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8.6.09

Das sensaçoes

Da absurda agonia de existir papel e caneta, mas faltarem as palavras. Da inquieta sensação de respirar e existir, mas faltar a vida. Da estranha frustração de ser o malfeito entre caio e clarice e odiar esse existencialismo barato, sem bebida, sem cigarro, engolido à seco, clichê por clichê, como se saboreasse belos doces, que na verdade são feitos de fel. Das sensações misturadas da necessidade de proteção a quem não precisa e das agonias de gostar demais a ponto de nunca nunca conseguir deixar. Da inquietação perene vinda do vício estranho por cafeína. Das saudades suicidas de tudo aquilo que já foi e nunca mais vai ser, mas poderia. Da tristeza ocasional de saber que nunca será tudo aquilo que desejastes, mesmo que tentes com toda a alma e deseje de todo o seu coração. Do aperto na alma de não ser aquilo que o modelo perfeito de você queria que você fosse. Das horríveis dores de cabeça pelas noites mal dormidas. Do frio inquietante que gela ossos e alma do acordar cedo para honrar aquilo que não considera importante. Dos buracos abertos dos amores que são perdidos ano a ano, mês a mês, durante toda a vida. Da esperança bandida de encontrar um lugar só seu e ser feliz feliz feliz feliz. Do vício suicida de ser feliz com aquilo que lhe faz mal, e do que te faz mal te fazer sorrir teu sorriso mais sincero. Da certeza de saber que não casarás com o amor da sua vida, porque ele já se foi. Do enjôo matinal por ser essencialmente romântica nos dedos, e seca como uma esponja na vida. Do pesar de perder todas as pessoas que um dia amou, algum dia, ainda que longínquo. Da absurda agonia de existir e ser, e continuar vivo. Estou.

aleatoriedades de uma mente sem atividades.

E a menina sempre usava roupas que na verdade não lhe cabiam. Porque a menina nunca coube dentro de si.

***

E a minha abstração é tão concreta quanto viradas repetitivas de pás de ventilador.

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Porque não foi o seu sempre existir que te aproximou daquilo que ela não era. Foi o que nunca existiu em ti que te tornou próximo do que na verdade ela sempre foi.

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Odeio estar literária. Minha criatividade nunca coube dentro de mim. É maior, é sublime, não me pertence. É anterior. Sou muito parca. Pobre. Sou Normal. Não me abarco. Nunca abarcarei. Transbordo.

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E das coisas que vivem em mim, vai ser sempre você a transbordar o que existe de mais bonito. E sublime. E seu.

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Gostarei sempre de sorrir contigo. E de tomar café em manhãs tristes e frias. E conversar ao relento. Gostarei sempre de estar contigo. E te sentir presente perto presente meu. Gostarei ainda mais de como me fazes sorrir mesmo quando não está presente. Presente meu.

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E ela tinha tendências estranhas a gostar de manteiga, chocolate, bacon e principalmente a estranah tendência de gostar a ponto de nunca mais poder desgostar.


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E das coisas que eu amo, te digo que você é pra sempre. porque amizades que existiram anteriores a existência, continuarão a existir quando a existência nos for posterior.

6.6.09

Vai sempre ser e sempre será.

Eu já estava completamente confusa antes daquilo, mas tudo que me fez perceber de vez tudo o que estava acontecendo foram duas malditas frases que nem tinham muito a ver se tiradas do contexto, mas entre eu e você faz um sentido absurdo. Você se mostra tão pouco, e eu te entendo tanto que chega a ser chato. Eu queria ser completamente diferente de você. Eu queria estar com você só por alguma afinidade bem idiota. Do tipo ‘ a gente sai junto porque a gente gosta de café com menta e ninguém mais gosta disso, e eu odeio as nossas conversas.’ Mas nossa afinidade ultrapassa o café com menta e eu adoro as nossas conversas. É claro que eu já tinha percebido isso antes, mas eu fico abstraindo as coisas, você me conhece. Você me conhece? Bem, suponhamos que conheça.

Eu fico tentando esconder de todos os modos possíveis o fato de eu adorar tanto tudo que você faz e eu acho que eu consigo bem, pros outros. Pra você eu estou sempre ridiculamente despida e você finge que fala brincando tudo que você já sabe sobre mim. Eu sou frágil e ridícula perto de você, além de querer ficar chamando a atenção como uma criança birrenta. Isso já bastaria pra me desconcertar inteira, mas ainda por cima você me entende pelo olho e isso é a pior coisa que poderia ter acontecido. Eu sou um mistério, sabia? Ninguém sabe meus segredos e ninguém entende o que eu estou sentindo pelo olho. Eu não sou clara e sincera. Eu sou uma merda de uma pessoa seca e que não demonstra nada. Mas com você eu estou sempre baixando a guarda, tentando ser simpática e imaginando que seria bom que você me abraçasse num momento chamado agora. E você sabe disso. Eu sou transparente pra você, eu não tenho vidro fumê nem nada, e se eu fosse um carro com insulfilm, pra você eu sou vidro transparente e você sabe de tudo que eu faço, mesmo que eu não conte. E é tudo isso que eu odeio em você. Porque você não é o tipo de pessoa pela qual eu me interessaria e nada disso. Você não tem nada mais além da altura correta e rir das coisas idiotas que eu falo fazendo parecer uma sacada extraordinária. Eu sinto mesmo é vontade bater em você. E se eu te falar isso você vai saber que eu estou mentindo e vai rir. Vai rir com aquele sorriso que você tem e que tem alguma coisa que eu não consigo me desvencilhar de jeito nenhum.

Suas posições me irritam e na verdade eu adoraria que você não fosse importante na minha vida. E mesmo que fosse eu adoraria mais ainda que você não soubesse. Mas fato é que você soube isso antes de mim enquanto eu só me dei conta depois de umas duas frases que você falou e nem deve ter prestado atenção. E isso é medíocre, tudo isso que eu estou falando poderia muito bem aparecer num daqueles filmes de comédia romântica pelos quais eu tenho certo desprezo, mas mesmo assim choro. E isso resume tudo. Eu queria ter um certo desprezo por você e nem me importar. Você aparece, a gente se dá bem, conversa e tal, mas você não é nada mais do que um daqueles filmes que eu até gosto, mas nunca vão pra minha lista. Não. Eu aluguei você tendo certeza que eu ia ter um certo desprezo e acontece que eu estou chorando igual uma louca por aquele filme que eu jurava não gostar ter enchido minha alma dessa forma.

Foi o que aconteceu, se eu entendo? Entendo completamente. Mas você está sempre entendendo mais. Fato é, eu até queria te devolver na locadora, até devolvi, mas eu fiz uma cópia pra mim e não consigo jogar fora. Você fica fazendo essas coisas. Você fica me entendendo. Você é mais que afinidade de coisa sem importância e eu fico contando horas pra estar com você, porque você é minha presença mais importante. Eu fico te olhando como se você nem importasse nada, mas você já me leu e a gente sabe exatamente o que está acontecendo. E eu te odeio por isso. E por mil coisas mais. Eu podia te falar mil coisas, mas você já sabe de tudo. Eu não estou em suas mãos e posso sair quando bem entender. E pelo olhar você sabe que isso é uma mentirada sem tamanho.

Já não tem mais jeito, eu sou transparente pra você. Faz o que quiser que eu já não ligo. Porque você sabe muito bem que essa minha cara de “ eu estou odiando” é só pretexto pro “ me abraça agora”. "Porque nós não vamos nos casar. Mas não existe ninguém tão bom, e ninguém mais que eu possa encontrar. É difícil pra mim, mas estou tentando."

Seremos sempre, vestígios do que sempre foi, e sempre será.

27.5.09

Das relações humanas.

(Pequeno tratado sobre coisas que sempre continuarão a acontecer.)

Você já percebeu que tipo de relação doentia a gente tem?

Não. Não deve ter percebido, não faz sentido nenhum que você perceba, porque eu tenho uma relação doentia com você e o contrário não acontece.

Eu não estou falando de amor. se eu fosse seu amor e você o meu menino eu acho que bem, eu acho que a gente nem teria chegado a ser como de fato não chegou. é só uma relação. uma relação, como todas as outras relações humanas. relação de conversa, saídas e de uma certa ajuda. nas relações saudáveis é o que se chamaria de ajuda mútua, mas no nosso caso é só ajuda mesmo, de você pra mim. eu me desdobrando e você assistindo, braços cruzados, sentado e achando que não precisa fazer mais nada. eu meio que faço tudo por você.

eu meio que faço isso por todo mundo. pelos meus pais, meus outros amigos, meus amores. mas com você é diferente. com você não tem um pingo de coisa que venha de você pra mim. é tudo de mim pra você. e não é por nada. não é porque são cinco e meia da tarde de uma terça feira absurdamente cansativa e eu mal consigo colocar meus pensamentos em ordem e nem mesmo porque os seus problemas na maioria das vezes se tornam meus problemas, mas eu estou cansada. cansada mesmo. cansada de você. cansada de ser isso daí que eu sou pra você. na verdade, cansada disso daí que você é pra mim.

eu só queria que você resolvesse seus problemas sem precisar da minha ajuda. eu só queria te dizer não quando você viesse atrás dela. eu só queria não (re)descobrir hora ou outra que eu estou fazendo de tudo por alguém por quem meio já estava bem perto do bastante. Não que você não goste de mim ou nada disso e nem que a gente precise fazer as coisas esperando algo em troca, mas às vezes eu fico te olhando e pensando que eu não deveria fazer nada por você. nada mesmo. não deveria perder minhas noites de sono pra ouvir seus problemas que nem problemas direito são. ás vezes eu fico pensando, você já parou pra pensar nisso? parpu pra pensar o quanto você está fantasiando? parou pra ver que você é só mais um deles? só mais um. eu já achei que você era diferente, mas você é só mais um cara. um cara como todos os outros na eterna fila dos caras comuns. um cara. você diz que não mas é só isso, mais um cara.

um cara. um cara desses que acordam todos os dias pensando em ganhar dinheiro e ser famoso. que pensam em descolar aquela mina, enquanto não tem coragem de falar pra garota que está do seu lado o quanto talvez goste dela. mais um cara desses que se preocupam mais com eles mesmos. um cara desses de calça jeans, camiseta e moletom um cérebro com metade da capacidade utilizada. um dessa porcentagem de caras que se acha um dos vermelhos nos pretos, mas é só mais um vermelho no vermelho e acabou. um cara que vai crescer, se reproduzir, ter um carro bonito, uma mulher sem muito na cabeça e vai acabar envelhecendo aí, mais um na porcentagem das estatísticas da classe média ascendente que sonha em ter uma casa maior. mais um cara que vai ensinar seus filhos a gostar de futebol e como se dar bem na vida. mais um. eu já achei que você era um cara, mas você é só mais um cara e eu cansei de carregar você nas costas.

cansei. vontade mesmo de falar pra você que olha, já deu, eu gosto muito de você mas você é grandinho o suficiente pra segurar o seu, cuidar da sua vida e não fazer com que eu compartilhe todas as vezes com a merda que você vive fazendo e muito menos fazer com que eu esteja ali, ombros, ouvidos e olhos pra te segurar depois que você cair quando eu tinha te avisado milhões e milhões de vezes que essa não era a escolha certa. tudo bem, eu não cobro nem peço nada, você sabe eu nunca fui de fazer isso, se eu fosse acho que a gente nem estaria aqui, desse jeito, nesse estado.

não é nada, só estou pedindo afastamento de você, de mim, da nossa relação doentia e dessa coisa de você ser só um cara e ainda esperar que eu resolva seus problemas. é só pra te alertar que em uma dessas manhãs, e nem vai demorar muito, você vai procurar por mim e eu já vou ter ido embora.

24.5.09

figura de linguagem;

E quase morro de nostalgia cinza enquanto ouço essas músicas que tem gosto de você.