talvez aprenderia, mas não teria tanta graça.

("...You came back to haunt me and I realized
That you were an island and I passed you by
And you were an island to discover...)

Eu só queria que você soubesse que eu sinto sua falta, e sinto então vontade de te invadir numa tarde de quinta feira e te dizer todas as coisas, as minhas coisas que eu sempre quero te contar. queria te despejar meu universo, queria voltar a ter a minha cadeira na sua frente e voltar a desvendar todas as coisas que eu já tinha descoberto, essa sua transparência meio rude. E então eu posso te dizer que você pode ir para qualquer lugar, e pode passar por todas as ilhas do oceano pacífico, e realizar seus setenta e sete sonhos, se vestir do jeito que quiser, com quarenta cores diferentes e conhecer milhares de pessoas que tenham mais afinidades com você do que eu e sentar nas cadeiras delas, se elas assim desejarem, eu só te peço uma coisa, não se perca de mim.

(...When the truth is, I miss you
Yeah the truth is, that I miss you so
And I’m tired I should not have let you go...'")

Não se perca de mim pra que eu não me perca de mim, porque desde que eu te conheci eu sou uma pessoa melhor, uma pessoa mais viva, você é pessoa mais iluminada que eu conheço. Você, o seu sorriso, sua risada alta e seu abraço desajeitado. Dê uma volta no mundo, e se quiser até se perca por um tempo longe. Só saiba que a sua cadeira vai estar aqui pra-sem-pre e enquanto você estiver fora você vai ocupar maior ainda seu espaço dentro de mim, e me invadir de faltas, ausências lembranças. Faça o que quiser, só não esqueça de voltar, porque eu sinto (tanto) a sua falta. E quando você voltar estarei com meus braços abertos, te esperando numa cadeira na minha frente que vai ser pra-sem-pre sua e de mais ninguém. Na casa, e no coração.

"...So I crawl back into your open arms...

24.9.09

sobre voce não sei dizer nada meu

"podia falar de quando te vi pela primeira vez sem jeito de repente te vi assim como se não fosse ver nunca mais e seria bom que eu não tivesse visto nunca mais porque de repente vi outra vez e outra e outra e enquanto eu te via nascia um jardim nas minhas faces"

Caio fernando que eu não gosto, gostava, agora leio e acho bom tilinta na minha cabeça versos que eu grifo para um dia te dizer junto as cartas que eu não mando e um skank velho que pergunta quantos versos sobre nós eu já guardei e te juro, não sei responder e então grifo negrito atrás de negrito a frase certa para dizer isso que eu sinto que eu não sei o que é, e nunca acho nada de bom, ou acho todas as coisas boas porque eu não sei nem o que exatamente eu queria te falar, só sei que são muitas coisas e que elas nascem de dentro como um jardim todo de flores na primavera e olha, eu só sei falar de amor agora e isso eu não sei nem se eu chamo de amor, mas eu não estou falando de nomenclaturas, você está? sei que não está e eu sei que eu tento falar tão rápido quanto eu penso, me falaram isso uma vez e eu achei bonito, é verdade, me faltam vírgulas pontos respiro pausa alguma coisa que me faça eu entender, mas eu nem sei o que eu quero te dizer que quando eu te vejo nasce um jardim dentro de mim cheio das flores mais bonitas e ainda que eu não goste tanto de jardim de flores de coisas bregasclichês dizer que eu estou com saudade ligar pra isso ou até mesmo te encher de mensagens sobre as minhas banalidades cotidianas, eu queria te dizer que eu passaria o dia inteiro me contando pra ti e te ouvindo e eu quero saber de todas as linhas de detalhes que eu (ainda) não conheço e espera eu quero te dizer que quando eu te vi nasceu um jardim dentro de mim, um jardim bonito imenso enorme que se tomou como erva daninha no meu coração e agora eu posso colher flores pra vender e fazer uma feira duas tres cinquenta e sete feiras de tantas flores que você fez nascer aqui dentro e são todas flores bonitas e tão parecidas comigo que eu tenho medo, eu tenho medo de acabar o nosso jardim com ervas daninhas estranhas olha aqui eu não sabendo o que te falar de novo mas é alguma coisa mais ou menos assim alguma coisa meio eu te amo e você fez crescer em mim o mais bonito, então muda pra dentro de mim logo de uma vez, coloca a sua casa decora do seu jeito do jeito que quiser, pode fazer o que quiser que eu deixo só promete continuar fazendo nascer flores enormes que vão tomar conta do meu coração e fazer colorido todos os meus cinzas, eu sou cheia de cinzas sabia? embora voce diga que eu nasci cheia de música eu sou é meio totatalmente completamente estranha então eu estou te dizendo, muda pra dentro de mim e fica pra sempre cuidando do meu jardim que eu cuido do seu pra sempre porque eu te amo e é isso que eu queria te dizer.

23.9.09

apenas mais uma de amor.

(pequena ode da coisa de sempre que não é embalada por lulu santos).

Então sento no meu computador munida de um chá com canela. Chá de maçã com canela, mas maçãs não dão gosto em chá, exceto nos chás artificiais com aroma artificial de maçã, mas não sou adepta de coisas tão artificiais assim, você sabe. E aí na playlist do meu programa de músicas tocam músicas que me lembram você e o gilberto gil canta quem-poderá-fazer-aquele-amor-morrer-se-o-amor-é-como-um-grão. E eu nem sei se acredito em amores que morrem e nascem trigo e vivem e nascem pão, ou o contrário, alguma coisa assim, embora quem sempre troque as letras de música seja você, de um jeito sempre engraçado.

Mas então te digo que eu queria te falar vinte cinco mil coisas, mas na verdade sei que não vou dizer nada e por isso como chocolates atrás de chocolates, todos os dias. e a grande verdade é, que mesmo se eu comesse todos os chocolates do mundo pra sempre eu ainda não saberia o que te dizer exatamente, embora eu saiba bem o que eu queria te dizer se pudesse. E faz dois anos já. Que eu queria te dizer coisas. Desde que você começou a aparecer na minha casa, com suas roupas mal cortadas e que a gente conversava, ou não conversava, mas a grande verdade é que eu sempre gostei de você. desde a primeira vez. Eu não sei muito bem, e eu ouvi em alguma peça, algum dia, que isso é o que chamam de atração inevitável, mas eu nem sei se acredito nessas coisas.

A gente pode chamar de a grande afinidade, se você quiser. A gente pode chamar de qualquer coisa, na verdade. Porque na verdade isso que a gente é nunca teve nome, mas eu um dia disse pra um amigo meu que a gente só ama quem admira e eu te admiro pra cacete, é verdade, embora nunca tenha te dito isso e nem saiba se um dia vou dizer.

Então um dia te sento na cadeira na frente da minha e tento vestir minha melhor roupa, mas meu cabelo estraga toda a conjunção de pessoa bem ajeitada que eu queria ser, e na verdade eu nem sei se você repara nessas coisas. repara? sempre te achei tão visual que eu acho que repara, então eu me policio bastante pra não sumir no meio dos meninos e ser mais uma pessoa que você chama de cara, embora eu também goste quando você me trata assim, e a gente age como crianças de colegial se dando soquinhos, porque eu pareço muito com a garota de treze anos que gostava de um menino que não gostava dela, mas os astros conspiraram para que fizessem aniversário no mesmo dia e isso criasse algum tipo de proximidade louca. Isso e o fato dela ter decorado os cento e cinquenta pokemons e lhe presentear com um pikachu, certo dia. E então lembra também que ela poderia ser a garota mais compreensiva de todo o universo quando gosta de alguém, e então se doou por inteiro um dia e todos os outros dias, até que um dia voltou pra casa feliz porque passaram o dia todo de mãos dadas enquanto ele dizia "ei, vem por aqui" e cuidava dela sem perceber. Mas aquilo não significou nada, assim, em histórias normais, porque não houve beijo, ou namoro, ou qualquer coisa que pudesse qualificar o momento como relacionamento, só que mal sabem as pessoas que bonito mesmo são esses amores que ficam pela delicadeza e não pelo ato e assim foi.

E aí eu queria te dizer, enquanto te sento ali e finjo uma articulação insuitada que sempre sempre sempre dá errado coisas e mais coisas. Mas é assim, um universo de coisas. Um universo coisas tão particulares minhas e nossas que são tão grandes, tão imensas que eu precisaria de um cigarro e um conhaque nas mãos, mesmo que não beba nem fume e saiba que você odeia odeia cheio de cigarro. Mas acho que talvez nem assim falaria nada das coisas que importam e bebericaria e fumaria, e te diria que olha, a fumaça fica até bonita em contraste com o escuro do céu, ou então faria alguma piada muito sem graça e você riria, ou falaria muito alto e acabaria por sentir vergonha de mim no momento que pisasse de novo no meu apartamento e te visse da sacada indo embora.

E dessas coisas que eu não quero te dizer, e quero, mas sei que não vou, mora aquilo de te dizer que gosto de você desde a primeira linha de conversa que tivemos, faz tempo, tanto tempo. E que eu cuidaria de você pra sempre e que eu te admiro pra cacete e que junto com isso, eu viro uma quinzeanista muito ridícula falando alto, quase gritando, histérica. Dizem que amor faz a gente meio assim, faz a coisa toda virar uma papagaiada de filme de comédia romântica muito estranha e louca com direito a tropeçar nos próprios pés, e nas palavras também, porque não? sempre sempre. Você me vê cair dia após dia. E me preocupo contigo mais do que comigo e olha, senta aqui, eu vou te falar todas as coisas. Que me mordo de ciúmes, que morro de medo que mudes demais e que não seja mais aquele menino que um dia eu conheci, desajeitado e lindo e que eu adorava ver rir e que eu queria e quero, e sei lá por quanto tempo vou continuar querendo guardar junto comigo pra privar do mundo e das outras coisas todas e dos perigos que são muito e rápidos. Tenho medo de te perder, de te perder de mim, entende? quero te dizer que eu gosto de você tanto, e é um tanto que quando a gente fala dá vontade suspirar e dói por dentro uma dor estranha e rápida. Espera, senta aqui, mas eu não vou te dizer essas coisas todas não, ainda não, você sabe que eu não consigo e estou tão doente por você que passaria todos os meus dias junto com você mesmo que não falasse mais nada e a coisa toda é tão doente que eu deixaria de te amar agora, nesse minuto e tomaria minha estrada rumo à coisas mais interessantes, mas espera, você é a coisa mais interessante que me aconteceu e mesmo que me doa de dar raiva eu sei que não vou pra lugar nenhum. Vou ficar aqui, esperando, um dia você me pega pela mão e diz "ei, vem por aqui" porque no fundo você também sabe, deve saber e se não souber que bonitos mesmo são os amores que são pela delicadeza de existirem e não pelo ato, e assim vai ser.

6.6.09

Vai sempre ser e sempre será.

Eu já estava completamente confusa antes daquilo, mas tudo que me fez perceber de vez tudo o que estava acontecendo foram duas malditas frases que nem tinham muito a ver se tiradas do contexto, mas entre eu e você faz um sentido absurdo. Você se mostra tão pouco, e eu te entendo tanto que chega a ser chato. Eu queria ser completamente diferente de você. Eu queria estar com você só por alguma afinidade bem idiota. Do tipo ‘ a gente sai junto porque a gente gosta de café com menta e ninguém mais gosta disso, e eu odeio as nossas conversas.’ Mas nossa afinidade ultrapassa o café com menta e eu adoro as nossas conversas. É claro que eu já tinha percebido isso antes, mas eu fico abstraindo as coisas, você me conhece. Você me conhece? Bem, suponhamos que conheça.

Eu fico tentando esconder de todos os modos possíveis o fato de eu adorar tanto tudo que você faz e eu acho que eu consigo bem, pros outros. Pra você eu estou sempre ridiculamente despida e você finge que fala brincando tudo que você já sabe sobre mim. Eu sou frágil e ridícula perto de você, além de querer ficar chamando a atenção como uma criança birrenta. Isso já bastaria pra me desconcertar inteira, mas ainda por cima você me entende pelo olho e isso é a pior coisa que poderia ter acontecido. Eu sou um mistério, sabia? Ninguém sabe meus segredos e ninguém entende o que eu estou sentindo pelo olho. Eu não sou clara e sincera. Eu sou uma merda de uma pessoa seca e que não demonstra nada. Mas com você eu estou sempre baixando a guarda, tentando ser simpática e imaginando que seria bom que você me abraçasse num momento chamado agora. E você sabe disso. Eu sou transparente pra você, eu não tenho vidro fumê nem nada, e se eu fosse um carro com insulfilm, pra você eu sou vidro transparente e você sabe de tudo que eu faço, mesmo que eu não conte. E é tudo isso que eu odeio em você. Porque você não é o tipo de pessoa pela qual eu me interessaria e nada disso. Você não tem nada mais além da altura correta e rir das coisas idiotas que eu falo fazendo parecer uma sacada extraordinária. Eu sinto mesmo é vontade bater em você. E se eu te falar isso você vai saber que eu estou mentindo e vai rir. Vai rir com aquele sorriso que você tem e que tem alguma coisa que eu não consigo me desvencilhar de jeito nenhum.

Suas posições me irritam e na verdade eu adoraria que você não fosse importante na minha vida. E mesmo que fosse eu adoraria mais ainda que você não soubesse. Mas fato é que você soube isso antes de mim enquanto eu só me dei conta depois de umas duas frases que você falou e nem deve ter prestado atenção. E isso é medíocre, tudo isso que eu estou falando poderia muito bem aparecer num daqueles filmes de comédia romântica pelos quais eu tenho certo desprezo, mas mesmo assim choro. E isso resume tudo. Eu queria ter um certo desprezo por você e nem me importar. Você aparece, a gente se dá bem, conversa e tal, mas você não é nada mais do que um daqueles filmes que eu até gosto, mas nunca vão pra minha lista. Não. Eu aluguei você tendo certeza que eu ia ter um certo desprezo e acontece que eu estou chorando igual uma louca por aquele filme que eu jurava não gostar ter enchido minha alma dessa forma.

Foi o que aconteceu, se eu entendo? Entendo completamente. Mas você está sempre entendendo mais. Fato é, eu até queria te devolver na locadora, até devolvi, mas eu fiz uma cópia pra mim e não consigo jogar fora. Você fica fazendo essas coisas. Você fica me entendendo. Você é mais que afinidade de coisa sem importância e eu fico contando horas pra estar com você, porque você é minha presença mais importante. Eu fico te olhando como se você nem importasse nada, mas você já me leu e a gente sabe exatamente o que está acontecendo. E eu te odeio por isso. E por mil coisas mais. Eu podia te falar mil coisas, mas você já sabe de tudo. Eu não estou em suas mãos e posso sair quando bem entender. E pelo olhar você sabe que isso é uma mentirada sem tamanho.

Já não tem mais jeito, eu sou transparente pra você. Faz o que quiser que eu já não ligo. Porque você sabe muito bem que essa minha cara de “ eu estou odiando” é só pretexto pro “ me abraça agora”. "Porque nós não vamos nos casar. Mas não existe ninguém tão bom, e ninguém mais que eu possa encontrar. É difícil pra mim, mas estou tentando."

Seremos sempre, vestígios do que sempre foi, e sempre será.

27.5.09

Das relações humanas.

(Pequeno tratado sobre coisas que sempre continuarão a acontecer.)

Você já percebeu que tipo de relação doentia a gente tem?

Não. Não deve ter percebido, não faz sentido nenhum que você perceba, porque eu tenho uma relação doentia com você e o contrário não acontece.

Eu não estou falando de amor. se eu fosse seu amor e você o meu menino eu acho que bem, eu acho que a gente nem teria chegado a ser como de fato não chegou. é só uma relação. uma relação, como todas as outras relações humanas. relação de conversa, saídas e de uma certa ajuda. nas relações saudáveis é o que se chamaria de ajuda mútua, mas no nosso caso é só ajuda mesmo, de você pra mim. eu me desdobrando e você assistindo, braços cruzados, sentado e achando que não precisa fazer mais nada. eu meio que faço tudo por você.

eu meio que faço isso por todo mundo. pelos meus pais, meus outros amigos, meus amores. mas com você é diferente. com você não tem um pingo de coisa que venha de você pra mim. é tudo de mim pra você. e não é por nada. não é porque são cinco e meia da tarde de uma terça feira absurdamente cansativa e eu mal consigo colocar meus pensamentos em ordem e nem mesmo porque os seus problemas na maioria das vezes se tornam meus problemas, mas eu estou cansada. cansada mesmo. cansada de você. cansada de ser isso daí que eu sou pra você. na verdade, cansada disso daí que você é pra mim.

eu só queria que você resolvesse seus problemas sem precisar da minha ajuda. eu só queria te dizer não quando você viesse atrás dela. eu só queria não (re)descobrir hora ou outra que eu estou fazendo de tudo por alguém por quem meio já estava bem perto do bastante. Não que você não goste de mim ou nada disso e nem que a gente precise fazer as coisas esperando algo em troca, mas às vezes eu fico te olhando e pensando que eu não deveria fazer nada por você. nada mesmo. não deveria perder minhas noites de sono pra ouvir seus problemas que nem problemas direito são. ás vezes eu fico pensando, você já parou pra pensar nisso? parpu pra pensar o quanto você está fantasiando? parou pra ver que você é só mais um deles? só mais um. eu já achei que você era diferente, mas você é só mais um cara. um cara como todos os outros na eterna fila dos caras comuns. um cara. você diz que não mas é só isso, mais um cara.

um cara. um cara desses que acordam todos os dias pensando em ganhar dinheiro e ser famoso. que pensam em descolar aquela mina, enquanto não tem coragem de falar pra garota que está do seu lado o quanto talvez goste dela. mais um cara desses que se preocupam mais com eles mesmos. um cara desses de calça jeans, camiseta e moletom um cérebro com metade da capacidade utilizada. um dessa porcentagem de caras que se acha um dos vermelhos nos pretos, mas é só mais um vermelho no vermelho e acabou. um cara que vai crescer, se reproduzir, ter um carro bonito, uma mulher sem muito na cabeça e vai acabar envelhecendo aí, mais um na porcentagem das estatísticas da classe média ascendente que sonha em ter uma casa maior. mais um cara que vai ensinar seus filhos a gostar de futebol e como se dar bem na vida. mais um. eu já achei que você era um cara, mas você é só mais um cara e eu cansei de carregar você nas costas.

cansei. vontade mesmo de falar pra você que olha, já deu, eu gosto muito de você mas você é grandinho o suficiente pra segurar o seu, cuidar da sua vida e não fazer com que eu compartilhe todas as vezes com a merda que você vive fazendo e muito menos fazer com que eu esteja ali, ombros, ouvidos e olhos pra te segurar depois que você cair quando eu tinha te avisado milhões e milhões de vezes que essa não era a escolha certa. tudo bem, eu não cobro nem peço nada, você sabe eu nunca fui de fazer isso, se eu fosse acho que a gente nem estaria aqui, desse jeito, nesse estado.

não é nada, só estou pedindo afastamento de você, de mim, da nossa relação doentia e dessa coisa de você ser só um cara e ainda esperar que eu resolva seus problemas. é só pra te alertar que em uma dessas manhãs, e nem vai demorar muito, você vai procurar por mim e eu já vou ter ido embora.

24.5.09

figura de linguagem;

E quase morro de nostalgia cinza enquanto ouço essas músicas que tem gosto de você.

25.5.08

Labios compartidos e vinho barato.

Quando eu te conheci, obviamente, você não parecia ser nada disso que eu vejo hoje. Ou isso que eu vejo hoje não é nada do que eu tinha conhecido. Eu não sei te explicar com certeza. Sei que estou acordada de madrugada, vinho barato na mão – daqueles que você adora, contrariando todas as minhas pretensões de parecer uma pessoa culta, porque no fim eu concordo com você que esse álcool melado sabor uva é quase melhor do que os vinhos caros que eu tomava antes de te conhecer – na taça, porque você tem que saber que eu também não gosto dos copos plásticos e nem dos de requeijão. É o que você chama de frescura, e o que eu chamo de não-sei-o-que-mas-eu-gosto-assim.

Pois estou eu aqui, nessa cena dramática de menina-que-mora-sozinha-e-bebe-de-madrugada, esse cigarro fedorento que você odeia numa mão, a taça de vinho de quatro reais na outra. Minha cabeça meio tonta, já se foi meia garrafa. Você vai me olhar – se você estivesse aqui, mas eu faço tudo como se de algum modo você estivesse me olhando – e dizer que eu não devia estar bebendo tanto e eu deveria parar de fumar. Eu sei de tudo isso, e na verdade, eu já parei de fumar. Por sua causa. Mas eu não te disse ainda e eu estou fumando aqui na sacada pra fazer um charme. Eu ainda gosto das formas que a fumaça toma em contraste com esse céu escuro. Você devia ver, ia gostar de tirar fotos disso. Você gosta mesmo das fotos em que eu não apareço.

Estou com o celular na mão, pronta pra te ligar outra vez, mas já é uma da manhã e você atenderia esse celular com aquela voz de sono de porque você me acordou dessa vez e hoje eu não estou com paciência pra isso. Eu só estou pensando em você, porque pensar em você é como respirar. Não era. Nunca foi. Lembro ainda do dia em que te vi pela primeira vez, aqueles seus cabelos mal cortados, seus tênis horrorosos, sua voz abafada e sua total falta de jeito para comigo. Eu não sei quando isso mudou, mas hoje sou eu que não tenho o mínimo jeito com você. Mas estou aqui, essa taça de vinho barato, minha dor de cabeça, meus pés gelados nessas meias sujando com essa poeira infernal, meus pensamentos suicidas desencorajados e você. Essa minha vontade de te esganar e essa coisa de pensar que você pode muito bem não estar dormindo e sim pensando em outra pessoa, vendo umas fotos de uma qualquer aí ou até mesmo ligando pra alguém nesse exato minuto que eu penso em lugar pra você. Você não é meu. Você só exerce um poder de auto-destruição sobre mim que os psicólogos adorariam estudar. Mas não precisa. Eu tenho noção exata do que acontece. Eu deveria te largar com essas suas calças mal cortadas, seu tênis sujo, sua mania de vinho ruim em copo de plástico, suas convicções estúpidas, esse seu jeito de se achar quase melhor do que todo mundo quando na verdade você é tão medíocre quanto. Devia te deixar aí, num canto com seu sorriso e com esse seu otimismo débil. Você devia ir embora levando as suas conversas e sua mania de não se preocupar comigo.

Esse frio que congela meu rosto. Se você estivesse aqui não ia fazer diferença nenhuma salvo eu ter meia garrafa de vinho a menos e não poder fumar. Você não é do tipo que empresta sua blusa. Além disso, eu não ia nem poder estar ouvindo essa musica em espanhol decadente e melosa que você deva odiar mais que tudo e que eu acabaria desligando pra colocar um dos seus róquiandiróusmodernetes e discordar de você quanto a melhor música do álbum, escolhendo justamente a que você mais odiou. Se você estivesse aqui, não ia me deixar ver televisão e ia implicar com essa mania de eu resolver fazer outras coisas que não ler no meu tempo livre.

Mas o que eu estava pensando mesmo, é que, não que um dia eu tenha achado que eu ia casar com você nem nada. Mas é que eu imaginava você e seus blockbusters, sabe? Esses seus heróis de brinquedo, suas brincadeiras infantis de um homem quase formado. Achei que eu sempre ia te achar a mesma conversa insuportável de sempre. Achei que eu nunca te ajudaria se um dia você chegasse vomitando na porta da minha casa, porque afinal de contas, eu odeio ajudar pessoas e principalmente as pessoas vomitadas. Mas eu me preocupo tanto... E eu não sou do tipo que se preocupa, você até deve saber disso. Mas você dorme no sofá, suja meu banheiro e eu te dou meu cobertor. Eu agüento o cheiro de azedo e ainda te digo que não me incomodou – mesmo tendo vomitado junto com você por causa do seu vômito – e que você pode contar comigo quando quiser. Você sorri, se desculpa com sua educação primorosa e me agradece com alguma piada que eu nunca riria se não tivesse sido você que tivesse me contado, simplesmente porque é estúpida. Assim como você.

Aí você me empresta um dos filmes que se eu tivesse visto sozinha eu acharia que era o tipo-de-filme-que-voce-meteria-a-boca-por-ser-tremendamente-sentimental. E aí não é. Eu choro, mas mesmo assim detesto as cenas que você amou e choro justamente na parte que você não prestou atenção. A parte que você não prestou atenção era a essência do que era eu, mas eu nem me surpreende porque você não presta mesmo atenção em mim e mesmo assim me conhece mais do que eu imagino saber.

Eu estou bêbada, essa sacada minúscula. Essa fumaça inundando todo o cubículo em que não cabe ninguém, eu aperto quando é você e eu, mas hoje eu me basto. Eu, as minhas taças de vinho barato, a fumaça do cigarro fazendo uns desenhos interessantes no céu escuro enquanto eu dou minhas baforadas e pareço uma dessas alternativóides que gostam de meninas e meninos e que usam franja, essa dor de cabeça e você dentro dela. Eu te desejo todas as coisas boas, você até deve saber disso e se eu soubesse melhor o que eu estou pensando eu te contaria amanhã logo que eu acordasse e resolvesse te ligar, como já é costume. Mas não, eu nem vou saber o que eu fiz essa noite e vou acabar dizendo mesmo que eu conheci uma música nova de uma banda que eu odiei, mas eu vou dizer que é legal só porque eu tenho certeza que você ia gostar.

Alguém me olhando de longe, um maço de cigarros acabado, uma garrafa de vinho também, agora só uma taça vazia e quente, meias sujas, frio sem blusa e pensamentos percorrendo você chamaria isso de amor. Eu chamo de qualquer-sentimento-e-ou-relação-se-é-que-se-chama-relação-dependente, ou eu nem sei que nome eu dou. Sei que a minha cabeça dói, meu hálito tem gosto de cigarro com menta – quem inventou essas babaquices? – e minha ressaca começou agora por causa desse vinho que você me ensinou a tomar. Mas dói mais ainda pelas coisas que você me ensinou a ser e mais ainda por saber que uma eu-sem-você ia ser completamente mais vazia do que essa que se embebeda e fuma enquanto ouve esse maná-música-de-novela-ja-no-puedo-compartir-tus-labios sem saber muito bem o que é compartir, mas sabendo que tem alguma coisa essa coisa de no compartir a ver com o que eu chamaria de nós se soubesse e se pudesse ser, mas que vai ser sempre você e eu.