Era a sacada, o filme, o livro ou as coisas todas, mas o fato é que eu queria ter você pra mim. E nem era só quando nossos olhos se encontravam ou quando eu ficava com muita raiva pelas coisas que você me dizia brincando. Era sempre. Era principalmente quando você não estava nem ali. Era principalmente quando você não estava ao alcance dos olhos. Mas era quando estava também. Era uma coisa arrebatadora e ridícula que eu desligaria com um simples apertar de botão se eu pudesse.
trecho de alguma coisa, escrita em parte alguma, achado nas folhas perdidas de meu caderno do ursinho puff entre uma poesia ruim e outra. coisas que não fazem muito sentido me arrebatam bem de madrugada. e isso é só um trecho de uma coisa que eu poderia passar sem postar, mas nao vou.
13.5.08
whatever
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Amor,
Odio amor,
Old Habits Die Hard,
Paris Texas,
Tudo que eu queria te dizer,
Utopia
8.5.08
podres!
Você é podre. Grande coisa, eu também sou. Somos todos podres, somos todos humanos, somos todos uns animais, farinha do mesmo saco.
Você é podre sim. E eu só estou falando isso porque eu também sou. E eu também sendo tenho todo o direito de falar. Tenho todo direito de te mostrar que a gente é podre.
Você está aí com suas roupinhas bonitas, seu rosto bem maquiado, seu banho tomado e seus livros. Isso não faz de você uma pessoa boa. Você é podre como eu, e eu sou podre como você.
Dentro de você jazem sentimentos mesquinhos. Você parece ser um modelo de pessoa, você vive dentro das etiquetas sociais impostas. Tem uma porção de coisas que escondem sua podridão, mas o fato é que você é bem podre. Você também se preocupa só com você mesmo, você fica julgando os outros como se eles fossem muito piores que você. No entanto, eles são simplesmente tão podres quanto você.
Quando não tem ninguém observando você é ciumento, você desejaria que pessoas sumissem da sua vida. Você sorri pra pessoas que você não gosta, só pra ser simpático e não fala na cara das pessoas o que você acha delas. Você finge gostar de todas as pessoas que você não suporta e finge não se importar com as pessoas que ama. Você tenta ser legal com seu chefe, com seu professor, é simpático com todas as pessoas que você encontra no elevador porque não pode se passar por uma pessoa mal-educada. Mas aí você chega em casa e é ríspido com sua mulher, ou trata mal a sua mãe. Você sempre arruma um jeito de sobressair sobre seus amigos, de parecer o mais descolado, o mais legal, o mais engraçado, o mais extrovertido e o mais bonito. Mas você sabe que detesta usar essas calças que apertam, essas suas camisetas coloridas, esses seu tênis que te custam metade do seu salário. Você odeia aquele cara com quem você divide a sua sala e a mania ridícula dele de fazer aquelas perguntas idiotas, mas pra não parecer rabugento você ri das piadas dele, quando no fundo quer bater nele com a primeira coisa que você vir pela frente.
Você não gosta de dar o seu lugar pra aquela velhinha que entra no ônibus. E aquele dia que você disse que não percebeu que ela não tinha entrado, era mentira. Você viu sim, mas disse pra você mesmo que estava cansado e fingiu estar distraído demais olhando pra janela. Você se enganou. Só pra não mostrar pra você mesmo que você é mais podre do aquele menino que disse que não ia levantar. Ele foi sincero, você só disfarçou sua podridão. Mas tudo bem, todo mundo faz isso. Podridão a gente não mostra, a gente disfarça.
Você fica desconfortável perto de pessoas gordas, você repara o quanto elas estão comendo e pensa com você mesmo que elas deviam fazer uma dieta para embelezar o mundo. Você olha torto pra todo mundo que não segue aos mesmos padrões que o seu, mas você fala nos jantares com seus amigos que é um absurdo essas pessoas preconceituosas. Quando antes de chegar lá, você desviou de um negro que estava passando do outro lado da rua por medo. Mas você disfarçou de novo sua podridão falando pra você mesmo que nesse mundo de hoje a gente tem que ser prevenido. Isso não é prevenção, é preconceito.
Aquele garoto meio gay que estuda com você... Você não gosta dele. Você sai com ele para parecer descolado e porque todo mundo está indo nos barezinhos da moda ser bissexual e beber vodka com suco de laranja enquanto fuma um cigarro e ouve alguma banda estrangeira que a MTV disse que era boa. Você não gosta dele, tem nojo, sim essa é a palavra, nojo dos bissexuais, veados, é isso que você acha deles, veados e odeia aquela barulheira que eles teimam em chamar de música. Mas você não pode ter preconceitos. Você não é podre. Você é mente aberta. Quem tem preconceitos são os outros. Você é descolado.
Pra falar bem a verdade você não gosta de economizar água. Você adora seus banhos demorados uma hora. Você não economiza água quando está sozinho. Você só recicla lixo porque senão você leva multa, porque na verdade você está pouco se lixando que as pessoas daqui a cem anos não vão ter mais mundo. Você nem vai estar vivo até lá. Você não quer ter filho porque crianças são irritantes e feias. Você joga lixo na rua quando os olhos dos outros não te observam, mas se você estiver caminhando com um amigo e vir alguém fazer isso você chama de “irresponsabilidade social". Você é hipócrita. Mas é melhor ser hipócrita do que ter “irresponsabilidade social". Pelo menos na frente dos outros.
Você vive dando desculpas. Você dá desculpas por ter atrasado, quando na verdade você nem queria ir. Você inventa desculpas por não ter ido ao aniversário daquele seu amigo, quando na verdade ficou em casa de pantufas porque você odeia ele. Você desviou daquele seu conhecido, mas disse pra ele que você estava distraído. Você matou aula e disse pra sua mãe que estava doente. Você disse pra sua namorada que estava com dor de cabeça e por isso não foi encontrá-la, mas na verdade é só porque você não suportava mais olhar pra cara dela. Você derrubou coca naquele seu amigo e achou muito bom, mas você disse que não tinha percebido. Você riu daquela menina que caiu na rua, mas você disfarçou de deu a mão pra ela. Isso são pequenas mentiras! Sim, mentiras. Você não fala mais com aquele seu amigo que mentiu porque você odeia desonestidade. Mas você mente todos os dias, todas as horas.
Você usa carteirinha falsa de estudante. Você roubou doces daquela loja quando ninguém estava olhando. Aquela menina te devolveu dois reais a mais de troco e você fingiu que não viu. Você percebeu muito bem que tinha sido o cara da sua frente que derrubou aqueles cinco reais, mas você fingiu que não viu e pegou pra você. Você tem um gato de internet do seu vizinho e o ponto adicional da sua teve a cabo você simplesmente puxou. Você não está roubando, você está sendo esperto. Todo mundo faz isso e você não quer parecer trouxa. Você reclama dos políticos na mesa do bar, você meteu a boca no mensalão e você é um dos primeiros a esbravejar dizendo que deveriam tirar aquele presidente do poder. Você é tão podre quanto eles, essas pequenas coisas que você faz são pequenos roubos. Em escala pequena, claro. Mas são. Quem sabe se você estivesse no lugar dos políticos que você tanto fala mal você não faria a mesma coisa? Você não estaria roubando, você estaria sendo esperto. Todo mundo faz isso, não é?
Ontem você fechou o vidro na cara de uma menina que estava pedindo, dizendo que você não tinha dinheiro. Você estava cheio de moedas no seu porta-luvas que provavelmente você vai gastar em alguma porcaria porque você odeia carregar moedas. Mas você disse pra você mesmo que não estava ajudando porque não quer contribuir com a exploração de menores. É mentira, você ta pouco se lixando pra esses meninos que estão pedindo por aí. Você tem nojo deles. Eles são sujos, eles cheiram mal e eles ficam te incomodando. Além do mais, eles querem o seu dinheiro. O dinheiro que você vai usar pra comprar um carro com vidros elétricos que vai fechar na cara deles e pra comprar um condomínio fechado pra ficar longe dessa gente feia que emporcalha a cidade. Você ajuda uma instituição de caridade todo mês botando um dinheiro na conta deles. É porque você tem responsabilidade social e se preocupa com os outros. Mentira. Você quer é se livrar da culpa. Se você tivesse que ir lá passar uma tarde com eles, você não iria. Você nem dá comida pras pessoas que vem pedir na sua casa porque eles são um bando de vagabundos. Você sabe que você não suporta essa gente pobre e feia. Mas você não admite e dá sua ajuda mensal. Você é podre. Mas não é só você. Ta todo mundo fazendo essas podridões pra esconder esse monte de coisa feia que pensa. Porque admitir essas coisas é mostrar que é podre. E todo mundo quer mostrar que é bonitinho pra aparecer na coluna social.
Você não se preocupa com política. Você até discute com esses seus amigos que acham que é importante e você não quer parecer um burro alienado. Na verdade, você só se preocupa com o que te afeta. E sinceramente eles ainda não estão te afetando. Eles estão lá roubando dinheiro que vai pra escola e hospital pra tratar dessa gente pobre que você preferiria que sumisse. Você tem dinheiro pra pagar um plano de saúde, ou seus pais pagam pra você e você estudou em escola particular a vida inteira e seus filhos vão ter a mesma condição. Então, sinceramente o que te importa o que eles fazem? Seu bolso continua do mesmo jeito. O único problema é essa coisa de segurança, porque eles, esses pobres marginais, ficam querendo roubar tudo que você “lutou tanto” pra conseguir. Você não liga que eles morram em ataque policial, em rebelião na FEBEM, que se dane. Um a mais, um a menos... Aliás, bem melhor um a menos porque essa gente tinha mesmo é que morrer. Você quer mesmo que todos eles se fodam. Porque eles são todos uns marginais, vagabundos e merecem morrer. Pode admitir, você não liga. E tá tudo bem. Metade dos seus amigos, bem mais da metade deles pensam da mesma maneira. Eles até falam disso fingindo que é brincadeira. Porque isso é o tipo de coisa feia de se admitir que pensa. Então eles disfarçam. Eles estão sempre disfarçando. Você também. Somos todos uns podres, mas a gente disfarça tão bem que a gente até parece bonzinho. E o que importa não é parecer?
A menina famosa da revista parece ser feliz quando na verdade é cheia de problemas. Aquele casal bonito que você viu no jornal parece ser feliz, quando na verdade o marido tem uma amante e a mulher vive na terapia. Aquela menina que senta do seu lado na faculdade parece descolada, mas na verdade ela só bebe porque odeia a própria vida. Aquela outra parece feliz “pegando” todos os meninos que vê pela frente, mas ela só queria ter alguém que realmente gostasse dela de verdade. Aquele garoto rico que você conheceu ontem parece ter uma vida maravilhosa, mas ele só tem tudo aquilo porque os pais dele acham que falta de amor se supre com dinheiro. Aquela mulher que você morreu de inveja na loja ontem porque comprou um monte de coisas parece realizada, mas na verdade ela só comprou tudo aquilo pra ver se escapa um pouco da solidão que ela sente há tempos. E a fica assim, todo mundo parecendo porque admitir que é podre é inadmissível. Você não pode falar que agüenta tal pessoa por educação, que odeia barulho de criança, que não tá nem aí pro meio ambiente, que não se preocupa com política, que preferiria que os bandidos todos morressem, que os mendigos sumissem, que aquela sua amiga fosse embora porque você detesta ela. Você não pode falar a verdade, nem o que realmente importa. Você é podre, mas fica fingindo que é bom. É o que chamam de etiqueta social. Tá todo mundo fazendo isso, vivendo suas vidas como personagens bem-interpretados e bonzinhos quando na verdade todo mundo é mais podre do que imagina. E todo mundo é podre igual.
Você só se preocupa com você, usa as pessoas quando elas são convenientes, não se indispõe com gente que você odeia porque elas podem ser úteis ainda. Você não termina com sua namorada por medo de ficar sozinho e você não admite que ama ninguém por medo de parecer ridículo. Você até comprou um cachorro pra enganar a solidão da sua casa e pra se eximir da culpa de não gostar e nem cuidar de ninguém verdadeiramente. Você é podre. Podre. Podre como todas as pessoas que você julga. Podre porque você fala mal delas quando na verdade só está com dor de cotovelo porque não conseguiu ter coragem pra falar e fazer aquelas coisas podres que ela faz. Você finge se escandalizar, mas você é tão podre quanto.
Mas tudo bem, estamos todos vivendo, superficiais, bonitinhos, bonzinhos, com nossos carros legais, nossos casamentos de fachada, nossas amizades de interesse, nossas opiniões razoáveis. Somos ponderados, razoáveis, educados, polidos, simpáticos e sociáveis. É o que chamam de convivência, de educação, de etiqueta, de sociabilidade... Como você quiser. Não é. É podridão.
E podridão disfarçada debaixo de caras bonitinhas, vozes de veludo, roupas bem cortadas e sorrisos amarelos. O que é muito, muito pior.
Mas é o mundo, você tem que se adequar. Sorria, esconda sua podridão debaixo do tapete como todo mundo e viva sem dizer a verdade pro resto da vida. Pode ser hipócrita, ridículo, feio, mesquinho. Mas não parece. É podre. Mas não parece.
E se não parece, não é. Aparência é tudo. Porque ser podre de fato nesse mundo, é mostrar o que é.
Todo o resto é completamente relevável.
Você é podre sim. E eu só estou falando isso porque eu também sou. E eu também sendo tenho todo o direito de falar. Tenho todo direito de te mostrar que a gente é podre.
Você está aí com suas roupinhas bonitas, seu rosto bem maquiado, seu banho tomado e seus livros. Isso não faz de você uma pessoa boa. Você é podre como eu, e eu sou podre como você.
Dentro de você jazem sentimentos mesquinhos. Você parece ser um modelo de pessoa, você vive dentro das etiquetas sociais impostas. Tem uma porção de coisas que escondem sua podridão, mas o fato é que você é bem podre. Você também se preocupa só com você mesmo, você fica julgando os outros como se eles fossem muito piores que você. No entanto, eles são simplesmente tão podres quanto você.
Quando não tem ninguém observando você é ciumento, você desejaria que pessoas sumissem da sua vida. Você sorri pra pessoas que você não gosta, só pra ser simpático e não fala na cara das pessoas o que você acha delas. Você finge gostar de todas as pessoas que você não suporta e finge não se importar com as pessoas que ama. Você tenta ser legal com seu chefe, com seu professor, é simpático com todas as pessoas que você encontra no elevador porque não pode se passar por uma pessoa mal-educada. Mas aí você chega em casa e é ríspido com sua mulher, ou trata mal a sua mãe. Você sempre arruma um jeito de sobressair sobre seus amigos, de parecer o mais descolado, o mais legal, o mais engraçado, o mais extrovertido e o mais bonito. Mas você sabe que detesta usar essas calças que apertam, essas suas camisetas coloridas, esses seu tênis que te custam metade do seu salário. Você odeia aquele cara com quem você divide a sua sala e a mania ridícula dele de fazer aquelas perguntas idiotas, mas pra não parecer rabugento você ri das piadas dele, quando no fundo quer bater nele com a primeira coisa que você vir pela frente.
Você não gosta de dar o seu lugar pra aquela velhinha que entra no ônibus. E aquele dia que você disse que não percebeu que ela não tinha entrado, era mentira. Você viu sim, mas disse pra você mesmo que estava cansado e fingiu estar distraído demais olhando pra janela. Você se enganou. Só pra não mostrar pra você mesmo que você é mais podre do aquele menino que disse que não ia levantar. Ele foi sincero, você só disfarçou sua podridão. Mas tudo bem, todo mundo faz isso. Podridão a gente não mostra, a gente disfarça.
Você fica desconfortável perto de pessoas gordas, você repara o quanto elas estão comendo e pensa com você mesmo que elas deviam fazer uma dieta para embelezar o mundo. Você olha torto pra todo mundo que não segue aos mesmos padrões que o seu, mas você fala nos jantares com seus amigos que é um absurdo essas pessoas preconceituosas. Quando antes de chegar lá, você desviou de um negro que estava passando do outro lado da rua por medo. Mas você disfarçou de novo sua podridão falando pra você mesmo que nesse mundo de hoje a gente tem que ser prevenido. Isso não é prevenção, é preconceito.
Aquele garoto meio gay que estuda com você... Você não gosta dele. Você sai com ele para parecer descolado e porque todo mundo está indo nos barezinhos da moda ser bissexual e beber vodka com suco de laranja enquanto fuma um cigarro e ouve alguma banda estrangeira que a MTV disse que era boa. Você não gosta dele, tem nojo, sim essa é a palavra, nojo dos bissexuais, veados, é isso que você acha deles, veados e odeia aquela barulheira que eles teimam em chamar de música. Mas você não pode ter preconceitos. Você não é podre. Você é mente aberta. Quem tem preconceitos são os outros. Você é descolado.
Pra falar bem a verdade você não gosta de economizar água. Você adora seus banhos demorados uma hora. Você não economiza água quando está sozinho. Você só recicla lixo porque senão você leva multa, porque na verdade você está pouco se lixando que as pessoas daqui a cem anos não vão ter mais mundo. Você nem vai estar vivo até lá. Você não quer ter filho porque crianças são irritantes e feias. Você joga lixo na rua quando os olhos dos outros não te observam, mas se você estiver caminhando com um amigo e vir alguém fazer isso você chama de “irresponsabilidade social". Você é hipócrita. Mas é melhor ser hipócrita do que ter “irresponsabilidade social". Pelo menos na frente dos outros.
Você vive dando desculpas. Você dá desculpas por ter atrasado, quando na verdade você nem queria ir. Você inventa desculpas por não ter ido ao aniversário daquele seu amigo, quando na verdade ficou em casa de pantufas porque você odeia ele. Você desviou daquele seu conhecido, mas disse pra ele que você estava distraído. Você matou aula e disse pra sua mãe que estava doente. Você disse pra sua namorada que estava com dor de cabeça e por isso não foi encontrá-la, mas na verdade é só porque você não suportava mais olhar pra cara dela. Você derrubou coca naquele seu amigo e achou muito bom, mas você disse que não tinha percebido. Você riu daquela menina que caiu na rua, mas você disfarçou de deu a mão pra ela. Isso são pequenas mentiras! Sim, mentiras. Você não fala mais com aquele seu amigo que mentiu porque você odeia desonestidade. Mas você mente todos os dias, todas as horas.
Você usa carteirinha falsa de estudante. Você roubou doces daquela loja quando ninguém estava olhando. Aquela menina te devolveu dois reais a mais de troco e você fingiu que não viu. Você percebeu muito bem que tinha sido o cara da sua frente que derrubou aqueles cinco reais, mas você fingiu que não viu e pegou pra você. Você tem um gato de internet do seu vizinho e o ponto adicional da sua teve a cabo você simplesmente puxou. Você não está roubando, você está sendo esperto. Todo mundo faz isso e você não quer parecer trouxa. Você reclama dos políticos na mesa do bar, você meteu a boca no mensalão e você é um dos primeiros a esbravejar dizendo que deveriam tirar aquele presidente do poder. Você é tão podre quanto eles, essas pequenas coisas que você faz são pequenos roubos. Em escala pequena, claro. Mas são. Quem sabe se você estivesse no lugar dos políticos que você tanto fala mal você não faria a mesma coisa? Você não estaria roubando, você estaria sendo esperto. Todo mundo faz isso, não é?
Ontem você fechou o vidro na cara de uma menina que estava pedindo, dizendo que você não tinha dinheiro. Você estava cheio de moedas no seu porta-luvas que provavelmente você vai gastar em alguma porcaria porque você odeia carregar moedas. Mas você disse pra você mesmo que não estava ajudando porque não quer contribuir com a exploração de menores. É mentira, você ta pouco se lixando pra esses meninos que estão pedindo por aí. Você tem nojo deles. Eles são sujos, eles cheiram mal e eles ficam te incomodando. Além do mais, eles querem o seu dinheiro. O dinheiro que você vai usar pra comprar um carro com vidros elétricos que vai fechar na cara deles e pra comprar um condomínio fechado pra ficar longe dessa gente feia que emporcalha a cidade. Você ajuda uma instituição de caridade todo mês botando um dinheiro na conta deles. É porque você tem responsabilidade social e se preocupa com os outros. Mentira. Você quer é se livrar da culpa. Se você tivesse que ir lá passar uma tarde com eles, você não iria. Você nem dá comida pras pessoas que vem pedir na sua casa porque eles são um bando de vagabundos. Você sabe que você não suporta essa gente pobre e feia. Mas você não admite e dá sua ajuda mensal. Você é podre. Mas não é só você. Ta todo mundo fazendo essas podridões pra esconder esse monte de coisa feia que pensa. Porque admitir essas coisas é mostrar que é podre. E todo mundo quer mostrar que é bonitinho pra aparecer na coluna social.
Você não se preocupa com política. Você até discute com esses seus amigos que acham que é importante e você não quer parecer um burro alienado. Na verdade, você só se preocupa com o que te afeta. E sinceramente eles ainda não estão te afetando. Eles estão lá roubando dinheiro que vai pra escola e hospital pra tratar dessa gente pobre que você preferiria que sumisse. Você tem dinheiro pra pagar um plano de saúde, ou seus pais pagam pra você e você estudou em escola particular a vida inteira e seus filhos vão ter a mesma condição. Então, sinceramente o que te importa o que eles fazem? Seu bolso continua do mesmo jeito. O único problema é essa coisa de segurança, porque eles, esses pobres marginais, ficam querendo roubar tudo que você “lutou tanto” pra conseguir. Você não liga que eles morram em ataque policial, em rebelião na FEBEM, que se dane. Um a mais, um a menos... Aliás, bem melhor um a menos porque essa gente tinha mesmo é que morrer. Você quer mesmo que todos eles se fodam. Porque eles são todos uns marginais, vagabundos e merecem morrer. Pode admitir, você não liga. E tá tudo bem. Metade dos seus amigos, bem mais da metade deles pensam da mesma maneira. Eles até falam disso fingindo que é brincadeira. Porque isso é o tipo de coisa feia de se admitir que pensa. Então eles disfarçam. Eles estão sempre disfarçando. Você também. Somos todos uns podres, mas a gente disfarça tão bem que a gente até parece bonzinho. E o que importa não é parecer?
A menina famosa da revista parece ser feliz quando na verdade é cheia de problemas. Aquele casal bonito que você viu no jornal parece ser feliz, quando na verdade o marido tem uma amante e a mulher vive na terapia. Aquela menina que senta do seu lado na faculdade parece descolada, mas na verdade ela só bebe porque odeia a própria vida. Aquela outra parece feliz “pegando” todos os meninos que vê pela frente, mas ela só queria ter alguém que realmente gostasse dela de verdade. Aquele garoto rico que você conheceu ontem parece ter uma vida maravilhosa, mas ele só tem tudo aquilo porque os pais dele acham que falta de amor se supre com dinheiro. Aquela mulher que você morreu de inveja na loja ontem porque comprou um monte de coisas parece realizada, mas na verdade ela só comprou tudo aquilo pra ver se escapa um pouco da solidão que ela sente há tempos. E a fica assim, todo mundo parecendo porque admitir que é podre é inadmissível. Você não pode falar que agüenta tal pessoa por educação, que odeia barulho de criança, que não tá nem aí pro meio ambiente, que não se preocupa com política, que preferiria que os bandidos todos morressem, que os mendigos sumissem, que aquela sua amiga fosse embora porque você detesta ela. Você não pode falar a verdade, nem o que realmente importa. Você é podre, mas fica fingindo que é bom. É o que chamam de etiqueta social. Tá todo mundo fazendo isso, vivendo suas vidas como personagens bem-interpretados e bonzinhos quando na verdade todo mundo é mais podre do que imagina. E todo mundo é podre igual.
Você só se preocupa com você, usa as pessoas quando elas são convenientes, não se indispõe com gente que você odeia porque elas podem ser úteis ainda. Você não termina com sua namorada por medo de ficar sozinho e você não admite que ama ninguém por medo de parecer ridículo. Você até comprou um cachorro pra enganar a solidão da sua casa e pra se eximir da culpa de não gostar e nem cuidar de ninguém verdadeiramente. Você é podre. Podre. Podre como todas as pessoas que você julga. Podre porque você fala mal delas quando na verdade só está com dor de cotovelo porque não conseguiu ter coragem pra falar e fazer aquelas coisas podres que ela faz. Você finge se escandalizar, mas você é tão podre quanto.
Mas tudo bem, estamos todos vivendo, superficiais, bonitinhos, bonzinhos, com nossos carros legais, nossos casamentos de fachada, nossas amizades de interesse, nossas opiniões razoáveis. Somos ponderados, razoáveis, educados, polidos, simpáticos e sociáveis. É o que chamam de convivência, de educação, de etiqueta, de sociabilidade... Como você quiser. Não é. É podridão.
E podridão disfarçada debaixo de caras bonitinhas, vozes de veludo, roupas bem cortadas e sorrisos amarelos. O que é muito, muito pior.
Mas é o mundo, você tem que se adequar. Sorria, esconda sua podridão debaixo do tapete como todo mundo e viva sem dizer a verdade pro resto da vida. Pode ser hipócrita, ridículo, feio, mesquinho. Mas não parece. É podre. Mas não parece.
E se não parece, não é. Aparência é tudo. Porque ser podre de fato nesse mundo, é mostrar o que é.
Todo o resto é completamente relevável.
4.5.08
carta ao velho amor.
Meu amor, eu te chamando de meu amor e já faz dois anos desde que a gente não é mais nada. Mas são as coisas que acontecem às três horas da tarde de uma quinta feira sem sol. As nossas músicas continuam no meu computador e eu me deparei com algumas fotos que eu acabei não apagando. Não sei se por covardia, se pro esquecimento ou se por simples vontade de não querer que você sumisse por completo da minha memória e das minhas lembranças. Impossível você sumir, pela metade e principalmente por completo. Você já foi muito importante na minha vida e hoje o que eu sinto é a saudade mais bonita. A saudade de você nos meus braços, a saudade do tempo em que nós éramos um só. Saudade de cada momento bom, de casa riso seu. Saudades até das coisas que eu não suportava em você, como a mania de me obrigar a ver os filmes que eu não gostava, de ir aos lugares que eu não queria muito e de ouvir umas coisas que eu nunca teria descoberto sozinho, só pra te agradar.
Agora eu não sei como você anda, faz tanto tempo. Parece que foi ontem, mas faz muito tempo. Eu não sei se você continua preferindo tomar sprite, se ainda gosta de ir naquela lanchonete, e se ainda ri apertando os olhos. Eu não sei se você ainda me bateria quando eu te chamasse de fresca. Eu não sei mais nada sobre você. O que eu sei sobre você é o que eu conheci há dois anos e isso pode muito bem ter mudado. Eu não sou o mesmo que eu era quando namorava com você.
Você também não deve ser mais a mesma.
Entretanto eu estou sozinho nessa casa, e se eu pudesse escolher alguém pra estar comigo, esse alguém seria você. Você em todos os seus mínimos detalhes, perfeições e defeitos. Você, simplesmente você. A garota que eu conheci há alguns anos e que foi minha namorada. A minha companhia, minha amiga e minha confidente. Você, simplesmente você. As paredes me fazem barulho, tem um vazio enorme dentro de mim que sente tantas saudades de você. Eu queria ter você nos meus braços, queria que você estivesse aqui me fazendo companhia. Queria mesmo você não estando aqui, ter a certeza que você ainda era minha.
Mas você não é.
Não é. A música que eu estou ouvindo que me lembra você já não é não é mais a nossa música há dois anos. Ela nem sequer toca mais. E nem é o tipo de coisa que eu gosto de ouvir agora. Não porque me lembra você ou coisa assim. Mas porque hoje eu não gosto mais desse tipo de música. Não sei se você continua gostando. Talvez. Não posso dizer. Eu não sei mais nada sobre você.
O lugar em que a gente costumava ir, com aqueles seus amigos que eu nunca gostei muito, está completamente diferente. Entrei lá esses dias, nessa embriaguez de saudades de você, e não tem mais a mesa em que a gente sentava, as pessoas que freqüentam lá são completamente diferentes e eu não consegui ficar lá nem dez minutos. Eu não freqüento mais nenhum dos lugares que freqüentava com você. Talvez nem você o faça. Os seus amigos que eu não gostava nem seus amigos são mais.
E sabe, eu também não sou mais o mesmo. Em dois anos eu mudei muito. Você também deve ter mudado. Muito provavelmente as coisas que nos uniam não nos unem mais. A gente não deve ter as mesmas afinidades. A gente já não as tinha em demasia. Eu não sei como você está, eu não tenho a mínima idéia, a gente nem se fala mais, salvo uma banalidade ou outra como a da semana passada que me fez relembrar que você existia na minha vida e me voltou com essas saudades arrebatadoras de você. Saudades essas que voltam hoje, quinta feira, frio, eu sozinho em casa e me fazem desejar você com todas as minhas forças. Mas é só desejo, é só saudade. Parece amor, parece mesmo. Parece que ainda te amo, mas não pode ser.
A gente está longe há muito tempo. O que eu tenho é uma idealização de você. Eu estou sozinho desde então. O mais próximo de estar junto que vem na minha memória é você. Minha namorada mais importante, a personificação do amor. Eu não tenho outras personificações. Eu estou sozinho, e sendo você o único amor que conheci, eu só posso desejar você.
Mas você não é mais possível, eu enxergo isso. Se nós tivéssemos mesmo que ficar juntos, nós já o teríamos feito. Nesses dias mais embriagados de saudade eu fiquei pensando que a gente terminou por criancice e que a gente poderia estar junto até hoje. Não, a gente não poderia. Todos os namoros terminam em algum motivo idiota. Mas não terminam por causa daquilo. Terminam porque já tinha alguma coisa errada antes e aquilo foi só a gota d’água. A gente só terminou como todos os casais. Com um estopim pequeno, mas o estrago já estava feito.
Hoje eu pensei em ligar pra você e falar todas essas coisas. E dizer que eu ainda te amo e que eu queria estar com você nessa maldita quinta feira fria. Mas depois de pensar bem, simplesmente não vale a pena. Se eu ainda gostasse mesmo de você eu já teria feito isso alguma vez. Eu não teria deixado a nossa conversa de semana passada ser simplesmente aquela coisa banal de “meus primos comentaram de você ontem”. Alguma coisa floresceu, sim. Talvez saudades, talvez até um pouco de amor. Mas no fim não vai passar de um surto de quinta feira a tarde que aconteceu por eu estar sozinho e precisando de alguém. Mas já faz dois anos e esse alguém que eu espero que seja você não deve nem existir mais. É uma idealização da minha memória que só guarda os momentos bons da nossa relação e espera que eles se repitam. Isso é impossível. Dois anos depois nós já nos distanciamos demais pra querermos ser um só. Pra que eu queira que nós sejamos um só. Porque sobre você... Sobre você eu não sei mais nada. E o que eu penso saber pode ter mudado muito. Deve ter mudado. Assim como eu mudei.
Eu fico com as saudades bonitas de uma quinta feira a tarde. Me embriago de você por mais uns dias e depois sigo em frente. Esperando o dia em que você não passe de uma lembrança em quintas feiras a tarde quando eu me sentir sozinho. Talvez nem isso. Talvez você já seja só isso.
Saudades são bonitas. Mas eu preciso seguir em frente.
Viver de passado é anular o presente e comprometer o futuro.
E isso, meu velho amor, eu não quero. E não posso.
Amores não morrem nem são esquecidos.
Eles simplesmente adormecem em algum cantinho escondido da alma
Às vezes eles despertam, as vezes choram com medo de voltar...
Os que não fazem parte das lembranças não eram amores...
Um dia lembrarei de você sem chorar, sem sentir dor.
Apenas com a nostalgia gostosa de um tempo que não volta mais
Com um sorriso, e você ficará guardada na parte de pessoas importantes no arquivo da memória...
Nos amores adormecidos, talvez.
Ps. isso não é auto biográfico.
Ps2. nem recente.
ps3. mania boba de me explicar.
Agora eu não sei como você anda, faz tanto tempo. Parece que foi ontem, mas faz muito tempo. Eu não sei se você continua preferindo tomar sprite, se ainda gosta de ir naquela lanchonete, e se ainda ri apertando os olhos. Eu não sei se você ainda me bateria quando eu te chamasse de fresca. Eu não sei mais nada sobre você. O que eu sei sobre você é o que eu conheci há dois anos e isso pode muito bem ter mudado. Eu não sou o mesmo que eu era quando namorava com você.
Você também não deve ser mais a mesma.
Entretanto eu estou sozinho nessa casa, e se eu pudesse escolher alguém pra estar comigo, esse alguém seria você. Você em todos os seus mínimos detalhes, perfeições e defeitos. Você, simplesmente você. A garota que eu conheci há alguns anos e que foi minha namorada. A minha companhia, minha amiga e minha confidente. Você, simplesmente você. As paredes me fazem barulho, tem um vazio enorme dentro de mim que sente tantas saudades de você. Eu queria ter você nos meus braços, queria que você estivesse aqui me fazendo companhia. Queria mesmo você não estando aqui, ter a certeza que você ainda era minha.
Mas você não é.
Não é. A música que eu estou ouvindo que me lembra você já não é não é mais a nossa música há dois anos. Ela nem sequer toca mais. E nem é o tipo de coisa que eu gosto de ouvir agora. Não porque me lembra você ou coisa assim. Mas porque hoje eu não gosto mais desse tipo de música. Não sei se você continua gostando. Talvez. Não posso dizer. Eu não sei mais nada sobre você.
O lugar em que a gente costumava ir, com aqueles seus amigos que eu nunca gostei muito, está completamente diferente. Entrei lá esses dias, nessa embriaguez de saudades de você, e não tem mais a mesa em que a gente sentava, as pessoas que freqüentam lá são completamente diferentes e eu não consegui ficar lá nem dez minutos. Eu não freqüento mais nenhum dos lugares que freqüentava com você. Talvez nem você o faça. Os seus amigos que eu não gostava nem seus amigos são mais.
E sabe, eu também não sou mais o mesmo. Em dois anos eu mudei muito. Você também deve ter mudado. Muito provavelmente as coisas que nos uniam não nos unem mais. A gente não deve ter as mesmas afinidades. A gente já não as tinha em demasia. Eu não sei como você está, eu não tenho a mínima idéia, a gente nem se fala mais, salvo uma banalidade ou outra como a da semana passada que me fez relembrar que você existia na minha vida e me voltou com essas saudades arrebatadoras de você. Saudades essas que voltam hoje, quinta feira, frio, eu sozinho em casa e me fazem desejar você com todas as minhas forças. Mas é só desejo, é só saudade. Parece amor, parece mesmo. Parece que ainda te amo, mas não pode ser.
A gente está longe há muito tempo. O que eu tenho é uma idealização de você. Eu estou sozinho desde então. O mais próximo de estar junto que vem na minha memória é você. Minha namorada mais importante, a personificação do amor. Eu não tenho outras personificações. Eu estou sozinho, e sendo você o único amor que conheci, eu só posso desejar você.
Mas você não é mais possível, eu enxergo isso. Se nós tivéssemos mesmo que ficar juntos, nós já o teríamos feito. Nesses dias mais embriagados de saudade eu fiquei pensando que a gente terminou por criancice e que a gente poderia estar junto até hoje. Não, a gente não poderia. Todos os namoros terminam em algum motivo idiota. Mas não terminam por causa daquilo. Terminam porque já tinha alguma coisa errada antes e aquilo foi só a gota d’água. A gente só terminou como todos os casais. Com um estopim pequeno, mas o estrago já estava feito.
Hoje eu pensei em ligar pra você e falar todas essas coisas. E dizer que eu ainda te amo e que eu queria estar com você nessa maldita quinta feira fria. Mas depois de pensar bem, simplesmente não vale a pena. Se eu ainda gostasse mesmo de você eu já teria feito isso alguma vez. Eu não teria deixado a nossa conversa de semana passada ser simplesmente aquela coisa banal de “meus primos comentaram de você ontem”. Alguma coisa floresceu, sim. Talvez saudades, talvez até um pouco de amor. Mas no fim não vai passar de um surto de quinta feira a tarde que aconteceu por eu estar sozinho e precisando de alguém. Mas já faz dois anos e esse alguém que eu espero que seja você não deve nem existir mais. É uma idealização da minha memória que só guarda os momentos bons da nossa relação e espera que eles se repitam. Isso é impossível. Dois anos depois nós já nos distanciamos demais pra querermos ser um só. Pra que eu queira que nós sejamos um só. Porque sobre você... Sobre você eu não sei mais nada. E o que eu penso saber pode ter mudado muito. Deve ter mudado. Assim como eu mudei.
Eu fico com as saudades bonitas de uma quinta feira a tarde. Me embriago de você por mais uns dias e depois sigo em frente. Esperando o dia em que você não passe de uma lembrança em quintas feiras a tarde quando eu me sentir sozinho. Talvez nem isso. Talvez você já seja só isso.
Saudades são bonitas. Mas eu preciso seguir em frente.
Viver de passado é anular o presente e comprometer o futuro.
E isso, meu velho amor, eu não quero. E não posso.
Amores não morrem nem são esquecidos.
Eles simplesmente adormecem em algum cantinho escondido da alma
Às vezes eles despertam, as vezes choram com medo de voltar...
Os que não fazem parte das lembranças não eram amores...
Um dia lembrarei de você sem chorar, sem sentir dor.
Apenas com a nostalgia gostosa de um tempo que não volta mais
Com um sorriso, e você ficará guardada na parte de pessoas importantes no arquivo da memória...
Nos amores adormecidos, talvez.
Ps. isso não é auto biográfico.
Ps2. nem recente.
ps3. mania boba de me explicar.
1.5.08
Tudo sobre nada;
[ marcadores para essa postagem: exemplo, patinete, férias, outono. É, blogger, ótimos exemplos. Idiotices que te alegram a madrugada =) ]
Não estou fazendo questão de fazer sentido nenhum nesse texto. Eu nunca faço sentido algum, que eu saiba. Eu sou um emaranhado de coisas que eu mesma faço o maior esforço pra entender e ainda sim não entendo. É como essa vírgula que eu acabei de apagar porque coloquei entre o "e" e o "ainda" na frase anterior. Todo mundo sabe que não se separa o conectivo com vírgula - o word vive me dizendo isso - e mesmo assim eu teimo em fazer.
Eu teimo em repetir os mesmos erros, usar as mesmas roupas e dizer as mesmas frases. Eu teimo em estar acordada as duas horas da manhã sem nenhuma conversa interessante, sem nenhum pensamento que realmente me valha a pena e a música nos meus ouvidos é algo que me lembra coisas que eu nem sei o que são. Eu teimo em querer mudar o mundo, em me irritar com idiotices e rir com coisa séria. Eu teimo com coisas que eu sei que não valem a pena e que nunca darão certo.
É como essas coisas que eu estou escrevendo. Eu não sei pra onde me levam as palavras. Eu nunca sei. É que de repente você começa a digitar freneticamente na busca em que sua mente se cole no papel de algum modo. Digitar e papel não combinam. Digitar se faz na tela e no papel se escreve. Mas eu sou isso, essa junção esquisita entre modernidade e arcadismo. Eu tenho uma mente falsamente aberta lotada de preconceitos bobos como qualquer um. Eu adoro toda a tecnologia e mesmo assim não sei ler livros em uma tela, e nem mesmo penso em não me casar. É verdade, eu não penso nisso.
Eu não me enxergo daqui há 10 anos uma mulher super bem sucedida e sozinha. Eu sonho em ter uma família e mais um par de pieguices. Eu penso em um amor desses que me valem os dias todos e mais um pouco deles. Alguem pra me esperar nos meus dias difíceis e algum abraço nesses dias friorentos. Eu sou cafona. Eu só tenho esse cabelo curto muito mal arrumado e só pareço não me preocupar com nada. Eu pareço um monte de coisas. Ser mesmo é outra instância que eu nem sei onde está.
Talvez sejam essas dúvidas idiotas. Talvez seja isso que acaba de tocar nos meus ouvidos " o tempo vem trazendo algumas marcas, na rua e no meu coração". Eu já tenho quase vinte anos... dá pra acreditar nisso? Eu pareço uma criança com medo de tudo. Completamente inconsequente. E ao mesmo tempo pareço tão estranhamente madura. Eu fico cuidando do mundo por aí. Das pessoas, das ocupações... Tudo isso enquanto minha vida é um emaranhado de coisas sem sentido, refletindo muito bem o que eu sou.
Eu sou um monte de gavetas desarrumadas que eu nem penso em mexer. E lá estou eu sendo auto biográfica em pleno feriado, as duas e doze da manhã porque eu estou com preguiça de dormir. Eu podia tentar escrever em terceira pessoa e dizer que " Júlia é uma garota indecisa que possui uma vida que não entende muito bem e por isso resolveu botar tudo isso no papel." Tudo bem, mas estou com preguiça. Eu preferi me expor mesmo, colocar-me aqui, primeira pessoa do singular: Eu.
Eu hoje etou estranha, eu hoje não me entendo. Eu hoje estou as duas horas e pouco da manhã tentando botar em tela tudo o que está dentro de mim e não consigo. Outrora isso me daria um texto bem escrito, mas hoje não. Hoje chove lá fora, meus cabelos estã fora do prumo, minha mente também, eu estou sozinha no meu computador e eu quero mais é que eu não pense mais.
Um desejo? as coisas mais simples do mundo.
Tipo a tarde de hoje. Com chuva e tudo mais.
No mais eu nem tenho muito o que dizer. Eu nunca tenho, pra dizer a verdade. Eu só gosto de me expor. Aí ninguém precisa me perguntar sobre o que realmente importa.
Falar sobre o que realmente importa nunca é considerado importante.
Na verdade foram parágrafos falando sobre coisas desimportantes. O que é importante eu ainda escondo. Eu sei o que vem a ser eu, mas mostrar é algo que ainda não me interessa.
Pelo menos não agora, não as duas e trinta e um da manhã enquanto eu estou horrivelmente mau-humorada e pensando em coisas que não vem ao caso.
Eu termino um emaranhado de linhas sem sentido nem nexo. Algumas coisas sobre mim, minhas superficialidades supostamente profundas. Meus segredos que todo mundo já sabe.
Mas o que é importante eu escondo. Escondo porque sou uma covarde que se mostra por pura falta de coragem de se mostrar por completo. Ou medo que os outros a descubram.
Quando a gente conta primeiro as pessoas não especulam.
E é por isso que eu me conto.
Eu tenho muito medo de não ser um mistério.
Trasparência é assustadora.
Não estou fazendo questão de fazer sentido nenhum nesse texto. Eu nunca faço sentido algum, que eu saiba. Eu sou um emaranhado de coisas que eu mesma faço o maior esforço pra entender e ainda sim não entendo. É como essa vírgula que eu acabei de apagar porque coloquei entre o "e" e o "ainda" na frase anterior. Todo mundo sabe que não se separa o conectivo com vírgula - o word vive me dizendo isso - e mesmo assim eu teimo em fazer.
Eu teimo em repetir os mesmos erros, usar as mesmas roupas e dizer as mesmas frases. Eu teimo em estar acordada as duas horas da manhã sem nenhuma conversa interessante, sem nenhum pensamento que realmente me valha a pena e a música nos meus ouvidos é algo que me lembra coisas que eu nem sei o que são. Eu teimo em querer mudar o mundo, em me irritar com idiotices e rir com coisa séria. Eu teimo com coisas que eu sei que não valem a pena e que nunca darão certo.
É como essas coisas que eu estou escrevendo. Eu não sei pra onde me levam as palavras. Eu nunca sei. É que de repente você começa a digitar freneticamente na busca em que sua mente se cole no papel de algum modo. Digitar e papel não combinam. Digitar se faz na tela e no papel se escreve. Mas eu sou isso, essa junção esquisita entre modernidade e arcadismo. Eu tenho uma mente falsamente aberta lotada de preconceitos bobos como qualquer um. Eu adoro toda a tecnologia e mesmo assim não sei ler livros em uma tela, e nem mesmo penso em não me casar. É verdade, eu não penso nisso.
Eu não me enxergo daqui há 10 anos uma mulher super bem sucedida e sozinha. Eu sonho em ter uma família e mais um par de pieguices. Eu penso em um amor desses que me valem os dias todos e mais um pouco deles. Alguem pra me esperar nos meus dias difíceis e algum abraço nesses dias friorentos. Eu sou cafona. Eu só tenho esse cabelo curto muito mal arrumado e só pareço não me preocupar com nada. Eu pareço um monte de coisas. Ser mesmo é outra instância que eu nem sei onde está.
Talvez sejam essas dúvidas idiotas. Talvez seja isso que acaba de tocar nos meus ouvidos " o tempo vem trazendo algumas marcas, na rua e no meu coração". Eu já tenho quase vinte anos... dá pra acreditar nisso? Eu pareço uma criança com medo de tudo. Completamente inconsequente. E ao mesmo tempo pareço tão estranhamente madura. Eu fico cuidando do mundo por aí. Das pessoas, das ocupações... Tudo isso enquanto minha vida é um emaranhado de coisas sem sentido, refletindo muito bem o que eu sou.
Eu sou um monte de gavetas desarrumadas que eu nem penso em mexer. E lá estou eu sendo auto biográfica em pleno feriado, as duas e doze da manhã porque eu estou com preguiça de dormir. Eu podia tentar escrever em terceira pessoa e dizer que " Júlia é uma garota indecisa que possui uma vida que não entende muito bem e por isso resolveu botar tudo isso no papel." Tudo bem, mas estou com preguiça. Eu preferi me expor mesmo, colocar-me aqui, primeira pessoa do singular: Eu.
Eu hoje etou estranha, eu hoje não me entendo. Eu hoje estou as duas horas e pouco da manhã tentando botar em tela tudo o que está dentro de mim e não consigo. Outrora isso me daria um texto bem escrito, mas hoje não. Hoje chove lá fora, meus cabelos estã fora do prumo, minha mente também, eu estou sozinha no meu computador e eu quero mais é que eu não pense mais.
Um desejo? as coisas mais simples do mundo.
Tipo a tarde de hoje. Com chuva e tudo mais.
No mais eu nem tenho muito o que dizer. Eu nunca tenho, pra dizer a verdade. Eu só gosto de me expor. Aí ninguém precisa me perguntar sobre o que realmente importa.
Falar sobre o que realmente importa nunca é considerado importante.
Na verdade foram parágrafos falando sobre coisas desimportantes. O que é importante eu ainda escondo. Eu sei o que vem a ser eu, mas mostrar é algo que ainda não me interessa.
Pelo menos não agora, não as duas e trinta e um da manhã enquanto eu estou horrivelmente mau-humorada e pensando em coisas que não vem ao caso.
Eu termino um emaranhado de linhas sem sentido nem nexo. Algumas coisas sobre mim, minhas superficialidades supostamente profundas. Meus segredos que todo mundo já sabe.
Mas o que é importante eu escondo. Escondo porque sou uma covarde que se mostra por pura falta de coragem de se mostrar por completo. Ou medo que os outros a descubram.
Quando a gente conta primeiro as pessoas não especulam.
E é por isso que eu me conto.
Eu tenho muito medo de não ser um mistério.
Trasparência é assustadora.
7.4.08
O porquê
E ela foi chorar no banheiro sem saber porquê.
quando percebeu suas lágrimas caiam uma a uma, naquele pequeno espaço branco com luzes em spot queimadas.
A dor era alguma coisa inexplicavel e inteligível, mas era pungente e completamente real.
Talvez fosse o mundo, ou todas as coisas que esperavam dela e ela simplesmente não podia dar.
Ela não tinha mais o futuro brilhante que todo mundo esperava. Ela era simplesmente um ponto na linha reta da humanidade. Diferença ela devia fazer pra alguém, em algum lugar, mas naquele momento não importava.
Era simplesmente uma pequena menina surtando e chorando copiosamente sem nem saber porque. Podia cortar seus braços com gilete, ou tomar milhões de comprimidos brancos de uma vez. Podia gritar, se jogar do décimo quinto andar. Podia roubar a arma do pai e se matar com um simples tiro. Podia acabar com a vida naquele momento. A gente se suicida quando não aguenta a dor de viver, alguém tinha dito um dia. Mas ela era covarde, nem isso podia fazer, nem queria. ia pensar em todas as ridicularidades que implicariam se matar ali, naquela hora com vinte anos e há dois anos de terminar a merda da faculdade. pensando na merda da faculdade antes de morrer, que bosta era aquela? era ela. maria fernanda, uma idiota sem sentido que estava chorando no banheiro sem saber porque.
Mas sem saber porque era o normal da sua vidinha medíocre. Ela namorava um cara sem saber porque. Na verdade sabia, era muito mais medo de ficar sozinha do que vontade de ficar junto. Tinha três na sua lista além dele, e a dúvida nem a deixava dormir mas na verdade não amava ninguém. Entre ficar sozinha, escolheu ficar com a opção mais sólida, o bom menino, aquele que casaria com ela, e pagaria suas contas. Ou simplesmente a amava um tanto mais que suficiente. E ele devia ser bipolar também, e ela nem gostava tanto assim dele. Sofria de carência afetiva e tinha escolhido não tomara anti-depressivos porque tem horror a depêndencia. Namora por simples medo de ficar sozinha. e nem ama nenhum dos três que habitam a sua vida. Nem o namorado, nem o ex-namorado fantasma, e nem o amigo com quem ficaria se pedisse. Por ela viveria uma vida de aventuras, pegaria todos os caras possíveis e imagináveis, e estaria voando de boca em boca, corpo em corpo, mesa de bar em mesa de bar. Nos bares sujos, nos lugares que não são frequentados por meninas de bem. Ela nem seria mesmo uma menina de bem. Estaria perdida na vida, e aí se ela morresse nem ia importar pra ninguém. Morrer de overdose num beco qualquer, babando, com a roupa rasgada depois de ter pegado um bêbado que nem sabia o nome.
Mas se chamava Maria fernanda, menina de família, covarde e só vai mesmo chorar no banheiro sem saber porque.
Namorar o namorado que não ama, esquecer o ex que se pudesse voltava na hora, e não beijar o amigo num ímpeto estranho só por simples questão de pele. Não vai largar a faculdade, vai continuar tentando ser jornalista mesmo odiando escrever e nao entendendo nada de política, só porque o pai tem um jornal. Vai ter um emprego dígno, dois filhos, uma família de comercial de margarina e vai agradar a todos, exceto a ela mesma.
Não vai se matar agora porque isso ia fazer uma sujeirada danada, e Maria fernanda não quer sujar o chão. Ou atrapalhar a passagem na rua.
Ela só vai chorar no banheiro sem saber porque. só sabendo que está se tornando o que nunca quis ser.
quando percebeu suas lágrimas caiam uma a uma, naquele pequeno espaço branco com luzes em spot queimadas.
A dor era alguma coisa inexplicavel e inteligível, mas era pungente e completamente real.
Talvez fosse o mundo, ou todas as coisas que esperavam dela e ela simplesmente não podia dar.
Ela não tinha mais o futuro brilhante que todo mundo esperava. Ela era simplesmente um ponto na linha reta da humanidade. Diferença ela devia fazer pra alguém, em algum lugar, mas naquele momento não importava.
Era simplesmente uma pequena menina surtando e chorando copiosamente sem nem saber porque. Podia cortar seus braços com gilete, ou tomar milhões de comprimidos brancos de uma vez. Podia gritar, se jogar do décimo quinto andar. Podia roubar a arma do pai e se matar com um simples tiro. Podia acabar com a vida naquele momento. A gente se suicida quando não aguenta a dor de viver, alguém tinha dito um dia. Mas ela era covarde, nem isso podia fazer, nem queria. ia pensar em todas as ridicularidades que implicariam se matar ali, naquela hora com vinte anos e há dois anos de terminar a merda da faculdade. pensando na merda da faculdade antes de morrer, que bosta era aquela? era ela. maria fernanda, uma idiota sem sentido que estava chorando no banheiro sem saber porque.
Mas sem saber porque era o normal da sua vidinha medíocre. Ela namorava um cara sem saber porque. Na verdade sabia, era muito mais medo de ficar sozinha do que vontade de ficar junto. Tinha três na sua lista além dele, e a dúvida nem a deixava dormir mas na verdade não amava ninguém. Entre ficar sozinha, escolheu ficar com a opção mais sólida, o bom menino, aquele que casaria com ela, e pagaria suas contas. Ou simplesmente a amava um tanto mais que suficiente. E ele devia ser bipolar também, e ela nem gostava tanto assim dele. Sofria de carência afetiva e tinha escolhido não tomara anti-depressivos porque tem horror a depêndencia. Namora por simples medo de ficar sozinha. e nem ama nenhum dos três que habitam a sua vida. Nem o namorado, nem o ex-namorado fantasma, e nem o amigo com quem ficaria se pedisse. Por ela viveria uma vida de aventuras, pegaria todos os caras possíveis e imagináveis, e estaria voando de boca em boca, corpo em corpo, mesa de bar em mesa de bar. Nos bares sujos, nos lugares que não são frequentados por meninas de bem. Ela nem seria mesmo uma menina de bem. Estaria perdida na vida, e aí se ela morresse nem ia importar pra ninguém. Morrer de overdose num beco qualquer, babando, com a roupa rasgada depois de ter pegado um bêbado que nem sabia o nome.
Mas se chamava Maria fernanda, menina de família, covarde e só vai mesmo chorar no banheiro sem saber porque.
Namorar o namorado que não ama, esquecer o ex que se pudesse voltava na hora, e não beijar o amigo num ímpeto estranho só por simples questão de pele. Não vai largar a faculdade, vai continuar tentando ser jornalista mesmo odiando escrever e nao entendendo nada de política, só porque o pai tem um jornal. Vai ter um emprego dígno, dois filhos, uma família de comercial de margarina e vai agradar a todos, exceto a ela mesma.
Não vai se matar agora porque isso ia fazer uma sujeirada danada, e Maria fernanda não quer sujar o chão. Ou atrapalhar a passagem na rua.
Ela só vai chorar no banheiro sem saber porque. só sabendo que está se tornando o que nunca quis ser.
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