27.5.13
eu também sei dançar se não for com você
3.4.12
Leve, como leve pluma muito leve pousa.
Muito leve, leve pousa.
Muito leve, leve pousa.
Na simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma
Suave coisa nenhuma.
Sombra, silêncio ou espuma.
Nuvem azul
Que arrefece.
Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma.
Que em mim amadurece" (Amor - Secos&Molhados).
(qualquer texto escrito de madrugada vai parecer auto ajuda).
16.1.12
500 maneiras de enlouquecer um homem na cama.
Sentia saudades dos desajeitados, daqueles que de nervoso não conseguiam desabotoar direito seu sutiã, beijavam meio fora de compasso - mas a olhavam nos olhos. Se encantavam. Não eram máquinas da performance sexual sem erros. Da noite perfeita, da busca pelos orgasmos múltiplos, da espera pela mulher-puta e surpreendente na cama. Máquinas. Máquinas de prazer, vibradores com sangue que pulsa. Preguiça anterior de tudo isso. Procurava assim, humanidade. Clichê. Tinha se tornado um clichê ambulante desde que começou a se sentir vazia no meio das noites e dos novos encontros. Era pra isso? Era pra isso os elogios, os flertes, os chocolates, as saudades? Tudo isso deveria, inevitavelmente, terminar em sexo? Não deveria. De repente sentia-se cansada e queria uma vez que fosse passar uma noite inteira conversando, olhando pro teto, de mãos dadas, dividindo a vida. Queria um homem qualquer que não quisesse saber da sua performance sexual. porque isso viria, um dia. Sempre vem. E se torna fato comum, natural, o balé do envolvimento entre duas pessoas. Uma vez na vida um homem que levasse as coisas com calma, que quisesse apreendê-la na alma antes de possuir-lhe o corpo. Uma vez na vida o cortejo, o amor, o desajeito, a timidez, os quatro encontros antes da primeira noite. Ir no cinema. Qualquer coisa assim, brega assim, aceitaria que a chamassem de "princesa", de qualquer adjetivo cafona que fosse, se pelo menos um dos homens que encontrasse pela rua não tivesse como objetivo primordial saber se ela cospe, engole ou sabe chupar direitinho. Vivia sôfrega de tanto encontro errado, tanta bebedeira, tanta pegação no banheiro da balada, no banco de trás do carro, na cama de gente que nem tinha antes conhecido a casa, descoberto o nome do filme preferido. Não aguentava mais ser assim, essa alma errante e sozinha e tentar se achar, em meio de corpos, de noites sem poesia, dessa merda de performance sexual. Foda-se a performance sexual, fodam-se vocês todos.
Todo mundo precisa de amor, uma hora ou outra.
Precisa ser olhado nos olhos.
Precisa.
Precisa parar de ser máquina, precisa esquecer os manuais.
500 maneiras de enlouquecer um homem na cama. Foda-se.
"Foda-se se você encontrou meu ponto G, eu queria que você encontrasse a minha alma, a merda da minha alma. Que eu ainda tenho. Eu ainda devo ter" - ela pensava e derramava uma lágrima, enquanto seu parceiro sorria de satisfação. Performance perfeita, movimentos ensaiados. Mais um pra lista. Grande coisa.
E deitada nua, coberta pelo lençol, na cama de seu mais ilustre desconhecido pensava: "estou cansada de quererem me tocar sempre primeiro no corpo, queria ao menos uma vez ser tocada primeiro no coração".
23.8.11
questo silencio dentro te
ninguém me entedia muito bem, era meio normal que nem todo mundo compreendesse que às vezes o problema todo dessa minha confusão era justamente essas pessoas todas tentando me dizer o que fazer, que eu não devia ficar sozinha, que eu devia me importar mais com as pessoas, ligar pra elas, dizer que eu sinto a falta delas. E eu até sinto, mas é essa obrigação que a gente acaba tendo com os outros que me mata, essa rotina. Eu tentava explicar que pra eu me sentir completa eram terrivelmente necessários esse momentos em que eu ficava só, completamente só. Eu e minha música, eu e meu quarto, eu e meus livros. Tem dia que a gente não precisa de companhia pra viver, e tudo bem. A auto suficiência parece errada, mas é o único jeito que eu aprendi de saber lidar comigo.
Eu tentava explicar esse monte de coisas pra Camila e ela me olhava como se eu fosse um desses extraterrestres, essas coisas que pertencem a algum planeta distante. Eu sei que eu olhava pra ela segurando o copo de cerveja e dizia "mas é que é assim, sabe? eu amei uma vez e amei demais e quando a gente ama demais a gente sabe que qualquer coisa que a gente sinta menos que aquilo não vai ser o suficiente". Daí ela me dizia que eu tinha que tentar, que eu tinha que me envolver mais com as pessoas, que eu tinha que correr atrás da minha felicidade, porque a felicidade a gente busca, ela não cai num potinho em cima da gente como chuva no meio do verão. Só que eu pensava que cai, cai sim. Felicidade quando vem, aparece sem avisar e todas as vezes que a gente corre atrás dela a gente tropeça. Amor também, forçar amor é tropeçar num sentimento que foi feito pra te sugar que nem coisa grande, imensa, não pra ficar colando tijolinhos com argamassa pra ver se de repente forma um castelo. Ou é, ou não é.
Tinha esses dias que eu tinha muita vontade de contar o quanto quando um amor é grande ele fica guardado ali e você aprende a conviver com ele. Não se deixa de viver, mas a gente sabe, a gente sempre sabe que certas coisas simplesmente não serão tão imensas e às vezes, às vezes na vida a gente quer escolher coisas imensas e não quer se esforçar pras coisas rasas, então é melhor ficar barquinho na correnteza do que se esforçar, remar, lutar contra as correntes do ártico e do pacífico pra no fim chegar numa dessas terras que a gente nem queria tanto desbravar assim. Não tenho querido muito nenhuma dessas terras que me aparecem, eu acho que também é um direito da gente a gente querer conhecer vários países e não criar uma casa em nenhum deles. Eu acho que sim.
E ela me dizia que não, que é necessário criar pequenas casas pra ver como funciona a cultura local e de repente eu não queria ouvir mais nada, só falar. Só falar que tudo que eu queria naquele dia, e não só naquele dia, era sair por aí sem rumo, e eu ia sozinha mesmo, não importa, às vezes cansam essas pessoas do lado da gente olhando a gente como se a gente estivesse falando uma bobagem imensa, mas não é como se doesse, é só um cansaço porque não há de se esperar compreensão de quem nunca entendeu o seu universo do jeito que ele é. E então eu queria sair andando, descobrindo esses pequenos novos universos que vivem em cada pessoa, mas só descobrir, porque o que me importa é a descoberta do novo território, não a conquista. Não quero conquistar nada, nem fincar bandeirinhas, nem mesmo dar nome a uma nova civilização. Só descobrir que elas existem, fazer contato, trocar a identidade cultural e depois partir. Porque eu gosto de descobrir e partir. Agora eu gosto disso, é o que eu quero, não tem mal nisso, não tem mal em gostar de ficar sozinho, tem mal em ser solitário. E a Camila me olhava, e não entendia nada. "Às vezes existe mais solidão com outra pessoa do que sozinho em casa" eu disse. Ela não concordou. Mas tinha entendido.