E aqui estamos, sozinha, no meio de jornalistas frustrados, intelectuais sem nome. Uma mulher declama um pedaço de um livro de uma maneira sofrível. João Paulo Cuenca, é claro, nunca saberá da minha existência no planeta terra. O problema da literatura são os estudantes de literatura. O problema do texto é ser dito por alguém que não tem talento. O problema da literatura são os amantes de literatura. O problema do mundo é querer encontrar sentido em tudo.
João paulo cuenca adentra no recinto.
Diz coisas que eu pensava, mas nunca tinha dito antes.
Toma em duas horas o tanto de água que eu não bebo em três dias.
Deixa o recinto me deixando três frases escritas, uma pergunta respondida, esse trecho de coisa alguma e um sentimento comum: no fundo, todo mundo sente igual.
16/09/11 - o único final feliz para uma sexta feira comum seria um acidente.
18.9.11
13.9.11
você é o grito que ninguém ouviu no teatro
NÃO SE MATE
Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserves-e todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Carlos Drummond.
Existe uma hora, na vida de qualquer pessoa - e nas das que escrevem, principalmente - que se falta a vida e, pior ainda, faltam as palavras. Uma coisa meio morte, meio enxergar sua vida como personagem de outra coisa, outra história. Não se faz parte, não se existe, quase se morre. Nesses estados de quase-morte empresta-se as palavras de outra pessoa pra querer se dizer o que não se consegue. É que os que não escrevem fazem. É pra isso que servem os escritores. Para dar voz àquilo que se vive, mas não se sabe colocar em verso, nem prosa, e nem mesmo grito. Deixo que nesse hiato Carlos Drummond fale por mim. É terrível não conseguir escrever com suas próprias palavras aquilo que se sente. A catarse, pra quem cria, é apenas parte do processo. É bonita, mas não preenche. Os olhos às vezes cabisbaixos indicam tristeza. Eu preciso de tempo, eu preciso ficar sozinha, eu preciso me encontrar pra poder entender o que pode virar texto e o que não pode. A metalinguagem de escrever sobre o não-escrever também não preenche. É só uma constatação. Alguma coisa dentro de mim precisa colar pra que se crie. É preciso criar pra que se viva. Eu preciso escrever pra me sentir parte. Parte do mundo, parte de mim, parte do universo. A cura pela fala sempre fui minha cura pela escrita. Sublimação. Freud explica, mas não consola. Aos olhos dos outros, toda pessoa aparentemente amarga precisa de amor. “Você precisa amar, você precisa ser amado”. Todos querem. Eu, inclusive, não nego. Só que hoje, eu preciso criar. Porque o escrever é necessário. E o amor, acontece quando tem que acontecer – hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda feira ninguém sabe o que será.
“Mas não diga nada á ninguém, ninguém sabe nem saberá”
Não.se.mate
Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserves-e todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Carlos Drummond.
Existe uma hora, na vida de qualquer pessoa - e nas das que escrevem, principalmente - que se falta a vida e, pior ainda, faltam as palavras. Uma coisa meio morte, meio enxergar sua vida como personagem de outra coisa, outra história. Não se faz parte, não se existe, quase se morre. Nesses estados de quase-morte empresta-se as palavras de outra pessoa pra querer se dizer o que não se consegue. É que os que não escrevem fazem. É pra isso que servem os escritores. Para dar voz àquilo que se vive, mas não se sabe colocar em verso, nem prosa, e nem mesmo grito. Deixo que nesse hiato Carlos Drummond fale por mim. É terrível não conseguir escrever com suas próprias palavras aquilo que se sente. A catarse, pra quem cria, é apenas parte do processo. É bonita, mas não preenche. Os olhos às vezes cabisbaixos indicam tristeza. Eu preciso de tempo, eu preciso ficar sozinha, eu preciso me encontrar pra poder entender o que pode virar texto e o que não pode. A metalinguagem de escrever sobre o não-escrever também não preenche. É só uma constatação. Alguma coisa dentro de mim precisa colar pra que se crie. É preciso criar pra que se viva. Eu preciso escrever pra me sentir parte. Parte do mundo, parte de mim, parte do universo. A cura pela fala sempre fui minha cura pela escrita. Sublimação. Freud explica, mas não consola. Aos olhos dos outros, toda pessoa aparentemente amarga precisa de amor. “Você precisa amar, você precisa ser amado”. Todos querem. Eu, inclusive, não nego. Só que hoje, eu preciso criar. Porque o escrever é necessário. E o amor, acontece quando tem que acontecer – hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda feira ninguém sabe o que será.
“Mas não diga nada á ninguém, ninguém sabe nem saberá”
Não.se.mate
7.9.11
ring out
Fracasso é isso, é não acontecer aquilo que estava previsto, é uma curva no lugar errado, é bater de cara no poste, é ter que lidar com o inevitável, a curva mal feita da vida. Assim são os imprevistos do mundo. Estava acostumada com o fracasso, o gosto de ferrugem e sangue na boca, o soco, a queda, as mãos raladas. O correr correr e acabar chegando a lugar algum. Sensação inevitável à todo aquele que está vivo. Desculpem, fracassamos. Fracassamos nas manhãs, nas noites, nas tardes, nos céus azuis, nós fracassamos o tempo todo, todos os dias. Todo dia tem um pouco de fracasso e raiva, de expectativa frustrada, de tristeza de fim de tarde. Todo dia tem um pouco daquilo que não foi. Poderia ela quem sabe, bater na mesa, maldizer o mundo, sair sozinha na rua gritando tudo aquilo que não deu certo. Mas o mundo não é assim, tem dia que não é hora e pronto. Senta-se, toma um café, esquece-se daquilo, respira-se três vezes e continua-se a jornada. Viver não permite que se agarre tudo com a mesma mão, mesmo que às vezes pareça possível - ou até mesmo necessário. Amores escaparão pelos dedos, felicidades sumirão por entre as copas das árvores e às vezes não existe poesia nas sextas-feiras à noite. Nenhuma poesia, nem aquela felicidade embriagada, e os carros passam com suas luzes acesas, suas músicas altas e na sua vida tudo é só um desassossego meio sem nome e nem porquê. É que às vezes a vida não é feita pra fazer sentido, a vida é feita pra te dar soco na cara, pra te fazer cair, pra te deixar sem jeito de levantar. A vida é feita de entremeios meio estúpidos, de fases de transição que são tipo a adolescência. A vida fica com uma voz estranha, espinhas na cara e não sabe direito como se portar. Talvez seja isso, esse terrível entremeio de não saber direito o que se vai ser no momento em que se acorda de novo. Difícil isso, o não-saber. O fracasso enraizado em todos os pequenos momentos, os pequenos desgostos, os pequenos goles de solidão as duas da manhã. Viver nem sempre é sorte e muito poucas vezes é feito de amor. Até podia ser, até podia ser, mas houve imprevisto, não era a hora, e não foi.
2.9.11
confundo relação com inércia
Eu confundo demonstrar afeto com comida, com jogo de videogame, com pipoca com ajinomoto as duas da manhã. Confundo demonstrar sentimento com raiva, com furor, com obsessão. Sofro do mal do frio na barriga, da proteção exagerada para comigo mesma. Tenho pavor de relacionamento. Fiquei infeliz, fui infeliz, amei na hora errada, apareci entregando os papéis como uma daquelas alunas desastradas - que vejam só, eu também fui - que tropeçam em seus tênis com cadarços desamarrados e acabam por derrubar tudo no chão. Sofro de desencontro, de desencanto, de muito desencanto nas horas erradas. Imagino as relações como aquela hora em que você se pega olhando pros seus pés e se dando conta do erro terrível que é dividir a vida com uma pessoa. Trabalho com prevenção de erros, com o menor esforço. Leis quanticas das relações humanas em que, sabendo que o desinteresse posterior é inevitável, o interesse então é uma variável nula. Zero. Qualquer interesse é transformado em zero, tudo vezes zero é igual a nada. Nada. A única palavra definitiva que parece fazer parte do meu vocabulário.
Te ofereceria bolinhos de chocolate em pequenas forminhas e te daria a mão, ocasionamente, mas desconfortável. Não gosto que me peguem na mão, acho intimidade demais. Sexo é ok, dois corpos desconhecidos vagando numa cama com um objetivo meio comum. Pegar na mão significa alguma coisa como querer tocar outra parte com a ponta dos dedos. As mães seguram nas mãos de seus filhos em seus primeiros dias na escola dizendo simbolicamente que estarão com eles naquele momento dificil. O calorzinho da mão que significa apoio, proteção, eu-estou-olhando-por-você. Tocar na mão é mostrar a outra pessoa pro mundo, é se dar conta da existência dela no mesmo espaço que você. Correntes eletromagnéticas passam por vocês, troca de calor, choquinhos por problemas de eletroestática. Dar as mãos é de certa forma permitir que, por algum momento por menor que seja, a outra pessoa esteja dividindo o seu espaço no mundo com você. Eu não gosto de dividir o meu mundo, entenda - eu tenho medo.
Talvez seja possível me levar pra jantar, me olhar nos olhos, me beijar na testa. Talvez eu goste e comente qualquer coisa sobre o lugar ser agradável, duas piadas, dois sorrisos. Nunca o verbalizar o sentimento, nunca o pegar na mão, nunca o encostar no ombro por iniciativa. É como se, com sentimento, eu fosse uma massinha de modelar. Com algum cuidado ela pode virar um pedaço de coisa concreta, mas deixada de lado é apenas um rolinho de massa colorida que em potência podia ter virado uma coisa concreta, mas em ato é só aquilo que sempre foi. Uma semana, duas, um mês. Te olharia nos olhos e me certificaria que existe qualquer-coisa-que-seja dentro de você. Não acreditaria. Esperaria - no paradoxo mais incrível do ser - por uma prova concreta. O que querem dizer seus risos, seus olhares, seus convites? Eu preciso da palavra - eu, que guardo a palavra até o último minuto - eu preciso da palavra pra ter certeza. E até ela, a palavra, é incerta. Eu já menti milhares e milhares de vezes, e você pode mentir também, e então esperaria por um olhar apaixonado, mas sem nunca fazer nada para que ele acontecesse. Seria pra você como uma musa, uma obra de arte, uma coisa que merece ser admirada pelo simples fato de existir. A não-reprocidade do amor que existe entre uma coisa viva, e uma natureza morta.
Sou um pouco aquelas estátuas de pedra das lendas. Só fico viva com um pouco de lágrima. O sentimento me faz renascer. E tendo certeza do sentimento verdadeiro do outro, correspondo. Correspondo numa estranha ação-e-reação. Tudo que você me der, eu sou capaz de dar de volta, só que um pouco de energia que é disperdiçada no processo. Volta então o impulso pra você, mas com um pouco menos de intensidade. O sentimento enquanto leis da física. Atração, repelir, ação e reação ou a completa inércia. Eu confundo sentimento com lei matemática, programa de tv, palavra dita ao acaso, convites aceitos sem titubear.
Na cadeia-alimentar do sentimento, sou um ser inanimado, mecânico, pré-programado com algumas funções básicas. Respondo, alimento, te ofereço um chá. Qualquer coisa assim, que não tenha sentimento demais envolvido, dispendio de energia, não sei falar de saudades, de gostar, de amor (existe?). Não é que eu não sinta. Eu sinto. Penso em mil coisas pra dizer, ouço em loops musicas bonitas, re-conheço o sentimento nos filmes, nas novelas, nos seriados baratos. Ensaio um texto, uma ação, uma mensagem de celular, até uma ligação quem-sabe, tenho vontade eu quase-vou. Mas acabo perdida, em casa, no meio de um telefone que não vai tocar, e penso num bilhete, um recado, um sinal de fumaça. Termino enfim comendo um chocolate, e escrevendo mais um capítulo da antologia poética de mais um amor que não existirá. Amor esse que figurará nas páginas perdidas da história da minha vida destinadas às inúmeras vezes em que confundi demonstrar sentimento com comida - e nem fiz a receita por medo de errar a mão.
Te ofereceria bolinhos de chocolate em pequenas forminhas e te daria a mão, ocasionamente, mas desconfortável. Não gosto que me peguem na mão, acho intimidade demais. Sexo é ok, dois corpos desconhecidos vagando numa cama com um objetivo meio comum. Pegar na mão significa alguma coisa como querer tocar outra parte com a ponta dos dedos. As mães seguram nas mãos de seus filhos em seus primeiros dias na escola dizendo simbolicamente que estarão com eles naquele momento dificil. O calorzinho da mão que significa apoio, proteção, eu-estou-olhando-por-você. Tocar na mão é mostrar a outra pessoa pro mundo, é se dar conta da existência dela no mesmo espaço que você. Correntes eletromagnéticas passam por vocês, troca de calor, choquinhos por problemas de eletroestática. Dar as mãos é de certa forma permitir que, por algum momento por menor que seja, a outra pessoa esteja dividindo o seu espaço no mundo com você. Eu não gosto de dividir o meu mundo, entenda - eu tenho medo.
Talvez seja possível me levar pra jantar, me olhar nos olhos, me beijar na testa. Talvez eu goste e comente qualquer coisa sobre o lugar ser agradável, duas piadas, dois sorrisos. Nunca o verbalizar o sentimento, nunca o pegar na mão, nunca o encostar no ombro por iniciativa. É como se, com sentimento, eu fosse uma massinha de modelar. Com algum cuidado ela pode virar um pedaço de coisa concreta, mas deixada de lado é apenas um rolinho de massa colorida que em potência podia ter virado uma coisa concreta, mas em ato é só aquilo que sempre foi. Uma semana, duas, um mês. Te olharia nos olhos e me certificaria que existe qualquer-coisa-que-seja dentro de você. Não acreditaria. Esperaria - no paradoxo mais incrível do ser - por uma prova concreta. O que querem dizer seus risos, seus olhares, seus convites? Eu preciso da palavra - eu, que guardo a palavra até o último minuto - eu preciso da palavra pra ter certeza. E até ela, a palavra, é incerta. Eu já menti milhares e milhares de vezes, e você pode mentir também, e então esperaria por um olhar apaixonado, mas sem nunca fazer nada para que ele acontecesse. Seria pra você como uma musa, uma obra de arte, uma coisa que merece ser admirada pelo simples fato de existir. A não-reprocidade do amor que existe entre uma coisa viva, e uma natureza morta.
Sou um pouco aquelas estátuas de pedra das lendas. Só fico viva com um pouco de lágrima. O sentimento me faz renascer. E tendo certeza do sentimento verdadeiro do outro, correspondo. Correspondo numa estranha ação-e-reação. Tudo que você me der, eu sou capaz de dar de volta, só que um pouco de energia que é disperdiçada no processo. Volta então o impulso pra você, mas com um pouco menos de intensidade. O sentimento enquanto leis da física. Atração, repelir, ação e reação ou a completa inércia. Eu confundo sentimento com lei matemática, programa de tv, palavra dita ao acaso, convites aceitos sem titubear.
Na cadeia-alimentar do sentimento, sou um ser inanimado, mecânico, pré-programado com algumas funções básicas. Respondo, alimento, te ofereço um chá. Qualquer coisa assim, que não tenha sentimento demais envolvido, dispendio de energia, não sei falar de saudades, de gostar, de amor (existe?). Não é que eu não sinta. Eu sinto. Penso em mil coisas pra dizer, ouço em loops musicas bonitas, re-conheço o sentimento nos filmes, nas novelas, nos seriados baratos. Ensaio um texto, uma ação, uma mensagem de celular, até uma ligação quem-sabe, tenho vontade eu quase-vou. Mas acabo perdida, em casa, no meio de um telefone que não vai tocar, e penso num bilhete, um recado, um sinal de fumaça. Termino enfim comendo um chocolate, e escrevendo mais um capítulo da antologia poética de mais um amor que não existirá. Amor esse que figurará nas páginas perdidas da história da minha vida destinadas às inúmeras vezes em que confundi demonstrar sentimento com comida - e nem fiz a receita por medo de errar a mão.
1.9.11
O amor é uma musica que eu não sei os acordes
(ou como estragar relações em apenas três acordes).
Não sei lidar com sentimento.
Primeira verdade universal da minha vida, primeira pessoa do singular. Não sei.
Da única vez que amei (e foi a única assim, indivizível) percebi tarde demais, porque nunca soube brincar de amor. Difícil conseguir enxergar uma coisa com a qual nunca houve um contato anterior. É como tentar reconhecer uma mesa como mesa, sem nunca ter visto uma. Se dá outro nome, se inventa, não se sabe muito bem a função da coisa nunca-antes-conhecida. Havia o ciúmes, e uma coisa grande que às vezes fazia chorar de dor, e às vezes fazia chorar de não caber. Desconfiei daquilo ser amor pelo que eu já tinha lido nos romances. Uma urgência, uma vontade de ter a coisa pra si sem que necessariamente a coisa tenha que ser sua. Se necessita do sentimento por, não se necessita da coisa em si. Só soube do amor que tinha quando te vi partir, e daí já era tarde demais. Disse quando me declarei, errada, sem postura, gaguejando e tropeçando naquilo que sempre soube usar bem - as palavras - que morava em mim o descompasso. Descompassada. Só sei dançar no sentimento fora do tempo, pisando nos meus próprios pés. Acho que ainda sinto os calos.
Depois de você, deu-se a eterna procura de um outro sentido. Amar traz um sentido ao existir. Um sentido só teu, um sentido que aparece meio desavisado. Eu te amava nos meus livros, nas músicas que você tinha me dado. Te amava nas lembranças de casa, no sofá da sala, nos pequenos souvenirs que ficaram, aqui e ali. Eu te amava na ausência, na falta, na necessidade. Te amava porque sem você eu era a mesma menina descompassada que tropeçava nos próprios pés e caia ralando o joelho - só que sem mão pra segurar e rir junto, o que deixa a vida toda de um erro-sem-fim.
Eis que houveram as novas relações e como não pisar nos próprios pés, como dançar no ritmo da música, como não ralar o joelho? Existe uma regra? existe um jeito de nascer uma compreensão sem precedentes da parte que precisa receber o amor de que você não sabe lidar com aquilo? Não sei responder. Não sei responder porque da única vez que amei cai nos joelhos do ser amado quebrando os dentes e sangrando a boca. Da única vez que amei descobri que o amor tem data de validade e desencontro. Descobri o amor quando não mais me amavam, não soube demonstrar quando devia e aí, acabou-se. Depois entrei numa busca sem fim de entender como lidar. O amor nasce? Se encontra o amor? Quando ele começa a acontecer você diz? Ou você espera sentada no seu sofá por um manual de instruções?
Não sei brincar de amor.
Difícil dizer, fazer um retrospecto, admitir de joelhos sangrantes que o fracasso sou eu. Simples dizer que tenho em mim um espírito de liberdade aguçado, que guardo em mim expectativas que as pessoas nunca serão capazes de alcançar, que sou incapaz de lidar com sentimento de um jeito que não seja trágico. É simples me explicar assim, por vício. Olhar pras novas pessoas que entram na minha vida e dizer: "olha, eu sou um fracasso, e provavelmente eu não vou atender às suas expectativas. Porque eu não sei fazer isso". Não sei se aprende-se isso. Coisas simples. Mandar mensagens de felicitações, parecer equilibrada, chamar pra tomar um café. Sou incapaz, me desculpem, sou. Veio errada a tecla que ensina como lidar com seres humanos. Comigo ou você me leva e me ganha, ou esquece de mim. Esperar qualquer coisa que seja da minha iniciativa é pedir demais, é esperar demais, é se frustrar. E daí, o amor que nem chegou a existir vai embora, e eu, ajoelhada no chão peço mais uma chance. Geralmente já é tarde demais. É como ser um daqueles cubos mágicos embaralhados demais pra querer juntar as cores certas. Quando chegar ao fim pode ser que compense, mas você prefere deixar o cubo de lado. Muitos movimentos, voltas, quebrar a cabeça, ficar com raiva, querer jogar o cubo no chão. Esse cubo que, até você compreender a sua esquisita lógica, não vai atender aos seus comandos.
O amor é o meu inventário do irremediável.
Dizem que os melhores cozinheiros erram no almoço de casa. Aprendi a escrever sobre amor, entendo na teoria, seria a melhor namorada-amante-companheira-de-aventuras do mundo, mas no fim das contas, você acostuma a ser aquele cubo mágico esquecido no cantinho da escrivaninha. Viajantes vão chegar, querer aceitar o desafio. Alguns vão durar mais, outros desistir na primeira volta, outros vão tentar bastante. E quem sabe um dia coloquem todos os meus pedaços nas faces certas desse meu existir. Mas eu sou poeta e não aprendi a amar.
E o amor é essa canção que eu insisto em cantar - mas não sei o tom.
Difícil dizer, fazer um retrospecto, admitir de joelhos sangrantes que o fracasso sou eu. Simples dizer que tenho em mim um espírito de liberdade aguçado, que guardo em mim expectativas que as pessoas nunca serão capazes de alcançar, que sou incapaz de lidar com sentimento de um jeito que não seja trágico. É simples me explicar assim, por vício. Olhar pras novas pessoas que entram na minha vida e dizer: "olha, eu sou um fracasso, e provavelmente eu não vou atender às suas expectativas. Porque eu não sei fazer isso". Não sei se aprende-se isso. Coisas simples. Mandar mensagens de felicitações, parecer equilibrada, chamar pra tomar um café. Sou incapaz, me desculpem, sou. Veio errada a tecla que ensina como lidar com seres humanos. Comigo ou você me leva e me ganha, ou esquece de mim. Esperar qualquer coisa que seja da minha iniciativa é pedir demais, é esperar demais, é se frustrar. E daí, o amor que nem chegou a existir vai embora, e eu, ajoelhada no chão peço mais uma chance. Geralmente já é tarde demais. É como ser um daqueles cubos mágicos embaralhados demais pra querer juntar as cores certas. Quando chegar ao fim pode ser que compense, mas você prefere deixar o cubo de lado. Muitos movimentos, voltas, quebrar a cabeça, ficar com raiva, querer jogar o cubo no chão. Esse cubo que, até você compreender a sua esquisita lógica, não vai atender aos seus comandos.
O amor é o meu inventário do irremediável.
Dizem que os melhores cozinheiros erram no almoço de casa. Aprendi a escrever sobre amor, entendo na teoria, seria a melhor namorada-amante-companheira-de-aventuras do mundo, mas no fim das contas, você acostuma a ser aquele cubo mágico esquecido no cantinho da escrivaninha. Viajantes vão chegar, querer aceitar o desafio. Alguns vão durar mais, outros desistir na primeira volta, outros vão tentar bastante. E quem sabe um dia coloquem todos os meus pedaços nas faces certas desse meu existir. Mas eu sou poeta e não aprendi a amar.
E o amor é essa canção que eu insisto em cantar - mas não sei o tom.
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