Quanto tempo você consegue encarar a tela do computador, antes de sentir sono?
Com quantas pessoas você queria falar, agora?
Porque eu não consigo dormir mais?
E eu fico pensando em tantas tantas tantas coisas, em planos frustrados de domingo de manhã, no enjoo que eu sinto ao comer pastel. Na verdade, eu não estava pensando em nada disso. Eu dormi ouvindo música hoje, sabe? A última coisa que eu me lembro de ter ouvido foi a mesma coisa que eu escrevi no texto anterior " se tu quiser que eu te leve, eu aprendo a dirigir." e na verdade a última coisa que eu ouvi foi " aqui onde eu não moro, não existo sem você." Não faz sentido.
O que eu na verdade estava pensando é subjetivo. Parei e pensei que, com que borracha você apaga o que eu senti? É sério, com o que? Em semanas você esquece milhões de eventos desagradáveis, " meu pai disse que o passado a gente esquece e que sempre arruma alguém novo pra amar" e eu fiquei pensando que o passado a gente esquece, mas quem apaga o que você sentiu? quem te substitui as horas que você perdeu chorando? quem te devolve o vazio, a dor? quem te recompensa em forma de sorrisos aquela noite perdida e chuvosa em que você se vestiu com mletom e shorts e ficou em casa enquanto a cidade inteira estava supostamente se divertindo? não faz sentido.
desculpas não fazem o mínimo sentido, perdão não faz o mínimo sentido, nada faz o mínimo sentido. Ninguém te devolve, o que você sentiu já sentiu e não há nada que ninguém possa fazer quanto a isso, desculpando, não desculpando, fingindo não ter acontecido, é tudo exatamente a mesma porcaria. Eu só estou escrevendo enquanto a insônia não passa, eu deveria estar dormindo mas não consigo. Minha cama é grande, tem alguma coisa que roda e os cobertores me incomodam. Tem alguma coisa em mim que me incomoda e dá dores perto da costela e bem dentro da alma.
tem alguma coisa em mim que não está em sintonia, não hoje, não agora e meu sábado chuvoso só precisa aparecer num domingo bonito, só pra que eu comece a viver a partir dali, porque o que eu já senti, ninguém recupera mais.
Eu nem sei o que eu quero dizer, e eu nem ia querer saber te explicar.
Eu não sei com quantas pessoas eu queria estar falando agora, e eu demorei uns vinte minutos pra consguir dormir de novo. Não consigo dormir porque alguma coisa em mim é maior do que o sono, mas meu pai me disse que o passado a gente esquece.
tudo bem, só não cresci o suficiente pra me acostumar com isso.
e eu não peço nada, eu só queria estar gritando agora, e acho que preciso de remédios ou de um manual de instruções.
Eu estou ficando com muito muito muito medo mesmo.
"protect me from what I want"
e com mais vêemencia ainda, de mim mesma. Deve ter alguma coisa a ver com aquela palavra de-cep-ção, mas eu só sinto, não sei te explicar. Quero me vomitar pra fora, fazer de novo, entende? Não, nao entende. Eu também não. Eu só olho no espelho e não reconheço isso daqui. Devia ser interessante, mas só é triste.
( linhas e linhas e linhas aleatórias, sem sentido, frases jogadas, eu precisava, nem que fosse só pra sentir sono de novo, boa noite.)
13.9.08
Sem julgamentos e sem perguntas, Is just how I fell (today).
"Só um muro de batom, e frases sem fim."
Nas noites chuvosas eu ouço constantemente o tique taque do relógio, no meu relógio digital. Há um minuto atrás era uma e seis e agora ainda são, algum dia você já teve noção do quanto sessenta segundos podem demorar pra passar? Você já teve noção, em contrapartida do quanto a sua vida passa rápido?
Estou tão cansada, eu te digo, e soa como se fosse banal, eu te digo isso pra todo mundo, todos os dias, o tempo todo. Eu estou sempre cansada. Eu estou sempre fazendo esforços e perdendo horas e horas inutilmente, eu nem me lembro quando foi a última vez que eu fiz algo por mim, tipo sentar na sacada e ouvir música. Eu não posso, eu simplesmente não posso. Se passam quinze minutos e eu volto, volto pro mesmo lugar e agora são uma e oito, parece que eu estou escrevendo à tanto tempo...
Isso se chama descontrole. Quando eu estou descontrolada eu não consigo escrever. Tudo sai sem nexo, e transparente demais. Não gosto, não gosto de ser transparente e definitivamente, não gosto disso.
Disso daqui, desse lugar, desse aperto que eu sinto e dessas lágrimas que eu estou soltando sem nem saber porquê. Eu também não sei usar porque direito, você sabia? Nunca sei quando usa separado ou junto, se alguém entender de português certamente vai me corrigir e então eu te pergunto o que importam os erros gramaticais nessa maldita noite de sábado? Choveu, a barra da minha calça está molhada e você pôde perceber como a vida é triste? Quem não teve uma relação estranha, alguém me perguntou, e alguém riu indagando, relação estranha, pontodeinterrogação. Todas as relações são estranhas, eu ia dizer, mas fiquei pensando que não valia a pena, eu sempre pareço tão descrente quando digo isso pra alguém, e eu não sou descrente. São justamente as pessoas que não são descrentes que tem relações estranhas. Se eu simplesmente não acreditasse em nada, não ia fazer a mínima diferença. Mas faz, sempre faz.
Se você para e olha, as pessoas estão decepcionando as outras o tempo todo. A vida é triste, só isso. As coisas acontecem e são tristes. E todo mundo está cheio de relações estranhas, você deve estar certa. A de todo mundo é, e eu só estou cansada de tudo, e das minhas estranhas coisas. Estou gostando menos ainda de mim. Você algum dia já se sentiu intrinsecamente ligado à alguma coisa como se aquilo fizesse parte de você? Isso sempre parece obrigação, depois de um tempo, mas toda vez aparece um tipo de pessoa que não consegue fugir das obrigações, e prazer eu estou aqui. Passe um batom, ou não e vá se divertir, faça alguma coisa por você. Desculpe, eu já não tenho o que. Já não tenho. Essas coisas já não fazem mais parte de mim tão intrinsecamente como se estivessem coladas, eu não consigo mais. Eu podia ter pegado aquele filme, se soubesse, mas não assistiria sossegada. Eu poderia tentar um livro, eu tentei uma música e não adianta nada. É uma e vinte agora e pra mim parece que faz meia hora que eu estou escrevendo essa bobagem. Queria ser subjetiva, usar uma metáfora bonita. Eu não sei, alguma coisa descompensou e eu estou vomitando palavras ao invés de comer chocolates. O mundo é ridículo e triste, não só quando você para pra pensar, mas o tempo todo.
Eu devia gritar, mas não, eu prefiro ficar quieta aqui, escrevendo. Eu devo gostar mesmo de machucar e de me machucar, além e acima de tudo. Abrir feridas, dizem que as pessoas que se suicidam viram funcionárias públicas no mundo dos mortos, isso definitivamente não é o que eu quero. Keep, keep going. Deve ser o slogan de alguma marca famosa, você percebeu que eu não estou fazendo sentido? que hipócrita, isso é até meio moderno. É. Que nem as minhas blusas listradas, calça xadrez e o bidê ou balde que eu postei no meu fotologuepontocom. Eu estou sempre seguindo as tendências, mas no fundo, tem alguma coisa normal aqui. I don't fit at all. E eu gosto de " se você quiser que eu te leve, eu aprendo a dirigir" acho bonito e coisa e tal. Mas hoje estou no repeat com duas músicas aqui, pra ver se alguma coisa entra.
Eu não entendo o mundo, queria. Queria ter a cabeça mais aberta, queri.. Não, eu não queria. Eu fico olhando com estranheza zilhões de coisas e acabo meio que me calando, eu devo ser fruto de uma educação tradicional e repressora pautada nos parâmetros da sociedade judaico-cristã. É, foi isso sim, mas eu gosto, sabe? Eu gostava de futebol também. E eu não consigo, não consigo além disso de roquiepop nacional, quer me explicar por favor quando é que você foi se perder?
Eu estou com medo, e devo parar antes de machucar. Eu não consigo, eu sou cruel. Sou cruel inclusive comigo, fazem só dez minutos, você sabia? Você tem noção de quanto os outros sessenta segundos que formaram duas horas e meia também demoraram pra passar, mas tudo bem, se tu quiser que eu te leve, eu aprendo a dirigir. Eu sabia machucar, agora só sei pedir desculpas e esquecer bem esquecidinho, tudo tudo tudo. E principalmente esquecer o hey, garota, faça algo por você. Entra por um ouvido e sai pelo outro, eu dizia que não, nunca ia acontecer, mas acho que desaprendi. Viver pra mim? Não sei mais. Acho que nunca soube, se eu for te ser aquilo que eu nunca sou: sin-ce-ra. Queria achar nobre, mas só acho triste. Tudo bem...
O mundo está cheio de relações estranhas.
" São todos iguais, o difícil é saber quem é clone de quem."
Nas noites chuvosas eu ouço constantemente o tique taque do relógio, no meu relógio digital. Há um minuto atrás era uma e seis e agora ainda são, algum dia você já teve noção do quanto sessenta segundos podem demorar pra passar? Você já teve noção, em contrapartida do quanto a sua vida passa rápido?
Estou tão cansada, eu te digo, e soa como se fosse banal, eu te digo isso pra todo mundo, todos os dias, o tempo todo. Eu estou sempre cansada. Eu estou sempre fazendo esforços e perdendo horas e horas inutilmente, eu nem me lembro quando foi a última vez que eu fiz algo por mim, tipo sentar na sacada e ouvir música. Eu não posso, eu simplesmente não posso. Se passam quinze minutos e eu volto, volto pro mesmo lugar e agora são uma e oito, parece que eu estou escrevendo à tanto tempo...
Isso se chama descontrole. Quando eu estou descontrolada eu não consigo escrever. Tudo sai sem nexo, e transparente demais. Não gosto, não gosto de ser transparente e definitivamente, não gosto disso.
Disso daqui, desse lugar, desse aperto que eu sinto e dessas lágrimas que eu estou soltando sem nem saber porquê. Eu também não sei usar porque direito, você sabia? Nunca sei quando usa separado ou junto, se alguém entender de português certamente vai me corrigir e então eu te pergunto o que importam os erros gramaticais nessa maldita noite de sábado? Choveu, a barra da minha calça está molhada e você pôde perceber como a vida é triste? Quem não teve uma relação estranha, alguém me perguntou, e alguém riu indagando, relação estranha, pontodeinterrogação. Todas as relações são estranhas, eu ia dizer, mas fiquei pensando que não valia a pena, eu sempre pareço tão descrente quando digo isso pra alguém, e eu não sou descrente. São justamente as pessoas que não são descrentes que tem relações estranhas. Se eu simplesmente não acreditasse em nada, não ia fazer a mínima diferença. Mas faz, sempre faz.
Se você para e olha, as pessoas estão decepcionando as outras o tempo todo. A vida é triste, só isso. As coisas acontecem e são tristes. E todo mundo está cheio de relações estranhas, você deve estar certa. A de todo mundo é, e eu só estou cansada de tudo, e das minhas estranhas coisas. Estou gostando menos ainda de mim. Você algum dia já se sentiu intrinsecamente ligado à alguma coisa como se aquilo fizesse parte de você? Isso sempre parece obrigação, depois de um tempo, mas toda vez aparece um tipo de pessoa que não consegue fugir das obrigações, e prazer eu estou aqui. Passe um batom, ou não e vá se divertir, faça alguma coisa por você. Desculpe, eu já não tenho o que. Já não tenho. Essas coisas já não fazem mais parte de mim tão intrinsecamente como se estivessem coladas, eu não consigo mais. Eu podia ter pegado aquele filme, se soubesse, mas não assistiria sossegada. Eu poderia tentar um livro, eu tentei uma música e não adianta nada. É uma e vinte agora e pra mim parece que faz meia hora que eu estou escrevendo essa bobagem. Queria ser subjetiva, usar uma metáfora bonita. Eu não sei, alguma coisa descompensou e eu estou vomitando palavras ao invés de comer chocolates. O mundo é ridículo e triste, não só quando você para pra pensar, mas o tempo todo.
Eu devia gritar, mas não, eu prefiro ficar quieta aqui, escrevendo. Eu devo gostar mesmo de machucar e de me machucar, além e acima de tudo. Abrir feridas, dizem que as pessoas que se suicidam viram funcionárias públicas no mundo dos mortos, isso definitivamente não é o que eu quero. Keep, keep going. Deve ser o slogan de alguma marca famosa, você percebeu que eu não estou fazendo sentido? que hipócrita, isso é até meio moderno. É. Que nem as minhas blusas listradas, calça xadrez e o bidê ou balde que eu postei no meu fotologuepontocom. Eu estou sempre seguindo as tendências, mas no fundo, tem alguma coisa normal aqui. I don't fit at all. E eu gosto de " se você quiser que eu te leve, eu aprendo a dirigir" acho bonito e coisa e tal. Mas hoje estou no repeat com duas músicas aqui, pra ver se alguma coisa entra.
Eu não entendo o mundo, queria. Queria ter a cabeça mais aberta, queri.. Não, eu não queria. Eu fico olhando com estranheza zilhões de coisas e acabo meio que me calando, eu devo ser fruto de uma educação tradicional e repressora pautada nos parâmetros da sociedade judaico-cristã. É, foi isso sim, mas eu gosto, sabe? Eu gostava de futebol também. E eu não consigo, não consigo além disso de roquiepop nacional, quer me explicar por favor quando é que você foi se perder?
Eu estou com medo, e devo parar antes de machucar. Eu não consigo, eu sou cruel. Sou cruel inclusive comigo, fazem só dez minutos, você sabia? Você tem noção de quanto os outros sessenta segundos que formaram duas horas e meia também demoraram pra passar, mas tudo bem, se tu quiser que eu te leve, eu aprendo a dirigir. Eu sabia machucar, agora só sei pedir desculpas e esquecer bem esquecidinho, tudo tudo tudo. E principalmente esquecer o hey, garota, faça algo por você. Entra por um ouvido e sai pelo outro, eu dizia que não, nunca ia acontecer, mas acho que desaprendi. Viver pra mim? Não sei mais. Acho que nunca soube, se eu for te ser aquilo que eu nunca sou: sin-ce-ra. Queria achar nobre, mas só acho triste. Tudo bem...
O mundo está cheio de relações estranhas.
" São todos iguais, o difícil é saber quem é clone de quem."
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24.8.08
sinceramente, você não ia gostar de ser eu.
E todas as implicações e loucuras que isso me causa.
Tudo o que eu sei é que sinceramente, você não ia querer ser eu, nem como eu ou mesmo passar um dia que fosse morando na minha cabeça, pensando o que eu penso, sentindo o que eu sinto. Eu que sou eu já não aguento viver na minha própria pele.
De verdade, você odiaria acordar todos os dias morrendo de sono e sem vontade de levantar. Você detestaria sentir preguiça de arrumar seu cabelo própriamente ou de colocar uma roupa mínimamente mais decente. Odiaria, detestaria sim. Você não gostaria de sentir um cansaço enorne naquele percurso que te leva ao ponto de ônibus pensando que você devia sim ter aprendido a dirigir, afinal todos os seus amigos que fizeram aniversário bem depois de você já dirigem, e detestaria bem mais saber que você só não faz isso porque não se sente preparada o suficiente. Não ia gostar de ficar em pé por quinze minutos, torcendo pra que a pilha do mp3 não acabe para que você não seja obrigada a pensar em alguma coisa mais que a letra da música que na maioria das vezes é algo que não te faz pensar muito. Ia achar ruim demais ter que abaixar a cabeça e entrar na sala fingindo que não, que não está quase uma hora atrasada mais uma vez. Voce não ia gostar de sentir sono de não conseguir se aguentar, de pensar em um mesmo lanche todos os dias e de fugir sempre dos compromissos. Você não ia achar nada interessante pensar que aquilo ali é contagem regressiva e menos ainda ia se sentir satisfeito de saber que aquilo pode ser alguma coisa que você nem, gosta de fazer. Você não ia achar legal não saber o que você vai fazer pro resto da sua vida.
Não ia gostar de sentir gosto amargo na hora do almoço, de comer pouco por falta de vontade e de sentir um sono tão absurdo que te consome por inteiro. Você não ia gostar de não ter coragem de andar sozinha, de não aguentar ficar sozinha com você mesma por muito tempo. Não ia gostar de ter dezenove anos e ainda ser completamente ligada à sua mãe. Não ia gostar de não ter liberdade alguma, de nunca ter tomado um porre, de nunca ter voltado pra casa depois das duas horas da manhã. Não ia gostar de morar nessa cidade, de estar longe da sua melhor amiga, do seu namorado, de todo o resto.
Você sinceramente ia odiar não conseguir falar tudo o que te consome, nem pra quem importa.
E ia detestar não saber o que fazer com o resto da sua vida.
Você ia odiar chorar por tudo que te deixa mal. Não ia gostar nem um pouco de cobrar das pessoas o que elas não podem dar e esperar das pessoas o que elas não vão saber que você espera. De se preocupar com quem nem lembra que seu nome apareceu por aí um dia. Ia odiar não saber se você tem feito as escolhas certas ou erradas, ser neurótica, possessiva e completamente insegura. Você não ia se sentir bem em ir dormir todo dia bem mal humorada e com vontade chorar por não ter conseguido ficar feliz, só por isso. Não ia gostar de viver de passado, de chorar toda vez que ouve legião urbana, de ninguém entender seu gosto musical e tampouco suas convicções e mais ainda de acharem que tudo isso que você acha é uma grandessíssima bobagem misturada com uma frescurona.
Você não ia querer que as pessoas achassem que você é forte o suficiente para fazer coisas das quais você sabe que não é capaz. Você não ia querer saber que você não é capaz de fazer milhões de coisas que gostaria, por pura e simples falta de coragem. Não ia querer se sentir tão mal quando te julgam ou te criticam, ou simplesmente quando te dizem que você é de um jeito ou de outro. Você não ia gostar de se sentir incapaz de amar com todas as forças que pode. Você ia detestar ser tão fraca e covarde e ia odiar sentir essa dor nas costas e mais ainda essa dor na alma.
Não ia gostar dessa incerteza que me acomete sempre sempre sempre. Não ia gostar de ter que pensar milhões de vezes antes de tomar uma escolha e de saber escrever milhões de vezes melhor do que fala. Não ia querer odiar ligar pra casa da alguém pelo simples medo de outra pessoa atender, de não saber falar com estranhos e de não dizer o que te irrita. Você ia querer morrer se estivesse se sentindo um lixo assim como eu me sinto invaríaveis vezes e em milhões de momentos.
Ia odiar nunca saber onde deixou as coisas, essa mania de desorganização horrorosa e ia querer ser mais responsável, se pudesse. Mas você não pode. Ia se sentir mal em ver mil sonhos frustrados, em não lutar pelo que quer, em sempre deixar pra um pouco depois o que deveria ter falado tão antes. Não ia gostar de perder várias e várias pessoas só por não falar o que deveria na hora certa e ia gostar menos ainda de ninguém nunca entender isso e nunca estar te dando um maldito de um colo.
Você também não ia gostar de ser hipócrita, de sempre preferir coca cola, de ter vergonha de admitir que assiste novela, de ficar mau humorada no calor, de não mandar tudo à merda sempre, de ter esse medo absurdo de ficar doente, de ficar esperando ligações que mudem a sua vida e visitas surpresas que nunca chegam, de ser viciada em internet, de não ter certeza, de se preocupar com tudo sempre, de ter cabelo enrolado, intolerância a lactose, dentes sensíveis, de ficar implorando por um pouquinho mais sempre, de ficar brava por coisas pequenas, de querer o que não existe, de não ter mais paciencia pra ler, de fazer piadas estúpidas, de esperar que tudo se resolva sozinho, de ficar puxando assunto só pra não perceber que é sozinha, de saber que foi muito melhor antes de você, de ter medo de magoar as pessoas, dessa sua manía estúpida de continuar sendo todas essas coisas que você odeia e principalmente de não ser sincera, quase nunca.
A não ser em textos como esse, de noite, quando tudo parece fazer menos sentido ainda do que fazia há alguns minutos atrás.
Tudo o que eu sei é que sinceramente, você não ia querer ser eu, nem como eu ou mesmo passar um dia que fosse morando na minha cabeça, pensando o que eu penso, sentindo o que eu sinto. Eu que sou eu já não aguento viver na minha própria pele.
De verdade, você odiaria acordar todos os dias morrendo de sono e sem vontade de levantar. Você detestaria sentir preguiça de arrumar seu cabelo própriamente ou de colocar uma roupa mínimamente mais decente. Odiaria, detestaria sim. Você não gostaria de sentir um cansaço enorne naquele percurso que te leva ao ponto de ônibus pensando que você devia sim ter aprendido a dirigir, afinal todos os seus amigos que fizeram aniversário bem depois de você já dirigem, e detestaria bem mais saber que você só não faz isso porque não se sente preparada o suficiente. Não ia gostar de ficar em pé por quinze minutos, torcendo pra que a pilha do mp3 não acabe para que você não seja obrigada a pensar em alguma coisa mais que a letra da música que na maioria das vezes é algo que não te faz pensar muito. Ia achar ruim demais ter que abaixar a cabeça e entrar na sala fingindo que não, que não está quase uma hora atrasada mais uma vez. Voce não ia gostar de sentir sono de não conseguir se aguentar, de pensar em um mesmo lanche todos os dias e de fugir sempre dos compromissos. Você não ia achar nada interessante pensar que aquilo ali é contagem regressiva e menos ainda ia se sentir satisfeito de saber que aquilo pode ser alguma coisa que você nem, gosta de fazer. Você não ia achar legal não saber o que você vai fazer pro resto da sua vida.
Não ia gostar de sentir gosto amargo na hora do almoço, de comer pouco por falta de vontade e de sentir um sono tão absurdo que te consome por inteiro. Você não ia gostar de não ter coragem de andar sozinha, de não aguentar ficar sozinha com você mesma por muito tempo. Não ia gostar de ter dezenove anos e ainda ser completamente ligada à sua mãe. Não ia gostar de não ter liberdade alguma, de nunca ter tomado um porre, de nunca ter voltado pra casa depois das duas horas da manhã. Não ia gostar de morar nessa cidade, de estar longe da sua melhor amiga, do seu namorado, de todo o resto.
Você sinceramente ia odiar não conseguir falar tudo o que te consome, nem pra quem importa.
E ia detestar não saber o que fazer com o resto da sua vida.
Você ia odiar chorar por tudo que te deixa mal. Não ia gostar nem um pouco de cobrar das pessoas o que elas não podem dar e esperar das pessoas o que elas não vão saber que você espera. De se preocupar com quem nem lembra que seu nome apareceu por aí um dia. Ia odiar não saber se você tem feito as escolhas certas ou erradas, ser neurótica, possessiva e completamente insegura. Você não ia se sentir bem em ir dormir todo dia bem mal humorada e com vontade chorar por não ter conseguido ficar feliz, só por isso. Não ia gostar de viver de passado, de chorar toda vez que ouve legião urbana, de ninguém entender seu gosto musical e tampouco suas convicções e mais ainda de acharem que tudo isso que você acha é uma grandessíssima bobagem misturada com uma frescurona.
Você não ia querer que as pessoas achassem que você é forte o suficiente para fazer coisas das quais você sabe que não é capaz. Você não ia querer saber que você não é capaz de fazer milhões de coisas que gostaria, por pura e simples falta de coragem. Não ia querer se sentir tão mal quando te julgam ou te criticam, ou simplesmente quando te dizem que você é de um jeito ou de outro. Você não ia gostar de se sentir incapaz de amar com todas as forças que pode. Você ia detestar ser tão fraca e covarde e ia odiar sentir essa dor nas costas e mais ainda essa dor na alma.
Não ia gostar dessa incerteza que me acomete sempre sempre sempre. Não ia gostar de ter que pensar milhões de vezes antes de tomar uma escolha e de saber escrever milhões de vezes melhor do que fala. Não ia querer odiar ligar pra casa da alguém pelo simples medo de outra pessoa atender, de não saber falar com estranhos e de não dizer o que te irrita. Você ia querer morrer se estivesse se sentindo um lixo assim como eu me sinto invaríaveis vezes e em milhões de momentos.
Ia odiar nunca saber onde deixou as coisas, essa mania de desorganização horrorosa e ia querer ser mais responsável, se pudesse. Mas você não pode. Ia se sentir mal em ver mil sonhos frustrados, em não lutar pelo que quer, em sempre deixar pra um pouco depois o que deveria ter falado tão antes. Não ia gostar de perder várias e várias pessoas só por não falar o que deveria na hora certa e ia gostar menos ainda de ninguém nunca entender isso e nunca estar te dando um maldito de um colo.
Você também não ia gostar de ser hipócrita, de sempre preferir coca cola, de ter vergonha de admitir que assiste novela, de ficar mau humorada no calor, de não mandar tudo à merda sempre, de ter esse medo absurdo de ficar doente, de ficar esperando ligações que mudem a sua vida e visitas surpresas que nunca chegam, de ser viciada em internet, de não ter certeza, de se preocupar com tudo sempre, de ter cabelo enrolado, intolerância a lactose, dentes sensíveis, de ficar implorando por um pouquinho mais sempre, de ficar brava por coisas pequenas, de querer o que não existe, de não ter mais paciencia pra ler, de fazer piadas estúpidas, de esperar que tudo se resolva sozinho, de ficar puxando assunto só pra não perceber que é sozinha, de saber que foi muito melhor antes de você, de ter medo de magoar as pessoas, dessa sua manía estúpida de continuar sendo todas essas coisas que você odeia e principalmente de não ser sincera, quase nunca.
A não ser em textos como esse, de noite, quando tudo parece fazer menos sentido ainda do que fazia há alguns minutos atrás.
21.8.08
E o gmail continua guardando minhas velharias.
Não ter o que fazer na aula acaba com você fuçando a sua velha mania de escrever textos nos rascunhos dos e-mails, pra não perder e postar por não ter nada de mais interessante pra fazer. não lembro direito quando, nem porque. Fato é que por falta de vontade de outra coisa, vai isso mesmo.
Sobre Cappucinos e ausências.
Uma pequena lembrança daquela saudade.
Ela ficou pensando enquanto colocava a água quente em cima do cappucino, quando é que foi que ela resolveu que ia mesmo tomar café sozinha. Um ano, nem isso atrás eram sempre perespectivas de cafés juntos, pra sempre. " Você quer café? vou fazer um pouco pra mim" " quero sim, claro." o café dele um pouco fraco pra ela, mas ainda era café e tudo o que importava era a companhia.
Ficou pensando também quando é que ela resolveu que ia trocar as roupas pretas por calça jeans e blusa branca e não deixar mais o cabelo crescer. pensou também em porque era que ela não ouvia mais aquelas músicas e nem ria das mesmas coisas. pensou com mais força ainda quando é que ela tinha escolhido que ele saísse de vez da sua vida.
Aquilo não foi bem uma escolha. as coisas foram acontecendo e numa noite, às quatro ou cinco da manhã ele disse que ia embora e foi mesmo, e ela achou que como sempre ele iria voltar, de calças cinzas ou não, mas ia. ele não voltou. ele não voltou e ela pareceu não se importar, porque ela nunca se importava demais com nada e menos ainda com essas coisas de amor. o amor da vida dela era só uma perspectiva de café e algumas outras coisas que o tempo levou e ela nem consegue lembrar mais.
Mas ao pegar aquela xícara de água quente e dar passos largos e leves até o computador alguma coisa faltou. uma ausência. uma ausência daquilo que era e não é mais, e quem sabe nunca mais vai ser. aquilo que era pra ser pra sempre, bonito, indivizível e real.
Mas até as coisas pra sempre, bonitas, indivizíveis e reais um dia acabam. só acabam. depois de uma conversa, depois de um achar que era a escolha certa. depois de uma simples conversa de noite que acaba tudo que foi construído em anos num simples tchau.
Nem era nada, nem era perspectiva de que eles fossem voltar. era só e simplesmente saudade. saudade daquilo tudo que era pra ter sido e não foi. desde os passeios de bicicleta no fim de tarde, idas a praia, shows e viagens internacionais. cafeína, café, coca cola e o abraço. estranha ausência, um aperto no peito. mas peloamordedeus, esra só uma xícara de cappucino e ela nem lembrava se ele gostava de cappucino também ou se era só de café.
Era só mais uma música, zé ramalho nos fones de ouvido e o fato dela lembrar que ele era a única pessoa que tinha dito que gostava de zé ramalho, justo aquela música mais brega e ainda sim bonita que ele cantava com chitãozinho e xororó. era só porque ele era o único cara que tinha coragem de falar pra ela o que pensava de verdade e era porque ele era o único que respeitava o fato de ela ouvir essas coisas que nem são legais. era só porque ele até gostava de sertenejo escondido e ela bem que sabia, e achava graça e porque ele era o único com as cantadas de pedreiro legais e também com as declarações simples e bonitas mesmo quando essas declarações vinham em forma de brigas que a faziam perder o chão.
Era, na verdade, domingo, um pouco de água quente na xícara, um pouco de água com sal nos olhos e lembranças de algo que um dia pode até ser de novo, quem sabe, um dia e ela só ficou pensando que era tudo porque existia uma ausência imensa, um buraco meio sem cor no meio de tudo e que ele talvez, tinha sido a única coisa, pessoa ou ser que ela já amou de perder o chão, as chaves, a cabeça e todo o resto. era talvez porque era isso que preenchia o coração frio dela coisa que nem mil xícaras de cappucino ferventes fariam mais. nunca mais.
Sobre Cappucinos e ausências.
Uma pequena lembrança daquela saudade.
Ela ficou pensando enquanto colocava a água quente em cima do cappucino, quando é que foi que ela resolveu que ia mesmo tomar café sozinha. Um ano, nem isso atrás eram sempre perespectivas de cafés juntos, pra sempre. " Você quer café? vou fazer um pouco pra mim" " quero sim, claro." o café dele um pouco fraco pra ela, mas ainda era café e tudo o que importava era a companhia.
Ficou pensando também quando é que ela resolveu que ia trocar as roupas pretas por calça jeans e blusa branca e não deixar mais o cabelo crescer. pensou também em porque era que ela não ouvia mais aquelas músicas e nem ria das mesmas coisas. pensou com mais força ainda quando é que ela tinha escolhido que ele saísse de vez da sua vida.
Aquilo não foi bem uma escolha. as coisas foram acontecendo e numa noite, às quatro ou cinco da manhã ele disse que ia embora e foi mesmo, e ela achou que como sempre ele iria voltar, de calças cinzas ou não, mas ia. ele não voltou. ele não voltou e ela pareceu não se importar, porque ela nunca se importava demais com nada e menos ainda com essas coisas de amor. o amor da vida dela era só uma perspectiva de café e algumas outras coisas que o tempo levou e ela nem consegue lembrar mais.
Mas ao pegar aquela xícara de água quente e dar passos largos e leves até o computador alguma coisa faltou. uma ausência. uma ausência daquilo que era e não é mais, e quem sabe nunca mais vai ser. aquilo que era pra ser pra sempre, bonito, indivizível e real.
Mas até as coisas pra sempre, bonitas, indivizíveis e reais um dia acabam. só acabam. depois de uma conversa, depois de um achar que era a escolha certa. depois de uma simples conversa de noite que acaba tudo que foi construído em anos num simples tchau.
Nem era nada, nem era perspectiva de que eles fossem voltar. era só e simplesmente saudade. saudade daquilo tudo que era pra ter sido e não foi. desde os passeios de bicicleta no fim de tarde, idas a praia, shows e viagens internacionais. cafeína, café, coca cola e o abraço. estranha ausência, um aperto no peito. mas peloamordedeus, esra só uma xícara de cappucino e ela nem lembrava se ele gostava de cappucino também ou se era só de café.
Era só mais uma música, zé ramalho nos fones de ouvido e o fato dela lembrar que ele era a única pessoa que tinha dito que gostava de zé ramalho, justo aquela música mais brega e ainda sim bonita que ele cantava com chitãozinho e xororó. era só porque ele era o único cara que tinha coragem de falar pra ela o que pensava de verdade e era porque ele era o único que respeitava o fato de ela ouvir essas coisas que nem são legais. era só porque ele até gostava de sertenejo escondido e ela bem que sabia, e achava graça e porque ele era o único com as cantadas de pedreiro legais e também com as declarações simples e bonitas mesmo quando essas declarações vinham em forma de brigas que a faziam perder o chão.
Era, na verdade, domingo, um pouco de água quente na xícara, um pouco de água com sal nos olhos e lembranças de algo que um dia pode até ser de novo, quem sabe, um dia e ela só ficou pensando que era tudo porque existia uma ausência imensa, um buraco meio sem cor no meio de tudo e que ele talvez, tinha sido a única coisa, pessoa ou ser que ela já amou de perder o chão, as chaves, a cabeça e todo o resto. era talvez porque era isso que preenchia o coração frio dela coisa que nem mil xícaras de cappucino ferventes fariam mais. nunca mais.
19.8.08
the rest...
E eu posso até acordar amanhã e não estar mais viva - se é que se acorda, quando não se está mais viva..-
e tenho medo de estar passando pela rua e num acidente tudo acabar.
mas me assusta muito mais viver, viver me dói a alma e os dentes
viver me dá dores nas costas.
eu tenho muito mais medo daquilo que chamam de "o resto da sua vida".
e tenho medo de estar passando pela rua e num acidente tudo acabar.
mas me assusta muito mais viver, viver me dói a alma e os dentes
viver me dá dores nas costas.
eu tenho muito mais medo daquilo que chamam de "o resto da sua vida".
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