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27.10.09

a fabulosa arte de te ignorar.

(ou a difícil arte de.)


não vou te dar oi hoje. nem nunca mais. vou te ignorar. eu vou te ignorar pra sempre. você vai passar e eu nem vou olhar pra sua cara. não vou virar. Não vou te dar oi, não vou falar que você fica bem de vermelho. não vou fazer nada pra você nunca mais. nun-ca ma-is. você não merece, não responde as minhas mensagens e nem entende as minhas demonstrações de afeto. eu vou te ver e vou fingir que eununca te vi na minha vida. nunquinha. vou fingir que você nunca me fez sorrir, que você não é a minha companhia predileta. não vou mais te fazer café, não vou mais olhar pra sua cara e nem perceber que você tem o sorrisomaislindodomundo. nunca mais vou fazer o que for pra ver esse sorriso bonito de novo. não vou. vou te ignorar pra sempre e se me perguntarem de você eu vou fingir que não te conheço. você não vai receber pequenos mini textos meus dizendo sobre as coisas que eu vi e gostei, ou odiei, ou fui indiferente. eu nunca mais vou dizer pra você os filmes que eu acho que você deveria ver e nem os livros que você deveria ler. você pode passar por mim vinte e nove vezes repetidas com neons em luz azul que eu não vou reparar. eu prometi pra mim mesma que eu vou te esquecer e que a partir de agora você não faz mais parte da minha vida. você pode estar do outro lado da rua e do meu lado do ônibus que eu não vou me manifestar. vou ficar comigo mesma, as minhas músicas e não vou ouvir as coisas que me lembram você. nenhuma delas.vou te responder grossa e secamente e não vou mais te ligar pra perguntar se você não quer vir aqui em casa, e caso você apareça sem avisar não vou deixar você pegar nada. vou fazer questão de esquecer que um dia você já viveu em mim. Não vou te dar oi hoje. nem nunca mais. ou até amanhã. ou pelo menos até você aparecer surpreendente, com o sorriso mais -lindo-do-mundo me dizendo seu oi costumeiro seguido de uma piada sem graça que eu vou rir e daí eu já vou ter te respondido sem preceber por star muito ocupada pensando (e sentindo) "meu deus como eu amo esse cara".

(ou a impossível arte de).

26.10.09

Você me irrita de tal maneira que eu nem consigo te dizer o que eu diria facilmente pra qualquer pessoa por simples medo de te machucar. Mesmo que você esteja me machucando (mais) a cada dia.

19.10.09

Decepções.

Eu só te olhei e quis te dizer. Quis, pensei e ensaiei vinte e sete maneiras diferentes de como te ferir. Rápido, lentamente. Milhares de jeitos, assim. Milhares deles.
"Você está me decepcionando pra caralho" - era só isso que eu conseguia pensar, porque em resumo era só isso que eu queria te dizer. Medo de perder aquele-cara-que-eu-conheci, sentimento-de-posse, ciúme-sem-sentido, amizade-que-quer-ser-preservada, chame como quiser mas o fato é que eu estou tão numa corda bamba por ti e por mim que eu nem sei mais o que eu te falo, faço, faria.
Afastamento.
Seria esse o nome bem vindo pra coisa que a gente deveria fazer. Afastamento real porque quando existe um afastamento às vezes ocorre uma falta e existindo a falta as coisas talvez voltem depois, melhores, quem sabe.
De você eu já não sei mais nada.
E sei tanto. E é o tanto saber que me dói porque sei exatamente que o caminho que estás seguindo pode muito bem acabar de um jeito que a gente pegue dois caminhos completamente distintos. Coisa que eu não quero nunca quis, vem aqui eu-gosto-tanto-de-você.
Mas aguentar tantas decepções não é o que ninguém quer.
E por mais que eu saiba disso, de algum jeito, assim, torto, eu também sei que o pior de tudo é saber que mesmo que ocorram sessenta e duas decepções se um dia você voltar pedindo desculpas, ou mesmo sem pedir, se um dia voltar querendo só estar por estar vai ter sempre um pedaço de qualquer coisa pra ti e o meu colo literal, real ou simplesmente metafórico pra te acolher.
Sentimento.
Sentir qualquer coisa é sempre a pior coisa do mundo. Deixaria de sentir agora, já, em cinco minutos.
Não deixaria.
Escolher o sofrimento possível no lugar da ausência, (sua) ausência, sempre, sempre sempre.
Você está me decepcionando pra caramba, muito, bastante, pra caralho, um aburdo. Você está me machucando de jeitos que me fazem parar de respirar. Eu estou te vendo ir a corda que te ligava, ligou sempre-vai-ligar (?) a mim está sendo roída por coisas que eu já não tenho mais controle. De um descontrole total, absurdo, sem nome.
Estou.
E reclamo do que se sempre fomos assim?
Você está me decepcionando tanto que eu não consigo te dizer que está sem me machucar mais do que eu te machucaria se quisesse. E isso não vai mudar nada, nada em nada, pra sempre nada porque eu gosto tanto de você (ainda que) machuque pra caralho.

Amor.

24.9.09

sobre voce não sei dizer nada meu

"podia falar de quando te vi pela primeira vez sem jeito de repente te vi assim como se não fosse ver nunca mais e seria bom que eu não tivesse visto nunca mais porque de repente vi outra vez e outra e outra e enquanto eu te via nascia um jardim nas minhas faces"

Caio fernando que eu não gosto, gostava, agora leio e acho bom tilinta na minha cabeça versos que eu grifo para um dia te dizer junto as cartas que eu não mando e um skank velho que pergunta quantos versos sobre nós eu já guardei e te juro, não sei responder e então grifo negrito atrás de negrito a frase certa para dizer isso que eu sinto que eu não sei o que é, e nunca acho nada de bom, ou acho todas as coisas boas porque eu não sei nem o que exatamente eu queria te falar, só sei que são muitas coisas e que elas nascem de dentro como um jardim todo de flores na primavera e olha, eu só sei falar de amor agora e isso eu não sei nem se eu chamo de amor, mas eu não estou falando de nomenclaturas, você está? sei que não está e eu sei que eu tento falar tão rápido quanto eu penso, me falaram isso uma vez e eu achei bonito, é verdade, me faltam vírgulas pontos respiro pausa alguma coisa que me faça eu entender, mas eu nem sei o que eu quero te dizer que quando eu te vejo nasce um jardim dentro de mim cheio das flores mais bonitas e ainda que eu não goste tanto de jardim de flores de coisas bregasclichês dizer que eu estou com saudade ligar pra isso ou até mesmo te encher de mensagens sobre as minhas banalidades cotidianas, eu queria te dizer que eu passaria o dia inteiro me contando pra ti e te ouvindo e eu quero saber de todas as linhas de detalhes que eu (ainda) não conheço e espera eu quero te dizer que quando eu te vi nasceu um jardim dentro de mim, um jardim bonito imenso enorme que se tomou como erva daninha no meu coração e agora eu posso colher flores pra vender e fazer uma feira duas tres cinquenta e sete feiras de tantas flores que você fez nascer aqui dentro e são todas flores bonitas e tão parecidas comigo que eu tenho medo, eu tenho medo de acabar o nosso jardim com ervas daninhas estranhas olha aqui eu não sabendo o que te falar de novo mas é alguma coisa mais ou menos assim alguma coisa meio eu te amo e você fez crescer em mim o mais bonito, então muda pra dentro de mim logo de uma vez, coloca a sua casa decora do seu jeito do jeito que quiser, pode fazer o que quiser que eu deixo só promete continuar fazendo nascer flores enormes que vão tomar conta do meu coração e fazer colorido todos os meus cinzas, eu sou cheia de cinzas sabia? embora voce diga que eu nasci cheia de música eu sou é meio totatalmente completamente estranha então eu estou te dizendo, muda pra dentro de mim e fica pra sempre cuidando do meu jardim que eu cuido do seu pra sempre porque eu te amo e é isso que eu queria te dizer.

23.9.09

apenas mais uma de amor.

(pequena ode da coisa de sempre que não é embalada por lulu santos).

Então sento no meu computador munida de um chá com canela. Chá de maçã com canela, mas maçãs não dão gosto em chá, exceto nos chás artificiais com aroma artificial de maçã, mas não sou adepta de coisas tão artificiais assim, você sabe. E aí na playlist do meu programa de músicas tocam músicas que me lembram você e o gilberto gil canta quem-poderá-fazer-aquele-amor-morrer-se-o-amor-é-como-um-grão. E eu nem sei se acredito em amores que morrem e nascem trigo e vivem e nascem pão, ou o contrário, alguma coisa assim, embora quem sempre troque as letras de música seja você, de um jeito sempre engraçado.

Mas então te digo que eu queria te falar vinte cinco mil coisas, mas na verdade sei que não vou dizer nada e por isso como chocolates atrás de chocolates, todos os dias. e a grande verdade é, que mesmo se eu comesse todos os chocolates do mundo pra sempre eu ainda não saberia o que te dizer exatamente, embora eu saiba bem o que eu queria te dizer se pudesse. E faz dois anos já. Que eu queria te dizer coisas. Desde que você começou a aparecer na minha casa, com suas roupas mal cortadas e que a gente conversava, ou não conversava, mas a grande verdade é que eu sempre gostei de você. desde a primeira vez. Eu não sei muito bem, e eu ouvi em alguma peça, algum dia, que isso é o que chamam de atração inevitável, mas eu nem sei se acredito nessas coisas.

A gente pode chamar de a grande afinidade, se você quiser. A gente pode chamar de qualquer coisa, na verdade. Porque na verdade isso que a gente é nunca teve nome, mas eu um dia disse pra um amigo meu que a gente só ama quem admira e eu te admiro pra cacete, é verdade, embora nunca tenha te dito isso e nem saiba se um dia vou dizer.

Então um dia te sento na cadeira na frente da minha e tento vestir minha melhor roupa, mas meu cabelo estraga toda a conjunção de pessoa bem ajeitada que eu queria ser, e na verdade eu nem sei se você repara nessas coisas. repara? sempre te achei tão visual que eu acho que repara, então eu me policio bastante pra não sumir no meio dos meninos e ser mais uma pessoa que você chama de cara, embora eu também goste quando você me trata assim, e a gente age como crianças de colegial se dando soquinhos, porque eu pareço muito com a garota de treze anos que gostava de um menino que não gostava dela, mas os astros conspiraram para que fizessem aniversário no mesmo dia e isso criasse algum tipo de proximidade louca. Isso e o fato dela ter decorado os cento e cinquenta pokemons e lhe presentear com um pikachu, certo dia. E então lembra também que ela poderia ser a garota mais compreensiva de todo o universo quando gosta de alguém, e então se doou por inteiro um dia e todos os outros dias, até que um dia voltou pra casa feliz porque passaram o dia todo de mãos dadas enquanto ele dizia "ei, vem por aqui" e cuidava dela sem perceber. Mas aquilo não significou nada, assim, em histórias normais, porque não houve beijo, ou namoro, ou qualquer coisa que pudesse qualificar o momento como relacionamento, só que mal sabem as pessoas que bonito mesmo são esses amores que ficam pela delicadeza e não pelo ato e assim foi.

E aí eu queria te dizer, enquanto te sento ali e finjo uma articulação insuitada que sempre sempre sempre dá errado coisas e mais coisas. Mas é assim, um universo de coisas. Um universo coisas tão particulares minhas e nossas que são tão grandes, tão imensas que eu precisaria de um cigarro e um conhaque nas mãos, mesmo que não beba nem fume e saiba que você odeia odeia cheio de cigarro. Mas acho que talvez nem assim falaria nada das coisas que importam e bebericaria e fumaria, e te diria que olha, a fumaça fica até bonita em contraste com o escuro do céu, ou então faria alguma piada muito sem graça e você riria, ou falaria muito alto e acabaria por sentir vergonha de mim no momento que pisasse de novo no meu apartamento e te visse da sacada indo embora.

E dessas coisas que eu não quero te dizer, e quero, mas sei que não vou, mora aquilo de te dizer que gosto de você desde a primeira linha de conversa que tivemos, faz tempo, tanto tempo. E que eu cuidaria de você pra sempre e que eu te admiro pra cacete e que junto com isso, eu viro uma quinzeanista muito ridícula falando alto, quase gritando, histérica. Dizem que amor faz a gente meio assim, faz a coisa toda virar uma papagaiada de filme de comédia romântica muito estranha e louca com direito a tropeçar nos próprios pés, e nas palavras também, porque não? sempre sempre. Você me vê cair dia após dia. E me preocupo contigo mais do que comigo e olha, senta aqui, eu vou te falar todas as coisas. Que me mordo de ciúmes, que morro de medo que mudes demais e que não seja mais aquele menino que um dia eu conheci, desajeitado e lindo e que eu adorava ver rir e que eu queria e quero, e sei lá por quanto tempo vou continuar querendo guardar junto comigo pra privar do mundo e das outras coisas todas e dos perigos que são muito e rápidos. Tenho medo de te perder, de te perder de mim, entende? quero te dizer que eu gosto de você tanto, e é um tanto que quando a gente fala dá vontade suspirar e dói por dentro uma dor estranha e rápida. Espera, senta aqui, mas eu não vou te dizer essas coisas todas não, ainda não, você sabe que eu não consigo e estou tão doente por você que passaria todos os meus dias junto com você mesmo que não falasse mais nada e a coisa toda é tão doente que eu deixaria de te amar agora, nesse minuto e tomaria minha estrada rumo à coisas mais interessantes, mas espera, você é a coisa mais interessante que me aconteceu e mesmo que me doa de dar raiva eu sei que não vou pra lugar nenhum. Vou ficar aqui, esperando, um dia você me pega pela mão e diz "ei, vem por aqui" porque no fundo você também sabe, deve saber e se não souber que bonitos mesmo são os amores que são pela delicadeza de existirem e não pelo ato, e assim vai ser.