Para que conste nos autos, não escrevo desde a última vez que posso me lembrar e só posso me lembrar que não me lembro qual foi essa última vez. reviro textos no apanhado do meu computador, releio coisas que desacredito terem sido escritas por mim, tenho me reinventado muito pouco, e de certa forma, continuo eu mesma.
Sinto sede e desacalento. felicidades repentinas. uma tosse infernal e acabei de voltar do show mais enigmático do mundo. o show mais enigmático do mundo assim o é porque quase uma semana depois não posso exclamar com certeza o que veio a ser, assim, aquilo. transcendental de alguma forma, antes de análises frias que não aconteceram só longe e distante do lugar do ocorrido, como aconteceram no lugar do ocorrrido.
Eu, facilmente perdida na multidão, de calça jeans e blusa branca, all-stars roxos que não aparecem em meio a multidão, cabelo preso estranhamente desgrenhado, estática ao observar há dez metros de mim o show da banda que eu não amo. uma estrangeira passageira de algum trem que não passa de ilusão - se gessinger assim me obervasse - assim era eu no show dos cabeça-de-rádio. duas letras sabia de cor por te-las cantado no violão. o resto minha boca mexia por alguma melodia entranhada no cérebro, depois de mr.thom yorke tocar em todas as festinhas que eu habitei nesse último um ano. fingi bem ser um deles, mas nunca o fui.
Ao olhar antentamente, em alguma daquelas músicas que eu simplesmente não reconhecia os acordes, via ao meu redor bocas que se mexiam emocionadamente e olhos vidrads nas mudanças de cores incríveis do palco. olho para os lados e por um momento, não pertenço. solto as mãos, vejo mãos no alto, olhos marejados, pessoas dançando desavergonhadamente e tudo me irrita, tudo me deprime, tudo é alheio a mim. "preciso achar alguma coisa pra gostar, assim como essas pessoas.", eu penso. Não gosto de nada assim, apaixonadamente. De nada que está ali presente. nada. não achei minha orquídea fantasma, e se deixo de amar, vou embora. também, nunca amei nada assim tão apaixonadamente a ponto de nem cogitar ir embora. nunca fiz esforços. pela minha cabeça passava um tímido "preciso ir ao show do oasis." que poderia ser facilmente traduzido por um "preciso amar à alguma coisa como essas pessoas amam isso." eu precisava pertencer, e por mais que uma música ou outra fizesse meu coração pular um pouco, eu só me sentia despertencida.
Quando é que você não se sentiu despertencida, alguém perguntaria. eu não saberia responder, simplesmente não saberia. vivo pertencendo aos pouquinhos, aqui e ali, e me sentindo bem aos pouqinhos, aqui e ali. vivo roubando a vida das outras pessoas pra mim, pra fazer parte delas bem soberana. vampirizo, fico ali, e enjoo. gostei de radiohead por um mês, enjoei, estava com um igresso comprado. pertenci a um show que não era meu, e fiz bem meu papel. não consigo, por mais que tente, não consigo pensar em alguma coisa que eu queira muito, que dure muito. renato russo já não é mais pra mim o que era, minha admiração vai se esvaindo, logo em vou mais tomar coca cola, assim como já tenho timidamente pedido latinhas de citrus e parei de tomar mate. sou tão ridiculamente feita de ímpetos e paixões que me enjoo de mim mesma, assim como enjoo facilmente de tudo, sempre, o tempo todo. gosto da palavra "eterno"pela aura de impossível que ela me impõe. toda vez que digo que algo é "pra sempre" sinto estar fazendo algum tipo de travessura, algum tipo de promessa que sei que não poderei cumprir, mas encaro como um jogo contra mim mesma. um dia tenho que conseguir a eternidade ao invés da efemeridade. é justamente o impossível de nunca conseguí-lo que faz da minha vida uma busca incessante pelo eterno. por algo que eu ame ao invés de gostar apaixonadamente.
Hoje estou especialmente despertencida. e tilinta na minha cabeça como será que é gostar de alguma coisa apaixonadamente. mas apaixonadamente daquelas paixões que viram amor e duram duram duram e duram. alguma coisa pra ser pra mim o que o radiohead era para aquelas pessoas. alguma coisa que me marque a ponto de eu querer lembrar pra sempre. alguma coisa pra não tratar com uma indiferença estranha depois de um tempo, tentando fingir de alguma forma que aquilo é sim amor, e não só mais um capricho que eu sei que vou enjoar depois de um tempo determinado." I want to know what it feels like to care about something passionately." Fazem vinte anos que eu não sei. Deve ser bom, keep on trying.
Por enquanto fico assim, despertencida, parada, vazia, interte, desapaixonada. Eu.
29.3.09
3.2.09
Eu não aguento mais
( e dessa vez, é pra valer. )
Existe uma linha, uma tênue linha que separa as coisas que você continua aguentando, das que você sabe que não vai aguentar mais. Por mais que eu esteja tentando manter a calma, por mais que eu tenha tentado ser forte com tudo que vem acontecendo e o mais um pouco, digo que hoje acabo de cruzar a tênue linha para o outro lado. Estava a ponto de. Já estava a ponto de há algum tempo. Mas hoje, ao encarar a minha total falta de estrutura grito com o meu corpo que dói o simples: " eu não aguento mais." Esse mesmo grito que já estava marcado em um texto abaixo desse. Esse mesmo grito que eu tenho tentado dar há algum tempo. Simplesmente não há estrutura dentro do coração dilacerado que possa cuidar com mais qualquer outra decepção. Se já não bastavam as pequenas decepções quase diárias, isso somado com o caos que a minha vida se tornou, com a total falta de referência, com a tristeza profunda que eu tenho tentado encarar e até consiguido, mas que quase me impede de caminhar, me leva a um estado de simplesmente não aguentar mais.
Estou caindo, estou falindo e parece que a cada passo a mais que eu der, vou tropeçar. Vou tropeçar e cair de cabeça, porque esperava que alguém estivesse ali pra me segurar mas o fato é que não existe ninguém. Fato é que mais uma vez eu espero mais do que possam me dar e tudo que eu perciso tenho que pedir, mas pelo amor de qualquer coisa, se não tenho mais forças nem pra respirar, que forças eu tenho pra pedir? Preciso de colo, de arrego, de palavra, de qualquer coisa. Preciso do simples estar ali sem eu precisar chamar. Preciso do simples encontrar do meu lado quando eu olhar. preciso não ter que dizer tudo o que precisas fazer para que eu fique bem. Queria o mínimo de sensibilidade, o mínimo de largar um tanto de coisas porque eu, que caos, eu não aguento mais. Tudo que eu tenho tentado ser forte, tudo que eu tenho tentado aguentar é sim, demais pra mim. E de repente me vejo sem ter com quem dividir, chorando sozinha, indo dormir sem ter desabafado.
Eu sou forte, sou tudo isso que falam. Aguento, aguento sim. Quem não aguenta? Já viu alguém aí morrer de dor? Morrer de sofrimento. Ninguém morre não, fica todo mundo em pé, fica todo mundo até mais forte depois. É claro que eu vou suportar, é claro que eu vou passar por isso. é claro que eu vou levantar um dia como se nada tivesse acontecido. mas é claro também que as coisas seriam um tantinho mais fáceis se pelo menos eu não tivesse que pedir por tudo. Se pelo menos houvesse aquela palavrinha mágica chamada "sensibilidade" pra se tocar que olha, eu tô precisando de ombro, de colo e principalmente de ser colocada na cabeceira da lista, nem que seja só por esse período. Porque por mais que se diga, são as ações que realmente marcam, e essas só estão me fazendo doer, e muito.
Com sincero pesar, eu estou cansada, eu estou desabando.
E eu, de novo, não aguento mais. E dessa vez, é pra valer.
Existe uma linha, uma tênue linha que separa as coisas que você continua aguentando, das que você sabe que não vai aguentar mais. Por mais que eu esteja tentando manter a calma, por mais que eu tenha tentado ser forte com tudo que vem acontecendo e o mais um pouco, digo que hoje acabo de cruzar a tênue linha para o outro lado. Estava a ponto de. Já estava a ponto de há algum tempo. Mas hoje, ao encarar a minha total falta de estrutura grito com o meu corpo que dói o simples: " eu não aguento mais." Esse mesmo grito que já estava marcado em um texto abaixo desse. Esse mesmo grito que eu tenho tentado dar há algum tempo. Simplesmente não há estrutura dentro do coração dilacerado que possa cuidar com mais qualquer outra decepção. Se já não bastavam as pequenas decepções quase diárias, isso somado com o caos que a minha vida se tornou, com a total falta de referência, com a tristeza profunda que eu tenho tentado encarar e até consiguido, mas que quase me impede de caminhar, me leva a um estado de simplesmente não aguentar mais.
Estou caindo, estou falindo e parece que a cada passo a mais que eu der, vou tropeçar. Vou tropeçar e cair de cabeça, porque esperava que alguém estivesse ali pra me segurar mas o fato é que não existe ninguém. Fato é que mais uma vez eu espero mais do que possam me dar e tudo que eu perciso tenho que pedir, mas pelo amor de qualquer coisa, se não tenho mais forças nem pra respirar, que forças eu tenho pra pedir? Preciso de colo, de arrego, de palavra, de qualquer coisa. Preciso do simples estar ali sem eu precisar chamar. Preciso do simples encontrar do meu lado quando eu olhar. preciso não ter que dizer tudo o que precisas fazer para que eu fique bem. Queria o mínimo de sensibilidade, o mínimo de largar um tanto de coisas porque eu, que caos, eu não aguento mais. Tudo que eu tenho tentado ser forte, tudo que eu tenho tentado aguentar é sim, demais pra mim. E de repente me vejo sem ter com quem dividir, chorando sozinha, indo dormir sem ter desabafado.
Eu sou forte, sou tudo isso que falam. Aguento, aguento sim. Quem não aguenta? Já viu alguém aí morrer de dor? Morrer de sofrimento. Ninguém morre não, fica todo mundo em pé, fica todo mundo até mais forte depois. É claro que eu vou suportar, é claro que eu vou passar por isso. é claro que eu vou levantar um dia como se nada tivesse acontecido. mas é claro também que as coisas seriam um tantinho mais fáceis se pelo menos eu não tivesse que pedir por tudo. Se pelo menos houvesse aquela palavrinha mágica chamada "sensibilidade" pra se tocar que olha, eu tô precisando de ombro, de colo e principalmente de ser colocada na cabeceira da lista, nem que seja só por esse período. Porque por mais que se diga, são as ações que realmente marcam, e essas só estão me fazendo doer, e muito.
Com sincero pesar, eu estou cansada, eu estou desabando.
E eu, de novo, não aguento mais. E dessa vez, é pra valer.
30.1.09
Só vim aqui pra dizer que eu cansei.
CANSEI.
estou esgotada, chateada, amargurada e acima de tudo triste.
Não sei o que escrever, e depois de quatro tentativas malfadadas acho que prefiro o silêncio.
Não consegueria dizer a bagunça que tudo aqui dentro está nem que eu tentasse bastante e com vontade.
Eu venho estado cansada mas hoje cansei, hoje não quero, hoje me reservo ao direito de chorar copiosamente no travesseiro e ouvir legião urbana.
Me reservo ao direito de chorar pela minha vida, pelas minhas decepções diárias, pelas minhas frustrações grandes, por tudo. Me reservo ao direito de estar mal por nao saber o que quero da vida e principalmente por isso quase não me afetar.
Me reservo ao direito de me ver com quase 20 anos e com olheiras profundas, milhares de sonhos desfeitos, uma total falta de saco e talento pra escrever, e um saquinho de pancadas que a cada dia leva um soquinho a mais, e chorar por isso.
Me reservo ao direito de ver os sonhos todos caindo da minha mão. De não ter viajado, de não ter aprendido frances ou espanhol, de não ter feito curso de merda nenhuma e me sentir mal por isso.
Me reservo ao direito de dizer que eu não sou forte e que eu não aguento mais essas pequenas coisas. Não posso mais ser compreensiva e não posso mais guardar tudo isso dentro de mim. Estou ficando com medo do que possa acontecer, estou ficando commedo do que possa acontecer e repito.
Minhas perspectivas de futuro não me animam, mas eu não quero falar sobre isso hoje.
Hoje sou frustração e cansaço entre todas as coisas que pensei e não consigo externalizar. Sou frustração, cansaço e decepção. Sou frustração, cansaço, decepção e um pouco de tristeza.
Quando vocês vão finalmente entender que eu também preciso ser olhada?
Quando alguém vai realmente prestar atenção no que eu sinto também?
Estou aqui pra dizer que eu CANSEI.
só pra isso.
E me reservo ao direito de não dizer mais nada porque eu
NÃO AGUENTO MAIS.
e só.
CANSEI.
estou esgotada, chateada, amargurada e acima de tudo triste.
Não sei o que escrever, e depois de quatro tentativas malfadadas acho que prefiro o silêncio.
Não consegueria dizer a bagunça que tudo aqui dentro está nem que eu tentasse bastante e com vontade.
Eu venho estado cansada mas hoje cansei, hoje não quero, hoje me reservo ao direito de chorar copiosamente no travesseiro e ouvir legião urbana.
Me reservo ao direito de chorar pela minha vida, pelas minhas decepções diárias, pelas minhas frustrações grandes, por tudo. Me reservo ao direito de estar mal por nao saber o que quero da vida e principalmente por isso quase não me afetar.
Me reservo ao direito de me ver com quase 20 anos e com olheiras profundas, milhares de sonhos desfeitos, uma total falta de saco e talento pra escrever, e um saquinho de pancadas que a cada dia leva um soquinho a mais, e chorar por isso.
Me reservo ao direito de ver os sonhos todos caindo da minha mão. De não ter viajado, de não ter aprendido frances ou espanhol, de não ter feito curso de merda nenhuma e me sentir mal por isso.
Me reservo ao direito de dizer que eu não sou forte e que eu não aguento mais essas pequenas coisas. Não posso mais ser compreensiva e não posso mais guardar tudo isso dentro de mim. Estou ficando com medo do que possa acontecer, estou ficando commedo do que possa acontecer e repito.
Minhas perspectivas de futuro não me animam, mas eu não quero falar sobre isso hoje.
Hoje sou frustração e cansaço entre todas as coisas que pensei e não consigo externalizar. Sou frustração, cansaço e decepção. Sou frustração, cansaço, decepção e um pouco de tristeza.
Quando vocês vão finalmente entender que eu também preciso ser olhada?
Quando alguém vai realmente prestar atenção no que eu sinto também?
Estou aqui pra dizer que eu CANSEI.
só pra isso.
E me reservo ao direito de não dizer mais nada porque eu
NÃO AGUENTO MAIS.
e só.
18.1.09
And so it is.
(no love, no glory)
e foi como se toda noite em que eu te preparasse um jantar com a sua comida predileta você não aparecesse pra jantar. e ficaram ali, os pratos esfriando na mesa com aquela comida que eu não gosto muito, mas que acabei de fazer só por saber que você adora. como então sozinha, na minha mesa montada pra dois com milhares de coisas para te dizer, milhares de verdades pra te revelar, as declarações de amor que eu nunca tive coragem de dizer tilintando na minha cabeça. mas você saiu pra tomar seu drink com os amigos e me disse que ia ser bom, que seria bom eu passar um tempo sozinha. porque era só uma noite e eu nem ia perceber quando você voltasse de vez. ia até ser bonito, sabe? dizem que essas ausências eventuais fazem bem. que fazem (re)nascer alguma coisa que se perdeu por aí, porque cada um entre em contato com coisas diferentes das que estão acostumados e quase tem novidades para contar.
eu sei, acontece. até gosto de ficar sozinha, muitas vezes, repetidas vezes, e tinha planejado isso para qualquer dia ocasional. mas eu estava me gritando hoje e tantos outros dias. precisando tanto de atenção que eu faria o seu jantar todos os dias só pra que conversássemos e conversássemos até que não houvesse mais assunto e cansados só estivéssemos ali, sem nada mais a dizer.
mas fiz a mesa, os pratos estavam ali. estava tudo arrumado de um jeito que as coisas eram muito mais pra você do que pra mim, o que seria quase impossível, porque sabe, todo mundo sabe o quanto eu sou egoísta. estavam assim, desse jeito porque estava disposta a te dizer qualquer verdade. inclusive as verdades que podiam machucar. eu me contaria de qualquer jeito, sem ensaiar as palavras que tenho que dizer. diria e estava disposta a. estava disposta as declarações mais bonitas, a pela primeira vez dizer tudo aquilo que nunca disse por medo de sei lá o que. estava ali de mesa posta e coração aberto, pra te dizer tudo. pra te dizer e me jogar em cima de você, e te dedicar mil coisas e me desculpar mais uma vez pelas coisas que eu vivo fazendo. e te dizer que você é uma porção de coisas e que eu sou, ocasionalmente, uma idiota. que eu sou fria, que eu sou distante. eu te diria essa e mais um milhão de coisas. te diria, estava disposta enquanto te esperava, a dizer que eu acredito no que me disseram hoje, que o amor é uma coisa tão bonita que dá medo. eu quase chorava, e não sentia mais medo. eu estava prestes a te abraçar dizendo que eu não sentia mais medo e que eu ia ficar com você pra sempre. relembrando. relembrando a cor da sua blusa no nosso primeiro encontro, as coisas que eu te disse. as coisas que você me disse. as promessas que a gente fez. eu estava prestes a te dizer que eu nunca mais amaria alguém da forma ou da intensidade que eu te amava naquele momento. e ia te dizer também que você era simplesmente perfeito. ia elencar razões pelas quais eu te amava e te queria pra sempre sempre sempre.
mas você não apareceu pra jantar, a comida predileta que era só sua comida predileta esfriou na mesa, meu penteado se desfez e a vontade de te dizer coisas se foi no momento que eu percebi que eu deixei de te amar. quando, você me perguntaria. agora, eu te diria. e saio andando em busca de alguém que apareça pra jantar e eu possa dizer tudo que hoje eu tinha sonhado em dizer pra você, porque eu não quero mais estar aqui quando você voltar. and so it is, until I find somebody new.
(closer)
e foi como se toda noite em que eu te preparasse um jantar com a sua comida predileta você não aparecesse pra jantar. e ficaram ali, os pratos esfriando na mesa com aquela comida que eu não gosto muito, mas que acabei de fazer só por saber que você adora. como então sozinha, na minha mesa montada pra dois com milhares de coisas para te dizer, milhares de verdades pra te revelar, as declarações de amor que eu nunca tive coragem de dizer tilintando na minha cabeça. mas você saiu pra tomar seu drink com os amigos e me disse que ia ser bom, que seria bom eu passar um tempo sozinha. porque era só uma noite e eu nem ia perceber quando você voltasse de vez. ia até ser bonito, sabe? dizem que essas ausências eventuais fazem bem. que fazem (re)nascer alguma coisa que se perdeu por aí, porque cada um entre em contato com coisas diferentes das que estão acostumados e quase tem novidades para contar.
eu sei, acontece. até gosto de ficar sozinha, muitas vezes, repetidas vezes, e tinha planejado isso para qualquer dia ocasional. mas eu estava me gritando hoje e tantos outros dias. precisando tanto de atenção que eu faria o seu jantar todos os dias só pra que conversássemos e conversássemos até que não houvesse mais assunto e cansados só estivéssemos ali, sem nada mais a dizer.
mas fiz a mesa, os pratos estavam ali. estava tudo arrumado de um jeito que as coisas eram muito mais pra você do que pra mim, o que seria quase impossível, porque sabe, todo mundo sabe o quanto eu sou egoísta. estavam assim, desse jeito porque estava disposta a te dizer qualquer verdade. inclusive as verdades que podiam machucar. eu me contaria de qualquer jeito, sem ensaiar as palavras que tenho que dizer. diria e estava disposta a. estava disposta as declarações mais bonitas, a pela primeira vez dizer tudo aquilo que nunca disse por medo de sei lá o que. estava ali de mesa posta e coração aberto, pra te dizer tudo. pra te dizer e me jogar em cima de você, e te dedicar mil coisas e me desculpar mais uma vez pelas coisas que eu vivo fazendo. e te dizer que você é uma porção de coisas e que eu sou, ocasionalmente, uma idiota. que eu sou fria, que eu sou distante. eu te diria essa e mais um milhão de coisas. te diria, estava disposta enquanto te esperava, a dizer que eu acredito no que me disseram hoje, que o amor é uma coisa tão bonita que dá medo. eu quase chorava, e não sentia mais medo. eu estava prestes a te abraçar dizendo que eu não sentia mais medo e que eu ia ficar com você pra sempre. relembrando. relembrando a cor da sua blusa no nosso primeiro encontro, as coisas que eu te disse. as coisas que você me disse. as promessas que a gente fez. eu estava prestes a te dizer que eu nunca mais amaria alguém da forma ou da intensidade que eu te amava naquele momento. e ia te dizer também que você era simplesmente perfeito. ia elencar razões pelas quais eu te amava e te queria pra sempre sempre sempre.
mas você não apareceu pra jantar, a comida predileta que era só sua comida predileta esfriou na mesa, meu penteado se desfez e a vontade de te dizer coisas se foi no momento que eu percebi que eu deixei de te amar. quando, você me perguntaria. agora, eu te diria. e saio andando em busca de alguém que apareça pra jantar e eu possa dizer tudo que hoje eu tinha sonhado em dizer pra você, porque eu não quero mais estar aqui quando você voltar. and so it is, until I find somebody new.
(closer)
sobre todas as coisas.
e ela só responde com um certo pesar que certas coisas só são ditas porque num dado momento elas precisam ser ditas. porque aquela era a hora em que você desperta e quer soltar tudo o que esteve preso, porque você percebe que errou tantas vezes e que precisava dizer. agora? agora não importa, o momento passou, ela já não tem nada a dizer a ele. nada. porque ela tinha deixado umas cinco ou seis pistas de que estava precisando dele e ao pedir pra ele ficar ele disse que ela podia esperar por ele no outro dia. e ela esperou, e veio o momento, o inesperado momento que acontece depois de uma coisa qualquer de lhe dizer todas as coisas. mas ele não estava lá para que ela lhe dissesse todas as coisas, então ela não disse nada e foi embora mais sozinha do que nunca, sabendo e guardando as coisas importantíssimas que deveriam, mas nunca mais serão ditas.
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