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23.10.08

aleatoriamente sem sentido.

eu tiro o esmalte das unhas vermelhas compridas. Eu dormi e estraguei tudo. Eu senti tanto sono tanto tanto sono e dormi. dormi em cima dos esmaltes vermelhos ainda molhados. Tem marcas da almofada nas minhas unhas. Tem marcas de tantas coisas dentro de mim.
Estou lendo estorvo, indo ao médico com frequencia, pensando tanto quanto posso e querendo me desligar. Tem algum botão, você conhece? acabei de baixar um cd novo, vivo ouvindo uma música que diz sobre amores requentados e microondas. Eu gosto mesmo é do sotaque. Vai morar comigo no rio grande do sul um dia? dizem que lá faz frio e a gente nem precisa tirar a blusa.
Tem um resquício de criatividade dentro de mim que aparece enquanto eu tomo suco de maracujá com manga e leite. Manga com leite não mata e suco de maracujá com leite parece mousse. De repente, três idéias.
Acabou minha salsicha, não tive vontade de comer miojo, estou com saudades.
Comprei ingressos para o show do zeca baleiro. terei um sábado cheio desde a hora que eu acordar.
Precisava te contar que eu peguei um daqueles livros que você me recomendou. Hoje. Era o único que parecia interessante na biblioteca. Eu quase parei no machado de assis, mas chico buarque é minha eterna paixão. A gente é parecido.
é, eu sei que eu posso mais. Posso mais do que esses textos de menininha. Sei que posso mais coisas sérias e até quem sabe histórias de ficção com coisas escondidas. Só não ando com cabeça para. Estou indo dormir pensando em dormir amanhã a tarde, vai dar tempo.
Semana que vem tem strogonoff e a noite a gente pode comprar pizza, né pai?

Faz uma semana que eu não consigo dormir antes das três, vou aproveitar.
Essas vinhetas instrumentais no final de cada música estão me dando nos nervos. Está quente, dou um rim por um ar condicionado. Tô viciada em mate, tomando desde que acordo. Isso é só mais um dia na minha existência, eu te prometo ficar feliz e arrumar as minhas unhas, e parar de sentir saudades.

Prometo não perder a hora amanhã, também.
Agora boa noite, minha semana está acabando mas eu tenho um monte de planos pro resto da minha vida, você me disse que eu precisava de metas. Você sempre tem razão, mesmo depois de quase três anos.

Não dá pra desacreditar assim.
Boanoite. Foi só um post pra dar tempo do cd acabar.
Minha vida agora é mate, sorvete de flocos na casquinha, ar condicionado de shopping e bidê ou balde. Minha vida é requentada como pão dormido e vem do microondas.

22.10.08

A incrível história da volta do povo a prefeitura e um rostinho bonito ( e sacana) para validar.

Estou quase me tornando uma criatura apolítica. Sei que a política está em todos os lugares. Sei que o ônibus que você pega pra ir na faculdade é política, que os computadores que você usa na universidade é política, que o fato de eu ter um monte de professores despreparados é política. Mas estou perdendo o gosto. É triste, eu não tenho nem vinte anos e já perco o gosto. A pequena história da pequena grande cidade em que resido no norte do Paraná me faz ter vontade de não apertar mais botões, de não escolher mais candidatos, de não me pronunciar. Tenho um grito calado na garganta, uma indignação que me dói a alma. Tenho o cansaço de alguém que já viveu anos e diz que não quer mais. A grande diferença é que eu só vivi duas eleições. Essa é a primeira eleição para prefeito, e eu quero dizer chega.

A volta do povo a prefeitura não é algo novo. Há trinta anos ou mais, Getúlio Vargas já tentava ser o pai dos pobres, já tentava trazer o povo a presidência. O que ninguém percebia, é que povo nenhum estava governando. Povo nenhum chegaria a presidência nenhuma. E que Getúlio não queria nada mais que o poder total e supremo para ele. As coisas não mudaram muito. Em pequena Londres grandes feudos aqui e acolá ainda acredtam que o povo voltará a prefeitura. Acreditam que o pai dos pobres fará algo por eles. Depositam sua esperança numa nova grande instalação. Depositam sua esperança em promessas vazias de obras gigantes, milhões de empregos, vindas de empresas. Grandes promessas para um povo que nada tem. Grandes promessas para um povo que espera muito e se contenta com migalhas. Grandes promessas e ações de fachada, só pra validar. A volta do povo a prefeitura trará um Getúlio Londrinense sem ditadura alguma. Mas que assim como o velho, espera o poder total e irrestrito para ele próprio. Espera contemplar dinheiro de obras megalomânicas para ele mesmo. A volta do povo a prefeitura não conta com povo nenhum, apenas com interesses particulares.

É a quarta tentativa de governar pequena Londres. Nossa grande Londrina já passou por isso uma, duas, três vezes. Sendo a última traumática. A última terminando em dois anos e com o excelentíssimo senhor prefeito cassado, preso, saindo pela porta dos fundos do lugar onde foi colocado pelo povo. Saindo com ele 450 milhões de reais, mas esse não é o problema. Com esses 450 milhões de reais saem escolas, remédios, hospitais, segurança. Sai com ele a esperança de milhões de Londrinenses, a comida de milhões de londrinenses, a educação, a saúde, a moradia, o lazer e o transporte de milhões de Londrinenses. O que o excelentíssimo senhor roubou não é só o dinheiro de uma prefeitura, mas sim a dignidade de um povo que não consegue nem enxergar que foi roubado. Que ainda acredita nesse suposto pai. Que ainda deposita sua esperança, e um voto precioso no mesmo senhor que um dia lhes tirou sem só tudo que agora lhes está prometendo.

Qual é a função de um político? A função de um político não é ser uma entidade mágica. Um político não faz as coisas porque é bonzinho, ou porque se preocupa. Um político tem que exercer sua função. Se você paga um médico, você espera que o dinheiro que pagou pela consulta seja utilizado para curar a sua doença. Caso sua doença não seja curada, você muda de médico, ou mesmo o processa. A mesma coisa deve(ria) acontecer com um político. O político recebe para exercer suas funções. Recebe de mim, de você, dos nossos impostos. A função de um político é garantir o bem estar da população, é gerir uma cidade da melhor maneira possível. Roubar, mas fazer não é a função de um político. O simples roubar já desvalida a ação de fazer. Um político tem que cumprir sua função e nada mais do que isso. Um político é pago para que a cidade funcione, para que se construa hospitais, postos de saúde, para que se tenha remédios nos postos, asfalto nas ruas, vagas e professores nas escolas. Um político é, acima de tudo eleito para que o dinheiro seja utilizado apenas na cidade e não para seus próprios interesses. Você não perdoaria o sei médico se ele roubasse o seu dinheiro, mas curasse a sua doença.

A grande coisa sobre nossa pequena grande cidade, é que ninguém enxerga isso. A população foi roubada, mas lhe deixaram um grande hospital. O que não se pensa é que com o dinheiro desviado poderiam ser construídos dez hospitais como esse, ou mais. O roubo prejudica ainda mais a população mais pobre, o povo. O mesmo povo que espera voltar a prefeitura. O povo que fica sem hospitais, sem remédio, sem educação, sem moradia e não se dá conta disso. Não se dpa conta disso porque vê seu nome estampado no hoarário eleitoral. Porque recebe um abraço, porque recebe um asfalto, uma cesta básica. Porque se acostumou com migalhas, porque está carente de atenção. Porque acredita piamente na primeira pessoa que diz se preocupar com eles, falsamente, mas diz. Nossa pequena Londres está sendo enganada de novo. Nossa pequena Londres vai depositar sua confiança numa volta de mentira. Numa volta de povo sem povo. Numa volta vazia de povo e cheia de individualismos baratos e feios. A volta do povo a prefeitura não vai custar caro pra ninguém, senão o próprio povo.

Já senti vergonha da pequena Londres em que resido, sinto indignação a cada vez que o rostinho bonito antes neutro aparece dizendo que apoia o nosso ilustre candidato por amor a cidade. Todos sabemos que esse também só tem amor a si próprio. Que amor é esse pela cidade que quer voltar o homem que nos roubou dinheiro e progresso? que tirou da boca das donas Helenas e Marias tão citadas e abraçadas o direito a uma cidade melhor, um hospital, uma nova escola? Que amor é esse por Londrina que apoia o mesmo senhor que há anos atrás foi preso e cassado? Isso não é amor, isso é interesse, é barganha, é uma coisa sem nome. É falta de caráter de uma pessoa que não tem as posições firmes, que ontem afirmava neutralidade e hoje afirma um apoio por um falso amor por Londrina. De você, só sobra um rostinho bonito e cínico que não deve amar ninguém além do próprio bolso.

Hoje, além de indignação sinto pena. Sinto pena do povo que acredita no seu falso pai e no rosto bonito que entra nas suas casas. Sinto pena da esperança depositada em alguém que nunca lhes fez nada, só lhes deu migalhas. Sinto pena da senhora que andará quilômetros e apertará dois números repetidos acreditando na mentira que aparece falada e contada depois de dois bipes, por um senhor que se aproveita do povo que diz que trará de volta à prefeitura e quando lá estiver lhes jogará fora, se aproveitará deles e embolsará Deus sabe mais quantos hospitais, escolas, merendas e esperanças de marias e josés.

Minha pequena e amada Londrina, sinto pena de você. Sinto vergonha e sinto o casaço ancestral. Mais que isso sinto medo. Sinto medo de acordar e lhe ver de novo nos braços de quem não lhe merece, por mais quatro anos. Clamo por você, clamo que abram os olhos desses que aqui moram. Porque com a volta desse, povo nenhum voltará a prefeitura. Mas todo o povo com certeza padecerá, e sem mesmo se dar conta disso.

Acorda, Londrina.
Só nós podemos mudar essa realidade. Eu não quero desistir logo na primeira tentativa. Já não é cruel, é só triste.

15.10.08

Porque ( é esse porque que usa?) hoje foi um dia essencialmente de saudades.

Onde foi que a gente foi se perder?

Faz calor. Qualquer ser humano em pleno estado de consciência odeia esse tempo. Qualquer ser humano fica imprestável. Qualquer ser humano fica sedento por banhos e copos de água, e não de coca cola, que loucura. Seres humanos como eu, aproveitam o ar condicionado do shopping e tomam coca.

Não sozinha. Isso de não ter companhia é deprimente principalmente em dias calorentos, sudorentos, febris (ainda) e com pessoas devorando batatas recheadas com pouco recheio por todos os lados. Eu só senti saudades, o dia todo, a conversa toda. Eu só conseguia tentar me lembrar ondeéqueagentefoiseperder.

Eu não sei. Não sei o dia exato, não sei a sucessão dos fatos. Mas primeiro foram vocês dois. De jantares semanais com baralho à nada. Tudo virou nada, nenhum contato, nenhum telefonema e raproximações sem sucesso. A gente se perdeu, eu não sei onde, eu não sei como nem quando. Mas parece não ter mais volta. Nem panquecas com frango, duas garrafas de coca cola, carrot cake and wine, jogos de menino, proteção dos meninos, filmes de meninos e visitas persistentes e necessárias, com pipoca. A gente perdeu. Isso ficou ali, guardado na minha sala junto com as músicas bregas que a gente nunca mais cantou. Ficaram as saudades. Acho que a gente já se perdeu demais pra poder voltar. Eu acho que eu quero estar tão errada que chegue a ser feio.

E depois foi você, dadas as sucessões dos fatos, eu não sei que dia, que dia depois dela que a gente nunca mais trocou mais do que oi. Eu gosto tanto de você. Sabe, é daqueles amigos que eu queria pro resto da minha vida. Eu gosto das conversas e das preocupações provocações e eu odeio o seu jeito ridículo de se portar diante dos fatos, eu odiava resolver seus problemas, suas posturas infantis, seu ar superior, as infantilidades e as piadas sem graça e é de tudo isso que eu sinto saudades. A gente ainda não se perdeu. E eu fico colocando bandeirinhas brancas e fico pensando que não podia e não vai poder acabar assim, não por isso, por aquilo, por essas coisas bobas que não levam ninguém a lugar nenhum. Não porque a minha vida era uma chiquititas e porque alguma coisa ficou podre ali no meio e eu nem tinha nada a ver com isso. Eu fiquei pensando que tem volta, tem que ter volta, não faz sentido. Amizades não se acabam assim, no meio do nada, por nada, não é possível. Eu não quero que seja. Cansei de perder pessoas por não fazer manutenção.

Isso é só o que eu lembro hoje, mas as coisas foram se perdendo, eu fui me perdendo, a gente foi se perdendo. Sobrou a gente ali, duas coca colas, bolachas de chocolate e conversas sem fim sobre como a vida é meio boba e sem sentido. Sobre como é que a gente foi se perder deles, dele, de todo mundo. De como não existem mais tardes de sexta feira felizes, de como os sábados vêm sendo trocados por outros programas com outras pessoas e a gente ficou. A gente ficou ali, dois velhos de vinte anos reclamando que a vida já foi melhor, as sextas feiras mais felizes e os sábados mais cheios. Reclamando que a gente nunca mais fez comentários sobre como um pouco de bacon pode custar 1,20 e isso é um absurdo, reclamando porque deve fazer meses desde o último macarrão e a gente nem lembra quando e porque direito a gente foi se perder. Mas a gente se perdeu, um dia, foi gradativo. A gente só espera que tenha volta, porque esperança é nosso vício, sempre foi e acabar é normal na minha e na sua vida, só que não faz mais sentido, não tem razão de ser, enjoou.

Entre as outras saudades a necessidade do estar junto ali, fisicamente, beijos, abraços, colo e conversa de perto. Loucura, ainda sinto seu cheiro, seu gosto, seu beijo. Cada parte dessa casa e de mim tem um pedaço seu. Já me imaginou estar descontrolada? Eu, assim, saudades invadindo e não é como se fosse ruim. É só saber que certa presença é necessária, precisa, quase que impressíndivel e que deixar você ir embora vai ser cada vez mais difícil, mas tudo bem, estamos chegando cada dia mais perto, ainda que a passos lentos do dia que você não vai embora e nem eu vou. A gente eu sei que não está se perdendo, não vai se perder, não agora. Eu não quero, não deixo, eu te aperto forte, eu faço você ficar, eu te amo tanto tanto e isso é meio novo pra mim. é sempre assim, uma semana de " eu não gosto quando você vai embora". Eu nunca vou gostar. Mas bagunçaram o tempo-espaço e eu acostumo, o importante é a gente ter se conhecido, o importante é a gente não ter se perdido do caminho certo e ter se encontrado. O importante é eu, fora do prumo, do jeito, um pouco menos racional, mas nunca tão feliz, eu só te amo, você eu não perco.

É só um dia de saudades, perdas, coca-cola, chocolate, muito calor e um pouco de manha pra fazer passar. Mas essencialmente, saudades.

13.9.08

Enquanto a insônia não passa.

Quanto tempo você consegue encarar a tela do computador, antes de sentir sono?
Com quantas pessoas você queria falar, agora?
Porque eu não consigo dormir mais?

E eu fico pensando em tantas tantas tantas coisas, em planos frustrados de domingo de manhã, no enjoo que eu sinto ao comer pastel. Na verdade, eu não estava pensando em nada disso. Eu dormi ouvindo música hoje, sabe? A última coisa que eu me lembro de ter ouvido foi a mesma coisa que eu escrevi no texto anterior " se tu quiser que eu te leve, eu aprendo a dirigir." e na verdade a última coisa que eu ouvi foi " aqui onde eu não moro, não existo sem você." Não faz sentido.

O que eu na verdade estava pensando é subjetivo. Parei e pensei que, com que borracha você apaga o que eu senti? É sério, com o que? Em semanas você esquece milhões de eventos desagradáveis, " meu pai disse que o passado a gente esquece e que sempre arruma alguém novo pra amar" e eu fiquei pensando que o passado a gente esquece, mas quem apaga o que você sentiu? quem te substitui as horas que você perdeu chorando? quem te devolve o vazio, a dor? quem te recompensa em forma de sorrisos aquela noite perdida e chuvosa em que você se vestiu com mletom e shorts e ficou em casa enquanto a cidade inteira estava supostamente se divertindo? não faz sentido.

desculpas não fazem o mínimo sentido, perdão não faz o mínimo sentido, nada faz o mínimo sentido. Ninguém te devolve, o que você sentiu já sentiu e não há nada que ninguém possa fazer quanto a isso, desculpando, não desculpando, fingindo não ter acontecido, é tudo exatamente a mesma porcaria. Eu só estou escrevendo enquanto a insônia não passa, eu deveria estar dormindo mas não consigo. Minha cama é grande, tem alguma coisa que roda e os cobertores me incomodam. Tem alguma coisa em mim que me incomoda e dá dores perto da costela e bem dentro da alma.

tem alguma coisa em mim que não está em sintonia, não hoje, não agora e meu sábado chuvoso só precisa aparecer num domingo bonito, só pra que eu comece a viver a partir dali, porque o que eu já senti, ninguém recupera mais.

Eu nem sei o que eu quero dizer, e eu nem ia querer saber te explicar.
Eu não sei com quantas pessoas eu queria estar falando agora, e eu demorei uns vinte minutos pra consguir dormir de novo. Não consigo dormir porque alguma coisa em mim é maior do que o sono, mas meu pai me disse que o passado a gente esquece.

tudo bem, só não cresci o suficiente pra me acostumar com isso.
e eu não peço nada, eu só queria estar gritando agora, e acho que preciso de remédios ou de um manual de instruções.


Eu estou ficando com muito muito muito medo mesmo.


"protect me from what I want"

e com mais vêemencia ainda, de mim mesma. Deve ter alguma coisa a ver com aquela palavra de-cep-ção, mas eu só sinto, não sei te explicar. Quero me vomitar pra fora, fazer de novo, entende? Não, nao entende. Eu também não. Eu só olho no espelho e não reconheço isso daqui. Devia ser interessante, mas só é triste.

( linhas e linhas e linhas aleatórias, sem sentido, frases jogadas, eu precisava, nem que fosse só pra sentir sono de novo, boa noite.)

Sem julgamentos e sem perguntas, Is just how I fell (today).

"Só um muro de batom, e frases sem fim."

Nas noites chuvosas eu ouço constantemente o tique taque do relógio, no meu relógio digital. Há um minuto atrás era uma e seis e agora ainda são, algum dia você já teve noção do quanto sessenta segundos podem demorar pra passar? Você já teve noção, em contrapartida do quanto a sua vida passa rápido?
Estou tão cansada, eu te digo, e soa como se fosse banal, eu te digo isso pra todo mundo, todos os dias, o tempo todo. Eu estou sempre cansada. Eu estou sempre fazendo esforços e perdendo horas e horas inutilmente, eu nem me lembro quando foi a última vez que eu fiz algo por mim, tipo sentar na sacada e ouvir música. Eu não posso, eu simplesmente não posso. Se passam quinze minutos e eu volto, volto pro mesmo lugar e agora são uma e oito, parece que eu estou escrevendo à tanto tempo...
Isso se chama descontrole. Quando eu estou descontrolada eu não consigo escrever. Tudo sai sem nexo, e transparente demais. Não gosto, não gosto de ser transparente e definitivamente, não gosto disso.

Disso daqui, desse lugar, desse aperto que eu sinto e dessas lágrimas que eu estou soltando sem nem saber porquê. Eu também não sei usar porque direito, você sabia? Nunca sei quando usa separado ou junto, se alguém entender de português certamente vai me corrigir e então eu te pergunto o que importam os erros gramaticais nessa maldita noite de sábado? Choveu, a barra da minha calça está molhada e você pôde perceber como a vida é triste? Quem não teve uma relação estranha, alguém me perguntou, e alguém riu indagando, relação estranha, pontodeinterrogação. Todas as relações são estranhas, eu ia dizer, mas fiquei pensando que não valia a pena, eu sempre pareço tão descrente quando digo isso pra alguém, e eu não sou descrente. São justamente as pessoas que não são descrentes que tem relações estranhas. Se eu simplesmente não acreditasse em nada, não ia fazer a mínima diferença. Mas faz, sempre faz.

Se você para e olha, as pessoas estão decepcionando as outras o tempo todo. A vida é triste, só isso. As coisas acontecem e são tristes. E todo mundo está cheio de relações estranhas, você deve estar certa. A de todo mundo é, e eu só estou cansada de tudo, e das minhas estranhas coisas. Estou gostando menos ainda de mim. Você algum dia já se sentiu intrinsecamente ligado à alguma coisa como se aquilo fizesse parte de você? Isso sempre parece obrigação, depois de um tempo, mas toda vez aparece um tipo de pessoa que não consegue fugir das obrigações, e prazer eu estou aqui. Passe um batom, ou não e vá se divertir, faça alguma coisa por você. Desculpe, eu já não tenho o que. Já não tenho. Essas coisas já não fazem mais parte de mim tão intrinsecamente como se estivessem coladas, eu não consigo mais. Eu podia ter pegado aquele filme, se soubesse, mas não assistiria sossegada. Eu poderia tentar um livro, eu tentei uma música e não adianta nada. É uma e vinte agora e pra mim parece que faz meia hora que eu estou escrevendo essa bobagem. Queria ser subjetiva, usar uma metáfora bonita. Eu não sei, alguma coisa descompensou e eu estou vomitando palavras ao invés de comer chocolates. O mundo é ridículo e triste, não só quando você para pra pensar, mas o tempo todo.

Eu devia gritar, mas não, eu prefiro ficar quieta aqui, escrevendo. Eu devo gostar mesmo de machucar e de me machucar, além e acima de tudo. Abrir feridas, dizem que as pessoas que se suicidam viram funcionárias públicas no mundo dos mortos, isso definitivamente não é o que eu quero. Keep, keep going. Deve ser o slogan de alguma marca famosa, você percebeu que eu não estou fazendo sentido? que hipócrita, isso é até meio moderno. É. Que nem as minhas blusas listradas, calça xadrez e o bidê ou balde que eu postei no meu fotologuepontocom. Eu estou sempre seguindo as tendências, mas no fundo, tem alguma coisa normal aqui. I don't fit at all. E eu gosto de " se você quiser que eu te leve, eu aprendo a dirigir" acho bonito e coisa e tal. Mas hoje estou no repeat com duas músicas aqui, pra ver se alguma coisa entra.

Eu não entendo o mundo, queria. Queria ter a cabeça mais aberta, queri.. Não, eu não queria. Eu fico olhando com estranheza zilhões de coisas e acabo meio que me calando, eu devo ser fruto de uma educação tradicional e repressora pautada nos parâmetros da sociedade judaico-cristã. É, foi isso sim, mas eu gosto, sabe? Eu gostava de futebol também. E eu não consigo, não consigo além disso de roquiepop nacional, quer me explicar por favor quando é que você foi se perder?

Eu estou com medo, e devo parar antes de machucar. Eu não consigo, eu sou cruel. Sou cruel inclusive comigo, fazem só dez minutos, você sabia? Você tem noção de quanto os outros sessenta segundos que formaram duas horas e meia também demoraram pra passar, mas tudo bem, se tu quiser que eu te leve, eu aprendo a dirigir. Eu sabia machucar, agora só sei pedir desculpas e esquecer bem esquecidinho, tudo tudo tudo. E principalmente esquecer o hey, garota, faça algo por você. Entra por um ouvido e sai pelo outro, eu dizia que não, nunca ia acontecer, mas acho que desaprendi. Viver pra mim? Não sei mais. Acho que nunca soube, se eu for te ser aquilo que eu nunca sou: sin-ce-ra. Queria achar nobre, mas só acho triste. Tudo bem...

O mundo está cheio de relações estranhas.


" São todos iguais, o difícil é saber quem é clone de quem."