31.1.10
This is the last song.
Tentei de tudo. De todas as coisas que pode tentar uma pessoa eu tentei. Mas assim como todas as coisas um dia acabam, também acabou nossa canção sem tom definido. Junto com piano que eu nunca tive eu esqueci todas as bobagens que eu (ainda) pensei de te dizer apesar daquilo tudo. E eu te escrevi. Te escrevi em forma de música, quase bolero, tudo aquilo que eu queria te dizer e nunca disse. Derreti. Ali, no piano, no violão, no livro, no teclado, na máquina de escrever. Derreti em sentimento mal feito e escrevi meu último tratado de amor por você.
Vômito de palavras, como sempre vomitei em você e te deixei sujo sujo de mim. E eu esperava reações, qualquer uma delas. Morna, fria, desesperada, qualquer reação que fosse mais do que olhar pra mim com seus olhos baixos e me contar sobre seu dia. Eu queria que você me batesse, que me abraçasse, eu preferia que você tivesse cuspido em mim do que ter feito isso que você fez. Isso que faz todas as relações estacionarem exatamente no lugar onde estavam e ficarem por isso mesmo. Isso de ficar estático enquanto eu falo falo falo e me derramo. Depois você se levanta, pede as desculpas menos sinceras que a humanidade já teve contato e se vai, prometendo voltar só por costume, e eu fico sentada ali, esperando o dia que você ia voltar pra eu te dedicar outra canção.
E eu soube. Eu soube no momento que você entrou por aquela porta me dizendo que você precisava falar comigo que você não tinha entendido as minhas bobagens. Eu te olhei e soube que nada iria mudar. Nada. Eu ia continuar vivendo a minha vida aqui, você ia continuar vivendo a sua vida aí e eu então iria me acostumar com a ausência. Assim como me acostumo agora e quando penso em você se faz uma coisa fora de lugar. Pensar em você é como querer trazer dez anos atrás de volta e vivê-los do jeito que estou hoje. Quando uma pessoa vai deixando lacunas enormes como as que você deixou, não há forma de preenchê-las de volta. E assim se fez.
Hoje eu olho e até penso em te escrever canções com outros ritmos, penso em te dizer cento e sessenta coisas,mas olha, já te dediquei todas as canções que podia, com todas as melodias, compassos, ritmos e até com as desritimias, descompassos, desafinos que uma canção desesperada pode ter e agora eu só penso que nada disso vai adiantar. Você não me ouve, você não entende mais minha frequência e nossa canção já não é mais atemporal como os beatles que gostamos tanto. Você já sabe tudo o que deveria saber, eu já cantei tudo que deveria te cantar, de balada indie a bolero desesperado e brega, e se mesmo depois dessa overdose de me ouvir você resolveu coninuar onde está, eu desisto.
E então não há mais canção nem sobre mim, nem sobre você e muito menos sobre nós. Esse nosso "nós" que nunca existiu, que sempre foi um "eu e você"sempre assim, bem separadinho. Uma música pra mim, uma música pra você. Eu que teimei em juntar canções e fingir que existia uma música pra nós que estava sendo escrita a passos vagarosos, tão linda a nossa canção... Mas nem existia canção nenhuma, as bobagens ficaram em mim e agora se foram com você, aí pra esse lugar que eu não sei onde é e não quero descobrir.
Esqueça o bolero, a balada, a salsa, o nossa canção tema. Esquece de tudo, aproveite e esqueça de mim também, me faz de canção ruim, mal escrita, mal cantada, fora de ritmo, descompassada, como eu sempre fui com você. Daí eu te escrevo uma canção linda, cheia de métricas, rimas, amores, boleros sinceros,amores e te dedico: essa é a última canção que eu dedico a você. E acabou, você leva embora a nossa música e joga fora isso que eu já chamei de "nós"mas que de hoje em diante é "eu" e "você". Eu: bolero, você: música clássica. Eu me derramando e você soberbo. Cada um de nós em um lado da canção. Separados. Como deveria ter sido desde o princípio.
Para ouvir ao som da sua música preferida que eu odeio.
27.10.09
a fabulosa arte de te ignorar.
não vou te dar oi hoje. nem nunca mais. vou te ignorar. eu vou te ignorar pra sempre. você vai passar e eu nem vou olhar pra sua cara. não vou virar. Não vou te dar oi, não vou falar que você fica bem de vermelho. não vou fazer nada pra você nunca mais. nun-ca ma-is. você não merece, não responde as minhas mensagens e nem entende as minhas demonstrações de afeto. eu vou te ver e vou fingir que eununca te vi na minha vida. nunquinha. vou fingir que você nunca me fez sorrir, que você não é a minha companhia predileta. não vou mais te fazer café, não vou mais olhar pra sua cara e nem perceber que você tem o sorrisomaislindodomundo. nunca mais vou fazer o que for pra ver esse sorriso bonito de novo. não vou. vou te ignorar pra sempre e se me perguntarem de você eu vou fingir que não te conheço. você não vai receber pequenos mini textos meus dizendo sobre as coisas que eu vi e gostei, ou odiei, ou fui indiferente. eu nunca mais vou dizer pra você os filmes que eu acho que você deveria ver e nem os livros que você deveria ler. você pode passar por mim vinte e nove vezes repetidas com neons em luz azul que eu não vou reparar. eu prometi pra mim mesma que eu vou te esquecer e que a partir de agora você não faz mais parte da minha vida. você pode estar do outro lado da rua e do meu lado do ônibus que eu não vou me manifestar. vou ficar comigo mesma, as minhas músicas e não vou ouvir as coisas que me lembram você. nenhuma delas.vou te responder grossa e secamente e não vou mais te ligar pra perguntar se você não quer vir aqui em casa, e caso você apareça sem avisar não vou deixar você pegar nada. vou fazer questão de esquecer que um dia você já viveu em mim. Não vou te dar oi hoje. nem nunca mais. ou até amanhã. ou pelo menos até você aparecer surpreendente, com o sorriso mais -lindo-do-mundo me dizendo seu oi costumeiro seguido de uma piada sem graça que eu vou rir e daí eu já vou ter te respondido sem preceber por star muito ocupada pensando (e sentindo) "meu deus como eu amo esse cara".
(ou a impossível arte de).
26.10.09
19.10.09
Decepções.
"Você está me decepcionando pra caralho" - era só isso que eu conseguia pensar, porque em resumo era só isso que eu queria te dizer. Medo de perder aquele-cara-que-eu-conheci, sentimento-de-posse, ciúme-sem-sentido, amizade-que-quer-ser-preservada, chame como quiser mas o fato é que eu estou tão numa corda bamba por ti e por mim que eu nem sei mais o que eu te falo, faço, faria.
Afastamento.
Seria esse o nome bem vindo pra coisa que a gente deveria fazer. Afastamento real porque quando existe um afastamento às vezes ocorre uma falta e existindo a falta as coisas talvez voltem depois, melhores, quem sabe.
De você eu já não sei mais nada.
E sei tanto. E é o tanto saber que me dói porque sei exatamente que o caminho que estás seguindo pode muito bem acabar de um jeito que a gente pegue dois caminhos completamente distintos. Coisa que eu não quero nunca quis, vem aqui eu-gosto-tanto-de-você.
Mas aguentar tantas decepções não é o que ninguém quer.
E por mais que eu saiba disso, de algum jeito, assim, torto, eu também sei que o pior de tudo é saber que mesmo que ocorram sessenta e duas decepções se um dia você voltar pedindo desculpas, ou mesmo sem pedir, se um dia voltar querendo só estar por estar vai ter sempre um pedaço de qualquer coisa pra ti e o meu colo literal, real ou simplesmente metafórico pra te acolher.
Sentimento.
Sentir qualquer coisa é sempre a pior coisa do mundo. Deixaria de sentir agora, já, em cinco minutos.
Não deixaria.
Escolher o sofrimento possível no lugar da ausência, (sua) ausência, sempre, sempre sempre.
Você está me decepcionando pra caramba, muito, bastante, pra caralho, um aburdo. Você está me machucando de jeitos que me fazem parar de respirar. Eu estou te vendo ir a corda que te ligava, ligou sempre-vai-ligar (?) a mim está sendo roída por coisas que eu já não tenho mais controle. De um descontrole total, absurdo, sem nome.
Estou.
E reclamo do que se sempre fomos assim?
Você está me decepcionando tanto que eu não consigo te dizer que está sem me machucar mais do que eu te machucaria se quisesse. E isso não vai mudar nada, nada em nada, pra sempre nada porque eu gosto tanto de você (ainda que) machuque pra caralho.
Amor.
16.9.09
Te machucar.
sentirás então a minha falta quando de subito eu resolvesse então sair da sua vida como quem sai de algum lugar que não gosta? rápida e freneticamente sem dar tchau e sem deixar vestígios. e então tento todos todos todos os dias me educar de faltas de você. e é quando percebo que as faltas de você doem tanto mais em mim do que em você. não faz muito tempo desde que de algum modo estranho eu importava na sua vida tanto quanto importavas na minha. acontceu então o dia do grande desreconhecimento, sem que ninguém percebesse e hoje o que eu olho não é você. não mais. e me decepcionas esse não ser mais. Quando foi? em que data exata aconteceu de desbalancear a nossa equação e eu ser pra você tão (menos) do que você sempre foi pra mim?
Não me responderias se eu perguntasse talvez porque nem vejas ou saibas o que acontece e continues então vivendo sua vida como sempre viveu e pensando em mil maneiras de conseguir aquilo que sempre quis e então às vezes eu olho para esse irreconhecível você e tenho vontade de sair correndo porque desse você eu não gosto, nunca gostei e manteria uma distância mínima de segurança só para quem sabe assim eu parasse de me machucar (tanto).
Mas fato é que sempre soube que te amar seria assim uma tarefa difícil, uma coisa que daria raiva por três minutos e depois acabaria. Tens total controle sobre mim. Não faz muito tempo que tens, mas tens. Começou a ter exatamente no dia que eu soube que você já não era mais meu. Me prendem as coisas que não são minhas e desde então me sinto- algo que alguma palavra que termine com "ente"- totalmente, solenemente, completamente ligada à você de jeitos que já não posso pensar em desgrudar.
Queria então que sentisses metade da ausência que sinto quando não estás e metade da preocupação que existe quando acontece qualquer coisa que seja com esse você que eu considero tanto. Considero, amo, chame do que quiser mas é sen-ti-men-to. E botamos os dois os pés pelas mãos porque de sen-ti-men-to a gente nunca entendeu nada. Tu pensas que entendes e eu escrevo sobre há pelo menos cinco anos, mas saber viver o tal sen-ti-men-to a gente não sabe; Eu estou aqui pra te acudir e eu, aah, nunca teve quem me socorresse e agora tudo que eu penso é em fazer você sentir a dor que é te amar assim, que sentisses a mesma coisa por mim nisso que a gente chama (chama?) de relação.
Te fazer sangrar com cento e vinte agulinhas de cores diferentes, devagarzinho, sorrateiramente assim. Te fazer se machucar e depois sumir de súbito. Sentirias então a minha falta como sinto a sua. Sinto-te em faltas e presenças todos os dias. Sentirias então? E então eu te digo que te machucaria só pra depois poder te curar pra mim. Te arrumar os pedaços, te colocar no colo e te dizer "vai passar, vai ficar tudo bem", porque eu sempre vou estar contigo.
Eu te amo, do avesso, do direito do contrário e da dor que é amar, eu amo.
6.6.09
Vai sempre ser e sempre será.
Eu fico tentando esconder de todos os modos possíveis o fato de eu adorar tanto tudo que você faz e eu acho que eu consigo bem, pros outros. Pra você eu estou sempre ridiculamente despida e você finge que fala brincando tudo que você já sabe sobre mim. Eu sou frágil e ridícula perto de você, além de querer ficar chamando a atenção como uma criança birrenta. Isso já bastaria pra me desconcertar inteira, mas ainda por cima você me entende pelo olho e isso é a pior coisa que poderia ter acontecido. Eu sou um mistério, sabia? Ninguém sabe meus segredos e ninguém entende o que eu estou sentindo pelo olho. Eu não sou clara e sincera. Eu sou uma merda de uma pessoa seca e que não demonstra nada. Mas com você eu estou sempre baixando a guarda, tentando ser simpática e imaginando que seria bom que você me abraçasse num momento chamado agora. E você sabe disso. Eu sou transparente pra você, eu não tenho vidro fumê nem nada, e se eu fosse um carro com insulfilm, pra você eu sou vidro transparente e você sabe de tudo que eu faço, mesmo que eu não conte. E é tudo isso que eu odeio em você. Porque você não é o tipo de pessoa pela qual eu me interessaria e nada disso. Você não tem nada mais além da altura correta e rir das coisas idiotas que eu falo fazendo parecer uma sacada extraordinária. Eu sinto mesmo é vontade bater em você. E se eu te falar isso você vai saber que eu estou mentindo e vai rir. Vai rir com aquele sorriso que você tem e que tem alguma coisa que eu não consigo me desvencilhar de jeito nenhum.
Suas posições me irritam e na verdade eu adoraria que você não fosse importante na minha vida. E mesmo que fosse eu adoraria mais ainda que você não soubesse. Mas fato é que você soube isso antes de mim enquanto eu só me dei conta depois de umas duas frases que você falou e nem deve ter prestado atenção. E isso é medíocre, tudo isso que eu estou falando poderia muito bem aparecer num daqueles filmes de comédia romântica pelos quais eu tenho certo desprezo, mas mesmo assim choro. E isso resume tudo. Eu queria ter um certo desprezo por você e nem me importar. Você aparece, a gente se dá bem, conversa e tal, mas você não é nada mais do que um daqueles filmes que eu até gosto, mas nunca vão pra minha lista. Não. Eu aluguei você tendo certeza que eu ia ter um certo desprezo e acontece que eu estou chorando igual uma louca por aquele filme que eu jurava não gostar ter enchido minha alma dessa forma.
Foi o que aconteceu, se eu entendo? Entendo completamente. Mas você está sempre entendendo mais. Fato é, eu até queria te devolver na locadora, até devolvi, mas eu fiz uma cópia pra mim e não consigo jogar fora. Você fica fazendo essas coisas. Você fica me entendendo. Você é mais que afinidade de coisa sem importância e eu fico contando horas pra estar com você, porque você é minha presença mais importante. Eu fico te olhando como se você nem importasse nada, mas você já me leu e a gente sabe exatamente o que está acontecendo. E eu te odeio por isso. E por mil coisas mais. Eu podia te falar mil coisas, mas você já sabe de tudo. Eu não estou em suas mãos e posso sair quando bem entender. E pelo olhar você sabe que isso é uma mentirada sem tamanho.
Já não tem mais jeito, eu sou transparente pra você. Faz o que quiser que eu já não ligo. Porque você sabe muito bem que essa minha cara de “ eu estou odiando” é só pretexto pro “ me abraça agora”. "Porque nós não vamos nos casar. Mas não existe ninguém tão bom, e ninguém mais que eu possa encontrar. É difícil pra mim, mas estou tentando."
Seremos sempre, vestígios do que sempre foi, e sempre será.
27.5.09
Das relações humanas.
(Pequeno tratado sobre coisas que sempre continuarão a acontecer.)
Você já percebeu que tipo de relação doentia a gente tem?
Não. Não deve ter percebido, não faz sentido nenhum que você perceba, porque eu tenho uma relação doentia com você e o contrário não acontece.
Eu não estou falando de amor. se eu fosse seu amor e você o meu menino eu acho que bem, eu acho que a gente nem teria chegado a ser como de fato não chegou. é só uma relação. uma relação, como todas as outras relações humanas. relação de conversa, saídas e de uma certa ajuda. nas relações saudáveis é o que se chamaria de ajuda mútua, mas no nosso caso é só ajuda mesmo, de você pra mim. eu me desdobrando e você assistindo, braços cruzados, sentado e achando que não precisa fazer mais nada. eu meio que faço tudo por você.
eu meio que faço isso por todo mundo. pelos meus pais, meus outros amigos, meus amores. mas com você é diferente. com você não tem um pingo de coisa que venha de você pra mim. é tudo de mim pra você. e não é por nada. não é porque são cinco e meia da tarde de uma terça feira absurdamente cansativa e eu mal consigo colocar meus pensamentos em ordem e nem mesmo porque os seus problemas na maioria das vezes se tornam meus problemas, mas eu estou cansada. cansada mesmo. cansada de você. cansada de ser isso daí que eu sou pra você. na verdade, cansada disso daí que você é pra mim.
eu só queria que você resolvesse seus problemas sem precisar da minha ajuda. eu só queria te dizer não quando você viesse atrás dela. eu só queria não (re)descobrir hora ou outra que eu estou fazendo de tudo por alguém por quem meio já estava bem perto do bastante. Não que você não goste de mim ou nada disso e nem que a gente precise fazer as coisas esperando algo em troca, mas às vezes eu fico te olhando e pensando que eu não deveria fazer nada por você. nada mesmo. não deveria perder minhas noites de sono pra ouvir seus problemas que nem problemas direito são. ás vezes eu fico pensando, você já parou pra pensar nisso? parpu pra pensar o quanto você está fantasiando? parou pra ver que você é só mais um deles? só mais um. eu já achei que você era diferente, mas você é só mais um cara. um cara como todos os outros na eterna fila dos caras comuns. um cara. você diz que não mas é só isso, mais um cara.
um cara. um cara desses que acordam todos os dias pensando em ganhar dinheiro e ser famoso. que pensam em descolar aquela mina, enquanto não tem coragem de falar pra garota que está do seu lado o quanto talvez goste dela. mais um cara desses que se preocupam mais com eles mesmos. um cara desses de calça jeans, camiseta e moletom um cérebro com metade da capacidade utilizada. um dessa porcentagem de caras que se acha um dos vermelhos nos pretos, mas é só mais um vermelho no vermelho e acabou. um cara que vai crescer, se reproduzir, ter um carro bonito, uma mulher sem muito na cabeça e vai acabar envelhecendo aí, mais um na porcentagem das estatísticas da classe média ascendente que sonha em ter uma casa maior. mais um cara que vai ensinar seus filhos a gostar de futebol e como se dar bem na vida. mais um. eu já achei que você era um cara, mas você é só mais um cara e eu cansei de carregar você nas costas.
cansei. vontade mesmo de falar pra você que olha, já deu, eu gosto muito de você mas você é grandinho o suficiente pra segurar o seu, cuidar da sua vida e não fazer com que eu compartilhe todas as vezes com a merda que você vive fazendo e muito menos fazer com que eu esteja ali, ombros, ouvidos e olhos pra te segurar depois que você cair quando eu tinha te avisado milhões e milhões de vezes que essa não era a escolha certa. tudo bem, eu não cobro nem peço nada, você sabe eu nunca fui de fazer isso, se eu fosse acho que a gente nem estaria aqui, desse jeito, nesse estado.
não é nada, só estou pedindo afastamento de você, de mim, da nossa relação doentia e dessa coisa de você ser só um cara e ainda esperar que eu resolva seus problemas. é só pra te alertar que em uma dessas manhãs, e nem vai demorar muito, você vai procurar por mim e eu já vou ter ido embora.
24.5.09
figura de linguagem;
25.5.08
Labios compartidos e vinho barato.
Pois estou eu aqui, nessa cena dramática de menina-que-mora-sozinha-e-bebe-de-madrugada, esse cigarro fedorento que você odeia numa mão, a taça de vinho de quatro reais na outra. Minha cabeça meio tonta, já se foi meia garrafa. Você vai me olhar – se você estivesse aqui, mas eu faço tudo como se de algum modo você estivesse me olhando – e dizer que eu não devia estar bebendo tanto e eu deveria parar de fumar. Eu sei de tudo isso, e na verdade, eu já parei de fumar. Por sua causa. Mas eu não te disse ainda e eu estou fumando aqui na sacada pra fazer um charme. Eu ainda gosto das formas que a fumaça toma em contraste com esse céu escuro. Você devia ver, ia gostar de tirar fotos disso. Você gosta mesmo das fotos em que eu não apareço.
Estou com o celular na mão, pronta pra te ligar outra vez, mas já é uma da manhã e você atenderia esse celular com aquela voz de sono de porque você me acordou dessa vez e hoje eu não estou com paciência pra isso. Eu só estou pensando em você, porque pensar em você é como respirar. Não era. Nunca foi. Lembro ainda do dia em que te vi pela primeira vez, aqueles seus cabelos mal cortados, seus tênis horrorosos, sua voz abafada e sua total falta de jeito para comigo. Eu não sei quando isso mudou, mas hoje sou eu que não tenho o mínimo jeito com você. Mas estou aqui, essa taça de vinho barato, minha dor de cabeça, meus pés gelados nessas meias sujando com essa poeira infernal, meus pensamentos suicidas desencorajados e você. Essa minha vontade de te esganar e essa coisa de pensar que você pode muito bem não estar dormindo e sim pensando em outra pessoa, vendo umas fotos de uma qualquer aí ou até mesmo ligando pra alguém nesse exato minuto que eu penso em lugar pra você. Você não é meu. Você só exerce um poder de auto-destruição sobre mim que os psicólogos adorariam estudar. Mas não precisa. Eu tenho noção exata do que acontece. Eu deveria te largar com essas suas calças mal cortadas, seu tênis sujo, sua mania de vinho ruim em copo de plástico, suas convicções estúpidas, esse seu jeito de se achar quase melhor do que todo mundo quando na verdade você é tão medíocre quanto. Devia te deixar aí, num canto com seu sorriso e com esse seu otimismo débil. Você devia ir embora levando as suas conversas e sua mania de não se preocupar comigo.
Esse frio que congela meu rosto. Se você estivesse aqui não ia fazer diferença nenhuma salvo eu ter meia garrafa de vinho a menos e não poder fumar. Você não é do tipo que empresta sua blusa. Além disso, eu não ia nem poder estar ouvindo essa musica em espanhol decadente e melosa que você deva odiar mais que tudo e que eu acabaria desligando pra colocar um dos seus róquiandiróusmodernetes e discordar de você quanto a melhor música do álbum, escolhendo justamente a que você mais odiou. Se você estivesse aqui, não ia me deixar ver televisão e ia implicar com essa mania de eu resolver fazer outras coisas que não ler no meu tempo livre.
Mas o que eu estava pensando mesmo, é que, não que um dia eu tenha achado que eu ia casar com você nem nada. Mas é que eu imaginava você e seus blockbusters, sabe? Esses seus heróis de brinquedo, suas brincadeiras infantis de um homem quase formado. Achei que eu sempre ia te achar a mesma conversa insuportável de sempre. Achei que eu nunca te ajudaria se um dia você chegasse vomitando na porta da minha casa, porque afinal de contas, eu odeio ajudar pessoas e principalmente as pessoas vomitadas. Mas eu me preocupo tanto... E eu não sou do tipo que se preocupa, você até deve saber disso. Mas você dorme no sofá, suja meu banheiro e eu te dou meu cobertor. Eu agüento o cheiro de azedo e ainda te digo que não me incomodou – mesmo tendo vomitado junto com você por causa do seu vômito – e que você pode contar comigo quando quiser. Você sorri, se desculpa com sua educação primorosa e me agradece com alguma piada que eu nunca riria se não tivesse sido você que tivesse me contado, simplesmente porque é estúpida. Assim como você.
Aí você me empresta um dos filmes que se eu tivesse visto sozinha eu acharia que era o tipo-de-filme-que-voce-meteria-a-boca-por-ser-tremendamente-sentimental. E aí não é. Eu choro, mas mesmo assim detesto as cenas que você amou e choro justamente na parte que você não prestou atenção. A parte que você não prestou atenção era a essência do que era eu, mas eu nem me surpreende porque você não presta mesmo atenção em mim e mesmo assim me conhece mais do que eu imagino saber.
Eu estou bêbada, essa sacada minúscula. Essa fumaça inundando todo o cubículo em que não cabe ninguém, eu aperto quando é você e eu, mas hoje eu me basto. Eu, as minhas taças de vinho barato, a fumaça do cigarro fazendo uns desenhos interessantes no céu escuro enquanto eu dou minhas baforadas e pareço uma dessas alternativóides que gostam de meninas e meninos e que usam franja, essa dor de cabeça e você dentro dela. Eu te desejo todas as coisas boas, você até deve saber disso e se eu soubesse melhor o que eu estou pensando eu te contaria amanhã logo que eu acordasse e resolvesse te ligar, como já é costume. Mas não, eu nem vou saber o que eu fiz essa noite e vou acabar dizendo mesmo que eu conheci uma música nova de uma banda que eu odiei, mas eu vou dizer que é legal só porque eu tenho certeza que você ia gostar.
Alguém me olhando de longe, um maço de cigarros acabado, uma garrafa de vinho também, agora só uma taça vazia e quente, meias sujas, frio sem blusa e pensamentos percorrendo você chamaria isso de amor. Eu chamo de qualquer-sentimento-e-ou-relação-se-é-que-se-chama-relação-dependente, ou eu nem sei que nome eu dou. Sei que a minha cabeça dói, meu hálito tem gosto de cigarro com menta – quem inventou essas babaquices? – e minha ressaca começou agora por causa desse vinho que você me ensinou a tomar. Mas dói mais ainda pelas coisas que você me ensinou a ser e mais ainda por saber que uma eu-sem-você ia ser completamente mais vazia do que essa que se embebeda e fuma enquanto ouve esse maná-música-de-novela-ja-no-puedo-compartir-tus-labios sem saber muito bem o que é compartir, mas sabendo que tem alguma coisa essa coisa de no compartir a ver com o que eu chamaria de nós se soubesse e se pudesse ser, mas que vai ser sempre você e eu.
13.5.08
whatever
trecho de alguma coisa, escrita em parte alguma, achado nas folhas perdidas de meu caderno do ursinho puff entre uma poesia ruim e outra. coisas que não fazem muito sentido me arrebatam bem de madrugada. e isso é só um trecho de uma coisa que eu poderia passar sem postar, mas nao vou.