"...ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, a velha angst, saco, mas ando, ando, mais de duas décadas de convívio cotidiano, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, ah não me venha com essas histórias de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, eu nunca tive porra de ideal nenhum, eu só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista capitalista, eu só queria era ser feliz, cara, gorda, burra, alienada e completamente feliz...."
"...Hein? claro que deve haver alguma espécie de dignidade nisso tudo, a questão é onde, não nesta cidade escura, não neste planeta podre e pobre, dentro de mim? ora não me venhas com autoconhecimentos-redentores, já sei tudo de mim...perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidário & positivo, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheira, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária e bababá bababá. As pessoas se transformavam em cadáveres decompostos à minha frente, minha pele era triste e suja, as noites não terminavam nunca, ninguém me tocava, mas eu reagi, despirei, voltei a isso que dizem que é o normal, e cadê a causa, meu, cadê a luta, cadê o po-ten-ci-al criativo?..."
"...ou ligo para o cvv às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas tipo preciso-tanto-uma-razão-para-viver-e-sei-que-essa-razão-só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá e me lamurio até o sol pintar atrás daqueles edifícios sinistros, mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia, ela pára e pede, preciso tanto tanto tanto, cara, eles não me permitiram ser a coisa boa que eu era...que aconteça alguma coisa bem bonita com você, ela diz, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando...."
Recapitulando, caio fernando abreu me fez chorar.
é tudo que eu sempre quis escrever e como ele o fez, me calo.
espero que ainda tenhamos salvação, companheiro.
you know just what I'm talking about.
29.5.08
eu só queria um jeito.
e pra te ser bem sincera, eu só queria um jeito de ser feliz.
um jeito, uma maneira, uma receita. um dia no calendário, nas minhas horas corridas, nos meus dias cinzas e sem cor, nesse pleonasmo que é ser eu e não ser feliz.
eu queria, por um minuto olhar no espelho e ver alguém que diga as coisas que espera dizer e que não sinta esse desconforto enorme.
eu já não aguento mais acordar todos os dias com sono, com desgosto, com a vontade de sumir entre catracas de ônibus e gente que eu nunca vi o rosto e nunca mais verei. uma vida normal, uma garota-estudante no alto dos seus dezenove anos, tanta vida por aí e coisas e coisas e coisas.
ora, por favor. é um vazio.
e quando se diz vazio é mais que um espaço em branco, é uma coisa que não se preenche. qualquer coisa... exoterismo, religião, passear de mãos dadas, gritar, vinho barato no meio fio, auto conhecimento, livro de auto ajuda, paulo coelho, chocolate, madrugada, qualquer coisa que me faça sentir viva.
o vento nos cabelos, o brilho nos olhos. a simples vontade de passar um dia sem querer sumir com todo mundo. simples simples simples simples.
eu só queria um jeito, um dia, um momento, uma pessoa, um segundo e um instante
um modo para ser feliz o bastante.
mas tudo me faz acreditar que estou pedindo demais.
um jeito, uma maneira, uma receita. um dia no calendário, nas minhas horas corridas, nos meus dias cinzas e sem cor, nesse pleonasmo que é ser eu e não ser feliz.
eu queria, por um minuto olhar no espelho e ver alguém que diga as coisas que espera dizer e que não sinta esse desconforto enorme.
eu já não aguento mais acordar todos os dias com sono, com desgosto, com a vontade de sumir entre catracas de ônibus e gente que eu nunca vi o rosto e nunca mais verei. uma vida normal, uma garota-estudante no alto dos seus dezenove anos, tanta vida por aí e coisas e coisas e coisas.
ora, por favor. é um vazio.
e quando se diz vazio é mais que um espaço em branco, é uma coisa que não se preenche. qualquer coisa... exoterismo, religião, passear de mãos dadas, gritar, vinho barato no meio fio, auto conhecimento, livro de auto ajuda, paulo coelho, chocolate, madrugada, qualquer coisa que me faça sentir viva.
o vento nos cabelos, o brilho nos olhos. a simples vontade de passar um dia sem querer sumir com todo mundo. simples simples simples simples.
eu só queria um jeito, um dia, um momento, uma pessoa, um segundo e um instante
um modo para ser feliz o bastante.
mas tudo me faz acreditar que estou pedindo demais.
25.5.08
Labios compartidos e vinho barato.
Quando eu te conheci, obviamente, você não parecia ser nada disso que eu vejo hoje. Ou isso que eu vejo hoje não é nada do que eu tinha conhecido. Eu não sei te explicar com certeza. Sei que estou acordada de madrugada, vinho barato na mão – daqueles que você adora, contrariando todas as minhas pretensões de parecer uma pessoa culta, porque no fim eu concordo com você que esse álcool melado sabor uva é quase melhor do que os vinhos caros que eu tomava antes de te conhecer – na taça, porque você tem que saber que eu também não gosto dos copos plásticos e nem dos de requeijão. É o que você chama de frescura, e o que eu chamo de não-sei-o-que-mas-eu-gosto-assim.
Pois estou eu aqui, nessa cena dramática de menina-que-mora-sozinha-e-bebe-de-madrugada, esse cigarro fedorento que você odeia numa mão, a taça de vinho de quatro reais na outra. Minha cabeça meio tonta, já se foi meia garrafa. Você vai me olhar – se você estivesse aqui, mas eu faço tudo como se de algum modo você estivesse me olhando – e dizer que eu não devia estar bebendo tanto e eu deveria parar de fumar. Eu sei de tudo isso, e na verdade, eu já parei de fumar. Por sua causa. Mas eu não te disse ainda e eu estou fumando aqui na sacada pra fazer um charme. Eu ainda gosto das formas que a fumaça toma em contraste com esse céu escuro. Você devia ver, ia gostar de tirar fotos disso. Você gosta mesmo das fotos em que eu não apareço.
Estou com o celular na mão, pronta pra te ligar outra vez, mas já é uma da manhã e você atenderia esse celular com aquela voz de sono de porque você me acordou dessa vez e hoje eu não estou com paciência pra isso. Eu só estou pensando em você, porque pensar em você é como respirar. Não era. Nunca foi. Lembro ainda do dia em que te vi pela primeira vez, aqueles seus cabelos mal cortados, seus tênis horrorosos, sua voz abafada e sua total falta de jeito para comigo. Eu não sei quando isso mudou, mas hoje sou eu que não tenho o mínimo jeito com você. Mas estou aqui, essa taça de vinho barato, minha dor de cabeça, meus pés gelados nessas meias sujando com essa poeira infernal, meus pensamentos suicidas desencorajados e você. Essa minha vontade de te esganar e essa coisa de pensar que você pode muito bem não estar dormindo e sim pensando em outra pessoa, vendo umas fotos de uma qualquer aí ou até mesmo ligando pra alguém nesse exato minuto que eu penso em lugar pra você. Você não é meu. Você só exerce um poder de auto-destruição sobre mim que os psicólogos adorariam estudar. Mas não precisa. Eu tenho noção exata do que acontece. Eu deveria te largar com essas suas calças mal cortadas, seu tênis sujo, sua mania de vinho ruim em copo de plástico, suas convicções estúpidas, esse seu jeito de se achar quase melhor do que todo mundo quando na verdade você é tão medíocre quanto. Devia te deixar aí, num canto com seu sorriso e com esse seu otimismo débil. Você devia ir embora levando as suas conversas e sua mania de não se preocupar comigo.
Esse frio que congela meu rosto. Se você estivesse aqui não ia fazer diferença nenhuma salvo eu ter meia garrafa de vinho a menos e não poder fumar. Você não é do tipo que empresta sua blusa. Além disso, eu não ia nem poder estar ouvindo essa musica em espanhol decadente e melosa que você deva odiar mais que tudo e que eu acabaria desligando pra colocar um dos seus róquiandiróusmodernetes e discordar de você quanto a melhor música do álbum, escolhendo justamente a que você mais odiou. Se você estivesse aqui, não ia me deixar ver televisão e ia implicar com essa mania de eu resolver fazer outras coisas que não ler no meu tempo livre.
Mas o que eu estava pensando mesmo, é que, não que um dia eu tenha achado que eu ia casar com você nem nada. Mas é que eu imaginava você e seus blockbusters, sabe? Esses seus heróis de brinquedo, suas brincadeiras infantis de um homem quase formado. Achei que eu sempre ia te achar a mesma conversa insuportável de sempre. Achei que eu nunca te ajudaria se um dia você chegasse vomitando na porta da minha casa, porque afinal de contas, eu odeio ajudar pessoas e principalmente as pessoas vomitadas. Mas eu me preocupo tanto... E eu não sou do tipo que se preocupa, você até deve saber disso. Mas você dorme no sofá, suja meu banheiro e eu te dou meu cobertor. Eu agüento o cheiro de azedo e ainda te digo que não me incomodou – mesmo tendo vomitado junto com você por causa do seu vômito – e que você pode contar comigo quando quiser. Você sorri, se desculpa com sua educação primorosa e me agradece com alguma piada que eu nunca riria se não tivesse sido você que tivesse me contado, simplesmente porque é estúpida. Assim como você.
Aí você me empresta um dos filmes que se eu tivesse visto sozinha eu acharia que era o tipo-de-filme-que-voce-meteria-a-boca-por-ser-tremendamente-sentimental. E aí não é. Eu choro, mas mesmo assim detesto as cenas que você amou e choro justamente na parte que você não prestou atenção. A parte que você não prestou atenção era a essência do que era eu, mas eu nem me surpreende porque você não presta mesmo atenção em mim e mesmo assim me conhece mais do que eu imagino saber.
Eu estou bêbada, essa sacada minúscula. Essa fumaça inundando todo o cubículo em que não cabe ninguém, eu aperto quando é você e eu, mas hoje eu me basto. Eu, as minhas taças de vinho barato, a fumaça do cigarro fazendo uns desenhos interessantes no céu escuro enquanto eu dou minhas baforadas e pareço uma dessas alternativóides que gostam de meninas e meninos e que usam franja, essa dor de cabeça e você dentro dela. Eu te desejo todas as coisas boas, você até deve saber disso e se eu soubesse melhor o que eu estou pensando eu te contaria amanhã logo que eu acordasse e resolvesse te ligar, como já é costume. Mas não, eu nem vou saber o que eu fiz essa noite e vou acabar dizendo mesmo que eu conheci uma música nova de uma banda que eu odiei, mas eu vou dizer que é legal só porque eu tenho certeza que você ia gostar.
Alguém me olhando de longe, um maço de cigarros acabado, uma garrafa de vinho também, agora só uma taça vazia e quente, meias sujas, frio sem blusa e pensamentos percorrendo você chamaria isso de amor. Eu chamo de qualquer-sentimento-e-ou-relação-se-é-que-se-chama-relação-dependente, ou eu nem sei que nome eu dou. Sei que a minha cabeça dói, meu hálito tem gosto de cigarro com menta – quem inventou essas babaquices? – e minha ressaca começou agora por causa desse vinho que você me ensinou a tomar. Mas dói mais ainda pelas coisas que você me ensinou a ser e mais ainda por saber que uma eu-sem-você ia ser completamente mais vazia do que essa que se embebeda e fuma enquanto ouve esse maná-música-de-novela-ja-no-puedo-compartir-tus-labios sem saber muito bem o que é compartir, mas sabendo que tem alguma coisa essa coisa de no compartir a ver com o que eu chamaria de nós se soubesse e se pudesse ser, mas que vai ser sempre você e eu.
Pois estou eu aqui, nessa cena dramática de menina-que-mora-sozinha-e-bebe-de-madrugada, esse cigarro fedorento que você odeia numa mão, a taça de vinho de quatro reais na outra. Minha cabeça meio tonta, já se foi meia garrafa. Você vai me olhar – se você estivesse aqui, mas eu faço tudo como se de algum modo você estivesse me olhando – e dizer que eu não devia estar bebendo tanto e eu deveria parar de fumar. Eu sei de tudo isso, e na verdade, eu já parei de fumar. Por sua causa. Mas eu não te disse ainda e eu estou fumando aqui na sacada pra fazer um charme. Eu ainda gosto das formas que a fumaça toma em contraste com esse céu escuro. Você devia ver, ia gostar de tirar fotos disso. Você gosta mesmo das fotos em que eu não apareço.
Estou com o celular na mão, pronta pra te ligar outra vez, mas já é uma da manhã e você atenderia esse celular com aquela voz de sono de porque você me acordou dessa vez e hoje eu não estou com paciência pra isso. Eu só estou pensando em você, porque pensar em você é como respirar. Não era. Nunca foi. Lembro ainda do dia em que te vi pela primeira vez, aqueles seus cabelos mal cortados, seus tênis horrorosos, sua voz abafada e sua total falta de jeito para comigo. Eu não sei quando isso mudou, mas hoje sou eu que não tenho o mínimo jeito com você. Mas estou aqui, essa taça de vinho barato, minha dor de cabeça, meus pés gelados nessas meias sujando com essa poeira infernal, meus pensamentos suicidas desencorajados e você. Essa minha vontade de te esganar e essa coisa de pensar que você pode muito bem não estar dormindo e sim pensando em outra pessoa, vendo umas fotos de uma qualquer aí ou até mesmo ligando pra alguém nesse exato minuto que eu penso em lugar pra você. Você não é meu. Você só exerce um poder de auto-destruição sobre mim que os psicólogos adorariam estudar. Mas não precisa. Eu tenho noção exata do que acontece. Eu deveria te largar com essas suas calças mal cortadas, seu tênis sujo, sua mania de vinho ruim em copo de plástico, suas convicções estúpidas, esse seu jeito de se achar quase melhor do que todo mundo quando na verdade você é tão medíocre quanto. Devia te deixar aí, num canto com seu sorriso e com esse seu otimismo débil. Você devia ir embora levando as suas conversas e sua mania de não se preocupar comigo.
Esse frio que congela meu rosto. Se você estivesse aqui não ia fazer diferença nenhuma salvo eu ter meia garrafa de vinho a menos e não poder fumar. Você não é do tipo que empresta sua blusa. Além disso, eu não ia nem poder estar ouvindo essa musica em espanhol decadente e melosa que você deva odiar mais que tudo e que eu acabaria desligando pra colocar um dos seus róquiandiróusmodernetes e discordar de você quanto a melhor música do álbum, escolhendo justamente a que você mais odiou. Se você estivesse aqui, não ia me deixar ver televisão e ia implicar com essa mania de eu resolver fazer outras coisas que não ler no meu tempo livre.
Mas o que eu estava pensando mesmo, é que, não que um dia eu tenha achado que eu ia casar com você nem nada. Mas é que eu imaginava você e seus blockbusters, sabe? Esses seus heróis de brinquedo, suas brincadeiras infantis de um homem quase formado. Achei que eu sempre ia te achar a mesma conversa insuportável de sempre. Achei que eu nunca te ajudaria se um dia você chegasse vomitando na porta da minha casa, porque afinal de contas, eu odeio ajudar pessoas e principalmente as pessoas vomitadas. Mas eu me preocupo tanto... E eu não sou do tipo que se preocupa, você até deve saber disso. Mas você dorme no sofá, suja meu banheiro e eu te dou meu cobertor. Eu agüento o cheiro de azedo e ainda te digo que não me incomodou – mesmo tendo vomitado junto com você por causa do seu vômito – e que você pode contar comigo quando quiser. Você sorri, se desculpa com sua educação primorosa e me agradece com alguma piada que eu nunca riria se não tivesse sido você que tivesse me contado, simplesmente porque é estúpida. Assim como você.
Aí você me empresta um dos filmes que se eu tivesse visto sozinha eu acharia que era o tipo-de-filme-que-voce-meteria-a-boca-por-ser-tremendamente-sentimental. E aí não é. Eu choro, mas mesmo assim detesto as cenas que você amou e choro justamente na parte que você não prestou atenção. A parte que você não prestou atenção era a essência do que era eu, mas eu nem me surpreende porque você não presta mesmo atenção em mim e mesmo assim me conhece mais do que eu imagino saber.
Eu estou bêbada, essa sacada minúscula. Essa fumaça inundando todo o cubículo em que não cabe ninguém, eu aperto quando é você e eu, mas hoje eu me basto. Eu, as minhas taças de vinho barato, a fumaça do cigarro fazendo uns desenhos interessantes no céu escuro enquanto eu dou minhas baforadas e pareço uma dessas alternativóides que gostam de meninas e meninos e que usam franja, essa dor de cabeça e você dentro dela. Eu te desejo todas as coisas boas, você até deve saber disso e se eu soubesse melhor o que eu estou pensando eu te contaria amanhã logo que eu acordasse e resolvesse te ligar, como já é costume. Mas não, eu nem vou saber o que eu fiz essa noite e vou acabar dizendo mesmo que eu conheci uma música nova de uma banda que eu odiei, mas eu vou dizer que é legal só porque eu tenho certeza que você ia gostar.
Alguém me olhando de longe, um maço de cigarros acabado, uma garrafa de vinho também, agora só uma taça vazia e quente, meias sujas, frio sem blusa e pensamentos percorrendo você chamaria isso de amor. Eu chamo de qualquer-sentimento-e-ou-relação-se-é-que-se-chama-relação-dependente, ou eu nem sei que nome eu dou. Sei que a minha cabeça dói, meu hálito tem gosto de cigarro com menta – quem inventou essas babaquices? – e minha ressaca começou agora por causa desse vinho que você me ensinou a tomar. Mas dói mais ainda pelas coisas que você me ensinou a ser e mais ainda por saber que uma eu-sem-você ia ser completamente mais vazia do que essa que se embebeda e fuma enquanto ouve esse maná-música-de-novela-ja-no-puedo-compartir-tus-labios sem saber muito bem o que é compartir, mas sabendo que tem alguma coisa essa coisa de no compartir a ver com o que eu chamaria de nós se soubesse e se pudesse ser, mas que vai ser sempre você e eu.
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23.5.08
os cegos do castelo.
Os cegos do castelo.
Não, não foi um grande livro de algum escritor famoso, ou uma música de algum intelectual muito esperto que me fez tomar a decisão de rever meus conceitos todos. Foi essa música, nando reis e seus titãs que me fizeram enxergar tudo claramente. Numa tarde de feriado em que nada mais fazia sentido, ela se elucidou na minha cabeça e me mostrou tudo que eu ainda não tinha visto.
[Eu não quero mais mentir. Usar espinhos que só causam dor]
- Eu não quero mais mentir, eu não quero mais fingir. não quero mais ficar me desgastando pra mostrar ser o que eu não sou. Não quero me machucar por isso nem machucar os outros com as farpas que eu solto. Eu não quero me machucar por mim mesma. não quero ser o que eu não sou pra agradar os outros, não quero mudar o que penso alguns minutos antes de falar por causa da minha reputação. não quero guardar nada. . não quero ser ríspida por estar me sentindo mal comigo mesma. não quero mais soltar espinhos. não quero mais esbarrar neles. não quero mais viver sendo um projeto mal acabado de mim mesma.
[eu não enxergo mais o inferno que me atraiu]
Eu não quero ficar envolta naquele inferno em que eu estava. não quero mais ficar presa a algo que não sou eu. não quero ficar me escondendo entre noites solitárias e choros ocasionais. Não quero mais ser essa pessoa obscura. estou cansada de ser uma sombra. estou cansada desse inferno de noites mal dormidas e pensamentos que me atormentam. eu não quero mais isso. eu não enxergo mais esse inferno.
[ dos cegos do castelo me despeço e vou.]
Disso tudo, dessas coisas ruins todas. Dessas pessoas que me fazem mal. Das pessoas para as quais eu tenho que fingir. das situações que eu só suporto por supostamente ter que suportar. dos falsos sorrisos, das minhas próprias hipocrisias. dos outros hipócritas, das amizades de fachada. das pessoas que me enxergam por cima e não por dentro, desse buraco todo em que tudo que eu enxergava era escuridão e de tudo o que me deixou assim, eu me despeço.
[ a pé até encontrar, um caminho, um lugar, pro que eu sou.]
Vou a pé, devagar, aos poucos. até encontrar um caminho em que tudo pareça mais certo e verdadeiro. vou numa busca para encontrar um lugar onde eu possa ser eu mesma sem me esconder. sem me preocupar. vou andando por aí, sem compromisso em busca de coisas boas e sentimentos verdadeiros. vou sem nada no bolso ou nas mãos, como diria a música do caetano, sem muita pressa em busca de um lugar onde eu me sinta parte; de pessoas que realmente se importem. de um lugar onde eu possa ser eu mesma e nada mais. de um lugar que me faça sentir eu mesma, em essencia. sem etiquetas socias, sem educações bobas. eu mesma, feliz, triste. mas eu.
[ eu não quero mais dormir]
Eu não quero mais ter que esquecer de nada. Não quero mais preferir dormir do que viver. Não espero mais estar alheia enquanto a vida passa. não quero mais preferetir um mundo de sonhos porque a realidade se mostra fria. não espero mais estar dormindo enquanto tudo a minha volta acontece.
[ de olhos abertos me esquenta o sol.]
Porque de olhos abertos eu posso ver tudo. de olhos abertos eu vivo, e não me escondo. as coisas não passam enqaunto eu tento me esconder porque estou achando tudo uma porcaria. de olhos abertos eu sinto calor e frio. de olhos abertos eu vivo.
[ eu não espero que um revólver venha a explodir]
eu já não prefiro morrer do que estar viva. eu já não prefiro largar tudo porque tudo se mostra cinza e completamente sem sentido. eu escolho não desistir e continuar tentando. não por simples esperança idiota e clichê, mas porque não vale a pena. Eu não espero um revólver na minha testa. eu espero anos e anos a partir de hoje. talvez anos estranhos, talvez algumas coisas desagradáveis. mas eu já não penso em desistir de tudo.
[ na minha testa se anunciou. a pé, a fé devagar foge o destino do azar que restou. ]
Porque eu percebi que tudo isso não valia a pena. lá estava eu me matando pelos outros. me anulando, fazendo um esforço tremendo pra agradar e entrando num caminho obscuro e estranho. me matando com meus próprios pensamentos, vivendo num mundo em que viver dentro de mim era praticamente um esforço. é claro que não vai ser fácil, mas devagar, andando de frente, com aquela esperança que a gente sempre acaba tendo numa ponta ou outra de você, por mais cética que se seja. não é aquela baboseira de ' quem acredita sempre alcança.' mas são atitudes que você sabe que farão o seu destino, esse que você escreve dia-a-dia, pelo menos tentar fugir dessa coisa de azar, desse troço estúpido de ficar achando que vai ser sempre azar e azar. alguma ponta de pessimismo sempre resta. alguma coisa em mim vai sempre achar que eu posso estragar tudo, ainda. afinal foram anos estragando tudo. mas caminhando a pé, londrina debaixo dos pés, a vida ai por aocntecer, mil coisas boas, vou tentando fugir do azar que me resta. caminhando, cantando e seguindo a canção.
[ e se você puder me olhar ]
e se você puder prestar atenção em mim. não nessa que eu costumava aparentar. não nesse personagem estúpido. não nessa que você quer que eu seja. mas se você puder me olhar, por dentro, de verdade. fazer um esforço pra enxergar as coisas que ninguém quis. se você tentar entender meus comportamentos antes de me julgar. se você simplesmente aceitar.
[ se você quiser me achar ]
se você fizer um esforço pra me encontrar mesmo nas vezes que eu me escondo. se você tentar me entender nas entrelinhas. nas coisas que eu não falo, mas sinto. nos meus pequenos gestos, nas minhas tentativas muitas vezes frustradas de mostrar o quanto eu me importo. eu estarei aqui.
[ e se você trouxer o seu lar ]
E se alem de tudo isso, você trouxer com você todas as coisas que você é, pra que eu possa te conhecer de verdade. todas os comportamentos muitas vezes estranhos. os segredos que a gente não conta. todas as linhas. as coisas que você gosta e detesta. as coisas com que você mais se importa. as coisas mais importantes pra você; seus pequenos valores. sem se importar se os outros dão a mesma importância pra tudo isso. só trazer, só mostrar.
[ eu vou cuidar, eu cuidarei dele. eu vou cuidar do seu jardim ]
eu prometo que eu cuido de você também. que eu te ajudo quando você precisar, e quando~não precisar também. que eu estarei aí, ora todas as coisas, e não só pras boas como todo mundo costuma fazer. eu estarei do seu lado pra caminhar sem rumo, ou pra aquele problema sério. pras coisas mais simples e pras mais complexas. pras suas supostas idiotices. eu cuido de você, e do seu jardim.
[ Eu cuidarei do seu jantar ]
e não só cuidar, eu ainda farei todo o esforço para que você permaneça bem. não só psicológicamente, mas eu também prestarei atenção nas pequenas coisas, como se você está se alimentando direito. eu me preocuparei com você em todos os aspectos, e eu te faço o jantar quando você estiver com fome.
[ do céu e do mar ]
mas não só das suas coisas, ou das minhas. eu também continuarei me preocupando com um mundo. com o lugar ao nosso redor, com céu, com o mar, com todas as coisas que não são minhas, mas fazem parte do meu mundo. eu ainda continuarei cuidando do mundo, porque essa sempre foi a minha função. porque eu não sei viver de outra maneira, porque eu tenho que me preocupar com o que está a minha volta também. as outras pessoas, o mundo em que a gente vive. eu ainda faço um esforço pra que um dia tudo isso melhore.
[ e de você e de mim ]
e acima de tudo, eu cuidarei de mim, pra que tudo continue no lugar certo, para que os cegos do castelo não me encontrem mais. para que eu não sinta mais vontade de dormir. para que eu queira que o sol continue me esquentando e não espere que revólver nenhum venha a explodir. para continuar caminhando devagar a procura de todas as coisas que eu necessito. e principalmente esperando as pessoas pra quem eu possa me mostrar de verdade, ser transparente e não precisar mais fingir, ou usar meus espinhos já tão amigos há tanto tempo; eu cuidarei de mim para que eu continue bem. e acima de tudo, eu cuidarei de todas as pessoas que estão comigo na minha vida, que fizeram um esforço pra me olhar de frente, pra me achar mesmo quando eu estava perdida e me confiaram também o jardim delas pra que eu cuide, assim como eu confiei o meu jardim a elas. delas eu cuidarei, e farei o jantar, enquanto a gente discute sobre o mundo, o céu, o mar e coisas mais desimportantes.
dos cegos do castelo - de toda a a depressão, incompreensão, pessoas insensíveis, relações de interesse, dias calada, gente que não te ouve, gente que só finge se importar, desrespeito de opinião, farpas que me machucam e relações superficiais -me despeço definitivamente e vou a pé até encontrar um caminho e um lugar pro que eu sou, e caso alguem realmente resolva me olhar, não superficialmente, mas para me entender e resolva também se abrir eu prometo cuidar do jardim, do jantar e de você e de mim. Pra que o jardim floresça, pra que a gente continue vivo e para que a relação - amizade, amor - não morra. nunca.
Não, não foi um grande livro de algum escritor famoso, ou uma música de algum intelectual muito esperto que me fez tomar a decisão de rever meus conceitos todos. Foi essa música, nando reis e seus titãs que me fizeram enxergar tudo claramente. Numa tarde de feriado em que nada mais fazia sentido, ela se elucidou na minha cabeça e me mostrou tudo que eu ainda não tinha visto.
[Eu não quero mais mentir. Usar espinhos que só causam dor]
- Eu não quero mais mentir, eu não quero mais fingir. não quero mais ficar me desgastando pra mostrar ser o que eu não sou. Não quero me machucar por isso nem machucar os outros com as farpas que eu solto. Eu não quero me machucar por mim mesma. não quero ser o que eu não sou pra agradar os outros, não quero mudar o que penso alguns minutos antes de falar por causa da minha reputação. não quero guardar nada. . não quero ser ríspida por estar me sentindo mal comigo mesma. não quero mais soltar espinhos. não quero mais esbarrar neles. não quero mais viver sendo um projeto mal acabado de mim mesma.
[eu não enxergo mais o inferno que me atraiu]
Eu não quero ficar envolta naquele inferno em que eu estava. não quero mais ficar presa a algo que não sou eu. não quero ficar me escondendo entre noites solitárias e choros ocasionais. Não quero mais ser essa pessoa obscura. estou cansada de ser uma sombra. estou cansada desse inferno de noites mal dormidas e pensamentos que me atormentam. eu não quero mais isso. eu não enxergo mais esse inferno.
[ dos cegos do castelo me despeço e vou.]
Disso tudo, dessas coisas ruins todas. Dessas pessoas que me fazem mal. Das pessoas para as quais eu tenho que fingir. das situações que eu só suporto por supostamente ter que suportar. dos falsos sorrisos, das minhas próprias hipocrisias. dos outros hipócritas, das amizades de fachada. das pessoas que me enxergam por cima e não por dentro, desse buraco todo em que tudo que eu enxergava era escuridão e de tudo o que me deixou assim, eu me despeço.
[ a pé até encontrar, um caminho, um lugar, pro que eu sou.]
Vou a pé, devagar, aos poucos. até encontrar um caminho em que tudo pareça mais certo e verdadeiro. vou numa busca para encontrar um lugar onde eu possa ser eu mesma sem me esconder. sem me preocupar. vou andando por aí, sem compromisso em busca de coisas boas e sentimentos verdadeiros. vou sem nada no bolso ou nas mãos, como diria a música do caetano, sem muita pressa em busca de um lugar onde eu me sinta parte; de pessoas que realmente se importem. de um lugar onde eu possa ser eu mesma e nada mais. de um lugar que me faça sentir eu mesma, em essencia. sem etiquetas socias, sem educações bobas. eu mesma, feliz, triste. mas eu.
[ eu não quero mais dormir]
Eu não quero mais ter que esquecer de nada. Não quero mais preferir dormir do que viver. Não espero mais estar alheia enquanto a vida passa. não quero mais preferetir um mundo de sonhos porque a realidade se mostra fria. não espero mais estar dormindo enquanto tudo a minha volta acontece.
[ de olhos abertos me esquenta o sol.]
Porque de olhos abertos eu posso ver tudo. de olhos abertos eu vivo, e não me escondo. as coisas não passam enqaunto eu tento me esconder porque estou achando tudo uma porcaria. de olhos abertos eu sinto calor e frio. de olhos abertos eu vivo.
[ eu não espero que um revólver venha a explodir]
eu já não prefiro morrer do que estar viva. eu já não prefiro largar tudo porque tudo se mostra cinza e completamente sem sentido. eu escolho não desistir e continuar tentando. não por simples esperança idiota e clichê, mas porque não vale a pena. Eu não espero um revólver na minha testa. eu espero anos e anos a partir de hoje. talvez anos estranhos, talvez algumas coisas desagradáveis. mas eu já não penso em desistir de tudo.
[ na minha testa se anunciou. a pé, a fé devagar foge o destino do azar que restou. ]
Porque eu percebi que tudo isso não valia a pena. lá estava eu me matando pelos outros. me anulando, fazendo um esforço tremendo pra agradar e entrando num caminho obscuro e estranho. me matando com meus próprios pensamentos, vivendo num mundo em que viver dentro de mim era praticamente um esforço. é claro que não vai ser fácil, mas devagar, andando de frente, com aquela esperança que a gente sempre acaba tendo numa ponta ou outra de você, por mais cética que se seja. não é aquela baboseira de ' quem acredita sempre alcança.' mas são atitudes que você sabe que farão o seu destino, esse que você escreve dia-a-dia, pelo menos tentar fugir dessa coisa de azar, desse troço estúpido de ficar achando que vai ser sempre azar e azar. alguma ponta de pessimismo sempre resta. alguma coisa em mim vai sempre achar que eu posso estragar tudo, ainda. afinal foram anos estragando tudo. mas caminhando a pé, londrina debaixo dos pés, a vida ai por aocntecer, mil coisas boas, vou tentando fugir do azar que me resta. caminhando, cantando e seguindo a canção.
[ e se você puder me olhar ]
e se você puder prestar atenção em mim. não nessa que eu costumava aparentar. não nesse personagem estúpido. não nessa que você quer que eu seja. mas se você puder me olhar, por dentro, de verdade. fazer um esforço pra enxergar as coisas que ninguém quis. se você tentar entender meus comportamentos antes de me julgar. se você simplesmente aceitar.
[ se você quiser me achar ]
se você fizer um esforço pra me encontrar mesmo nas vezes que eu me escondo. se você tentar me entender nas entrelinhas. nas coisas que eu não falo, mas sinto. nos meus pequenos gestos, nas minhas tentativas muitas vezes frustradas de mostrar o quanto eu me importo. eu estarei aqui.
[ e se você trouxer o seu lar ]
E se alem de tudo isso, você trouxer com você todas as coisas que você é, pra que eu possa te conhecer de verdade. todas os comportamentos muitas vezes estranhos. os segredos que a gente não conta. todas as linhas. as coisas que você gosta e detesta. as coisas com que você mais se importa. as coisas mais importantes pra você; seus pequenos valores. sem se importar se os outros dão a mesma importância pra tudo isso. só trazer, só mostrar.
[ eu vou cuidar, eu cuidarei dele. eu vou cuidar do seu jardim ]
eu prometo que eu cuido de você também. que eu te ajudo quando você precisar, e quando~não precisar também. que eu estarei aí, ora todas as coisas, e não só pras boas como todo mundo costuma fazer. eu estarei do seu lado pra caminhar sem rumo, ou pra aquele problema sério. pras coisas mais simples e pras mais complexas. pras suas supostas idiotices. eu cuido de você, e do seu jardim.
[ Eu cuidarei do seu jantar ]
e não só cuidar, eu ainda farei todo o esforço para que você permaneça bem. não só psicológicamente, mas eu também prestarei atenção nas pequenas coisas, como se você está se alimentando direito. eu me preocuparei com você em todos os aspectos, e eu te faço o jantar quando você estiver com fome.
[ do céu e do mar ]
mas não só das suas coisas, ou das minhas. eu também continuarei me preocupando com um mundo. com o lugar ao nosso redor, com céu, com o mar, com todas as coisas que não são minhas, mas fazem parte do meu mundo. eu ainda continuarei cuidando do mundo, porque essa sempre foi a minha função. porque eu não sei viver de outra maneira, porque eu tenho que me preocupar com o que está a minha volta também. as outras pessoas, o mundo em que a gente vive. eu ainda faço um esforço pra que um dia tudo isso melhore.
[ e de você e de mim ]
e acima de tudo, eu cuidarei de mim, pra que tudo continue no lugar certo, para que os cegos do castelo não me encontrem mais. para que eu não sinta mais vontade de dormir. para que eu queira que o sol continue me esquentando e não espere que revólver nenhum venha a explodir. para continuar caminhando devagar a procura de todas as coisas que eu necessito. e principalmente esperando as pessoas pra quem eu possa me mostrar de verdade, ser transparente e não precisar mais fingir, ou usar meus espinhos já tão amigos há tanto tempo; eu cuidarei de mim para que eu continue bem. e acima de tudo, eu cuidarei de todas as pessoas que estão comigo na minha vida, que fizeram um esforço pra me olhar de frente, pra me achar mesmo quando eu estava perdida e me confiaram também o jardim delas pra que eu cuide, assim como eu confiei o meu jardim a elas. delas eu cuidarei, e farei o jantar, enquanto a gente discute sobre o mundo, o céu, o mar e coisas mais desimportantes.
dos cegos do castelo - de toda a a depressão, incompreensão, pessoas insensíveis, relações de interesse, dias calada, gente que não te ouve, gente que só finge se importar, desrespeito de opinião, farpas que me machucam e relações superficiais -me despeço definitivamente e vou a pé até encontrar um caminho e um lugar pro que eu sou, e caso alguem realmente resolva me olhar, não superficialmente, mas para me entender e resolva também se abrir eu prometo cuidar do jardim, do jantar e de você e de mim. Pra que o jardim floresça, pra que a gente continue vivo e para que a relação - amizade, amor - não morra. nunca.
22.5.08
madrugadas e decisões.
"...Mas eu precisava romper com algo. São quase vinte anos sendo polida, alegre, simpática. São quase vinte anos fazendo o social e me matando por dentro. Estou tentando ser verdadeira em cada linhazinha de mim mesma. em cada vírgula tem um pouco de tudo o que eu tenho vontade. Esse vazio... sabe, essa coisa de acordar todos os dias as sete da manhã, meio atrasada, corre pra pegar o onibus, ouve mp3, vê as mesmas pessoas e nunca fala do que realmente importa me enjoou. Você tá maluca, menina? Maluca, estressada, chateada, emo, chamem com o nome que quiser. Eu estou dizendo que eu estou sendo verdadeira..."
E não. eu não quero uma verdade inventada. inverto a frase da clarice que eu sempre usei. agora, eu só quero viver do que é passível de fazer sentido. pelo menos pra mim.
E não. eu não quero uma verdade inventada. inverto a frase da clarice que eu sempre usei. agora, eu só quero viver do que é passível de fazer sentido. pelo menos pra mim.
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